quarta-feira, 15 de julho de 2009

LANÇAMENTO MEU NOVO LIVRO PESADELO PRIMITIVO


Acompanhe a partir de hoje o lançamento de meu novo livro Pesadelo Primitivo em formato virtual. Diariamente vou postar as poesias,que são do período 1987-1990. Veja em ordem cronológica nas postagens anteriores a esta.

3. Palavras & Partidas

E o que resta agora
Não vale a pena
Saber que tudo terminou.

Se alguém acha que o mundo
é pequeno demais assim como você
só vai chorar.

Pra começar precisamos sempre
Da primeira vez
Vamos agora saber quem é quem.

São caras as conquistas
Serão curadas as deprês
As palavras e as partidas
Não eram pra você.

São raras as noticias
Noites viradas sem te ver
As entradas e as saídas
Fechadas pra você.

LANÇAMETO MEU NOVO LIVRO PESADELO PRIMITIVO


Acompanhe a partir de hoje o lançamento de meu novo livro Pesadelo Primitivo em formato virtual. Diariamente vou postar as poesias,que são do período 1987-1990.

2.Por Aí

Comunistas bêbados
Oportunistas cegos
Pelo dinheiro.
Capitalistas velhos
Pára-quedistas e egos
Pela vaidade.
Destruindo idéias
Demolindo a liberdade
Construindo celas
Espalhando maldades
Por aí.
Artistas mudos
Exorcistas surdos
Pelo fanatismo.
Fascistas e cultos
Nazistas ocultos
Pela raça pura.
Invadindo terras
Enterrando a verdade
Produzindo guerras
Plantando mediocridade
Por aí.
Ecologistas crônicos
Cientistas errôneos
Pela natureza.
Sacedotes sujos
Ditadores duros
Pela fé nas armas.
Conhecendo a glória
Desfazendo a trégua
Entrando pra História
Perdendo as rédeas
Por aí.
Estadistas estúpidos
Pacifistas lúcidos
Pela paz em todo o mundo.
Terroristas políticos
Suicidas e mitos
Pela madrugada!
Percebendo a queda
Cometendo atrocidades
Atirando pedras
Pertencendo à sociedade
Por ai.


Acompanhe a partir de hoje o lançamento de meu novo livro Pesadelo Primitivo em formato virtual. Diariamente vou postar as poesias,que são do período 1987-1990.




1. AFEGÃ

Ontem à noite eu vi no jornal
que o trem da liberdade vai deixar pra trás
os restos de uma cidade que não tem mais paz
levando seus soldados pra longe demais.

Vejo em seus olhos que não tem mais cor
a dor e os destroços sangue de Kabul
no meio do oásis vi você nascer
no meio dos escombros vi você morrer.

Os tanques no deserto são tão vulneráveis
medo não mais metem nem aos miseráveis
o Exército Vermelho invadiu os lares
inventou fronteiras, invocou czares...


Nota do autor: Afegã fala sobre a saída humilhante dos russos do Afeganistão.

LANÇAMENTO DE PESADELO PRIMITIVO

Acompanhe a partir de hoje o lançamento de meu novo livro Pesadelo Primitivo em formato virtual. Diariamente vou postar as poesias,que são do período 1987-1990.




1. AFEGÃ

Ontem à noite eu vi no jornal
que o trem da liberdade vai deixar pra trás
os restos de uma cidade que não tem mais paz
levando seus soldados pra longe demais.

Vejo em seus olhos que não tem mais cor
a dor e os destroços sangue de Kabul
no meio do oásis vi você nascer
no meio dos escombros vi você morrer.

Os tanques no deserto são tão vulneráveis
medo não mais metem nem aos miseráveis
o Exército Vermelho invadiu os lares
inventou fronteiras, invocou czares...

Escrita no momento em que os russos abandonavam o Afeganistão.

terça-feira, 14 de julho de 2009

DIVULGUEM ESSA FOTO.



Quem sabe com a sua ajuda a família que esta desesperada, receba esta boa notícia...


Soraya Pereira, Presidente do Projeto Aconchego , Grupo de apoio à Adoção e ao Apadrinhamento de Brasília, após constatar a veracidade do fato com a diretoria do Abrigo 'Nosso Lar'. Venho pedir a vocês que divulguem essa notícia.
Meu obrigada, Soraya Kátia Rodrigues Pereira.

Em novembro, foi encontrado na rua, uma criança de aproximadamente 2 anos muito bem cuidada e muito bem vestida, e disse se chamar Tiago.
Levado ao juizado,foi encaminhado ao 'Nosso Lar', onde trabalho. Temos informações de que diligências foram feitas na região onde a criança foi encontrada, e nada. Todas as delegacias notificadas, e nada. Não foi possível nenhum tipo de informação dessa criança. Como o tempo está passando, ela logo será encaminhada para adoção, mas não acredito que ela não tenha ninguém nesse mundo, pois quando ele chegou chorava muito e apresentava bons costumes. Já tentei com um amigo na Globo veicular a sua imagem, na tentativa de localizarmos a sua família, mas não é possível pois a política da Globo não permite a divulgação de crianças desaparecidas, o que não é o caso, pois essa é*'aparecida'*.

SEGUE A FOTO DA CRIANÇA REPASSEM, POR FAVOR.
ELE FOI ENCONTRADO EM BRASÍLIA, MAS PODE SER DE QUALQUER LUGAR DO PAÍS.

Em algum lugar, uma família chora por ela...

