terça-feira, 17 de março de 2009

Lovecraft: O Filho do Horror


Howard Phillips Lovecraft, filho de Sarah Susan Phillips e Winfield Scott Lovecraft, nasceu na casa de seus avós maternos em 20 de agosto de 1890 em Providence, Rhode Island, Estados Unidos.
Lovecraft tinha uma saúde delicada, fato que lhe impedia de freqüentar a escola assiduamente. Porém, foi uma criança precoce. Aos três anos foi alfabetizado, lia e recitava poemas. Aos cinco anos leu As Mil e Uma Noites; e aos seis escreveu O Poema de Ulisses, obra rimada com 88 linhas inspirada na Odisséia.
A morte de sua avó em 1896, abalou profundamente a família e especialmente Lovecraft. Em uma carta datada de 16 de novembro de 1916, o escritor confessa: "...assim que começo a cair no sono experimento um arrepio de medo, e luto instintivamente para manter-me acordado...". Estes pesadelos provavelmente o inspiraram a escrever The Dreamquest of Unknown Kadath (À Procura de Kadath).
Seu pai faleceu em 1898. Porém, essa perda não foi tão sentida, pois o Sr. Winfield estava internado há cinco anos. Ainda no ano de 1898, Lovecraft ingressa na Slater Avenue School no último ano do ensino primário, mas a saúde deficitária o impede de concluir o ano letivo.
A partir daí, o jovem estuda em casa sem o acompanhamento de tutores. Retorna para a mesma escola em 1902. Neste período, interessa-se por astronomia e redige o "Jornal de Astronomia de Rhode Island" que teve 69 edições. No ano seguinte, Lovecraft deixa a escola novamente devido ao St. Vitus's Dance, uma doença de ordem nervosa. Seus estudos ficam limitados ao acompanhamento dos tutores contratados.
O avô Whipple era um proeminente negociante local. Foi a figura paterna presente na vida de Lovecraft; compartilhou o fascínio pela literatura gótica e instruiu-lhe ao Latim. Sua morte em 1904 abalou a estrutura financeira da família. Lovecraft e sua mãe deixaram o casarão onde moravam, e mudaram-se para um discreto apartamento na mesma cidade. Pouco tempo depois, tenta o suicídio jogando-se de bicicleta no Barrington River.
No final do mesmo ano, entra no "Hope Street English and Classical High School", e durante os anos seguintes publica vários artigos de astronomia nos jornais locais. Em 1908 sofre outro colapso impedindo de concluir o segundo grau, e entrar na "Brown University". Este fato o abalou de tal forma, que Lovecraft tornou-se recluso e apático durante cinco anos, e pouco se sabe deste período.
Em abril de 1914, Lovecraft torna-se membro da "Associação Unida da Imprensa Amadora" (UAPA). Participa com muito entusiasmo escrevendo vários contos e poemas para jornais amadores. O conto O Alquimista foi publicado em 1916, mas foi escrito oito anos antes. A resposta favorável o incentivou a continuar publicando suas estórias de ficção. Logo depois, The Tumb (A Tumba) e Dagon também tiveram boa aceitação. Em maio de 1917 tornou-se presidente da UAPA, cargo que ocuparia até 1922.
No ano de 1918, escreve Polaris, O Depoimento de Randolph Carter e The Crawling Chaos. O personagem Randolf Carter pode ser considerado o alter-ego de Lovecraft.
Após a morte de sua mãe em 1921, escreve Desespero e O Intruso. Estas obras expressam a angústia do escritor perante a mais uma perda. Um mês depois, é convidado a integrar a "Associação Nacional da Imprensa Amadora".
Numa convenção em Boston, conhece a ucraniana Sonia H. Greene. Após uma ascensão literária e social considerável, Lovecraft viaja por regiões históricas da Costa Oeste, e aproveita as férias para dar continuidade à atividade de contista. Até que em março de 1924 casa-se com Sonia, e passa a morar em Nova York. Em dois anos de desencontros amorosos, infortúnios financeiros e saúde abalada, o casal separa-se. O autor retorna para Providence onde vai morar com as tias. Escreve vários contos em seqüência, e prossegue com estudos sobre filosofia, economia, arquitetura e política entre outros.
Os últimos anos de sua vida foram marcados por mais sofrimentos e desilusões. Seus contos tornam-se excessivamente longos e difíceis de serem publicados. Lovecraft então, passa a trabalhar como revisor de textos. Em 1932, morre uma de suas tias. O escritor muda-se novamente para outra casa, e já sofre com o câncer de estômago.
No dia 10 de março de 1937, Lovecraft é internado devido à fortes dores abdominais causadas pelo câncer. No dia 18 o escritor falece. É enterrado no mesmo dia no Swan Point Cemetery.
Lovecraft morreu sem nunca ter publicado um livro. Apenas poemas, contos e ensaios em publicações regionais. Sua obra foi reunida posteriormente graças a amigos como August Derleth e Donald Wandrei, que fundaram a editora "Arkham House" exclusivamente para preservar e divulgar as obras do autor. Porém, sua importância é incontestável perante a literatura fantástica mundial. Suas obras influenciaram escritores como Stephen King e Clive Barker.
Por Spectrum

