sábado, 27 de fevereiro de 2010

Sinais do Fim

Sinais do FIM DO MUNDO!




1. Aumento do conhecimento! (Dn 12:4)

O conhecimento humano está dobrando a cada dois anos e meio! (2002)
2. Aumento das viagens. (Dn. 12:4; Na. 2:4)

650 milhões de automóveis estão em circulação e mais 60 milhões são fabricados a cada ano! 200 mil aviões transportam 500 milhões de pessoas pelos céus a cada ano. Em qualquer instante, há cerca de 100 mil pessoas no ar! Exércitos podem ser transportados para qualquer ponto do planeta via aérea em menos de 24 horas.

3. Aumento das Comunicaçoes. (Mt. 24:14)

A indústria de Telecomunicações é uma das maiores do mundo. As bandas de freqüência estão entupidas de emissoras de rádio e TV. Há telões espalhados por todo o canto nas cidades. A TV via satélite mostra qualquer evento do mundo em tempo real. Se fala por telefone celular em qualquer parte do mundo com qualquer pessoa! Um correio eletrônico dá a volta ao mundo em 1 segundo.

4. Guerras e rumores de guerras. (Mt. 24:6-7)

Não há um só dia sem guerra no mundo. As manchetes dos jornais estão repletas de rumores. A indústria bélica continua a vender muito bem.

5. Malignos transgressores. (Dn. 8:23-25)

Sadam Hussein, Yasser Arafat, Kadafi, Milohsevich, Bin Laden, são só uma amostra das milhões de pessoas possuídas por demônios que se multiplicarão pelo mundo!

6. Guerras de Israel. (1948; 1967; 1973)

As guerras acima deixaram o mundo abismado, pela capacidade dos judeus resistirem às furiosas retaliações contra a existência do estado de Israel! No mesmo dia da declaração de independência, em 15 de maio 1948, os paízes árabes declararam guerra contra Israel. Os palestinos não descansarão enquanto Israel existir. Eles não querem paz.

7. Reavivamento do Império Romano. (Dn. 2:40-45 - Comunidade Européia)

A Europa está se tornando um bloco cada vez mais unido: O EURO é uma realidade, O PASSAPORTE comum é uma realidade, O PARLAMENTO Europeu é uma realidade! Só falta O GOVERNADOR comum (anticristo)!

8. Governo Mundial. (Ap. 17:7-17)

Antes do milênio (Ap. 20) haverá um governo do ditador maligno mundial (Dn. 2,7,9; Ap. 13 e 17).

9. Princípio das dores. (Mt 24; Lc. 21; Mc. 13)

Milhões de pessoas morrerão de fome e de AIDS na África.

10. Degradaçao Moral. (Mt. 24:37; Lc. 17; 2Tm.3:1-10)

Desafiando ao Altíssimo, milhões de sodomitas se multiplicam em suas blasfemas paradas a cada ano! Eles ainda têm a audácia de pedir a liberação da pedofilia homosexual! Que abominação! (ver foto abaixo)



Mais de 100 milhões de abortos são feito a cada anos pelo mundo. Setenta porcento dos casos de AIDS são resultado da perversões masculinas. Metade dos recém nascidos provém de uniões fora do matrimônio! Nudez e relações sexuais estão sendo mostradas a qualquer momento nas TVs.



"...Salvai-vos desta geração perversa..." (At. 2:40 ACF)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

POEMA "ENIGMA DA CASA VELHA" - VENCEDOR DO I PRÊMIO NACIONAL IDEAL CLUBE DE LITERATURA GERARDO DE MELLO MOURÃO 2009 CATEGORIA DESTAQUES

ENIGMA DA CASA VELHA

Nelson Silva

A casa velha
Erguida solenemente
Ao fim da rua
Espreitava o mundo.

Fincada insolenemente
Ao fim da rua
A casa velha
Vigiava o mundo.

Ao contrário das folhas de papel em branco
Que aceitam qualquer mundo
A casa velha só tinha olhos para o seu mundo
O qual espreitava e vigiava como um atalaia.