"O Livro dos Políticos", de Heródoto Barbeiro e Bruna Cantele



O cartunista Newton Silva foi um dos convidados para participarem do "O Livro dos Políticos", escrito por Heródoto Barbeiro e Bruna Cantele. Na obra, eles fazem um passeio bem-humorado pela história da sociedade brasileira, em que o fio condutor é a sucessão presidencial. Dividido em blocos - Denúncias e Escândalos; Ah! Esses jornalistas...; Diário da Corte; Personalidades, entre outros - o livro é ilustrado por charges de cartunistas como Diogo Salles, Flávio, Gilmar, Guz, Léo Valença, Mangabeira, Néo, Luiggi Rocco, Renato Machado, Sponholz, Newton Silva e Zappa. Além disso, há notas cronológicas e trechos de jornais impressos para mostrar ao leitor as crises e escândalos que fazem parte do cotidiano da política nacional. "O Livro dos Políticos" não se dedica apenas aos líderes de Estado: os planos econômicos, as trocas de moedas, os inúmeros partidos políticos, os intermináveis escândalos e as CPIs são relembrados em suas 304 páginas.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Um, dois, três, quatro!


Aumente o som, saia pulando, fale palavrões: o rock’n’roll está completando 50 anos, mas ainda faz a cabeça dos jovens e chacoalha a sociedade



Foram cinco décadas bem vividas. O rock’n’roll, quem diria, está fazendo 50 anos regados a sexo, a drogas e a ele próprio. Não pensem que foi uma vida fácil: entre tapas e beijos, o rock viveu um romance conturbado com a sociedade. Numa hora, era o queridinho de todos, para logo depois ser chutado e escorraçado como um cão sem dono.

Nesse meio século, o rock’n’roll foi celebrado por multidões, massacrado pela Igreja, explorado por publicitários, dissecado por historiadores, cooptado pela moda, malhado por puristas, dignificado pelos Beatles e maltratado por Bon Jovi e Simply Red. Passou por bons e maus bocados, e chegou a ser dado por morto algumas vezes. Mas, como fênix, sempre deu um jeito de reaparecer, resgatado das trevas por algum adolescente talentoso e entediado. É uma história e tanto.

Segundo historiadores, o marco zero do rock teria acontecido em julho de 1954, quando um caminhoneiro chamado Elvis Presley entrou no Sun Studios, em Memphis, e gravou "That’s Allright Mamma".

Vamos deixar uma coisa bem clara: Elvis não inventou o rock. Antes dele, gente como Chuck Berry e Bill Halley já tocavam rock. Desde o fim dos anos 40, "rock’n’roll" era usado em letras de música como sinônimo de "dançar" ou "fazer amor". Em 1952, o radialista Alan Freed – que depois viria a reivindicar a criação do termo – batizou seu programa de Moondog’s Rock and Roll Party.

Se não criou o rock’n’roll, Elvis ao menos pode ser considerado o mensageiro que apresentou o rock ao mundo. Era o homem certo no momento certo: bonito, talentoso e carismático. Mais importante: era branco e, por isso, aceitável para a América dos anos 50. "Eu agradeço a Deus por Elvis Presley", disse o negro Little Richard, um dos grandes pioneiros do rock. "Ele abriu as portas para muitos de nós."

A tarefa de Elvis não foi fácil: a sociedade norte-americana demorou bastante para aceitar aquele branco que cantava e dançava como um negro. Em uma de suas primeiras apresentações na TV, as câmeras o filmaram apenas da cintura para cima, sem mostrar aquele quadril que teimava em rebolar. Elvis, ao contrário de vários outros ídolos da época (como Pat Boone, por exemplo), nunca renegou a origem de sua música. "O que eu faço não é novidade", disse. "Os negros vêm cantando e dançando dessa forma há muito tempo."

Se a vida nos anos 50 não era moleza para um roqueiro branco como ele, o que dizer de artistas negros como Little Richard, Chuck Berry, Bo Diddley e Fats Domino? Num país de escolas segregadas, que ainda via negros serem linchados, o simples fato de um artista negro viajar para mostrar sua música assumia proporções épicas de heroísmo e bravura.

Uma história emblemática do período é a de Shelley "The Playboy" Stewart, um radialista negro que apresentava um programa de rock na estação WEDR, no Alabama. O programa de Stewart atraía um público predominantemente branco, que aprendera a gostar dos artistas "de cor" que o DJ tocava.

No dia 14 de julho de 1960, Stewart estava apresentando um show na cidade de Bessemer, quando recebeu um aviso do dono do clube: a Ku Klux Klan, temida organização racista, havia mandado 80 homens para atacá-lo. Os encapuzados cercavam o clube e ameaçavam invadir o local. Sem perder a calma, Stewart avisou à platéia – formada por 800 brancos – que teria de parar o show. Foi aí que o inesperado aconteceu. "Os jovens que estavam no clube se rebelaram", disse Stewart, anos depois. "Eles saíram correndo do local e atacaram a Klan, lutando por mim." A simbologia do fato é forte demais: brancos lutando contra brancos, pelo direito de ouvir música negra.

Sim, o rock’n’roll é música negra. Como o blues, o samba e o hip hop, o rock nasceu da escravidão e tem suas origens na migração forçada de milhões de africanos, que foram tirados de suas aldeias e jogados em terras estranhas. Todos esses gêneros musicais têm duas características comuns, herdadas da África: a primeira é a predominância de uma base rítmica constante e repetitiva; a segunda é a utilização da música de uma forma emocional e espiritual. Nas colheitas de algodão dos Estados Unidos, os escravos cantavam para celebrar sua espiritualidade e seus ancestrais. Também cantavam sobre as mazelas da escravidão, estabelecendo assim uma relação direta entre sua música e a realidade social. O rock herdou essa capacidade de radiografar o presente.

Na época, a sociedade americana começava a abandonar preconceitos seculares. De uma certa forma, a explosão do rock simbolizou uma América nova, mais liberal, próspera e livre das dificuldades econômicas do pós-guerra. Adolescentes brancos começaram a curtir uma música antes relegada a salões de baile nos bairros negros e pobres.