quinta-feira, 12 de março de 2009

MEU CONTO DE HORROR


O FLUIDO ELÉTRICO


Nelson Silva

Este relato teve lugar em um hotel de Fortaleza, situado no Centro Antigo, região acinzentada da cidade, com seus casarões repletos de fantasmas de escravos, ainda atormentados pela crueldade a que foram submetidos por seus senhores, à época de tão lamentável passagem histórica.
O tapete negro da noite já estava devidamente estendido acima da cabeça dos homens esbaforidos, que corriam de um lado para o outro, em busca de suas conduções noturnas e a metrópole ainda gania de forma tonitruante, sob a tirania do clamor diário.
Explica-se: o dia, esvaindo-se, desferia-lhe os últimos golpes, causando assim breves e pontiagudas estocadas na alma de pedra de seus portentosos edifícios.
Tal dia em particular correra de forma especialmente difícil, na acepção verdadeira da palavra.
E Abimael estava cansado.
Afinal, rondara por todo o extenuante dia, perambulando entre as ruas e avenidas de sua amada Capital, naquele sábado, cujo aspecto apresentara-se sombrio desde o momento em que os rouxinóis anunciavam o luzir de sua aurora com sua elegância prateada.
Abimael chegara à conclusão de que não suportaria realizar a desgastante viagem até ao remoto subúrbio onde morava, nos confins dos limites urbanos. Em razão disso, decidiu então pernoitar em um hotel, decisão que o marcaria, decerto, pelo resto de seus dias frugais.
Eis que encontrou um simpático e agradável recanto, no que ficou extraordinariamente impressionado pela mobília antiquada, com a marca de um passado acontecido, sem sombra de dúvida, em um século distante, ao qual, entretanto, ele não soube precisar.
Parecendo entrar em outro mundo e não dando muita importância ao fato, Abimael foi ao chuveiro e logo em seguida deitou-se na cama macia.
Uma luz inquietante bruxuleava entre as cortinas.
Havia no ar uma atmosfera sobrenatural, lembraria ele mais tarde, como se uma banshee, o espírito feminino irlandês, que emerge das profundezas para noticiar a morte de um parente, segundo a lenda daquele país bretão, estivesse a esgueirar-se por entre os móveis gastos do quarto, confundindo-se com a poeira dos tempos.
O clima revelava-se, portanto, amedrontador. O ambiente estava terrivelmente carregado de um frio glacial.
A despeito da horrível sensação, Abimael adormeceu, vencido pelo jogo bruto do cansaço.
O que viria a seguir não fica devendo aos casos notórios que um certo escritor de Baltimore legou para a posteridade.
Senão vejamos:
No meio da madrugada, Abimael despertou apreendido de um incrível pavor, enregelado e selvagemente asfixiado por uma força descomunal que o possuía ardentemente.
Ele não sabe explicar o tétrico episódio até hoje, todavia, colhe em suas indefinidas lembranças, detalhes enlouquecedores da assombrosa experiência.
Segundo me foi confiado por nosso infeliz protagonista, viu-se ele preso por braços e pernas, como se estivesse oprimido por grilhões, sendo empurrado violentamente para baixo, por um peso incomensurável que o afundava na cama, a ponto de esta ranger como um moinho de vento da velha Escócia.