Mundo vago e pequeno
O da casa velha
Posto que ocupava apenas
A dimensão exata de sua diminuta rua.

Mas vejam - e que ninguém se engane -
A casa velha de raízes profundas
Entranhadas no chão daquela rua
Sabia muitas coisas.

Muito mais coisas por exemplo
do que um caixeiro viajante
Mesmo sem ter estado antes
em nenhum lugar distante.

Erigida solidamente
Ao fim da rua
E cercada de árvores mudas
A casa velha investigava o mundo.

A hera tomara conta
Do pórtico de entrada da casa velha
E ninguém nem mesmo ao trabalho se dera
De podar as pontas das visitantes de primavera.

Até quando
Permanecerão incólumes
As fundações da casa velha.

Por quanto tempo ainda habitarão insones
Os cada vez mais escassos e idôneos
Moradores que supunha ter a casa velha.

Exalando estranhos e antigos aromas
pelos compartimentos sem cores
na extensão abrupta da casa velha.

Quem humano poderia
Acompanhar o passo lento
Mas inexorável da casa velha.

Um ano era
Como uma vida eterna
Se dependesse do olhar astuto da casa velha.

Parada soberbamente
Ao fim da rua
Ela auscultava o mundo.

E não era qualquer mundo
Como os mundos que surgem dos papéis em branco
Que ganhava a admiração da casa velha.

Mas um mundo
que repousava na ânsia
De um cachorro no quintal em um feriado longo.

Longe, contudo
um bramir de tratores
agitava a casa velha.

Sentia mesmo um terremoto
A sacudir-lhe as paredes
Como na queda da casa de Usher.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

CLÁSSICOS DE 1986: O CONCRETO JÁ RACHOU


A Plebe Rude no início dos anos 1980 era a maior banda da ‘tchurma’ de Brasília. O Aborto Elétrico tinha se desintegrado, dando luz ao Capital Inicial e a Legião Urbana, nenhuma das quais havia se consolidado, ainda, no gosto do jovem alternativo brasiliense. Para azar da Plebe, seus membros nunca foram de fazer muito marketing, de apertar as mãos certas nas horas certas.
Já suas bandas irmãs tinham de sobra esse dom. Aliado a esse fato, quando surgiu a oportunidade das bandas candangas tocarem no Rio de Janeiro, Philippe estava com viagem inadiável marcada para os Estados Unidos, para visitar os irmãos. Então Capital e Legião foram tocar no Circo Voador, fizeram merecido sucesso, impactando tudo que havia sendo feito em termos de rock carioca até o momento. Eu acompanhei tudo pensando: “se estivéssemos aqui, o impacto seria maior!”. Resultado: Capital Inicial contratado pela Polygram e Legião Urbana pela EMI.

Hebert Vianna já conhecia o trabalho da Plebe Rude, por meio de seu irmão, o antropólogo Hermano Vianna, que havia escrito uma reportagem bastante positiva sobre o novo rock de Brasília. Gostava tanto, que se propôs a batalhar dentro da EMI a contratação da banda, que seria produzida por ele. Depois de um festival no Parque Lage, no Rio, o diretor artístico da EMI ficou convencido, contratou a banda para gravar um novo produto criado pela gravadora: o mini-LP.

Em novembro de 1985, a Plebe passou todas as noites do mês enfurnada dentro do estúdio da EMI, gravando sete músicas para o mini-LP que viria a se chamar O Concreto Já Rachou. Devido a bagagem de estrada, ao excelente ouvido de Philippe, ao entusiasmo do Hebert e as habilidades do técnico de som Renatinho, foi uma sessão fácil e desafiante. O resultado foi um disco que soa como um importado, mas com letras em português.

A gravadora escolheu “Minha Renda” como música de trabalho. A mídia elegeu “Até Quando Esperar”, que estourou no país todo. O disco virou ouro antes de qualquer um da Legião ou Capital, só para se ter uma idéia do sucesso. Um clássico.