Em 1956, "Blue Suede Shoes", de Carl Perkins, tornou-se a primeira música a chegar ao topo das paradas de pop, rhythm’n’blues e country. O fato representou um marco não só para a música, mas para toda a sociedade americana. Pela primeira vez, brancos e negros estavam gostando da mesma coisa. Em 1959, outra canção, "The Twist", de Chubby Checker, também uniu o país. O ativista e autor Eldridge Cleaver, fundador do grupo radical Panteras Negras, escreveu: "A canção conseguiu, de uma forma que a política, a religião e a lei nunca haviam sido capazes, escrever na alma e no coração o que a Suprema Corte só havia conseguido escrever em livros".

O rock’n’roll não mudou a sociedade, mas serviu como espelho de mudanças e tendências. Claro que ninguém deixou de ser racista ao ouvir Elvis Presley cantando música "de negros", mas o simples fato de Elvis aparecer em cadeia nacional, rebolando os quadris e celebrando uma cultura marginal, mostrava que o país estava mudando.

Paralelamente ao surgimento do rock, a sociedade norte-americana via o aparecimento de outro fenômeno, que se tornaria vital para a explosão do rock’n’roll: o adolescente.

Até meados do século 20, adolescentes tiveram uma vida dura nos Estados Unidos. O país havia passado por duas guerras mundiais e pela Grande Depressão; ser jovem por lá significava trabalhar duro e ajudar os pais a sustentar a casa.

Para a sociedade de consumo, o adolescente não existia. Não havia música ou filmes feitos especialmente para eles. Pais e filhos eram obrigados a gostar das mesmas coisas: as big bands de Tommy Dorsey e Benny Goodman, as baladas de Nat King Cole e Frank Sinatra, a cafonice de Pat Boone e Perry Como.

Depois da Segunda Guerra, tudo mudou: os Estados Unidos entraram numa fase de prosperidade, a economia cresceu e os adolescentes, que antes davam duro ajudando os pais, passaram a receber mesada. Isso criou um novo mercado, voltado unicamente para o jovem.

Hollywood logo entrou na onda, lançando filmes direcionados aos adolescentes. Dois deles, O Selvagem (1954) e Rebelde sem Causa (1955), revelaram Marlon Brando e James Dean interpretando jovens em conflito com a geração de seus pais. A rebeldia estava na moda. Daí surgiu Elvis Presley, dando voz a uma geração cansada da caretice dos pais.

A sociedade de consumo não demorou para perceber o potencial do filão jovem. Foi só aí que o rock explodiu na América. E tome filmes, revistas, livros, badulaques, calendários e todo tipo de bugiganga direcionada aos novos consumidores. Elvis, o rebelde, tornou-se uma figura tão familiar aos lares americanos quanto o presidente Eisenhower.

As gravadoras, que nunca gostaram de arriscar, trataram de diluir o rock em fórmulas açucaradas, bem ao gosto do público branco médio. O canastrão Pat Boone, por exemplo, gravou Tutti Frutti, mudando a letra (escrita por Little Richard, negro, homossexual e orgulhoso), para não chocar as boas moças da América. Foi um estouro. Era a tal coisa: "rock sim, mas limpinho, por favor".

Apesar do sucesso, muita gente previa um fim rápido para o rock. O gênero era visto como uma moda passageira, a exemplo do calipso ou de tantas outras que tiveram seus 15 minutos de fama na América.

Para piorar, os roqueiros passavam por maus bocados no fim dos anos 50: Elvis Presley foi para o Exército, Chuck Berry ficou preso dois anos por ter atravessado uma fronteira estadual com uma prostituta menor de idade, Little Richard abandonou o rock e virou pastor depois de "ouvir o chamado de Deus" durante um vôo turbulento, Jerry Lee Lewis arruinou a carreira ao casar com uma prima de 13 anos, Buddy Holly morreu em um acidente de avião, que matou também Ritchie Valens (La Bamba) e Big Bopper (Chantilly Lace), e Eddie Cochran morreu em um acidente de carro. Quando o futuro do rock’n’roll parecia negro, surgiram os Beatles.

A influência dos Beatles é incalculável. Musicalmente, eles elevaram o rock a um nível até hoje inigualado, estabelecendo parâmetros e modelos para toda a música pop. Suas experimentações abriram novas possibilidades sonoras e ampliaram os horizontes musicais das gerações posteriores. Culturalmente, eles foram igualmente importantes: carismáticos, irreverentes e cheios de sex-appeal, eles surgiram no mundo como um sopro renovador, obliterando a caretice da década de 50 e inaugurando uma era mais livre e esperançosa – os anos 60.

O surgimento do rock e de seus primeiros ídolos – Elvis, Beatles, Rolling Stones – mudou a relação entre a música e o público. Até o rock aparecer, o "músico" – fosse produtor, instrumentista ou compositor – era visto como um profissional muito qualificado. Compositores de "música popular" eram sofisticados como Cole Porter e Irving Berlin; cantores eram Frank Sinatra e Bing Crosby.

O rock democratizou a música pop. Subitamente, qualquer um podia subir em um palco e cantar. Elvis, um caipira ignorante, passou a freqüentar as paradas de sucesso ao lado de Sinatra e Nat King Cole (dá até para entender por que Sinatra, acostumado a trabalhar com músicos experientes, não aceitou o novo estilo: "rock’n’roll é a coisa mais brutal, feia e degenerada que eu já tive o desprazer de ouvir", disse o "olhos azuis").

Essa "democracia" do rock teve um efeito imediato: os artistas ficaram cada vez mais parecidos com seu público, tanto em idade quanto em classe social. Os jovens passaram a se identificar mais com seus ídolos, estabelecendo uma relação mais próxima com a música. O rock também passou a buscar na sociedade – especialmente nos jovens – os temas de suas canções. Essa troca fez do rock a música mais popular e culturalmente impactante do século 20.

