quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A Implacável Noite dos Longos Punhais


A Noite dos Longos Punhais foi um episódio de conspiração, traição e morte nas entranhas do poder da Alemanha nazista. Numa mal sucedida resistência à liderança de Adolf Hitler, o capitão Ernst Röhm, seu antigo colaborador e comandante da Seção de Assalto - SA Sturmabteilung, braço militar do Partido Nazista, passou a defender publicamente a transformação da mesma em uma milícia independente, e com poderes para controlar o exército alemão. Seu discurso foi repelido pela classe média e inquietou as bases militares e industriais, indispensáveis para os planos de longo prazo do Führer. A reivindicação de Röhm alarmou os generais, que passaram a cobrar de Hitler uma resposta enérgica. O ex-colaborador não imaginava o seu destino, após cair em desgraça com o Chanceler.

Alegando reação a uma rebelião no seio da SA, então com dois milhões e meio de soldados, Hitler livrou-se de maneira brutal dos seus traidores. Durante a madrugada, elementos da sua guarda pessoal, a SS - Schutzstaffel, invadiram o hotel em que Röhm se encontrava na companhia de outros líderes da SA. Surpreendidos, todos foram detidos e rapidamente fuzilados. A inquietação pública na capital foi evidente e deu margens aos mais aterradores boatos. Para conter a agitação, o governo reforçou a segurança nas ruas com a SS, e deu ordens extremas à imprensa que não noticiasse os fatos, sob risco de severa punição aos desobedientes.

O triunfo e a hegemonia de Hitler

Oficialmente, o governo alegou que a SA preparara um golpe contra o Reich. Na realidade, porém, Hitler concretizava mais uma de suas estratégias de poder. Como um ano antes ele tinha liquidado a esquerda alemã, o massacre significou a eliminação dos seus últimos rivais. Sem contestação, era o líder supremo. A SS, força de elite ideológica e racial, passou a ter grande relevância na estrutura do poder, encarregada da segurança interna da Alemanha e, na guerra, dos países ocupados. O banho de sangue custou dezenas de vidas, muitas sem qualquer ligação com Röhm.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Miles Davis, intenso até o fim



"Carros de luxo,
mulheres bonitas,
drogas e bebidas,
doenças e operações,
frases polêmicas
e dezenas de discos
de inovadora
e excelente música.
Esta pode ser
a síntese da vida
- repleta de excesso,
na trajetória pessoal
e no talento artístico
- de Miles Dewey Davis III,
o grande trompetista..."
Jornal do Brasil


A música, o jazz em particular, perdeu um de seus mais consagrados expoentes. O artista americano Miles Davis, 65 anos, não resistiu às complicações decorrentes de apoplexia, pneumonia e insuficiência respiratória, e morreu em Santa Mônica, Califórnia. Ele foi enterrado no Bronx, Nova Iorque.

Sempre consciente de que não era como os outros, Miles nasceu diferente dos tantos outros que habitariam seu mesmo universo. Não teve a infância difícil, nem o início de carreira miserável, tal como outros gênios do trompete. Foi criado num seio familiar burguês, com o conforto de frequentar boas escolas e a oportunidade de aprimorar com estudos seu talento ao trompete. Esta base, que muito contribuiu com o seu ingresso na prestigiada e seleta Juilliard School of Music de Nova Iorque, também favoreceu ao seu estigma de rebelde. Se por um lado as portas se abriam por sua performance musical, por outro, as regalias a que se acostumou, possibilitaram um comportamento desregrado, que acabaria por levá-lo ao submundo. Essa complexidade se notabilizaria a partir do final dos anos 40, quando já consagrado como a grande revelação do jazz, sairia de cena pela primeira vez, por quatro anos, em função do consumo de drogas. Neste ritmo, desfilou toda sorte de suas experiências: os músicos geniais que conheceu, os sons que criou, as fusões musicais que promoveu, as mulheres que amou, as violências em que se envolveu, as perdas que sofreu. Uma vida frenética, até o fim.

Um artista atraído pelas experimentações

Indiossincrático. Miles Davis foi um furacão, de pensamento a mil, inquieto e alucinógeno, passional e contraditório, indecifrável. Um dos maiores trompetistas do século XX, redefiniu constantemente sua música. Inventivo, permanentemente atraído pelas experimentações, revolucionou o jazz, inserindo outros estilos ao gênero, como o rock, criando o que passou a ser convencionado como 'fusion'. Criticado pelos jazzistas tradicionais, que condenavam seu poder inventivo, Miles manteve-se firme em suas convicções, para a sorte do grande público que sua produção musical arrebatou

17 de agosto de 1987 – O adeus ao poeta de coração gauche


Há 22 anos, morria Carlos Drummond de Andrade, um dos mais importantes e respeitados poetas brasileiros de seu tempo. Drummond morreu no Rio de Janeiro, de insuficiência respiratória, aos 84 anos, apenas 12 dias depois que um câncer ósseo levou Maria Julieta, sua filha, eterna musa e grande paixão. “E assim vai-se indo a família Drummond de Andrade” lamentou o poeta na época.