André Mueller, baixista e fundador da Plebe Rude

CLÁSSICOS DE 1986: CAPITAL INICIAL I


“Nosso 1º disco foi gravado em um estúdio chamado Nosso Estúdio, em São Paulo. As gravações começaram em janeiro de 1986 e longos três meses depois, no começo de abril, conseguimos terminar o disco. Não foi nossa primeira experiência em estúdio, pois havíamos gravado um compacto um ano antes. Mas éramos quase virgens. E isso faz uma grande diferença. Por isso a gravação foi tão demorada. Cada música foi tocada centenas de vezes até sair certo.
Nosso produtor, escolhido pela gravadora, nunca tinha gravado um disco de rock antes. Na verdade, ele nunca tinha ouvido rock. Ele só fazia discos de MPB. Falar que queríamos um timbre de guitarra igual ao do Steve Jones (Sex Pistols) não adiantava nada. A comunicação era difícil, apesar de sua boa vontade.

Não tínhamos equipamento. O baixo não sofreu tanto, pois podia ser gravado em linha, plugado direto na mesa. Mas para gravar a guitarra foi um sufoco. Conseguir uma guitarra distorcida foi pior ainda. Lembro-me que chegamos a usar uma caixa que alguém trouxe de casa, que não era para instrumentos, e sim para ouvir discos. Ligando a guitarra nela, o som vinha distorcido, e foi isso que usamos.

Mas estávamos felizes e achando tudo lindo. Queríamos ‘sofisticar’ nosso som, e chamamos Bozzo Barretti para gravar piano e teclados. Ele acabou co-produzindo o disco e sugeriu colocar metais em algumas músicas. Nós gostamos do resultado final, mas os amigos mais puristas que nos conheciam da época de Brasília não acharam muita graça.

Das onze faixas do disco, seis foram compostas em Brasília, e cinco foram compostas em São Paulo. Nós nos mudamos para SP em janeiro de 1985, e passamos o ano todo ensaiando e compondo. Ensaiávamos todo dia, no porão do sobrado onde Dinho morava. As músicas compostas em SP foram: “Gritos”, “Linhas Cruzadas”, “Cavalheiros”, “Sob Controle” e “Tudo Mal”.

Com o disco terminado, fomos fazer fotos para a capa. Chamamos Ico Ouro Preto, nosso amigo de Brasília e irmão de Dinho. Fizemos várias fotos na frente do Museu do Ipiranga, e uma delas, na frente de um espelho d'água. Nossa imagem ficou refletida. Ico depois cortou a foto, e usou só o reflexo na água. Ficou um efeito interessante, numa época sem photoshop, nem computador.

Não tínhamos nenhuma expectativa com relação ao disco. Fizemos uma lista das músicas que achávamos que poderiam tocar nas rádios. “Música Urbana” ficou em último lugar. Aí a gravadora liga e diz que a música de trabalho escolhida era “Música Urbana”. Ok.
O disco só foi lançado cinco meses depois de pronto, em agosto. Nessa altura, a gente já achava o disco ruim e mal gravado. A tiragem inicial foi de quatro mil cópias. Ficamos muito felizes quando soubemos que esgotou rapidamente. Já estava bom, mas começamos a sonhar que talvez pudéssemos chegar à marca de dez mil cópias vendidas. Após um ano do lançamento, havíamos vendido 250 mil!”

Flávio Lemos, baixista do Capital Inicial

CLÁSSICOS DE 1986: LONGE DEMAIS DAS CAPITAIS


"Gravamos Longe Demais Das Capitais entre maio e junho de 1986 em São Paulo, nos estúdios da RCA.
Tivemos liberdade total, só mostramos o disco para os executivos quando estava pronto. O lado ruim da baixa expectativa foram os horários de estúdio que nos deram. Gravamos nos períodos que sobravam de outros artistas. Até hoje não consigo ouvir o disco sem lembrar que gravei muita coisa no início das manhãs.