Para muitos, esse estreitamento entre artista e público também causa um declínio gradual na qualidade da música. A cada ano, um número maior de pessoas sem treinamento musical tem acesso a tecnologias de composição e gravação. Hoje, aparelhos como samplers e placas de som permitem a qualquer um gravar um disco em casa. E popularização raramente é sinônimo de qualidade.

O fato é que nenhuma outra música esteve tão sintonizada com a realidade de seu tempo quanto o rock. Desde os anos 50, ele passou a ser um espelho da sociedade, refletindo a moda, o comportamento e as atitudes dos jovens. Isso fez do rock uma música com prazo de validade, ou seja, tão ligada no "hoje" que corre o risco de sair de moda rapidamente, junto com os temas abordados (para confirmar, basta assistir a qualquer videoclipe de dez anos atrás).

Isso cria situações interessantes: o que é "bacana" e "moderno" para uma geração torna-se ultrapassado para a próxima. Sendo um gênero que se alimenta sempre do novo, o rock’n’roll gera conflito entre seus fãs. Um movimento surge como resposta ao anterior e assim por diante, numa renovação incansável.

Esses conflitos, mais que interessantes, são necessários: sem eles, estaríamos condenados à eterna repetição. Foi a partir desses "rachas" que nasceram alguns dos movimentos mais influentes do rock, como o punk, basicamente uma reação ao comercialismo e à pompa do rock dos anos 70, que havia perdido a identificação com as gerações mais novas. Ao contrário do que ocorria antes do rock’n’roll, agora ficou fora de moda curtir a mesma música que os pais. Mas isso é cíclico, claro: com o passar dos anos, a indústria descobriu o potencial do saudosismo. Hoje, temos canais de televisão que vivem de reembalar artistas velhos como se fossem a última novidade. E veteranos – como o Aerosmith, por exemplo – que, graças a seus clipes na MTV, reinventam-se para um público que nem era nascido quando eles faziam sua melhor música.

Os Beatles são um bom exemplo da capacidade do rock de se adaptar a cada época. Para entender as mudanças ocorridas nos anos 60, basta olhar as fotos do grupo durante o período. Nos primeiros anos, vestidos com terninhos idênticos e cabelos bem penteados, os quatro eram a imagem perfeita do otimismo da era Kennedy. Depois, como todos, abandonaram a inocência: os cabelos cresceram e os sorrisos deram lugar ao cinismo, enquanto Kennedy era morto e a guerra começava no Vietnã. No fim da década, quando jovens faziam passeatas na Europa, Martin Luther King era assassinado e o conflito do Vietnã piorava, os Beatles buscaram consolo espiritual na Índia, renegando o comercialismo ocidental. A banda acabou melancolicamente, junto com uma década que começara cheia de promessas e que terminava em guerra e decepção.

Não foram os únicos roqueiros que se tornaram símbolos de uma era: Bob Dylan, Jimi Hendrix e Jim Morrison também viraram ícones dos anos 60, tanto quanto o símbolo da paz ou o rosto de Che Guevara. Sid Vicious é, até hoje, a imagem mais reconhecível da rebeldia punk. E basta um passeio por qualquer grande cidade para ver, a qualquer hora, jovens usando camisetas com o semblante triste de Kurt Cobain.

Esses rostos passaram a representar mais que a simples paixão por uma banda ou artista: tornaram-se símbolos de um estado de espírito e de um jeito de ser. A iconografia, claro, reduz tudo a seu nível mais rasteiro – e um artista como Kurt Cobain, autor de dezenas de músicas, acabou reduzido a garoto-propaganda do suicídio e da alienação adolescente. John Lennon foi assassinado e virou "marca", transformado, como Gandhi, em símbolo de paz e amor. Logo ele, que nunca escondeu ter sido um pai ausente e que tratou Paul McCartney como um cachorro sarnento depois do fim dos Beatles. O rock simplifica tudo.

Talvez seja essa a razão de seu sucesso. Como bem disse Gene Simmons, do Kiss: "Eu não sou Shakespeare. Mas ganhei muita grana e transei com mais de 4 mil mulheres. Tenho certeza de que Shakespeare trocaria de lugar comigo a qualquer hora". Quem duvida?



1. The King of Rock and Roll – The Complete 50s Masters - Elvis Presley, 1992

Elvis em sua melhor fase, antes de entrar para o Exército e voltar mansinho



2. Chuck Berry – Anthology - Chuck Berry, 2000

O verdadeiro criador do rock’n’roll e melhor compositor entre os pioneiros do gênero



3. The Essential Little Richard - Little Richard, 1985

O intérprete mais explosivo do início do rock revolucionou a música com seus gritos e sua vibração



4. The Classic Years - Motown, 2000

Uma das gravadoras mais influentes dos anos 60, meca da soul music norte-americana



5. Please Please Me - Beatles, 1963

Eles chegaram como um sopro renovador e fizeram a trilha sonora perfeita para o otimismo do início dos anos 60



6. The Freewheelin’ Bob Dylan - Bob Dylan, 1963

O rock amadurece: pela primeira vez, as letras valem tanto quanto a música



7. Live at the Apollo - James Brown, 1963

O grito primal do funk, por seu maior intérprete



8. The Who Sings My Generation - The Who, 1965

Até então, ninguém havia feito um rock tão radical e barulhento; para muitos, o nascimento do punk



9. Blonde on Blonde - Bob Dylan, 1966

O atestado de maioridade de Dylan; depois disso, o rock não tinha mais desculpa para a ingenuidade



10. Pet Sounds - Beach Boys, 1966

Um sonho adolescente, embalado pelo pop mais perfeito e cristalino. "O maior disco da história", segundo Paul McCartney



11. Sargent Pepper’s Lonely Hearts Club Band - Beatles, 1967

Auge do experimentalismo do rock. Definiu sua geração e criou novos horizontes para o pop



