sábado, 4 de julho de 2009

POETA SINGULAR



Poeta brasileiro. Famoso pela originalidade temática e vocabular, na fase que antecedeu o modernismo. Eu (1912).

Augusto dos Anjos recorreu a uma infinidade de termos científicos, biológicos e médicos ao escrever seus versos de excelente fatura, nos quais expressa por princípio um pessimismo atroz.

Considerado o mais original dos poetas brasileiros entre Cruz e Sousa e os modernistas, Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu no Engenho Pau d'Arco PB em 20 de abril de 1884. Aprendeu com o pai, bacharel, as primeiras letras. Fez o curso secundário no Liceu Paraibano, já sendo dado como doentio e nervoso por testemunhos da época. Formado em direito em Recife (1906), casou-se logo depois. Contudo, não advogou; vivia de ensinar português, primeiro em seu estado e a seguir no Rio de Janeiro RJ, para onde se mudou em 1910. Lecionou também geografia na Escola Normal, depois Instituto de Educação, e no Ginásio Nacional, depois Colégio Pedro II, sem conseguir ser efetivado como professor.

Em fins de 1913 mudou-se para Leopoldina MG, onde assumiu a direção do grupo escolar e continuou a dar aulas particulares. Seu único livro, Eu, foi publicado em 1912. Surgido em momento de transição, pouco antes da virada modernista de 1922, é bem representativo do espírito sincrético que prevalecia na época, parnasianismo por alguns aspectos e simbolista por outros. Praticamente ignorado a princípio, quer pelo público, quer pela crítica, esse livro que canta a degenerescência da carne e os limites do humano só alcançou novas edições graças ao empenho de Órris Soares (1884-1964), amigo e biógrafo do autor.

Cético em relação às possibilidades do amor ("Não sou capaz de amar mulher alguma, / Nem há mulher talvez capaz de amar-me), Augusto dos Anjos fez da obsessão com o próprio "eu" o centro do seu pensamento. Não raro, o amor se converte em ódio, as coisas despertam nojo e tudo é egoísmo e angústia em seu livro patético ("Ai! Um urubu pousou na minha sorte").

A vida e suas facetas, para o poeta que aspira à morte e à anulação de sua pessoa, reduzem-se a combinações de elementos químicos, forças obscuras, fatalidades de leis físicas e biológicas, decomposições de moléculas. Tal materialismo, longe de aplacar sua angústia, sedimentou-lhe o amargo pessimismo ("Tome, doutor, essa tesoura e corte / Minha singularíssima pessoa"). Ao asco de volúpia e à inapetência para o prazer contrapõe-se porém um veemente desejo de conhecer outros mundos, outras plagas, onde a força dos instintos não cerceie os vôos da alma ("Quero, arrancado das prisões carnais, / Viver na luz dos astros imortais").

A métrica rígida, a cadência musical, as aliterações e rimas preciosas dos versos fundiram-se ao esdrúxulo vocabulário extraído da área científica para fazer do Eu -- desde 1919 constantemente reeditado como Eu e outras poesias -- um livro que sobrevive, antes de tudo, pelo rigor da forma.

Com o tempo, Augusto dos Anjos tornou-se um dos poetas mais lidos do país, sobrevivendo às mutações da cultura e a seus diversos modismos como um fenômeno incomum de aceitação popular. Vitimado pela pneumonia aos trinta anos de idade, morreu em Leopoldina em 12 de novembro de 1914.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Jackson:58-09

A morte do cantor, compositor e dançarino Michael Jackson, aos 50 anos, causou uma comoção mundial só reservada antes a outros dois ídolos da música popular: Elvis Presley (1935-1977) e John Lennon (1940-1980). A reação dos fãs canoniza o “rei do pop” – que não constituiu um título oficial, mas o apelido que sua amiga, a atriz Elizabeth Taylor, lhe deu em 1989 na entrega de um entre as centenas de prêmios que ele recebeu em sua carreira. Não poderia haver apelido mais adequado. Assim como Presley ganhou o título de “rei do rock” e Lennon se consagrou como o poeta da rebeldia global dos anos 60, Michael Jackson foi o líder revolucionário da música pop, o fundador da era do videoclipe, o defensor de causas sociais e o maior vendedor de discos de todos os tempos. A exemplo de Elvis e Lennon, Michael experimentou a glória e a tragédia e deixou atrás de si um rastro de enigmas e azares. Foi vítima do sensacionalismo da imprensa de celebridades e enfrentou batalhas jurídicas polêmicas, como as acusações de assédio sexual a menores – das quais foi absolvido.