Quem produziu foi Reinaldo Barriga, um cara com os dois pés no chão e sem muitas pretensões artísticas. Era exatamente o que precisávamos, pois idéias nós já tínhamos demais. Ele nos ajudou muito, pois tinha a cabeça nos anos 70. Nós não estávamos muito interessados nas mudanças tecnológicas que estavam começando a invadir os estúdios.

Queríamos estar longe demais das capitais, na contramão da euforia que rolava na cena. Predominava no ambiente uma vontade estranha de ser londrino ou nova-iorquino. Algum tempo depois pintou a onda terceiro mundista e o orgulho estranho de ser banguela. Nunca entendi estas tendências.

A foto da capa não é nada urbana. O local sugere o pampa gaúcho, mas é mais perto de Porto Alegre do que se pode imaginar.
Eu já tinha escrito todo o material antes de entrar em estúdio. As músicas já rolavam nos shows. Gosto de pensar que poderia ter feito aquelas canções hoje de manhã. Até citaria os mesmos Fidel e Pinochet em “Toda Forma de Poder”.

Um fato revela qual era nosso espírito durante a gravação: o pessoal do estúdio se enganou na hora de pegar as fitas e uma canção foi gravada sobre a anterior. Foram horas de trabalho jogadas fora. Os caras olharam para a gente apavorados, esperando que tivéssemos um ataque histérico. Nossa reação foi cair no chão de tanto rir. Teríamos que fazer tudo de novo? Que bom!"

Humberto Gessinger, líder do Engenheiros do Hawaii

CLÁSSICOS DE 1986: RÁDIO PIRATA AO VIVO


Em 1984 passamos o ano inteiro rodando as danceterias de Sampa e ensaiando diariamente, então, quando Ney Matogrosso foi nos assistir, ele encontrou uma bandinha muito bem ajeitada, que tocava aquelas músicas de trás pra frente, com pegada e muita segurança. Mas foi ele quem lapidou a pedra bruta, desde nossa postura de palco até o roteiro, passando pelas luzes e pelo uso preciso e econômico do raio laser. Estreamos, ansiosos, um espetáculo ousado, hi-tech, na primeira incursão de uma banda de nossa geração num grande teatro, em horário nobre.
A presença do nosso querido Chacrinha na platéia nos deixou ainda mais nervosos. Mas os ensaios mostraram sua eficiência e tudo correu bem. Por acaso, isto aconteceu na véspera do meu aniversário de 23 anos, no dia 23 de setembro de 1985. Poucos meses, e muita, muita loucura, shows, programas de tv e rádio e várias capas de revistas depois, um acontecimento inesperado mudaria definitivamente o rumo de nossas vidas. A música "London, London", colocada no show por minha sugestão, para criar a dinâmica que o Ney precisava para o roteiro, havia sido gravada no Festival de Atlântida, em Porto Alegre, e estava estourada, numa versão pirata (meta canção!), nas rádios de todo o Brasil, chegando ao absurdo de 70 execuções/dia (para se ter uma idéia, 20 execuções já é considerado um sucesso!).


O desvio de rota passava pelo Palácio das Convenções do Anhembi em SP, onde, em duas apresentações no mês de maio de 1986, gravaríamos "Rádio Pirata Ao Vivo”. Naquela altura, estávamos no auge, pensávamos, e não podíamos imaginar o quanto à coisa ainda iria crescer. Com uma média de cinco shows por semana, éramos uma banda extremamente competente, entrosada, e nosso astral estava lá em cima, com um sucesso ímpar e todos os nossos sonhos mais megalomaníacos se realizando um a um.


As gravações transcorreram tranquilas, dentro daquela espécie de beatlemania que vivíamos, produzidas pelo experiente Mazzola, e dirigida pelo Ney. Com toda aquela bagagem, nada poderia dar errado. Fomos à Los Angeles mixar o disco, em mais uma ação pioneira, e o resultado é o que se sabe: três milhões de cópias vendidas, e ainda a maior vendagem do catálogo da Sony-BMG. O que não sabíamos é que, de certa forma, aquele era o começo do fim.

Mas essa é outra história...