Carlos Drummond de Andrade nasceu em 31 de outubro de 1902, na cidade de Itabira, Minas Gerais. Estudou em Belo Horizonte e com jesuítas no Colégio Anchieta, em Nova Friburgo, no Rio, onde foi expulso por “insubordinação mental”. Por insistência dos pais, formou-se em farmácia em 1925. No mesmo ano, fundou com amigos A Revista, importante veículo de afirmação modernista em Minas. Ingressou no serviço público e, em 1934, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde permaneceu até o final de sua vida. Aqui, foi chefe do gabinete do ministro da educação Gustavo Capanema, trabalhou no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e colaborou como cronista no Correio da Manhã. Aposentou-se em 1962, mas, em 1969, tormou-se colaborador do JB.

Durante 15 anos, todas as terças, quintas e sábados, o poeta de coração gauche – deslocado, acanhado - publicou suas crônicas no Caderno B. De sua estreia, em 2 de outubro de 1969, falando sobre o leilão que liquidava a Panair do Brasil, até o ‘ciao’ de despedida em 29 de setembro de 1984, quando faz um balanço de sua atividade na imprensa, foram 780 semanas da história do país e do poeta refletidas com agudeza e lirismo em mais de 2 mil e 300 crônicas.

A obra de Drummond
Foram 84 anos de palpitações, registradas em 25 livros de poesia e 16 outros de crônicas, contos, memórias e cartas, que repercutiram em milhares de estudos analisando-lhe a obra como um marco da cultura brasileira. A obra de Carlos Drummond de Andrade narra a trajetória de um homem, de uma geração e de um país. Poeta do indivíduo desajustado, do cotidiano, da existência e do fazer poesia, foi um jornalista de seu tempo, tratando tanto de temas tipicamente brasileiros, como também de assuntos metafísicos, que dizem respeito à condição e à alma humana. Com a partida de Drummond, a festa acabou, a luz apagou, a povo chorou e a cultura brasileira esfriou. “E agora, José?”.

18 de agosto de 1969 – Termina o Festival de Woodstock


Já era manhã quando, há 40 anos, Jimi Hendrix subiu ao palco montado na fazenda de 600 acres de Max Yasgur, na pequena cidade rural de Bethel, estado de Nova Iorque, e, acompanhado de sua banda Gypsy Suan and Rainbows,entoou a canção Hey Joe, encerrando três dias de paz e música que reuniram cerca de meio milhão de pessoas e entraram para a história como o festival que exemplificou a cultura hippie e a contracultura do final da década de 60, início de 70.

O Woodstock, originalmente batizado de “An aquarian exposition: 3 days of peace and music”, foi organizado por Michael Lang, John P. Roberts, Joel Rosenman e Artie Kornfeld. A intenção inicial era criar um estúdio musical, mas a idéia evoluiu para o festival. Depois que a comunidade de Woodstock vetou a realização do festival no local, os organizadores fizeram um acordo com Max Yasgur e iniciaram as vendas de ingressos em lojas de discos da área metropolitana de Nova Iorque e pelos correios. No dia 15 de agosto, início do festival, os organizadores esperavam a presença de 200 mil pessoas, mas foram surpreendidos com cerca de 500 mil. Depois que as cercas do local foram derrubadas pela multidão, foi impossível controlar a entrada dos milhares de pessoas, o que tornou o evento gratuito para a maioria delas.

Nos três do festival, 32 bandas se apresentaram para uma multidão que, apesar da chuva, da lama e das instalações insuficientes do festival, contrariou as expectativas de confusão e sagrou-se pela pacificidade e harmonia com que acompanhou as apresentações.

Um festival inigualável
Apesar do prejuízo inicial, o retorno financeiro para os organizadores veio em 1970, com o lançamento de dois discos e de um documentário realizados a partir da gravação e das filmagens dos shows do festival. Duas outras versões do evento foram organizadas em 1994 e 1999, porém não tiveram a mesma repercussão do festival de 69 - a última edição do evento inclusive ficou marcada por altos índices de violência, contrastando com os ideais de paz e amor do festival original. Hoje, 40 anos após o Woodstock, os sons e os ideais de uma geração ainda reverberam, quando livros e dvds sobre o festival são lançados comemorando a data.

sábado, 15 de agosto de 2009

Woodstock completa 40 anos de paz, amor e rock



Ideário vive no som de butique de bandas como Magic Numbers, Kings of Leon e lendas como Janis Joplin