Ao que lhe parece, parecia estar sendo submetido a uma relação sexual forçada.
Todo o seu corpo emanava calafrios. Ele não conseguia gritar, pois havia uma espécie de mordaça que o sufocava, como se uma poderosa mão apertasse sua garganta, impedindo-o de emitir até mesmo um reles grunhido de socorro que o salvasse da medonha situação.
Uma confusão mental opunha-se a que ele raciocinasse, acercando-se de sua mente, como um exército sitia um inimigo.
Banhado em suor, vertia grossas gotas, que inundavam os lençóis.
O instinto de sobrevivência, porém, vencera o medo e Abimael então, decidiu lutar contra seu adversário implacável.
Tentou desvencilhar-se do gigante, abatendo-se em letais convulsões.
Ainda segundo o seu testemunho, ele sentiu estranhamente que a entidade de poder descomunal cedera repentinamente aos seu apelos e sua fúria excessiva aos poucos foi-se retirando, libertando-o de seus tentáculos, dando a entender que conseguira seu objetivo, por mais absurdo que viesse a ser.
Ao fitar, ainda que em uma fração de segundo, o rosto da coisa, ele perdeu os sentidos, tão repulsiva e indescritível era a tenebrosa face.
O vulto esvaneceu-se como em um passe de mágica.
Abimael acordou com batidas na porta.
Chegara ao fim a noite do pesadelo.
Mais assustador do que o sofrimento a que se lhe havia infligido, foi, entretanto, o desfecho desta historieta.
Quando foi pagar pela noite alucinante, o proprietário deixou-lhe a par de um fato no mínimo intrigante.
Uma fabulosa dama, de hábitos, cores, trajes e beleza das mulheres arianas anglo-saxãs, exalando uma fragância de especiarias das primaveras medievais já havia pago por sua estada, tão logo que os primeiros raios de um sol ainda opaco despontaram no horizonte violeta da cidade sonolenta.
- Parecia bastante satisfeita – riu, entredentes, o proprietário.


MAR/09

quarta-feira, 11 de março de 2009

A CIDADE E A CHUVA


A chuva me deixa triste

porque me faz lembrar coisas boas

que eu perdi.


Minha cidade está triste

com as águas caindo por cima

de mim e dos prédios.


Rompam os céus ágata águas

me lembrem de como estou só

milhões de pessoas, ninguém ao meu redor.


Mas a chuva molha minhas lágrimas

e ninguém percebe que eu choro

pelo menos isso é bom na chuva...


Nelson Silva

11.03.09

segunda-feira, 9 de março de 2009

PÉROLAS DE NELSON SILVA: SUNDAY BAD SUNDAY


SUNDAY BAD SUNDAY


Domingo solitário
domingo triste
mas domingo de reflexão.


Domingo não existe
domingo não é porta
para abrir à escravidão.


Domingo não resiste
domingo não permite
vontade revolucionária
ventos de dissolução.


Meu desejo ardente
sucumbiu ao domingo
estilhaçando versos
varrendo os tetos
tornando atraente
a ante-sala da explosão.


Passeio no domingo
vejo velas
desenho janelas boquiabertas.


Desço escadas
ando na contra-mão.


Meu amor não está aqui no domingo
meu amor foi embora
e não voltou.


Domingo da quietude
sem sombra de estampido de trovão.


Domingo me ajude
domingo me apazigue
a traspassar tal sensação.


Domingo tem seu rosto voltado para o chão.

E fui eu mesmo quem partiu meu coração.


Nelson Silva
08.03.08

PÉROLAS DE NELSON SILVA - THE SUNDAY


THE SUNDAY


Domingo solitário

domingo triste

mas domingo de reflexão.


Domingo não existe

domingo não é porta

para abrir à escravidão.


Domingo não resiste

domingo não permite

vontade revolucionária

ventos de disolução.


Meu desejo ardente

sucumbiu ao domingo

estilhaçando versos

varrendo os tetos

tornando atraente

a ante-sala da explosão.


Passeio no domingo

vejo velas

nas janelas boquiabertas.


Desço escadas

ando na contra-mão.


Meu amor não está aqui no domingo

meu amor foi embora

e não voltou.


Domingo da quietude

sem sombra de estampido de trovão.


Domingo me ajude

domingo me apazigue

a traspassar tal sensação.


Domingo tem seu rosto voltado para o chão.


Nelson Silva

08.03.08

quarta-feira, 4 de março de 2009

Como se Difunde a Cultura da Morte






Dizem que a propaganda é "a alma dos negócios".