Paulo Ricardo, ex-líder do RPM

CLÁSSICOS DE 1986: O FUTURO É VORTEX


Quando chegamos ao estúdio, adoramos. Era muito grande, com um piano e uma cabine exclusiva para voz. Muitos artistas de peso haviam passado por lá, na rua Dona Veridiana. Nos trataram muito bem, disseram que podíamos fazer qualquer coisa lá dentro, e fizemos. A produção ficou a cargo do Maluly, conceituado produtor da época, muito simpático e atencioso, quefez de tudo para gravar nosso som da melhor forma possível. Lembro de uma idéia dele de gravar a minha voz em “Surfista Calhorda” no banheiro da gravadora, e gravamos. Ecos de azulejo. Inclusive no final da música eu puxei a descarga da privada. Usamos uns amplificadores Fender antigos e muito bons. Tinha uma sala cheia deles, inacreditável.



Participei da edição do disco, que na época era em fita magnética, com durex usados nas emendas.Foi uma temporada muito boa em São Paulo, gravávamos da tarde até a noite,e depois saíamos pela cidade em busca de shows e festas legais. Para a capa do disco chamamos nossa amiga Rochelle Costi, que havia feitoa capa do compacto. Hoje ela é famosa no Brasil e no mundo com seus trabalhos espetaculares. As fotos foram feitas na abóbada da Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, como se tivéssemos sito tele transportados de um outro mundo para a Terra.


O Replicantes nunca criou espectativas, mas sabíamos que se tratava de um disco clássico. Tínhamos direito a cem exemplares, e estes nós usávamos para presentear pessoas mais interessantes, que achávamos que iriam curtir e divulgá-lo mais ainda, o que sempre acontecia. Mandávamos discos para fora do Brasil, inclusive o encarte tinha as letras em português e inglês. Sempre dando muita importância para o fato de as pessoa entenderem o que estávamos falando. Até hoje quase todas as músicas deste disco continuam nos nossos shows.

Wander Wildner, ex-vocalista do Replicantes

CLÁSSICOS DE 1986


O Ira! conseguiu um ótimo destaque com "Longe de Tudo", música do 1º disco da banda. MAs foi com Vivendo... que a banda chegou ao reconhecimento nacional, muito graças a "Flores em Você" que foi abertura de novela das 8 da Globo. Pra mim, o disco inteiro é ótimo. Um clássico que tinha tudo para afundar a banda. Olha só a confusão para gravá-lo:


Esse é um disco que gosto muito das composições, porém não gosto da forma como foi gravado e de sua sonoridade. A princípio ele seria produzido por Liminha. Fomos ao Rio para as gravações no Nas Nuvens, mas acabamos batendo de frente com ele e voltamos para São Paulo para terminar o disco aqui. Até por isso a produção do disco foi assinada por cinco nomes.

O clima no estúdio foi tenso por causa de todas essas mudanças de produtor e sonoridade. Entramos no estúdio com uma postura defensiva, pois não estávamos seguros.
Quando o material que gravamos no Rio chegou, ficamos assustados, pois haviam mexido na master, deixando alguns canais reduzidos, onde tinham dois instrumentos ou mais, e isso atrasou o processo de mixagem.

No Vivendo e Não Aprendendo acabamos gravando novamente “Pobre Paulista” e “Gritos na Multidão”, mas isso foi uma coisa da gravadora. Essas músicas pra gente já eram de um passado distante, mas a gravadora disse que iria ajudar nas vendas e, pra não vermos essas músicas trabalhadas pela gravadora, então resolvemos gravá-las ao vivo, numa espécie de sabotagem, pois dificilmente a Warner lançaria uma música de trabalho ao vivo. A gente sempre dizia não para a gravadora: não gostávamos de fazer playback e de divulgação em qualquer lugar. Era sempre ‘não’, então para agradarmos de certa forma, acabamos por colocar no disco essas duas músicas.