Janis Joplin e sua voz rouca embalaram o rock dos hippies em Woodstock
SÃO PAULO - A Feira de Música & Arte Woodstock faz 40 anos neste sábado. Em 15 de agosto de 1969, na fazendinha de 2,4 quilômetros quadrados de Max Yasgur, na cidadezinha rural de Bethel, Nova York, a grande mostra da Era de Aquarius exibiu ao mundo sua face libertária, provocadora, iconoclasta, naturista, enlameada e confusa.
A utopia hippie, ao tornar-se quarentona junto com Woodstock, celebra seu renascimento circular. Durante as décadas de 80 e 90, o "bicho-grilismo" encenado pelos hippies de Woodstock era uma coisa a se evitar. Nos anos 00, virou estilo e meta a ser perseguida. Hoje em dia, olhando algumas bandas de rock como Magic Numbers e Kings of Leon, com suas barbinhas e batinhas e roupinhas sujinhas, parece que não se passou nem um dia sequer.
Parece insano discutir hoje o mérito musical de Woodstock, quando na verdade o festival detonou principalmente uma revolução comportamental. Mas o fato é que algumas performances foram muito mais importantes do que outras - a Sony Music relançou esta semana no Brasil as performances integrais de Janis Joplin, Johnny Winter, Santana, Jefferson Airplane e Sly and the Family Stone. É material essencial para entender o que se passou do ponto de vista artístico naquele marco dos anos 60.
O cantor, violonista, guitarrista e compositor Richie Havens abriu o festival por conta da própria natureza improvisada da festa. Ele lembra que não estava escalado para ser o primeiro a subir naquele palco (seria o quinto, na verdade), mas foi içado pela organização para cantar porque os outros que cantariam estavam presos no imenso congestionamento que se formou na estrada - esperavam 70 mil pessoas, apareceram 400 mil, o que levou o município a pensar em decretar estado de calamidade pública.
"Eram 5 da tarde e nada ainda estava acontecendo", contou Havens anteontem. "Mas eles tiveram de me colocar em primeiro. Eu me senti tipo ‘eles vão me matar se eu subir ao palco primeiro, dá um tempo, preciso daquelas quatro atrações antes de mim para esquentar a plateia’. "Mas não teve jeito. As pessoas foram bacanas. Eu deveria cantar por 40 minutos, o que fiz, mas ali do lado do palco eles diziam: ‘Richie, mais quatro canções?’ Eu cantava e já ia sair e eles diziam: ‘Richie, mais quatro canções?’ E eu continuei tocando por duas horas e 45 minutos, depois que já tinha cantado todas as canções que sabiam." Entre essas canções, estava Freedom, que foi apresentada no documentário de 1970 sobre o festival, ganhador de um Oscar.
Havens, que está atualmente em turnê promovendo seu disco de 2008, Nobody Left to Crown, disse o seguinte esta semana, falando à Reuters: "Todos os tipos de música subiram ao palco naqueles três dias, e todos eles tinham o senso do que era necessário - e do que ainda é necessário em termos de informação para atravessar as barreiras e continuar em frente."
De fato, a música era diversificada, com uma predominância do blues rock e do folk, que eram os gêneros "jovens" da época. Mas houve também a novidade, começando com a fabulosa apresentação de um jovem guitarrista mexicano da Bay Area, Carlos Santana, que ganhou apenas US$ 1,5 mil para tocar e se apresentou no dia 16. As 8 músicas que Santana tocou estavam impregnadas de um latin rock fundido com blues, uma força instrumental turbinada por congas, bateria, baixo e percussão.
Quarenta anos depois, ainda é difícil entender o poder daquela versão que Santana apresentou de Soul Sacrifice. Ao contrário de Hendrix, a outra força motriz do festival, Santana esmerava-se na busca de um acento latino, polirítmico, específico e étnico para sua guitarra. Filho de um músico mariachi de Navarro, no México, o guitarrista inventava um novo léxico.
Outra notável performance foi a do fantástico grupo de black music Sly & The Family Stone, que tocou 9 canções na jornada. Formado por Sylvester ‘Sly Stone’ Stewart e seus brothers Vaetta, Freddie e Rose Stone, mais Gregg Errico (bateria), Jerry Martini (sax), Cynthia Robinson (trompete e vocais), Larry Graham (baixo), o grupo tinha lançado em maio daquele ano o disco Stand!, a mais bem acabada síntese de funk, soul, gospel, psicodelia e rock - e ativismo, com faixas como Don’t Call me Nigger, Whitey.



Janis Joplin, que morreria de forma trágica no dia 4 de outubro de 1970, estava se desvencilhando de sua banda Big Brother and The Holding Company e iniciando a mais curta (e impactante) carreira-solo do rock internacional. Que o digam Joss Stone e Cássia Eller, discípulas diretas da texana.



Dois anos antes, ela cantava folk e blues em bares de São Francisco e Venice Beach, na Califórnia. Em 1966, voltou a Austin para cantar numa banda de country, mas um empresário a convenceu a montar uma banda. Assim, juntou-se à mitológica Big Brother and the Holding Company, que tinha recém-abandonado nas vésperas de Woodstock.