De fato, como todo bom empreendedor bem o sabe, nada melhor que uma bela campanha publicitária para influenciar o mercado consumidor, e assim alavancar as vendas.
As campanhas publicitárias geralmente são elaboradas de forma a fazer com que o consumidor se sinta compelido a comprar determinado produto ou serviço, por convencimento ou por sugestão.

Dentre as conhecidas táticas de propaganda, destaca-se a de criar frases de efeito ou chavões que "peguem", ou seja, com os quais os consumidores se identifiquem e imediatamente os associem ao produto que se deseja evidenciar. Obviamente tal técnica se aplica tanto na promoção das qualidades de um dado produto, quanto aos virtuais "defeitos" dos produtos concorrentes.

O ideal é que o consumidor nem sequer cogite comparar o produto sendo-lhe oferecido com os de seus concorrentes.

Ora, como também se sabe, a propaganda não é exclusivamente usada em embates comerciais. Ela vem sendo usada por séculos como uma poderosa ferramenta de influência e conquista do que se chama de "opinião pública", e de manipulação de "massas".

Hitler, em parte graças ao seu sinistramente competente ministro da propaganda, Joseph Goebbels, conseguiu conquistar coração e mente do povo alemão, considerado bem educado e desenvolvido, através do uso bem orquestrado da propaganda política. As campanhas publicitárias nazistas guardam grande semelhança com certas campanhas publicitárias atuais.

Não se entenda aqui por publicidade como simplesmente anúncios de televisão ou rádio, mas sim estratégias e expedientes de promoção que usam de meios diversos, como artigos, notas, matérias de jornais, etc., que são formas mais sutis porém poderosas de convencimento.

E hoje vemos as estratégias e expedientes idênticos aos utilizados pelos nazistas, como é o caso da promoção do uso de células tronco embrionárias, de que resulta a morte do embrião.
Tenta-se apresentar as células tronco como uma panacéia universal, como Freud, em sua juventude apresentou a cocaína, capaz de eliminar todos os males, curar doenças incuráveis, e mesmo, prometer um aumento de expectativa de vida ao ser humano.

Tais objetivos, apesar de materialmente nobres, são utópicos, têm pouca sustentação na realidade, e se baseiam em mitos seculares, como o panacéia universal e o elixir da longa vida. Assemelham-se um pouco à cura universal do câncer, sempre prometida pela medicina, mas nunca conseguida. E, pior, este mito é usado como justificativa para o sacrifício de milhares de embriões humanos congelados, já que estes, como alegam os proponentes do uso das células tronco embrionárias, vão para a "lata de lixo".

Deste modo, se pretende usar seres humanos-- porque os embriões humanos são evidentemente humanos-- como fornecedores de " peças de reposição", sem levarem conta sua pessoa, seus direitos e sua dignidade.

Os principais promotores das células tronco embrionárias são parte de comunidade científica, que, como de costume, se encontra dividida a respeito do tema, e grupos de pressão e formação de opinião fortíssimos, que almejam a aplicação de legislação abortista irrestrita por toda parte do mundo.

Porque, de repente , uma verdadeira orquestra de propaganda começou a tocar a mesma música em todos os países.

Quem deu a partitura? Quem rege a orquestra? Quem paga os músicos?

Tenta-se difundir a idéia de que as células tronco embrionárias são uma espécie de panacéia universal, numa campanha que procura sensibilizar a opinião pública através da exploração da expectativa criada em paraplégicos e pessoas com doenças incuráveis.

Ao mesmo tempo, procura-se mostrar os que se opõe ao uso de células troncos embrionárias como "retrógrados", "obscurantistas" e "inquisitoriais". Não obstante, a oposição de parte da comunidade científica e de leigos, dentre os quais se destacam os católicos, não é contra o uso de células tronco retiradas de adultos, mas contra o extermínio dos embriões humanos, que são seres humanos como quaisquer outros e têm o direito à vida.

Com esta dupla investida, promovendo sentimentalmente o uso de células tronco embrionárias e denegrindo seus opositores, pretende-se formar na população em geral uma mentalidade de não questionamento a respeito do assunto. Uma mentalidade de não contestação, de maneira que qualquer oposição em contrário seja esmagada em seu nascedouro. Estão impondo cadeias mentais à população e manipulando a opinião pública. O método empregado faz com que a maioria da população, sem perceber, pouco a pouco, aceite coisas contra as quais se oporia caso as questões fossem claramente expostas.

Foi por causa disso que o projeto de lei das células tronco embrionárias foi anexado ao projeto dos transgênicos, para que fosse aprovado quase que por contrabando.