12. Between the Buttons - Rolling Stones, 1967

Os rebeldes mostram que também têm coração



13. Are You Experienced? - Jimi Hendrix, 1967

Hendrix desfila todo seu arsenal: microfonia, psicodelia, distorção e um pé fincado na tradição do blues



14. The Velvet Underground and Nico - Velvet Underground, 1967

Inaugurou a melancolia no pop. Fez contraponto ao otimismo hippie



15. The Doors - The Doors, 1967

Pessimista e dark, embalado pela angústia existencial de Jim Morrison, na contramão do sonho hippie



16. We’re Only In It For the Money - Frank Zappa and the Mothers of Invention, 1968

Satiriza o hippismo e antecipa o fim do sonho



17. The Village Green Preservation Society - The Kinks, 1969

Os Kinks enxergam além de guitarras barulhentas e fazem o seu Sargent Pepper’s



18. Kick out the Jams - MC5, 1969

Que paz e amor nada! Neste explosivo disco ao vivo, o MC5 pregava revolução, guitarras e amor livre



19. Live Dead - Grateful Dead, 1970

Longas explorações psicodélicas, no melhor momento de uma verdadeira instituição californiana



20. Black Sabbath - Black Sabbath, 1970

Para muitos, uma brincadeira de mau gosto. Para os fãs, um disco que sepultou a inocência dos anos 60 e inaugurou o heavy metal



21. Funhouse - Iggy Pop and the Stooges, 1970

Blues, John Coltrane e punk: a fórmula de Iggy Pop neste verdadeiro clássico do niilismo



22. Greatest Hits - Sly and the Family Stone, 1970

A música negra como arma de guerra: segundo Sly Stone, a revolução só se daria com o povo dançando nas ruas



23. Led ZepPelin IV - Led Zeppelin, 1971

Jimmy Page e sua gangue se escondem por trás do ocultismo e fazem um clássico do hard rock



24. Exile on Main Street - Rolling Stones, 1972

Os Stones esquecem a pose de maus e concentram-se no que sabem fazer melhor: música sublime



25. Ziggy Stardust - David Bowie, 1972

Uma ópera-rock sobre androginia e extraterrestres. Bowie cria um mundo de fantasia e sonho, que inspirou o punk e a new wave



26. Harvest - Neil Young, 1972

Obra-prima do country rock em uma época de cantores "sensíveis", como James Taylor e Carole King



27. Transformer - Lou Reed , 1972

O subterrâneo nova-iorquino, com prostitutas, traficantes e bêbados, pela imaginação mórbida de Lou Reed



28. New York Dolls - New York Dolls, 1973

Guitarras altas, batom e roupas de mulher: os New York Dolls confrontavam com bom humor a macheza do rock da época



29. The Dark Side of The Moon - Pink Floyd, 1973

Questionamentos sobre loucura e solidão, embalados pela música mais triste a chegar ao topo das paradas



30. Ramones - Ramones, 1976

Em contraponto ao rock "sério", quatro desajustados cometem este pecado sonoro, sem solos nem pretensão. Nascia o punk



31. Never Mind the Bollocks - Sex Pistols, 1977

O conflito de gerações em forma de disco: "Somos feios, sujos e não gostamos do que está acontecendo"



32. Talking Heads: 77 - Talking Heads, 1977

O punk cresce e amadurece; o funk de branco do Talking Heads prova que há cabeças pensantes na geração 77



33. Parallel Lines - Blondie, 1978

O dia em que o punk e a new wave fizeram as pazes com o pop. Som comercial sem abdicar de seus ideais



34. Unknown Pleasures - Joy Division, 1979

Velvet Underground para as novas gerações: sombrio e mórbido, vê um mundo mais sem futuro que o do Sex Pistols



35. The Specials - The Specials, 1979

O punk inglês se mistura ao ska jamaicano, que havia anos habitava os bairros mais pobres da Inglaterra



36. Double Fantasy - John Lennon e Yoko Ono, 1980

Depois de passar anos fazendo discos políticos, Lennon e Yoko assumem a maturidade e gravam pelo simples prazer de criar



37. London Calling - The Clash, 1980

Está tudo aqui: rockabilly, reggae, ska, jazz. O grande disco que define o fim da adolescência no punk



38. Heaven Up Here - Echo and the Bunnymen, 1981

Grandioso demais para se encaixar em algum movimento musical, marca o amadurecimento do pós-punk



39. Power, Corruption and Lies - New Order, 1983

O rock abraça a música eletrônica e prova que música "de computador" também pode ter coração



40. The Head on the Door - The Cure, 1985

O Cure embala a morbidez no pop mais acessível e leva a melancolia às massas



41. The Queen is Dead - The Smiths, 1986

O rock esquece os vencedores, celebrando os desajustados, tímidos e fracassados



42. Licensed to Ill - Beastie Boys, 1986

Três espertalhões juntam rap e heavy metal e criam música negra para jovens brancos



43. The Joshua Tree - U2, 1987

O U2 ressuscita o rock político – e os fãs, apolíticos, compram sem perceber a intenção



44. Daydream Nation - Sonic Youth, 1988

Os intelectuais da guitarra fazem uma perfeita radiografia de uma geração sonada pela MTV e pelo rock comercial



45. It Takes a Nation of Millions to Hold Us Back - Public Enemy, 1988

Um libelo contra a manipulação da mídia, o "embranquecimento" da América de Reagan e o racismo



46. Out of Time - R.E.M., 1991

Rock de gente grande, com ambição e propósito, apesar do lustro pop e do imenso sucesso comercial



47. Metallica - Metallica, 1991

Representou, para a geração MTV, o que Black Sabbath foi para os jovens em 1970: a celebração da negação



48. Nevermind - Nirvana, 1991

O dia em que o punk encontrou a MTV: um disco que destruiu barreiras e que tornou obsoleto todo o rock vagabundo do fim dos anos 80



49. BloodSugarSexMagik - Red Hot Chili Peppers, 1991

Fãs de Korn e Limp Bizkit vão chiar, mas a verdade é que todo o funk metal e o nu metal começaram aqui



50. OK Computer - Radiohead, 1997

Um disco gélido, cerebral e triste, sobre a dificuldade de comunicação no fim do século. Paradoxalmente, foi um sucesso



"Por que jovens gostam de rock? Ora, porque os pais não gostam, é claro!"