Janis cantou 10 músicas no festival, no dia 17 de agosto de 1969. Quando ela empunhou Ball and Chain, de Big Mama Thornton, encerrando seu show, estava patente que ali não se apresentava uma artista comum, mas alguém destinada a reescrever a história da música popular, embora de forma tão precária.



Do mundo psicodélico, houve uma baixa importante - o Greateful Dead teve sua apresentação maculada por problemas técnicos. Mas o Jefferson Airplane fez bem sua parte, misturando peças viajandonas conhecidas, como White Rabbitt, com outras do disco que lançariam em seguida, como Volunteers, Eskimo Blue Day e Wooden Ships.



Um ano depois daquela loucura, banhos pelados debaixo da chuva, balés e meditação para Sol e Lua no mato, Jimi Hendrix morreria em Londres. Woodstock teve outras edições, como a violenta farra de 1999. Na época, o baixista do Red Hot Chili Peppers, Flea, disse ao Estado que chorou ao ter notícia, ainda nos bastidores, de ocorrências de abuso sexual e violência generalizada entre o público. Durante os momentos de mosh do show do Limp Bizkit, houve uma sessão de quebradeira e saques promovida por uma juventude vitaminada, cheia de sucrilhos e de classe média. Os tempos mudaram, definitivamente.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

A aposentadoria do Hubble



Após duas décadas de operação, o telescópio que mais enriqueceu a história da astronomia será desligado pela Nasa




REPAROS CONSTANTES Em 1999, o astronauta Steven Smith instalou novos equipamentos no Hubble

Uma das maiores vedetes da astronomia sairá do ar. Com missão mais que cumprida no espaço, ela vai ser aposentada. Essa vedete, a rigor, começou mal a sua trajetória, mas agora a encerra com brilhantismo - e é o orgulho de pesquisadores e astrônomos de todo o mundo. Trata-se de um telescópio, o mais potente que a ciência já construiu e que frequentou, pelo menos uma vez por mês e ao longo de 19 anos, o noticiário de publicações leigas ou especializadas de diversos países.

O seu nome? Todos nós estamos familiarizados com ele: Hubble. E essa é a sua história. Em 1990, quando foi lançado dos EUA, sobrou constrangimento na base da Agência Espacial Americana (Nasa): assim que rompeu a barreira da atmosfera, problemas nas dimensões do espelho distorciam e embaçavam as imagens que nos transmitia. Montou-se então uma operação de emergência para repará-lo no próprio espaço e uma equipe de astronautas- mecânicos viajou até o ponto sideral em que ele estava. Tudo deu certo. E esse pode ser considerado, de fato, o início da jornada desse gigante de 12 toneladas.

O Hubble começou então a produzir registros históricos que hoje somam 800 mil observações e meio milhão de imagens de mais de 25 mil objetos com os quais se deparou no cosmos. O telescópio realizou cerca de 100 mil viagens em torno da Terra e percorreu aproximadamente 3,8 milhões de quilômetros - distância equivalente à viagem de ida e volta a Saturno. Orbitando a 650 quilômetros de distância de nosso planeta, se tornou, por exemplo, a "janela tecnológica" mais poderosa para que pudéssemos entender, por meio de imagens enviadas à Nasa, como se dá o nascimento de estrelas.

Um de seus maiores feitos, no entanto, é o de ter mostrado misteriosos buracos negros e provado, a partir de registros que exibem o "apagamento" de estrelas bem maiores que o Sol, que o universo está se expandindo cada vez mais rápido e isso pode causar a sua destruição. Os olhos do Hubble também registraram, em tempo real, o efeito devastador de um cometa se chocando contra Júpiter. É natural, portanto, que agora esses olhos estejam cansados. O Hubble está a demandar uma infinidade de reparos e esse investimento não compensa para a Nasa. Assim se decidiu pela sua aposentadoria.

Fossem outros tempos, que não este de profunda crise econômica mundial a que a Nasa não está imune, e talvez se prolongasse a missão do Hubble - que já consumiu US$ 8 bilhões. Ocorre, no entanto, que já em 2010 ela desativará os ônibus espaciais Discovery, Endeavour e Atlantis, justamente os que mais socorreram o Hubble transportando astronautas para repararem os inevitáveis defeitos que surgiram com o trabalho diuturno ao longo de duas décadas - e sem essa manutenção periódica os giroscópios e baterias do telescópio não resistirão. "Enfrentamos tremendas dificuldades", diz Preston Burch, diretor de projeto do telescópio espacial. Segundo ele, o Hubble receberá sua derradeira revisão nos próximos meses, com a substituição de componentes que têm vida útil determinada. "Também trocaremos alguns instrumentos científicos por outros mais modernos", diz Burch.