Pouco importa, à esta altura, que as pesquisas com células tronco ainda estejam no início e que não se tenha comprovado sua utilidade e seu benefício hipotético,. Pouco importa que possíveis malefícios sejam de abrangência desconhecida.

Pouco importa também que as células tronco possam ser obtidas a partir de cordões umbilicais. Pouco importa que possam ser obtidas da medula do próprio indivíduo adulto, que dela pode se beneficiar, evitando assim o risco de rejeição caso a célula tronco transplantada tenha outra procedência.

Pouco importa o fato da vida ser sagrada, e que nem o homem individualmente nem a sociedade tenham o direto de sacrificar a vida de um ser humano inocente e indefeso.

O que importa é "não ficar para trás, longe dos avanços científicos do mundo desenvolvido" quando vários países desenvolvidos, que provocam inveja na elite tupiniquim, proíbem o uso de embriões para a geração de células tronco.

O que importa é "não se render a uma mentalidade inquisitorial", mas sim, capitular à propaganda, e desistir de raciocinar e contestar. Capitular perante promessas cheias de frases de efeito, mas vazias de significado e de veracidade.

O que importa é cantar e dançar de acordo com a música e o ritmo dado pelo maestro da orquestra invisível.

A propaganda é a alma deste negócio (o extermínio dos embriões)!
Hitler e Goebbels não fariam pior...

A propaganda da desumanização


Onda xenófoba contra os árabes no Ocidente após ataques terroristas guarda semelhanças com a da Segunda Guerra

Propaganda a serviço da guerra: os japoneses retratados como vampiros pelos EUA
Os japoneses eram ''amarelos'' para os americanos. Os judeus, os ''sujos'' e ''corruptos'' que deveriam ser excluídos do Terceiro Reich. Agora, parece ser a vez de os árabes verem sua imagem ser desconstruída no imaginário ocidental em meio a um ambiente de medo e terror. ''Quanto mais diferente você se sente do seu inimigo, mais você é capaz de odiá-lo'', ensinou Josef Goebbels, o gênio do mal da propaganda nazista. A tese, utilizada à exaustão a partir da Segunda Grande Guerra, volta, como um pesadelo, a ser atual.
Pois bastou o governo americano, ainda sem provas, apontar o saudita Osama Bin Laden como o responsável pelo maior atentado da história da humanidade, para, ato contínuo, os árabes conheceram a face mais cruel da discriminação. Mesquitas foram apedrejadas e ônibus escolares alvejados nos Estados Unidos. Em todo o mundo, inclusive no Brasil, colônias árabes passaram a ser investigadas como potenciais hospedeiras e financiadoras de terroristas. Uma mulher usando o xadar e com um bebê no colo foi detida na quinta-feira para interrogatório, na Alemanha. Seu crime? Talvez o fato de ser mulçumana.
''É como se todos os árabes do mundo de repente tivessem ganho as feições de um bin Laden. Estão tentando nos transformar nos culpados pelos males do mundo. O ser humano está cometendo os mesmos erros do passado'', alerta o vice-presidente da Sociedade Beneficente Palestina no Rio, Haidar Abutalib. O mundo conhece pouco do misterioso mundo árabe. Se falta informação, sobram estereótipos.
Segunda Guerra- A experiência da Segunda Guerra mostra que, como Goebbels ensinou, é mais fácil distorcer a imagem do que para nós é desconhecido. Essa máxima valeu tanto para os países aliados quanto para os do eixo, como mostra Anthony Rhodes no livro Propaganda- the art of persuasion: World War II (Magna Books, Londres).
Na maior parte das peças produzidas pela Alemanha nazista para atacar seu principal inimigo, a Grã Bretanha, não eram os ingleses que eram retratados, mas a monarquia britânica e o primeiro-ministro Winston Churchill em particular. Quando o alvo eram os Estados Unidos, o normal eram os soldados serem retratados como negros - bem diferente, portanto, do estereótipo ariano do ideário nazista.
A recíproca era verdadeira. Nas propagandas britânica e americana durante a Segunda Guerra, eram Hitler e seu poderoso ministro da Propaganda, Josef Goebbels, os alvos preferenciais. O mesmo vale para a Itália de Benito Mussolini, repetidamente retratado como um anão autoritário e servil ao führer alemão.
O mesmo não se pode dizer, entretanto, do tratamento dado pela propaganda nazista aos judeus; e pelos americanos aos seus inimigos japoneses. ''There will be no Adolph Hither nor Yellow Japs to fear'' (Não haverá mais Adolph Hitler nem japoneses amarelos a temer)'', diz um pôster americano dos tempos de guerra, reproduzindo a letra de uma música popular à época. A desumanização do inimigo foi tão bem sucedida que os Estados Unidos não hesitaram em explodir a primeira bomba atômica da história sobre território japonês, matando milhares de inocentes e deixando seqüelas que perduram até os dias de hoje.