Carisma, mistério, decadência e morte são as marcas dos ícones da cultura pop. Michael Jackson reuniu todos esses elementos. Subiu mais alto que todos, foi o artista mais popular do planeta e amargou uma longa derrocada artística que durou 20 anos e o levou praticamente à falência financeira – um traço distintivo em relação a seus dois antecessores no reinado pop, que morreram milionários. Michael passou de anjo a monstro, mas a história deverá lhe dar o status de gênio, um artista conturbado e sincero cujas confissões nunca foram levadas a sério.


O SORRISO DO ARTISTA
Michael Jackson no intervalo de um ensaio, em 1984. Ele estava no auge da carreira, logo depois de inventar o moonwalk, passo de dança que o celebrizou Por isso mesmo, quando os twitters e sites de fofocas anunciaram sua morte, furando os jornais, tudo aquilo pareceu mais um boato entre os muitos que envolveram Michael. Desta vez era verdade, e a notícia levou a um choque de proporções mundiais. A morte de Michael Jackson foi confirmada oficialmente na tarde da quinta-feira 25, no Centro Médico da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), aonde chegou em coma depois de uma parada cardíaca sofrida em uma mansão alugada no bairro de Bel Air. Imediatamente, multidões saí­ram espontaneamente às ruas no mundo inteiro para reverenciar o ídolo máximo do pop. De Mumbai a Nova York, de São Paulo a Londres, as pessoas se reuniram para fazer homenagens e cantar juntas os sucessos do ídolo. Enquanto a autópsia do corpo não era realizada, proliferaram as especulações. Ele estaria estafado com o ritmo de exercícios físicos para recuperar a forma, e isso teria provocado um infarto. Cogitou-se também suicídio por barbitúricos. O advogado Brian Oxman, da família Jackson, afirmou que Michael estava muito tenso ultimamente e que usava remédios com receita médica para aliviar a ansiedade, a dor e o esgotamento nervoso. Na sexta-feira, as primeiras investigações sobre a morte levantavam a hipótese de que ele tenha recebido uma injeção de Demerol (medicamento à base de morfina, contra a dor) ministrada pelo médico da casa, Conrad Robert Murray, no final da manhã, duas horas antes de morrer.

A tensão que Michael vivia nos últimos tempos foi motivada pela insegurança em relação a seu retorno aos palcos, com a turnê This is it, que estava marcada para estrear em 13 de julho na O2 Arena, em Londres. A temporada estava pré-consagrada, com 800 mil ingressos vendidos para 50 shows programados até março do ano que vem. O plano de Michael, conforme declarou na entrevista coletiva que concedeu na Inglaterra em janeiro, era percorrer outras cidades do mundo. Os sites de fofoca de Hollywood, como o TMZ, informam que o artista tinha uma dívida de US$ 320 milhões. A turnê o ajudaria a saldá-la, pois lhe renderia só na Inglaterra US$ 400 milhões. Ele tinha consciência de que sua carreira não poderia continuar depois.

“Esta será a minha cortina final”, disse, diante de 7 mil fãs. “Depois disso, nada mais. É isso e pronto (this is it).” E emendou, com as lágrimas transparecendo, apesar de seus óculos mais escuros que seu cabelo longo tingido de negro, encobrindo o rosto desfigurado por sucessivas cirurgias plásticas: “Eu amo vocês, de verdade!”. As multidões que lhe prestaram tributo no mundo inteiro nos últimos dias mostraram que o sentimento era recíproco.

Para conquistar centenas de milhões de admiradores, Michael Jackson esteve à frente de três acontecimentos fora do comum. Primeiro, simbolizou as mudanças sociais ocorridas nos Estados Unidos e no mundo nas últimas cinco décadas. Afirmou o lugar de destaque dos artistas negros, fez moda e alterou o comportamento da juventude. Em segundo lugar, no plano comercial, atuou como peça fundamental para a transformação da indústria da música e do entretenimento em um negócio gigantesco. Com seus passos inventados, os espetáculos superproduzidos, sua vocação para o videoclipe e para entender o que as pessoas queriam ouvir, ele instaurou a era dos superastros – no que foi seguido por Madonna, Prince e... os outros. Por fim, sua contribuição artística se revelou tão poderosa que hoje quase toda a música pop de sucesso é devedora de suas invenções (leia o quadro na última página).