O esforço da Nasa é para que o Hubble tenha uma saída de cena paulatina - e triunfal - até 2013, quan do um foguete será lançado em sua direção: uma espécie de guincho cósmico que o trará para a Terra, mais especificamente para o mar. "Uma grande parte dele irá se desintegrar no momento em que entrar na atmosfera", diz Burch. "O que sobrar cairá em um oceano que ainda escolheremos. Ainda que seja somente um pedaço, será bom tê-lo conosco. Estamos com saudade do Hubble."

ÁLBUM DO HUBBLE

Em quase duas décadas, o Hubble acumula 800 mil observações e nos enviou 500 mil imagens de mais de 25 mil objetos com os quais se deparou no cosmos. Por meio dele foi possível ultrapassar barreiras e conhecer planetas, estrelas e galáxias.

Luciana Sgarbi de Istoé para o Mensageiro da Realidade

Alfred Hitchcock completaria 110 anos em 2009

Você pode ir ao cinema rir, chorar ou até mesmo para se assustar. Neste último caso, não há como negar: o mestre atende pelo nome de Alfred Hitchcock. Se hoje os filmes recheados de mistério e enigmas fazem sucesso nas bilheterias, tenha certeza que a influência do cineasta neste fato é indiscutível.
Em 13 de agosto 1899, há exatos 110 anos, nascia um dos maiores ícones que o cinema já conheceu. Sir Alfred Joseph Hitchcock, ou simplesmente o "Mestre do Suspense", como o próprio se autodenominava. O apelido não era só um slogan para atrair atenção, mas também fez jus ao estilo de cinema criado por esse genial diretor, de personalidade forte, domínio de técnicas e, claro, muita criatividade.
Muitos podem indagar ao ouvir seu nome, Hitchcock não ficou marcado na história pela pessoa que era, e sim por clássicos que deixou entre os seus quase 70 filmes produzidos ao longo da carreira.
Mesmo para quem não é fã das escuras salas de cinema, com certeza já viu esta cena memorável: uma mulher tomando banho, uma mão segurando a faca, suspense, a mão misteriosa abre as cortinas do chuveiro, a mulher grita, o sangue escorre pelo ralo. Tudo isso ao som de um dos temas que mais marcaram na história do cinema.
A cena, interpretada por Janet Leigh, é o marco de "Psicose", filme de 1960, que consagrou seu idealizador como um mestre do gênero. Até hoje essa sequência é lembrada e recriada, em forma de paródia ou como uma singela homenagem, pelo cinema contemporâneo. O estilo "claustrofóbico" criado por Hitchcock mantém sua influência e, sem muito procurar, é possível descobrir uma série de vestígios da sua arte no que temos de mais atual na produção cinematográfica.
A imagem do homem encorpado, sempre bem vestido e que, por vezes trazia um corvo posado em seu ombro, virou lenda ao longo dos anos. Era o retrato de um gênio que adorava tirar o fôlego de seu público.
Sem os litros de sangue que os filmes de horror normalmente apresentam em sua composição, o "Mestre do Suspense" trazia uma trama que prendia o espectador dentro de um clima incômodo e tenso, com os cenários sombrios e a música forte, que só mesmo o cineasta conseguia reproduzir. O segredo era deixar o público avisado de todos os perigos que o personagem iria passar. Aos poucos, a platéia acompanhava, ansiosamente, o desdobramento da história.
Os roteiros assinados por Hitchcock, aliás, eram por si só nada convencionais. Uma pacata cidade atacada por pássaros violentos em "Os Pássaros", de 1963; uma secretária se esconde em um hotel onde ocorre uma série de mistérios em "Psicose", de 1960; um policial que sofre de acrofobia é encarregado de vigiar uma jovem com tendências suicidas em "Um Corpo que Cai", de 1958; fatos estranhos acontecem em frente da janela de um fotógrafo engessado em "Janela Indiscreta", de 1954; marido planeja a morte de sua mulher para herdar fortuna e vingar-se de uma antiga traição em "Disque M para Matar", de 1954.
Isso só para citar alguns exemplos do vasto universo do cineasta. Outra característica bem "hitckcockiana" em suas produções foram as famosas "pontinhas" do diretor em suas obras, o que, mais tarde, se tornou um verdadeiro passatempo para seus fãs, que analisavam meticulosamente cada cena de seus filmes, a procura das participações do ídolo.
Vitimado por insuficiência renal, Hitchcock faleceu em 29 de Abril de 1980. Os frutos deixados por seu trabalho permanecem ativos nas mãos de grandes diretores contemporâneos, que não se cansam de homenagear o mestre.
A linguagem inconfundível de Hitchcock, hoje, pode ser vista presentes em produções de diretores como George Romero, Quentin Tarantino e M. Night Shyamalan. Cineastas que normalmente abordam histórias com muito mistério em sua fórmula.
Shyamalan, por exemplo, faz uso constante da técnica de prender o espectador dentro de um suspense, que aos poucos vai se revelando, enquanto a trama se desenvolve, como fez em "O Sexto Sentido".
Uma forma mais refinada de fazer cinema também pode ser encontrada, ainda que de forma menos direta, nos trabalhos de Francis Ford Coppola, Mel Brooks e Brian De Palma, só para citar alguns entre tantos outros profissionais.
Para se ter idéia de sua importância, é possível encontrar vestígios de Hitchcock até em histórias em quadrinhos. A Turma da Mônica, aqui do Brasil, também foi "vítima" da influência do "Mestre do Suspense". O personagem Bidu, um simpático cachorro da publicação, chegou a interpretar alguns personagens famosos dos filmes de Hitchcock em tirinhas de Mauricio de Souza.
Confira abaixo mais curiosidades:
O primeiro emprego
Sua paixão pelo cinema começou cedo, aos 21 anos. Nascido em Leytonstone, Londres, Hitchcock teve seus primeiros contatos com o universo da sétima arte quando fazia os cartazes das falas em filmes mudos daquela época. Isso ocorreu no seu primeiro emprego na área, já na Paramount Pictures, grande estúdio de Hollywood.
O primeiro filme
Em 1925, após os donos dos estúdios perceberem que da cabeça do aspirante poderia sair coisa boa, conseguiu produzir seu primeiro filme, "The Plesure Garden". Mas foi no ano seguinte que obteve merecido destaque com "The Lodger". Neste longa, baseado nas histórias de morte do famoso Jack, O Estripador, o cineasta deu início ao que de melhor sabia fazer nas telas: suspense, gênero que o consagrou.
Oscar
Já nos Estados Unidos, produziu "Rebecca - A Mulher inesquecível", que de cara recebeu o Oscar de melhor filme naquele ano. Apesar de tanto reconhecimento, é curioso que Hitchcock jamais tenha recebido a estátueta por melhor diretor ou produtor, categoria na qual foi indicado por seis vezes. Apenas foi agraciado, em 1968, com um prêmio honorário da Academia pelo seu conjunto de obra.