Chuck Berry



"Se você se lembra dos anos 60, é porque não estava lá."

Robin Willians



"Eu odeio o Pink Floyd."

Frase escrita na camisa de Johnny Rotten, dos Sex Pistols



"Eu sou uma garota material, vivendo num mundo material."

Madonna



"Meu sonho e viver num mundo onde Lenny Kavitz nõ seja chamado de 'rock'"

Mark Arm, Mudhoney



Northern Band Rock’n’Roll

Espécie de versão com guitarra e baixo do som das big bands de Kansas City. O maior nome do estilo era Bill Halley (Rock Around the Clock)



New Orleans Dance Blues

Gênero em que predominavam baladas, tendo o piano como instrumento principal. Little Richard e Fats Domino se destacavam



Memphis Country Rock

Também chamado de rockabilly, era basicamente música caipira branca, tocada com guitarra elétrica. A gravadora Sun, descobridora de Elvis, era a meca desse ritmo



Chicago Rhythm and Blues

Versão negra do rockabilly, que teve em Chuck Berry e Bo Diddley seus mestres



Grupos Vocais

Sem instrumentos, usavam somente o gogó, em arranjos lindos. Frankie Lymon and the Teenagers era o grande sucesso



Fonte: The Sound of the City, de Charlie Gillett (Souvenir Press, EUA, 1971)



Chuck Berry

O primeiro grande compositor do rock criou riffs copiados até hoje ("Roll Over Beethoven", "Maybellene"). Compôs rocks, blues e baladas e foi também o primeiro grande "fora-da-lei" do rock’n’roll, tendo sido preso várias vezes quando adolescente (e outras várias vezes depois)



Beatles

Lançaram, entre 1965 e 67, três álbuns – Rubber Soul, Revolver e Sargent Pepper’s Lonely Hearts Club Band – que elevaram o rock a um nível artístico nunca visto. Daí experimentaram de tudo: música indiana, fitas rodadas de trás para a frente, sons de pássaros, LSD... E o rock nunca mais foi o mesmo



Bob Dylan

O primeiro grande letrista do rock. Cantor folk, chocou a platéia ao subir no palco com uma banda de rock, em 1965. Muitos previram um fracasso quando lançou Like a Rolling Stone: a música tinha seis minutos de duração, o triplo da média das canções do rádio. Foi seu primeiro grande sucesso



Brian Wilson

Mesmo surdo de um ouvido e abalado para sempre por causa dos socos que levava do pai, o líder dos Beach Boys compôs alguns dos momentos mais sublimes da música pop. Queria superar os Beatles, que considerava os únicos capazes de rivalizar com seu talento



Rolling Stones

Eram o contraponto mal comportado à simpatia dos Beatles. Foram os primeiros a subir no palco com as roupas que usavam no dia-a-dia, sem os "uniformes" usados pelas bandas – um choque na época. Resgataram o blues de Muddy Waters e Willie Dixon e exploraram a psicodelia e a música soul



Phil Spector

O mais influente produtor musical dos EUA nos anos 60. Aos 18 anos já tinha uma música no Top 10. Revolucionou as gravações com sua técnica de gravar vários instrumentos na mesma faixa, para criar uma sonoridade densa e poderosa



Jimi Hendrix

Revolucionou a guitarra e tornou-se o músico mais influente e inovador de sua geração. Seu estilo único unia o blues a distorção e microfonia. Quão bom ele era? Eric Clapton responde: "Uma vez, Jimi subiu conosco no palco e tocou Killing Floor, de Howlin’ Wolf, que eu nunca consegui tocar direito. Todo mundo ficou de boca aberta"



David Bowie

O "camaleão" do rock fez de tudo: foi menestrel hippie (anos 60), inventou o glam rock, influenciou o punk e a new wave e embrenhou-se por sons eletrônicos (anos 70). Fez dance music e trilhas para o cinema (80). Sua capacidade de se reinventar não tem paralelo no pop



Sex Pistols

Em 1976, o rock vivia uma fase tediosa, com artistas milionários tocando em estádios. Em oposição a eles, grupos como Sex Pistols, Ramones e The Clash criaram o punk, uma música crua e direta. Estouraram na Inglaterra e provaram que não era preciso ser bonito e comportado para chegar ao topo das paradas



Kurt Cobain

Conseguiu, como ninguém, capturar em música o espírito da geração MTV, marcada pelo tédio e pela paralisia em face do domínio corporativo. O Nirvana foi um caso raro de banda alternativa que fez imenso sucesso comercial e abriu caminho para dezenas de outras



Benjamin Franklin "descobre" a eletricidade (junho de 1752)

O velho Ben soltou uma pipa no meio de uma tempestade e mudou o mundo



Elvis grava um disco para a mãe (4 de janeiro de 1954)

Um caminhoneiro pobre entra nos estúdios da gravadora Sun, em Memphis, e grava um acetato para dar de presente à mãe. Meses depois, quando precisou de um cantor para gravar um compacto, o dono da Sun, Sam Phillips, lembrou-se do rapaz, Elvis. Nascia o rock’n’roll



Morte de Buddy Holly (3 de fevereiro de 1959)