A história de sua formação é repleta de lances de sorte, e também de tristeza. Sua infância foi marcada pelas agressões físicas sofridas dentro de casa. Ele nasceu Michael Joseph, em Gary, Indiana, em 29 de agosto de 1958, sétimo filho de uma família de nove irmãos. O pai, Joseph Walker Jackson, trabalhava como operador de guindaste na Island Steel Chicago. A mãe, Katherine, era dona de casa e cristã devotada. Depois de muitos batismos, converteu-se às Testemunhas de Jeová. Ela achava que Michael era um ser especial. Ainda bebê, dançava sacudindo a mamadeira. Com 5 anos, arrancou aplausos numa apresentação da escola, quando cantou “Climb ev’ry mountain”, do musical A noviça rebelde. Seus irmãos igualmente exibiam talento musical. Eles cantavam e dançavam na frente de casa, localizada em uma área pobre e reservada aos negros da cidade. Não demorou para que Joseph visse nas brincadeiras dos filhos um negócio a explorar. Em 1960, criou o primeiro conjunto – o trio The Jackson Brothers, formado por Jack, de 9 anos, Tito, 7, e Jermaine, 6. Depois viriam Marlon e Michael, que se juntou ao grupo quando completou 5 anos, em 1963. Surgia o Jackson 5. Depois, Michael Jackson lembraria das pancadas que costumava levar de seu pai, porque era o único dos irmãos que revidava as agressões. “Meu pai era horrível”, disse em entrevista a Oprah Winfrey, em 1993. “Eu chegava a vomitar quando o via. Não tive infância, eu era obrigado a trabalhar dia e noite. Foi um preço alto para o sucesso...”
A carreira profissional se iniciou quando o conjunto venceu o concurso de calouros do Apollo Theatre, no bairro negro do Harlem, em Nova York, em agosto de 1967 – episódio narrado no livro Michael Jackson, a magia e a loucura, de J. Randy Taraborrelli (Editora Globo). A gravadora Motown, dedicada ao rhythm-and-blues, tinha experiência com astros infanto-ju­venis, pois vendia muito vinil com o astro infantil Stevie Wonder. Contratou os irmãos Jacksons em 1968. Eles logo atingiram o sucesso. Em 1970, o Jackson 5 bateu um recorde: pela primeira vez, um grupo chegava ao primeiro lugar das paradas de sucesso da revista Billboard com quatro músicas: “I want you back”, “ABC”, “The love you save” e “I’ll be there”. Muito do êxito estava ligado à voz aguda e afinada e ao desempenho de palco de Michael. A Motown lançou-o em carreira solo em 1971. Foi quando sua voz agudíssima e afinada se fez ouvir no mundo todo com as canções lentas “Got to be there” e “Ben”. Ele continuava no Jackson 5, que amargava o fracasso. Em 1975, o grupo trocou a Motown pela CBS.

O produtor da gravadora, o maestro e jazzista Quincy Jones, se encantou com o talento musical e gestual de Michael e se ofereceu para produzir seus álbuns a partir de então. A parceria rendeu a trilogia Off the wall (1979), Thriller (1982) e Bad (1987). Os três discos elevaram Michael Jackson à condição de superastro. Off the wall foi o LP mais vendido de rhythm-and-blues até então: 20 milhões de cópias. Com Thriller, a fórmula de superpro­dução de cada faixa fez com que Michael Jackson fosse o primeiro artista afro-americano a atingir a corrente principal do pop. As vendas do álbum até hoje não foram superadas: atingiram 104 milhões de exemplares em 25 anos, segundo a produção do músico (o livro Guinness de recordes informa 65 milhões).