DANIELLA SHOLL

A Miséria da Publicidade


A mídia, particularmente a eletrônica, somente se interessa pelos pontos do “ibope”. E a publicidade vai atrás. O texto constitucional é letra morta: “A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios: I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas; II – promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação; III – regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme parcerias estabelecidas em lei; IV – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.” (artigo 221 da Constituição Federal – 1988)
Destacamos que foi a publicidade que utilizou de maneira oportunista a questão do seqüestro. (vide propaganda de uma empresa líder de “sabão em pó” na qual donas-de-casa seqüestravam os tintureiros para que estes deixassem suas roupas “mais brancas”; ou a propaganda de uma seguradora de um grande banco que chegava a colocar “um anjo da guarda” no porta-malas do carro.)
A miséria da publicidade pode ser facilmente constatada nas seguintes peças publicitárias:
· Campanha de empresa telefônica na qual três crianças abaixavam as calças;
· Campanha de bronzeador na qual apareciam pessoas completamente nuas, inclusive crianças;
· Campanha de cerveja que utiliza animação (uma tartaruga) para vender o produto. (Note-se que já foi proibida a utilização de personagens infantis nas propagandas de cigarros. Além disso, cerveja não deixa ninguém mais esperto).
· Campanha de calçados infantis na qual menina de 5 anos é exposta (em painéis) em pose sensual utilizando biquíni.
Outra questão perversa da publicidade é a omissão de informações ao cidadão: Alguém informa que os “planos de saúde” (com seus helicópteros e hospitais de primeiro mundo) são totalmente abatidos do imposto de renda? E que tais “isenções fiscais” caracterizam-se como autêntico aparthaid social? Somente a promiscuidade entre mídia e publicidade é que determina a desinformação sobre os direitos dos cidadãos (saúde, educação, moradia e segurança pública).
O título do texto escrito pelo publicitário/empresário (Seqüestro sem metáforas) é muito significativo, principalmente vindo de quem ganha a vida utilizando-se de todos os meios para “dourar a pílula”. Gostaríamos que, após a leitura deste texto, os cidadãos fizessem a seguinte reflexão sobre “Segurança Pública sem metáforas”: Se o aparato policial utilizado no caso deste seqüestro tivesse sido destinado ao Jd. Ângela (por exemplo), quantas vidas teriam sido salvas nestes 50 dias? Nas periferias, onde mora a maioria da população, o seqüestro não é preocupação prioritária. Pergunte a qualquer família e ela lhe responderá sem hesitação: escola para as crianças e postos de saúde para a comunidade.
A nossa solidariedade à vítima é total, mas isto não nos obriga a apoiá-la em outros atos e atitudes que sejam ilegais, imorais ou amorais. Assim como buscamos a Justiça no Estado Democrático de Direito, o qual determina as maiores punições aos crimes de seqüestro, exigimos que o Poder Público puna também as infrações que os poderosos praticam contra a maioria da população. Não admitimos a máxima descrita no livro Papillon: “Quantos anos dura a prisão perpétua na França?” (pergunta do personagem ao juiz francês que o condenara num processo totalmente viciado). No Brasil, as penas somente determinam a reclusão, mas, em várias situações “especiais”, a “pena de morte” é executada nas prisões com a complacência da mídia.
Finalizando, lembramos que a premiadíssima campanha publicitária “Hitler” (para a Folha de S.Paulo) somente foi possível graças a um outro “genial” publicitário: Joseph Goebbels (ministro da propaganda de Hitler).

terça-feira, 3 de março de 2009

ERROS COMUNS EM MARKETING

Erro nº 10 - o impacto
Escrito em 16 de Novembro de 2007 Sem Comentários
O impacto de cada exposição na mídia varia conforme o momento. Para dar um exemplo, imagine uma final de campeonato brasileiro. É claro que uma matéria veiculada não só no dia da final, como nos dias que a antecedem e subseqüentes despertará maior interesse do público.A exposição em uma ocasião dessas tem muito maior impacto para a visibilidade da marca do que durante o desenrolar do campeonato. Este é mais um fator que deve ser levado em consideração em um trabalho sério de auditoria de imagem.