Éramos uma banda de vanguarda, “Vitrine Viva” é um exemplo disso, o Ira! era uma espécie de líder da cena underground de São Paulo e, já no 1º disco, deixamos de lado as roupas escuras do punk rock para mergulharmos na sonoridade mod, sessentista e idealista. Nesse contexto “Gritos” e “Pobre” já não se encaixavam mais em nossa sonoridade.

Quanto a capa não queríamos fazer novamente uma foto de banda e foi aí que veio a idéia de se fazer desenhos, numa linguagem de Art Pop, que tem tudo a ver com o movimento Mod.
Vivendo e Não Aprendendo foi o passaporte de entrada do Ira! no mainstream.

Nasi, ex-vocalista do Ira!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Febre de Alice



Filme, exposição e livro marcam os 145 anos de criação da personagem de Lewis Carrol - uma das mais instigantes e originais da literatura universal


Mundo surreal

Cena do aguardado filme "Alice no País das Maravilhas", dirigido por TIm Burton e protagonizado pela atriz Mia Wasikowska: ela faz uma Alice menos ingênua e com leve dose de malícia
Uma história inventada para divertir três crianças no final do século XIX se transformou na primeira ficção escrita pelo professor britânico de lógica e matemática Charles Lutwidge Dodson, conhecido como Lewis Carrol (1832- 1898) - e lhe concedeu o título de fundador do surrealismo na Inglaterra vitoriana. "Alice no País das Maravilhas", a mágica fábula da menina que se perde pelos labirintos da própria imaginação, foi criada especialmente para a garota Alice Liddel, então com 10 anos, e que é a homenageada do título. Essa despretensiosa peregrinação infantil já foi traduzida em 50 idiomas ao longo de quase 150 anos. Agora ganha novo fôlego com a aguardada versão cinematográfica dirigida por Tim Burton, com a estreante australiana Mia Wasikowska, 20 anos, no papel principal, e o astro Johnny Depp como o chapeleiro maluco. O cineasta, com sua estética fantástica, sombria e mórbida, e com o seu humor nonsense, parece bastante apropriado para contar essa história instigante (que, se diverte, também angustia) de "bichos, sonhos e anarquias" - como a define o próprio Lewis Caroll já no prefácio de seu livro. "As histórias de Alice são como drogas para menores", diz um corajoso Burton.


FILME E LIVRO A atriz Mia Wasikowska estreia em um difícil papel: tem de agradar a crianças e adultos. À dir., a nova edição da obra
Não bastasse a superprodução prevista para estrear em março do ano que vem, ainda há uma bem cuidada edição do livro que acaba de ser lançada (Editora Cosac Naify), com ilustrações vibrantes e psicodélicas de Luiz Zerbini e posfácio do historiador Nicolau Sevcenko. Uma das versões é especial para colecionadores e imita uma caixa de baralho. O que explica a atualidade da personagem? Na definição de Sevcenko, temos uma pista: "Alice é uma figura rebelde, que enfrenta, cheia de espanto e indignação, as criaturas presunçosas, mal-humoradas e falastronas do Mundo das Maravilhas. Atrás de cada uma delas está um tipo de


instituição vitoriana que Lewis satiriza e Alice desacata, para diversão e desforra dos leitores." Esse espírito de contestação também inspirou um grupo de artistas franceses de vanguarda a criar a mostra "Um Mundo sem Medidas", em cartaz no Museu de Arte Contemporânea, da Universidade de São Paulo. Organizada pela curadora francesa Valérie Marchi, a exposição reúne o trabalho de dez artistas plásticos contemporâneos com esculturas, fotografias, pinturas, desenhos e projeções que exploram as noções de espaço, tempo e dimensões inspirados no universo lúdico e onírico de Alice. A intenção é proporcionar a adultos uma viagem sensorial pelo espaço e pelo tempo através de efeitos multimídia e ilusões de ótica. É a "Alice no País das Maravilhas" do século XXI.