Thriller foi uma fonte de inovações. Em 1983, durante a festa de 25 anos da Motown, Michael cantou com voz superaguda uma nova modalidade de balada, Billy Jean, uma mistura de rock, funk, soul e jazz, enquanto exibia pela primeira vez o “moonwalk” (“andando na lua”), a coreografia de passos escorregadios e imprevisíveis jamais vista. A plateia gritou e aplaudiu com entusiasmo. Outra contribuição do artista está na transformação do vídeo musical em peça de arte. Antes, o videoclipe era usado mais como peça promocional. A partir de Thriller, dirigido por John Landis (de Um lobisomem americano em Londres, de 1981), o videoclipe ganhou autonomia estética. De lá para cá, som e imagem se tornariam inseparáveis. Bad reafirmou a eficácia da fórmula criada por Quincy e Michael, que até hoje é usada: uma acoplagem de funk, soul, jazz, música latina e rock. A indústria da música vivia seu ápice, liderada pela CBS, depois comprada pela Sony (atual Sony BMG).

O canto de Michael alterou a música porque transformou o falsete, em geral usado em backing vocals, num campo de improvisações. As letras das canções continham mensagens fortes e críticas sobre a situação das comunidades pobres dos Estados Unidos, obrigadas a viver na miséria. Em dez discos solos, lançados de 1972 a 2001, Michael atingiu a impressionante marca de 750 milhões de cópias vendidas no mundo todo. Um recorde praticamente impossível de ser superado, até porque o disco deixou de ser o suporte exclusivo da música. O fim do CD correspondeu ao fim da carreira musical de Michael. Seu último CD, Invincible (2001) não emplacou um único sucesso.

Michael esteve à frente da mudança de atitude dos artistas afro-americanos. Antes dele, o negro só podia brilhar em um nicho de mercado, o rhythm-and-blues. Depois dele, o panorama do pop se alterou radicalmente: os gêneros negros triunfaram, já não como som de gueto, mas generalizado. Em 1985, Michael escreveu com Lionel Richie a música “We are the world” (“Nós somos o mundo”), para arrecadar fundos para combater a fome na África. O clipe com a música reuniu os principais astros daquele tempo e inaugurou a era da generosidade no pop. Em 1993, ansioso para conhecer a América Latina, Michael se apresentou no estádio do Morumbi, em São Paulo, na turnê Dangerous. Voltaria ao país em 1996, para gravar, na Favela Morro Dona Marta, no Rio, e no Pelourinho de Salvador, o clipe “They don’t care about us” (“Eles não ligam para nós”), com participação do Olodum e direção de Spike Lee. Para gravar no Rio, Michael teve de negociar com o chefe do tráfico local, Marcinho VP.

O artista foi também um visionário social: em 1991 ele anunciava o mundo pós-racial com a canção “Black or white” (“Preto ou branco”). Se naquele momento aquilo pareceu uma excentricidade para justificar as operações de branqueamento da pele a que se submetia (segundo ele, por causa de um vitiligo), hoje o clipe da música soa como o anúncio de um novo mundo, em que as raças se fundem e a humanidade se eleva para um plano universal.

À medida que sua música definhava, afloravam as frustrações infantis. Inseguro com a aparência e com a própria personalidade, desde 1988 Michael passou a se submeter a cirurgias plásticas e a dar vazão a manias, como colecionar objetos bizarros e comprar um rancho, que batizou de Neverland (Terra do Nunca) em homenagem a seu personagem favorito: o eternamente menino Peter Pan. Ali, convidava crianças para passar o dia (e alguns a noite) com ele, o que lhe rendeu diversos processos por pedofilia.

A vida privada problemática se misturou ao anseio de se aproximar de seus ídolos. Comprou, num leilão, os direitos autorais sobre metade das músicas da dupla Lennon & McCartney. Paul McCartney, que também participou do leilão, ficou furioso, e nunca mais falou com Michael. Com 36 anos, casou-se com Lisa Marie Presley, filha de Elvis Presley. O casamento durou dois anos e só fez crescer os rumores sobre seu comportamento estranho. Isso aumentaria em seguida. Para ter filhos, Michael ficou casado entre 1995 e 1999 com a enfermeira Debbie Rowe. Da união, nasceram dois filhos, Prince Michael I, hoje com 12 anos, e Paris Katherine, com 11. Michael fez acordo com Debbie para ficar com a guarda das crianças. Depois, gerou Prince Michael II, hoje com 7 anos, por inseminação artificial.

Ele buscou a justificativa íntima compondo “Childhood”, canção lançada em 2001. Segundo ele, a música continha a explicação para suas frustrações. Mas ninguém deu muita atenção ao recado. Dizem os versos: Você viu a minha infância?/Estou procurando pelo mundo de onde venho/Nos achados e perdidos do meu coração/Ninguém me entende/Eles a veem como excêntrica/Porque continuo brincando/Como uma criança, mas me perdoem”. E, mais adiante: Antes de você me julgar, se esforce por me amar.