Erro n º 9 Exposição da marca x Exposição da concorrência.
Escrito em 14 de Novembro de 2007 Sem Comentários
Não basta para o patrocinador saber somente a exposição da sua marca em determinado evento. É preciso monitorar também a exposição da concorrência.
Um bom exemplo acontece na Stock Car. O que adianta para o laboratório A saber que conseguiu 50.000 centímetros de exposição se ele não souber qual foi a exposição do laboratório B, que é seu concorrente. Gastar milhões com um patrocínio e fazer um monitoramento incompleto acaba por prejudicar o objetivo da ação de marketing.

Erro nº 8 - Cobertura x Exposição
Escrito em 13 de Novembro de 2007 Sem Comentários
Cobertura de um evento são todas as matérias veiculadas na mídia sobre o evento em questão. Exposição é a visibilidade que o patrocinador conseguiu dentro dessa cobertura. Muitos patrocinadores no intuito de baratear o trabalho de auditoria, contratam a avaliação apenas da exposição conseguida pela sua marca dentro da cobertura de um evento. Na nossa opinião essa atitude é equivocada. Ignorar a potencialidade de um evento acaba por prejudicar ações de marketing futuras que visam a aumentar a exposição de determinada marca.

Erro nº 7- Chamadas de capa X Matérias em capa de cadernos X Espaço editorial
Escrito em 12 de Novembro de 2007Comments Off
Da mesma forma que as colunas escritas por formadores de opinião, as matérias com chamadas na capa de um jornal e também as matérias constantes de capas de cadernos, tem um peso maior do que as matérias publicadas em espaço editorial em qualquer outra parte do jornal. Sem dúvida é mais um fator que deve ser levado em conta ao se avaliar a exposição em qualquer publicação.

Erro nº 6 Colunas x Espaço editorial
Escrito em 11 de Novembro de 2007 Sem Comentários
Não se pode dar o mesmo valor para as colunas escritas por formadores de opinião e espaço editorial comum. Comentários contra ou a favor de qualquer empresa ou produto nesses espaços diferenciados tem um impacto muito maior do que se o mesmo comentário tivesse aparecido em qualquer outra parte do jornal. Infelizmente, essa regrinha básica não tem sido observada por grande parte do mercado.

Erro nº 5 Foto x Título x Texto
Escrito em 10 de Novembro de 2007 Sem Comentários
As matérias devem ser avaliadas levando-se em consideração a maneira como o patrocinador aparece. Uma matéria com uma foto com a marca do patrocinador tem maior impacto do que uma matéria em que a empresa ou marca aparece somente no título, que por sua vez tem um maior valor do que uma matéria onde a mesma aparece somente no texto. É preciso ainda observar se a exposição é exclusiva ou se o espaço é dividido com outra empresa. Obviamente aparecer de maneira exclusiva é muito melhor do que dividir a atenção. Pior ainda se for com uma empresa concorrente.

Erro nº 4 Todas as matérias x Matérias Selecionadas
Escrito em 9 de Novembro de 2007 Sem Comentários
As matérias devem ter seu valor atribuído conforme sua importância para o patrocinador em questão. O auditor deve levar em consideração se o veículo é de maior ou menor relevância para o cliente. Não se deve dar o mesmo peso para todas as matérias em que a empresa ou marca é mencionada.
Ex: Para uma fábrica de tratores terá muito mais valor uma matéria no Globo Rural do que na revista Capricho.
Quem ousa avaliar um patrocínio deve ter bom senso para que o trabalho seja coerente.

Erro nº 3 - Tiragem x Credibilidade.
Escrito em 8 de Novembro de 2007 Sem Comentários
Levar em conta só as tiragens dos veículos não é uma boa técnica de auditoria. Um veículo pode não ter uma grande tiragem mas gozar de um enorme prestígio . Considerar apenas a tiragem pode reduzir o valor de uma publicação de extrema importância para determinada empresa. Tal atitude pode comprometer todo o processo de auditoria. Os recortes tem que ser analisados caso a caso levando-se em conta cada empresa e sua área de atuação.