Buddy Holly, Ritchie Valens e Big Bopper morrem num desastre de avião, depois de um show. Foi a primeira grande tragédia do rock, um evento que ficou marcado como "o dia em que a música morreu"



Beatles aparecem no programa de Ed Sullivan (9 de fevereiro de 1964)

Mais de 50 mil fãs brigaram pelos 703 ingressos disponíveis no estúdio da CBS. Os Beatles cantaram cinco músicas e foram vistos por 73 milhões de americanos. Nascia a Beatlemania



Beatles encontram Bob Dylan (28 de agosto de 1964)

Num hotel de Nova York, o quarteto de Liverpool foi apresentado ao maior bardo do rock e, pela primeira vez, fumaram maconha. O encontro motivou o grupo a abandonar as canções adolescentes. Ali começou a fase psicodélica dos Beatles



Woodstock: lama e paz (15 a 17 de agosto de 1969)

O auge do sonho hippie: meio milhão de pessoas se reuniram para celebrar a paz e o amor, sem policiais ou chuveiros para atrapalhar. Foram três dias de lama, drogas e muito rock’n’roll, ao som de The Who, Jimi Hendrix, Santana, Joe Cocker, Creedence Clearwater Revival, Janis Joplin, Grateful Dead e muitos outros



Altamont: violência e morte (6 de dezembro de 1969)

O fim do sonho hippie: concebido pelos Rolling Stones, o festival de Altamont terminou em tragédia quando uma gangue de motoqueiros da facção Hell’s Angels, contratada para fazer a segurança do evento, matou a pauladas um jovem negro. Outras três pessoas morreram na noite: duas atropeladas enquanto dormiam e uma terceira afogada



Sex Pistols xingam a Rainha DA INGLATERRA (maio de 1977)

Em uma esperta jogada de marketing, os Pistols lançaram o compacto "God Save the Queen" a tempo de esculhambar as comemorações do Jubileu da Rainha. O disco foi banido das rádios do país, mas tornou-se o segundo mais vendido



Estréia da MTV (1 de agosto de 1981)

Antes da MTV, o principal meio de divulgação para artistas era o rádio. Logo as gravadoras perceberam o potencial do novo canal e passaram a investir mais em clipes. A imagem de uma banda passou a ser tão importante quanto sua música. Surge a "geração MTV" com estrelas como Madonna, Duran Duran, Prince e Michael Jackson



Michael Jackson compra o catálogo dos Beatles e Elvis Presley (setembro de 1985)

Hoje, ninguém pode usar uma música dos Beatles ou de Elvis sem pedir licença a um homem que pendura o próprio filho de uma janela e que admite ter feito vodu contra Steven Spielberg



Na livraria:

The Sound of the City - The Rise of Rock and Roll - Charlie Gillett, Da Capo Press, EUA, 1970

The People’s Music - Ian MacDonald, Pimlico Books, Reino Unido, 2003

André Barcinski direto para o Mensageiro da Realidade

O Dia Mundial do Rock

Hoje, dia 13 de julho, é o Dia Mundial do Rock. Você sabe desde quando se comemora esta data? Desde 1985. Foi no Live Aid - festival pelo fim da fome na Etiópia - que o dia 13 de julho ficou conhecido como o dia mundial do rock.

O Live Aid foi um festival que aconteceu simultaneamente na Filadélfia (EUA) e em Londres (Inglaterra) e trouxe nomes como Black Sabbath (com Ozzy), Status Quo, INXS, Loudness, Mick Jagger, David Bowie, Dire Straits, Queen, Judas Priest, Bob Dylan, Duran Duran, Santana, The Who e Phil Collins entre muitos outros. Aliás, Phil Collins abriu o show nos EUA e na sequência, voou para Londres para fechar o festival...

Outros festivais com essa mesma consciência social ocorreram na década de 80 como o U.S.A. For Africa, Live Aid, Farm Aid, Hear 'n' Aid, Artists Against Apartheid e o Amnesty International, reunindo sempre grandes nomes do mundo pop e rock. O Live Aid talvez tenha ficado mais famoso, e não é pra menos, arrecadou mais de 60 milhões de dólares que foram doados em prol dos famintos na África. Curiosamente, não foi feito nenhum vídeo, CD, DVD sobre o festival até hoje, muito possivelmente pela grande quantidade de artistas envolvidos no projeto...

Dia Mundial do Rock: O Show dos Cartazes


Um espetáculo de rock pode começar bem antes da banda subir no palco. Desde a década de 1960, os cartazes de shows são uma forma de arte por si só, um festim visual que precede a música. A tradição continua viva, com dezenas de artistas que se dedicam a produzir cartazes arrebatadores para bandas do estilo que é comemorado nesta segnda, em todo o mundo.

Um dos primeiros expoentes desse filão foi o canadense Bob Masse. Durante a efervescência do rock psicodélico, Bob fez cartazes para Jimi Hendrix, The Doors, Grateful Dead e Jefferson Airplane. Os traços de Bob espelhavam todo o clima lisérgico das bandas do período. E, diferentemente dos artistas para quem trabalhava, Bob continua na ativa, com clientes como Smashing Pumpkins, U2 e Neil Young.

Nos Estados Unidos e Europa, bandas milionários não se importam de pagar milhares de dólares para um cartaz memorável. Os principais artistas do mercado são Emek, Mike Klay, Rex Ray, Jermaine Rogers e James Rheem Davis. Seus cartazes são colecionados por fãs de música e até ganham espaço em galerias de arte. Algumas dessas obras valem mais do que guitarras raras da Gibson e Fender.

No Brasil, o mercado de cartazes ainda é amador. A moeda corrente entre artistas e banda é amizade. O ilustrador joinvilense Diogo Cesar faz cartazes para seu próprio grupo, o Fogazza, e para as bandas dos amigos.