Nesta última década, o público lhe virou as costas. Seu último disco, Invincible, não cumpriu a promessa do título: apesar da qualidade à altura do mito, não venceu os crescentes preconceitos do público. Envolvido em escândalos e perseguido por credores, cada vez mais fechado em si mesmo, Michael sofreu uma decadência física, moral e artística mais lenta que a de Elvis Presley – e uma danação pública que John Lennon nem imaginaria.

Certa vez, Michael afirmou que uma das metas de sua vida foi conquistar a imortalidade pela música. Não há dúvida de que conseguiu. Não só sua música. Há um pouco – ou muito – de Michael Jackson no canto e na dança de Justin Timberlake, Usher, Chris Brown, Rihanna... e até Prince, Madonna ou Black Eyed Peas. Antes de Michael Jackson, havia nichos sonoros para públicos específicos: o rock, o soul, a salsa. Depois de Michael Jackson, há... qualquer coisa que você vai ouvir, no universo do pop, nos próximos 20 anos.

Sentimento de ódio é igual ao sentimento de amor

Investigadores do Laboratório de Neurobiologia do Colégio Universitário de Londres estudaram uma das sensações menos interessantes do ser humano - o ódio - em particular que zonas do cérebro humano fazem despertar essa emoção. Os cientistas britânicos descobriram que a origem do “circuito do ódio” tem pontos em comum com o que desperta o sentimento antagónico do amor.
Capaz de levar as pessoas a cometer ações agressivas, o ódio é um sentimento complexo e, semelhante ao amor, impele à realização de algumas ações impensadas.
Para descobrir o “circuito do ódio”, os investigadores observaram imagens de ressonância magnética de 17 pessoas – 10 homens e 7 mulheres – captadas quando observavam imagens de pessoas pelas quais sentiam animosidade (cedidas pelos próprios participantes), alternadas com fotografias de rostos que lhes eram indiferentes, que não lhes despertavam nenhum tipo de sentimento.
Desta forma, os cientistas observaram as áreas neurológicas que se ativavam quando sentiam ódio e concluíram que o circuito estimulado pelo ódio envolve principalmente duas regiões do cérebro, que geram também o comportamento agressivo. Estas zonas estão situadas no centro do cérebro (ínsula) e numa superfície lateral do órgão (putamen) e são “as mesmas áreas ativadas quando as pessoas se apaixonam”, explicam os investigadores no estudo publicado em uma revista estrangeira.

Diversas pesquisas têm concluído que nas funções em que participa a ínsula incluem-se as que catalisam as expressões de desgosto e os estímulos desagradáveis, enquanto o putamen está encarregado de planificar a resposta ativa, como por exemplo, agredir uma pessoa que se odeia ou realizar uma atitude defensiva.
O fato das zonas do putamen e da ínsula também se ativarem com o sentimento de amor não é surpreendente, já que ambos os sentimentos (amor e ódio) podem levar a atos irracionais e agressivos” explica Semir Zeki, coordenador do estudo.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A História do Cinema Mundial - O expressionismo alemão e o Cinema Noir

Chegamos à quarta parte da coletânea História do Cinema Mundial com a análise do expressionismo alemão no cinema, estilo que influenciou outros países e suas produções culturais. Atrelado ao expressionismo, temos o Cinema Noir, estilo de filme cultuado, considerado “diferencial”.

Para alguns historiadores, o cinema alemão da década de 20, onde o expressionismo encontra-se vinculado, era descrito como extremo, decadente e com doses cavalares de violência, uma apologia ao nazismo que viria logo depois. O êxito de algumas produções expressionistas alemãs ganharam fama em pontos distintos do planeta, com notoriedade para os Estados Unidos, que sofreram a influência direta destas produções, principalmente no que tange ao filme noir.

O filme O gabinete do dr. Caligari (de Robert Wiene, 1920) seria um dos principais exemplares do gênero. No filme, os cenários são bizarros e seu enredo tem tom de pesadelo, características típicas de filmes deste estilo, que também estava vinculado a outros campos da cultura, como a pintura, a literatura e o teatro.