Erro nº 2 Propaganda x Publicidade
Escrito em 7 de Novembro de 2007 Sem Comentários
Propaganda é um meio controlado. A mensagem é controlada pela organização. O consumidor recebe somente a informação que se deseja. Por esse motivo sua credibilidade pode ser baixa.
A publicidade difere da propaganda por ser gratuita. O objetivo também é chamar a atenção para uma marca, produto ou evento. Ela goza de maior credibilidade por ser um instrumento de mídia não controlado, com seu conteúdo regulado pelo canal de mídia.
Portanto propaganda e publicidade não são a mesma coisa. Confundir propaganda e publicidade consiste em um erro grave.

Erro nº 1 Auditoria de Imagem x Clipping
Escrito em 6 de Novembro de 2007 Sem Comentários
O erro mais comum é confundir auditoria de imagem com clipping. Uma empresa de auditoria de imagem não é uma clipadora. Ela trabalha com o clipping para fazer a avaliação da exposição na mídia conseguida pelo patrocinador. Portanto é diferente de Clipping. A confusão existe porque algumas clipadoras colocam banners do tipo, “Elaboramos clipping com cálculo de retorno”. Pois bem, isso não é auditoria de imagem. Não passa de clipping com custos. Auditoria de imagem é uma coisa bem mais complexa que segue uma metodologia elaborada e não faz simplesmente a comparação da centimetragem com as tabelas dos veículos.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Cuide bem da sua marca

Definitivamente, marca não é um ativo intangível. Ela se materializa em bens, em serviços e fica clara a sua contribuição para a empresa quando se olha o resultado financeiro ao longo dos anos. Por isso que os investimentos em comunicação institucional trazem um retorno difícil de mensurar.
Uma marca é um bem ou serviço impecável. Que entrega o que promete aos seus clientes. Que mostra diferenciais. Que confere identidade a uma empresa. Que é capaz de gerar lucros no curto, médio e longo prazo. Isso fica muito fácil de medir quando se vende uma empresa. Em casos em que a marca será vendida junto com o negócio, ela chega a representar 100% dos ativos.
Há exemplos como o da Coca-Cola e das outras 99 marcas mais valiosas do mundo, calculadas todo ano pela Interbrand. Se fosse vendida separadamente, a Coca-Cola valeria 66 bilhões de dólares. Mas só o fato dela ser Coca-Cola já possibilita lançar um novo refrigerante custando pelo menos 20% a mais que a concorrência, me disse semana passada o Marcos Machado, sócio-consultor da Top Brands.
Tudo tem importânciaAs marcas de luxo não nos deixa mentir. Afinal, por que as bolsas da Louis Vuitton valem o que valem? A marca é a representação de uma história de 150 anos com produtos feitos a mão até hoje. Há um cuidado obsessivo com o produto. Com a qualidade, com a excelência. Ela entrega um produto único e as ações de comunicação e promoção servem apenas para criar ainda mais desejo pela marca.
Por isso que quando se fala em branding deve se pensar na gestão da companhia, no relacionamento, no ponto-de-venda, no preço, pois é a partir da entrega de bens e serviços únicos que haverá criação de valor. Cuidar de uma marca, portanto, é oferecer bens e serviços que façam a diferença na vida de seus compradores. Não é ficar pensando em campanhas de publicidade criativas para concorrer a leões em Cannes.
Basta lembrar que a grande maioria dos produtos vendidos nos supermercados não conta com apoio publicitário. Eles vendem porque são bons. E quem continua vendendo é porque inova. Porque mantém um bom relacionamento com seus clientes. Claro que a publicidade e a promoção são importantes. Mas cuidar de uma marca é cuidar do seu core business, pois é ele quem paga o seu salário no fim do mês.
Caso de sucessoÉ promover experiência. A entrada da Starbucks no Brasil mostra muito bem isso. Com uma história criada no exterior, a marca não fez um anúncio sequer para o lançamento de suas lojas. Quem já conhecia a marca fez fila na porta. Quem não conhecia, passou a experimentar e a gostar.
Em apenas dois anos no país e com menos de 20 lojas, a rede já está entre os cinco maiores mercados do mundo em termos de atendimento. Como escrevi anteriormente, Starbucks é a 85ª marca mais valiosa do mundo. Vale 3,8 bilhões de dólares. Está atrás da Nescafé (28ª), mas é ela a responsável por transformar um produto comum em objeto de desejo.