— Os artistas fazem com gosto porque têm bastante liberdade. É diferente do trabalho comercial, em que os clientes opinam bastante. Em um cartaz de rock dá para se soltar — diz.

Diogo está fazendo agora um cartaz para a banda Alva, de Joinville.

— O importante é curtirmos o som da banda. Quase sempre, o desenhista trabalha para quem gosta de ouvir — informa Diogo.

Outro ilustrador joinvilense entusiasta dos cartazes de rock é Márcio Dall'Acqua. O vocalista e guitarrista da banda Vacine transforma o material de divulgação de seu grupo em obras de arte.

— Minha principal influência é o universo das pin ups da década de 1950 — diz Márcio, sobre as mulheres voluptuosas que estrelam seus cartazes.

Para Diogo Cesar, a arte dos cartazes está passando por um renascimento.

— Acho que está voltando com força. As bandas estão se tocando que dá para transformar propaganda em arte — assinala Diogo.

sábado, 11 de julho de 2009

The Man In The Moon??


No dia 4 de outubro de 1957, os russos puseram em órbita o primeiro satélite da Terra fabricado pelo homem: o Sputnik. O único som que se ouviu vindo do espaço foi um "bip". Mas, um "bip" que provocou entusiasmo em todos os homens e que foi retransmitido por todas as rádios do planeta.

Em 12 de abril de 1961, os soviéticos lavraram novo tento. Yuri Gagarin tornou-se o primeiro homem a viajar em órbita em torno do planeta. A viagem durou pouco mais de uma hora. E Gagarin transformou-se em herói nacional.

No mesmo ano, 1961, o presidente John Kennedy, dos Estados Unidos, declarou que em dez anos um americano pousaria na Lua. "We choose to go to the moon in this decade and do the other things, not because they are easy but because they are hard", disse o presidente na ocasião.

Oito anos se passaram e a viagem à Lua iniciou-se numa quarta ensolarada no dia 16 de julho de 1969, às 9:32 da manhã, no complexo 39 da plataforma de lançamento A, no Kennedy Space Center, Flórida, EUA, com o lançamento da Apolo XI.

Quatro dias mais tarde, em 20 de julho de 1969, exatamente às 23 horas, 56 minutos e 20 segundos de Brasília, o astronauta americano Neil Armstrong, 38 anos, entrava para a história como o primeiro homem a pisar na Lua e avistar a Terra de lá. A bordo da nave Apolo XI, ele, Edwin Aldrin, conhecido como "Buzz" (zumbido) e Michael Collins cumpriram a missão de alunissar (aterrisar na Lua) após levantarem vôo em 16 de julho.

Como comandante da Apolo XI, Armstrong pilotou o módulo lunar com Aldrin, enquanto Collins permaneceu no outro módulo em órbita lunar. Por quase duras horas e meia, os dois coletaram amostras do solo, fizeram experimentos e tiraram fotografias.

O mundo inteiro permaneceu em alerta naquele dia. Nada menos que 850 jornalistas de 55 países registraram o acontecimento. E estima-se que cerca de 1,2 bilhão de pessoas testemunhavam via satélite a alunissagem, considerada impossível tempos atrás. Muitos, inclusive, ainda duvidam de que tal fato tenha realmente acontecido, mesmo com tantas outras missões tripuladas que se lançaram no espaço, após Armstrong ter colocado seu pé esquerdo, coberto pela bota azul, no chão fino e poroso do solo lunar.

Os astronautas voltaram à Terra no dia 24 de julho de 1969, chegando com 30 segundos de atraso, e foram recebidos como heróis. Desde então, os satélites têm revolucionado os sistemas de comunicação e há naves não tripuladas viajando para além dos limites do sistema solar.

Curiosidades

- O primeiro passo na Lua foi dado com um pé tamanho 41. Este era o número da bota azul do astronauta Neil Armstrong, então com 38 anos. O passo foi dado com o pé esquerdo;

- Neil Armstrong e Edwin "Buzz" Aldrin, o segundo astronauta a pisar na Lua, fincaram ali uma bandeira metálica dos Estados Unidos e colocaram uma placa junto à perna do módulo lunar, assinada pelos astronautas e pelo presidente americano Richard Nixon: "Aqui os homens do planeta Terra puseram pela primeira vez os pés na Lua. Julho de 1969 d.C. Viemos em paz em nome de toda a humanidade";

- Ao descer em solo lunar, Eldwin Aldrin sentiu uma enorme vontade de fazer xixi. E fez: dentro do traje, reforçado com 21 camadas de tecido, havia uma bolsa para coleta do líquido;

- Durante as 2 horas e 10 minutos que permaneceram no mar da Tranqüilidade, a planície escolhida para a alunissagem, os astronautas instalaram um sismógrafo, um refletor de raios laser, uma antena de comunicação, um painel aluminizado (para escudo de radiação solar) e uma câmara de TV. Recolheram 27 amostras de pedras e poeira;

- Cinco outras missões tripuladas à Lua foram realizadas com sucesso pelos americanos. Os soviéticos nunca repetiram essa façanha. Depois dos pioneiros, outros 10 homens pisariam no solo lunar:

Novembro de 1969
Charles Conrad e Alan Bean (Apolo XII)

Fevereiro de 1971
Edgar Mitchell e Alan Shepard (Apolo XIV)
Alan tinha 47 anos na época. Detém o recorde de ter sido o homem mais velho a pisar na Lua.

Agosto de 1971
David Scott e James Irwin (Apolo XV)
James foi o primeiro dos 12 homens a falecer, em 1991, vítima de uma crise cardíaca. Tinha 61 anos.

Abril de 1972
Charles Duke e John Young (Apolo XVI)

Dezembro de 1972
Eugene Cernan e Harrison Schmitt (Apolo XVII)
Bateram o recorde de permanência na superfície da Lua: 75 horas.