O fim do século trouxe um período de conturbações: as culturas advindas da Europa, apesar de se orgulharem de seu imperialismo, sofriam pelas múltiplas manifestações de cunho anticapitalista. A título de exemplificação, basta lembrar das obras de Baudelaire e as idéias bem difusas de Friedrich Nietzsche.


O grito, de Edvard MunchNa pintura temos uma obra muito conhecida, assinada por Edvard Munch: "O grito", em exposição pela primeira vez em 1893. Na pintura expressionista estava exposta uma doutrina que envolvia o uso estático da cor e a distorção emotiva da forma, tratando também do aspecto profundo, divino e imperceptível das coisas. Na literatura, entre tantos, temos Franz Kafka como representante, apontados por alguns como expressionista. Tais características destas formas de artes estavam refletidas também no cinema.

Em primeiro lugar, havia uma iluminação bem especial, bastante insólita, que estava atrelada à maquiagem, que transformava o rosto dos atores em máscaras, cujo tratamento repleto de exageros podia levar à caricatura e ao grotesco. O que tornava prejudicial a pesquisa em torno do cinema alemão era a escassez de materiais sobre o tema, perdidos durante a fase bélica da Alemanha, grandemente envolvida nas duas grandes guerras mundiais. Segundo historiadores, o cinema alemão sofreu grande influência do cinema escandinavo, título futuro desta coletânea de artigos sobre a história do cinema mundial.

O primeiro representante do gênero foi "O outro" (1913), de Max Mack, considerado também o primeiro filme de cunho psicanalítico do cinema. O enredo gira em torno de um homem que desenvolve dupla personalidade após sofrer um acidente. Outro ótimo representante é O estudante de Praga (1913), que misturando Goethe e Edgar Allan Poe, narra a história trágica do estudante Baldwin, que vende seu reflexo no espelho ao demônio Scapinelli e passa a ser perseguido por seu duplo diabólico. O cinema expressionista alemão é diretamente ligado à temática fantástica.

Mais elementos caracterizaram o cinema expressionista: ligações com o gótico, efeitos de sombra e luz nas imagens e vilões sobrenaturais. Apesar do avanço tecnológico destas produções, que influenciaram na qualidade narrativa das mesmas, o cinema alemão enfrentou duro boicote internacional, por questões referentes a seu envolvimento nas guerras mundiais.

"O gabinete do dr. Caligari" ganhou notoriedade dentro deste estudos devido a criação de uma atmosfera de pesadelo que ganhou possibilidade pela produção em painéis pintados ao estilo expressionista, traçando um panorama com aspectos tortuosos e imprevisíveis. Somado a isso, estavam as interpretações dos atores, exageradas e de forte impacto visual, com maquiagem deformadora e enredo envolvendo personagens com sentimentos de destruição e revolta contra as autoridades.

No que tange o quesito composição, o cinema expressionista prendeu-se em muitos aspectos ao gótico medieval, como maquiagem (já citado) reforçada e o figurino estilizado. Uma outra característica foram as cenas repletas de alucinações. Um título que ajudará no entendimento da estética expressionista é a película entitulada "Fantasma" (1922). Numa determinada cena, o protagonista é dominado por uma vertigem e as escadas do caminho que segue começam a subir e descer sem que ele precise se mexer.

No quesito temática, o cinema expressionista alemão estava ligado ao universo da literatura romântico-fantástica. Na estrutura narrativa, uma das experiências mais marcantes era a de evitar o uso de letreiros narrativos e/ou explicativos: era um cinema interessado em mostrar, e cada um que entendesse da sua forma a mensagem transmitida. A descontinuidade era parte do processo narrativo, sendo o espectador o responsável pela construção da narrativa.

FW Murnau, Fritz Lang e Paul Leni foram os três maiores representantes do movimento, que de tão marcante, influenciou em quesitos estéticos o estilo hollywoodiano noir.

CINEMA NOIR

Quando um cinéfilo é perguntado sobre as características do cinema noir, gênero considerado como diferencial/intelectual, ele trata logo de responder: são filmes com luz expressionista, narrados em off, trazendo um detetive durão e uma loira linda e fatal, apimentado com altas doses de erotismo.