Por Karen Lemos

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Afegã


Uma menina afegã de 12 anos, fotografada por Steve McCurry, em junho de 1984, no acampamento de refugiados Nasir Bagh do Paquistão durante a guerra contra a invasão soviética. Sua foto foi publicada na capa da National Geographic em junho de 1985 e, devido a seu expressivo rosto de olhos verdes, a capa converteu-se numa das mais famosas da revista e do mundo. No entanto, naquele tempo ninguém sabia o nome da garota. Steve McCurry realizou uma busca que durou exatos 17 anos. Em janeiro de 2002, encontrou a menina, já uma mulher de 30 anos e pôde saber seu nome. Sharbat Gula vive numa aldeia remota do seu país, o Afeganistão; é uma mulher tradicional da etnia pastún, casada e mãe de três filhas. Ela regressou ao Afeganistão em 1992.



Sharbat Gula, hoje sem aquele enigmático olhar que tanto enfeitiçou, deseja que suas três filhas tenham uma boa educação, pois ela não conseguiu por motivos óbvios. Ela e o marido ignoravam o sucesso da fotografia, pois são pessoas simples e não assistem TV, não lêem jornais e nunca tinham visto a revista National Geographic onde a menina afegã foi capa.

Na ilustração acima, em 2002, durante as gravações para um documentário, Sharbat numa pose que lembra a foto de 1984 e com o marido e filhas, aos 29 anos.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Hiroshima, o maior crime de guerra do mundo


Em agosto o mundo relembra com muito pesar os 64 anos do maior crime de guerra já desferido contra a humanidade. O holocausto nuclear contra as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Crime do qual jamais seus culpados foram sequer acusados, muito pelo contrário, foram saudados como heróis em todo o mundo simplesmente por terem vencido a guerra e movido uma propaganda capaz de fazer o mundo inteiro se esquecer do horror nuclear.

Mas muitos ainda não se esqueceram do verdadeiro culpado dessa verdadeira história de horror, a maior nação terrorista de todo o planeta, os Estados Unidos da América, e provoca o leitor a conhecer um pouco mais sobre o que a grande mídia mundial insiste em fazer-nos esquecer. Os crimes de Hiroshima e Nagasaki. Aqui você verá um pouco do que realmente ocorreu e que pode ser facilmente comprovado por documentos públicos estadunidenses considerados ultra-secretos e que foram recentemente abertos à população.