NO MUNDO DE ALICE
Exposição de arte explora o universo lúdico da personagem

Um dos principais destaques da exposição "Um Mundo sem Medidas", em São Paulo, o artista francês Jean-François Fourtou criou cenários desproporcionais que remetem a situações vividas por Alice em suas histórias, quando ela se torna tão pequena que perde a possibilidade de interagir com o ambiente - ou se coloca numa situação de vulnerabilidade extrema (foto à dir.). Outro expoente da vanguarda francesa, o fotógrafo Gilbert Garcir, também está presente: exibe a sua coleção de fotos surrealistas baseando-se na abstrata "Alice Através do Espelho".


Fernanda Assef - De Istoé para o Mensageiro da Realidade

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Who is it in the Press?


Quem diz essa frase é Júlio César, na peça homônima de Shakespeare. Não gosto de usar citações em outro idioma nos meus textos, mas, neste caso, é preciso em virtude do significado da palavra “press”, hoje, diferente. Andando com Marco Antônio entre a multidão, a caminho do Senado, Júlio César ouve alguém gritar por ele e responde: “who is it in the press that calls on me”, “quem me chama no meio da multidão”.
Sabe-se que “press”, em inglês significa imprensa, e que a Imprensa ainda não existia no período em que Shakespeare viveu. “Press” naquela época entendia-se como povo, gente, multidão. A relação entre a Imprensa, o Governo e a Sociedade é um dos fenômenos mais complexos do mundo contemporâneo. Fernando Henrique Cardoso disse uma vez, quando era Presidente da República, que ele precisava ler os Jornais todos os dias, para saber o que “ele estava pensando”. Não mentiu quando disse isso. O poder da Imprensa é gigantesco, e distorções e manipulações podem alterar por completo todo um estado de coisas. A mentira sempre pode fazer grandes estragos.
É comum, no Brasil, rotular, carimbar os “formadores de opinião”, jornalistas e escritores, que opinam sobre assuntos do dia a dia da nação e do mundo obrigando-os a “ter um lado” - seja sobre políticas públicas ou questões de natureza moral ou ética - como se não houvesse parâmetros para análises isentas. Os governos criam todos os dias, leis que geram mais confusão do que resultados, que atropelam essa ou aquela dimensão institucional, trazendo graves conseqüências para o futuro. No entanto, existe uma patrulha atuando para que especialistas silenciem diante dos descalabros diários do Estado. Achar que todas as pessoas que escrevem na Imprensa são vendidas, que o fazem por dinheiro ou por favores, que seus textos são de encomenda, ou ainda, que são opiniões ideológicas, partidárias e que não têm compromisso com a verdade é um grande erro. Existem opiniões isentas, sim. O grupo que age com isenção é pequeno, infinitamente menor do que aqueles estão comprometidos com seu próprio bolso, mas ele existe. Os homens públicos e o governo precisam ser vigiados, pois são manipuladores. O Estado é um monstro, é Thomas Hobbes quem nos alerta, em O Leviatã, “no entanto, ele, o monstro (o Estado) quer carinho”.
O escritor sério busca a verdade, orienta a sociedade, pois esse é o papel da Literatura. Embora sejam antípodas, a Literatura orienta a Política e a complementa, pois trabalha pra consertar seus erros. Já fez e tenta fazer todos os dias o seu papel de antena da sociedade. É Hamlet na sua conversa com os atores quem afirma: “o papel da arte foi, e é oferecer um espelho a natureza”.
Shakespeare escreveu numa época onde ainda não havia ideologias e isso é muito bom, já que impede que ele venha a ser rotulado como se faz comumente com todos. Esquerdista, neoliberal, machista, sexista, racista, imperialista, e vários outros carimbos de igual tamanho. Leio Shakespeare porque ele não está contaminado por essas coisas.
A grande Literatura só existe porque é honesta. Os grandes autores eram homens virtuosos e as exceções são poucas. Quando não o eram, procuravam sê-lo. O grande problema do Brasil ainda é que os bons – e são poucos - estão calados diante da iniqüidade que há muito tempo perdura no país. Repentinamente alguém grita: qual é seu papel na multidão?

Theófilo Silva é Presidente da Sociedade Shakesperae de Brasília e Colaborador da Rádio do Moreno.