Resposta incorreta? Certamente não. A grande confusão na definição do gênero está ligada às suas origens, equivocadas para muitos estudiosos, que não sabiam que na verdade, o gênero não é essencialmente norte-americano. Ele se difundiu e ampliou-se por lá, mas é oriundo da França, país que se encontrava privado de cinema hollywoodiano, vendo-se diante de uma leva de filmes franceses, entre eles os clássicos Alma torturada (1942) e Assassinos (1946). Esses diretores empregavam nas suas obras os tons escurecidos, na temática e na fotografia, além da representação critica da sociedade americana e subversão a unidade hollywoodiana.

Com o passar dos tempos, o cinema noir tornou-se objeto de culto. Filmes atuais como Los Angeles – Cidade Proibida (1997), Estrada perdida (1997) e O homem que não estava lá (2001) seriam versões modernas do gênero. O elemento central do gênero é o crime e simbolizava o mal-estar pós-guerra dos americanos.

Nos filmes do gênero, há predominância do tom pessimista e fatalista, atmosfera repleta de crueldade, clima claustrofóbico e herança estilística da literatura policial. A complexidade das tramas e o uso intenso de flashbacks são marcantes, somados a ruas desertas, paisagens noturnas. Nota-se inclusive os títulos de filmes noirs, sua maioria trazendo palavras de cunho iconográfico como city, dark, street, windown, lonely, mirror, e as de cunho temático, como fear, cry, panic, death.

O homem do Noir, diferente do caubói do western traz na sua personalidade o derrotismo, ambigüidade, narcisismo, isolamento e egocentrismo. A mulher do Noir, mítica, metaforiza a independência que as mesmas alcançaram no pós-guerra.

A LITERATURA EM 2008

Em 2008, a literatura que se produziu no imaginário das heranças e memórias culturais privilegiou os que se debruçaram sobre a temática da “literatura menor”. Digo “menor” apenas para fazer lembrar um pouco de Deleuze em seu artigo sobre Kafka. Não muito longe dos holofotes já consagrados, uma lista de nomes amplia o horizonte para se repensar a questão do homem no mundo contemporâneo. O traço fincado no sinal de menos serve para se repensar um mundo que se absurda pelo que há de excessos. Tudo isso somado é diminuto. Pensar o minimalismo cotidiano já é de grande largueza filosófica, mas alguns substratos da Literatura contemporânea é mergulho raso em uma profundidade oca. Nada de novo. Baudelaire por volta de 1857 já anuncia: “O mundo vai acabar”.

O que a literatura de 2008 fez de importante foi dar um toque de leveza ao peso do mundo. O escritor apenas empresta suas cores ao vazio, diria Camus. Em verdade, a literatura é guardiã da esperança, lembramos aqui de um livro fabuloso de 2008 que é O caçador de pipas. Este livro é guardião da esperança no mundo árabe palestino. Um olhar mais atento sobre este livrinho encontrará algo precioso na arte de contar. Nessa obra, só há um luxo: o das relações humanas. “O caçador de Pipas”, de Khaled Hosseini está entre um dos melhores livros de 2008. Um livro que fala de beleza no trato com as misérias humanas e traz o desenho de uma cultura onde soltar pipas era mais do que um simples passatempo, ma um viajar de asas no vento de uma liberdade amarelada. Durante o campeonato de soltar pipas, Hassan é brutalmente violentado por três rapazes. Com a invasão soviética, Amir ao migrar para os Estados Unidos se torna escritor, até que um dia Amir volta a sua terra e se depara com uma realidade revoltante.



Também pelo lado oriental, em 2008, o escritor israelense Amós Oz reaparece com um romance novo cujo título é maravilhoso: “Rimas da vida e da morte”. Esta história é contada de forma mágica por Amós Oz que ao refletir o ato de escrever de um personagem escritor vai costurando imagens repletas de intenções sobre os holofotes do mundo literário. Um livro que traz sérios questionamentos ao mercado editorial, ao que está por trás de um lançamento de um livro. A história “Rimas da vida e da morte” se locomove entre-lugares dos caminhos da imaginação. Se começa dentro de uma lanchonete, o autor aproveita para acentuar o submundo literário, os acordos com as vaidades intelectuais, as noites de autógrafos; termina analisando as relações humanas com a escritura: o que está por trás das críticas literárias, de como se processa a inspiração laboriosa, ou mesmo, o desabafo de escrever e as conseqüências de tudo isso dentro da “persona” de um escritor, de um personagem leitor.