150 mil civis inocentes são condenados à morte por Harry Truman. Primeira e única nação do mundo a jogar bombas atômicas sobre civis

Em Agosto de 1945 os Estados Unidos da América entraram para a história mundial por ser a primeira e única nação a despejar o terror atômico sobre enormes populações de civis. Com a II guerra mundial praticamente acabada e sem ter podido justificar o gasto de 2.6 bilhões de dólares no Projeto Manhattan (projeto de construção da bomba atômica), Harry Truman busca oportunidades para jogar uma, ou quem sabe até mais, de suas bombas envenenadas sobre cidades inimigas e demonstrar ao mundo o tamanho do poder que os Estados Unidos detinham na mão. O povo estadunidense já estava sendo “envenenado” há muito tempo por sua mídia tendenciosa que os fazia crer que a bomba atômica daria fim a uma guerra e salvaria vidas, já que seus filhos voltariam da guerra. De acordo com Peter Scowen, autor do Livro Negro dos Estados Unidos, “para os estadunidenses, a detonação das bombas em Hiroshima e Nagasaki foram ações militares realizadas contra uma nação despótica que só podia culpar a si mesmo pelo sofrimento de seu povo. (...) Havia até um fervor religioso no desempenho estadunidense, pelo menos na cabeça de Truman: “... Agradecemos a Deus por [a bomba] ter vindo a nós ao invés de nossos inimigos; e oramos para que Ele nos guie para usa-la a Sua maneira e com Seus propósitos...” . Pior que isso, só mesmo uma reveladora pesquisa que mostra o desejo dos estadunidenses em substituir um genocídio por outro. Ainda de acordo com Scowen, “...Uma pesquisa do Gallup feita em dezembro de 1944 revelou que 13% dos estadunidenses eram a favor da eliminação do povo japonês por meio do genocídio...”

Infelizmente para os planos de Truman, a Alemanha havia assinado rendição incondicional em Maio de 1945 logo após o suicídio de Adolf Hitler. A Itália já havia se rendido anteriormente quando da prisão e assassinato de Mussolini. Naquele momento só restara o Japão. Ao ver-se sem muitas alternativas para concretizar seus planos, Truman se apega na última oportunidade que lhe apareceu ao alegar a não rendição incondicional do Japão, que insistia em manter seu reverenciado imperador. Grandes estrategistas de guerra desaconselharam o presidente a utilizar as armas atômicas, propondo como alternativa um grande bloqueio marítimo, aliado à entrada da Rússia na frente do Pacífico e mais os bombardeios focados em alvos militares. De acordo com esses especialistas, essas manobras seriam suficientes para acabar com a guerra até Julho de 1945. Mesmo assim, Truman simplesmente ignorou-os e, utilizando o mote da não rendição incondicional, decidiu o destino de duas cidades e centenas de milhares de vidas humanas.

Alvos escolhidos: Hiroshima e Nagasaki
O plano original previa ataques com bombas atômicas a quatro cidades japonesas. O comitê de alvos do projeto Manhattan decidira atacar Hiroshima, pois segundo as minutas das reuniões desse comitê, em razão de seu tamanho e planta, “... grande parte da cidade seria extensamente danificada...”, Nagasaki e Kyoto, pois, ainda de acordo com essas minutas, Kyoto “...era um centro intelectual do Japão e seu povo é mais capaz de avaliar o significado de uma arma assim...” 1

Assim, no fatídico dia 06 de Agosto de 1945, movidos além de tudo por um sentimento indissimulável de vingança pelo ataque japonês à base militar de Pearl Harbor, aviões estadunidenses se aproximaram do primeiro alvo a sofrer os horrores das armas nucleares. Hiroshima, a então sétima maior cidade japonesa, com 350 mil habitantes, foi atacada por Little Boy, que até o fim do ano de 1945, decretou a morte de aproximadamente 150 mil japoneses, dos quais apenas 20 mil eram militares. Não satisfeitos com tamanha atrocidade e apenas três dias depois do primeiro ataque, como se fosse possível preparar uma declaração total de rendição incondicional em três dias, os estadunidenses atacaram a segunda cidade-alvo no dia 09 de agosto. Nagasaki e seus 175 mil habitantes foram a vítima de Fat Man, segunda e mais poderosa bomba, que vitimou aproximadamente 70 mil seres humanos na contabilidade macabra feita em dezembro de 1945.

Os efeitos nefastos de Little Boy e Fat Man
Se analisarmos brevemente o número de vítimas de little boy e fat man, 40% da população original das cidades de Hiroshima e Nagasaki morreram na contagem feita em dezembro de 1945. Estes números ainda não refletem a realidade do verdadeiro montante de vítimas das bombas, uma vez que milhares de outras pessoas morreram posteriormente em decorrência dos nocivos efeitos da radiação. Em uma comparação meramente ilustrativa, é como se nos ataques de 11 de Setembro, ao invés de terem morrido três mil pessoas, aproximadamente quatro milhões de nova-iorquinos tivessem perdido sua vida no World Trade Center. E isso não é tudo, pois os efeitos da bomba não são apenas a morte e a destruição imediatas. Até hoje continuam morrendo pessoas vítimas de câncer herdado geneticamente de seus pais e avós, além de ser possível encontrarmos ainda hoje, milhares de pessoas com deformações físicas, câncer congênito, problemas de esterilidade e outras doenças decorrentes da liberação radioativa sobre essas cidades em 1945.

De acordo com estudos realizados nos escombros das cidades, praticamente todas as pessoas que estavam até 1 km do centro da explosão foram mortas instantaneamente (86%). As bombas explodiram nos centros das cidades e pulverizaram escolas, escritórios, prisões, lares, igrejas e hospitais. No centro do ataque, tudo virou pó, não havia cadáveres. Mais longe do ponto zero havia corpos espalhados por toda parte, inclusive de bebês e crianças. De acordo com Peter Scowen, “Yosuke Yamahata foi enviado pelo exército japonês para fotografar Nagasaki no dia seguinte ao bombardeio. Suas fotos mostram uma cidade completamente aplainada, homogeneamente alisada. (...) Ele tirou fotos de uma mãe morrendo de envenenamento radioativo e amamentando seu bebê, também à morte; fotos de fileiras de cadáveres, pais tentando, inutilmente, cuidar das queimaduras no corpinho de seus filhos. Yamahata morreu de câncer em 1966, com 48 anos”. As vítimas da radiação apresentam febre e hemorragias arroxeadas na pele, depois surge a gangrena e o cabelo cai. Esta morte dolorosa, tão parecida com o envenenamento por gás mostarda na tortura lenta que provoca, não era coisa na qual os estadunidenses desejariam que o público se concentrasse após o lançamento das bombas, afinal, os Estados Unidos da América haviam assinado tratados em 1889 e 1907 que baniam o uso de “armas envenenadas” na guerra. Pior que isso, os Estados Unidos haviam concordado com uma resolução de 1938 da Liga das Nações que tornava ilegal o bombardeio intencional a civis. Ou seja, com os ataques de Hiroshima e Nagasaki, os Estados Unidos simplesmente ignorou todos os tratados que haviam assinado até então.

Os verdadeiros motivos por trás do bombardeio
Os verdadeiros objetivos por trás dos bombardeios de Hiroshima e Nagasaki ficaram obscuros durante muito tempo. Na época foi alegada a resistência dos japoneses em aceitar rendição incondicional, já que os Estados Unidos exigia a deposição do imperador japonês e eles não aceitavam essa condição. Dwight Eisenhower, general americano que futuramente se tornaria presidente, disse que “O Japão estava buscando alguma forma de render-se com uma perda mínima de aparência (...) não era necessário golpeá-lo com aquela coisa” 2. Com a recente liberação de documentos e diários antes considerados ultra-secretos, hoje já se pode concluir documentalmente que o principal objetivo por trás dos ataques a Hiroshima e Nagasaki foi a necessidade de enviar uma mensagem clara à União Soviética, que vinha se expandindo pelo leste europeu (Polônia, Romênia, Hungria), de que os Estados Unidos tinham em mãos uma arma poderosa e que não hesitariam em utilizá-la caso fosse necessário. Ainda de acordo com Peter Scowen, “... já em 1944 os americanos haviam considerado a arma um trunfo em suas relações com Stalin e Truman acreditava que uma exibição pública da capacidade da bomba iria tornar a URSS mais manejável na Europa...”. Quanto a motivação do ataque, o próprio governo estadunidense acaba por se contradizer na hipótese de que teria sido a não rendição incondicional do Japão. No dia 10 de agosto, apenas um dia após a explosão de Nagasaki, o Japão entrega sua rendição assinada e os Estados Unidos abandonam a idéia da rendição incondicional alegando que se o imperador continuasse no poder isso permitiria uma ocupação mais ordeira pelas tropas estadunidenses.

Ironicamente, ao contrário do que desejavam os estadunidenses liderados por Harry Truman, a demonstração pública do poder da bomba atômica fez os líderes de todas as nações tremerem, mas, ao invés de ficarem sentados esperando que os Estados Unidos deixasse seu poder nuclear nas mãos da ONU, todos queriam ter tal poder nas mãos, especialmente a União Soviética que, liderada por Josef Stálin, deu início a Guerra Fria e a corrida armamentista nuclear, que só iria arrefecer praticamente 45 anos após os bombardeios, com o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas sob a liderança de Mikail Gorbatchev.

Notas:
1 - Citado por Peter Scowen em O Livro Negro dos Estados Unidos, p. 49
2 - Citado por Peter Scowen em O Livro Negro dos Estados Unidos, p. 51

Leia também:
• A bomba atômica e a era do suicídio globalizado - Flávio Calazans

Livros relacionados ou citados no artigo:

• O Livro Negro dos Estados Unidos - PETER SCOWEN
• LIFTON, Robert Jay e MITCHELL, Greg, Hiroshima in America: A Half Century of Denial, Nova York: Avon Books, 1995.
• Revista História Viva, Ed. Duetto - Ano 2, Número 20, Junho de 2005, Pg.24