Um outro livro laborioso de 2008 chama-se “A viagem do Elefante, do escritor português José Saramago”, este livro está entre as obras raras deste século. Um livro cuja epigrafe é convidativa ao leitor viajante: “sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam”. Se em matéria de ser, não se pode chegar antes, Saramago com seu estilo barroco de contar, usa as palavras como se fossem labirintos ao fazer a travessia do personagem Salomão de Portugal a Áustria. O Salomão de Saramago lembra muito “O Elefante”, poema de Carlos Drummond de Andrade. O Elefante de Drummond é desses famintos de seres e de situações patéticas; o de Saramago anda à procura de sítios históricos, segredos de “mil e uma noites”, episódios não contados em livros, revelados pelo indiano Subhro, um personagem sensível que traduz a linguagem do Elefante como se transcreve uma escritura budista.

Se a literatura é diálogo constante com a diferença, e diálogo cortante com a repetição, a tradução cultural do mundo ainda continua sendo o homem e sua hora. Questões relacionadas às migração e africanidades estiveram em debate por todo o ano de 2008. Do centenário de Machado de Assis à eleição de Barack Obama, nunca se discutiu tanto sobre as cores e cotas afro-descendentes. Não à toa que tivemos, em 2008, no Ceará, a VIII Bienal Internacional do Livro enfocando a temática da mestiçagem. Em Pernambuco, a FLIPORTO [Festa Literária de Porto de Galinhas] rendeu homenagens à África.

Em travessia pela cultura africana, o livro fabuloso de 2008 é sem dúvida “O africano”, do escritor franco- africano J. M. G. Le Clézio. Nesse livro, o autor narra a história em tom informal que muito nos lembra uma saga curta com pequenas palavras em síntese quase embrionária. Um livrinho que amplia o conceito de memória ao confundir o olhar da ficção pela invenção autobiográfica. Uma linguagem escrita à moda de um francês crioulo. Conta o imaginário infante de uma criança assombrada com o horizonte africano em Ogoja. Um livro que fala do olhar pelo que há de sensações. Um olhar corpóreo: olho vivo do espírito. Uma espécie de dobras de falas que se desdobram no “entre-lugar” do corpo da mãe África, das savanas e do mar de capim. Como diz Le Clézio nas entrelinhas do livro: “A África era mais corpo que o rosto. Era a violência das sensações, a violência dos apetites, a violência das estações”. Um livro que recebeu em 2008 o “Prêmio Nobel de Literatura”.

E por falar em África, o livro “Venenos de Deus, remédios do diabo”, do escritor Mia Couto, também consideramos estar entre as melhores safras da literatura de 2008. Venenos de Deus, remédios do diabo é um romance em dezoito capítulos e cada um desses capítulos lembra pequenos contos encadeados à rotina de Moçambique. Uma prosa de “inventança” cheia de variantes dialetais orais com pinceladas de uma escritura com os dois pés atolados na memória africana. A história acontece em Vila Cacimba e tem como personagens centrais o médico Sidônio Rosa, Dona Munda, o mecânico Bartolomeu Sozinho. A trama se passa entre epidemias e a paixão do médico pela desaparecida Deolinda. Entre amores e traições, a história mapeia verdades e mentiras destilando venenos e remédios para curar dores humanas. Em um momento da trama, Bartolomeu, em diálogo com o médico, vem com uma indagação pra lá de existencial: “Cure-me de sonhar, doutor”.

No Brasil, o livro “O filho eterno”, de Cristovão Tezza, é um livro áspero e enxuto, rico de indagações sobre o ambiente familiar e a limitações de uma criança com “síndrome de down”. Um livro em que o narrador confunde o personagem, para revelar o que está por trás das lacunas silenciosas das dores, desenho nomeado de silencio e palavras. Deste livro guardamos esta imagem densa: “Ali está o pai com o filho idiota diante da fonoaudióloga. Quase esquece que também tem uma filha normal – mas crianças normais não precisam de água, que elas vão crescendo como couves. (...). A criança não se concentra muito, diz a fonoaudióloga, e ele se afasta dali quase arrastando o filho, e no corredor sente o olhar agudo dos outros, para o pai que leva aos trancos uma pequena vergonha nas mãos, incapaz de repetir duas ou três palavras numa sentença simples. E, no entanto, a criança abraça-o com uma entrega física quase absoluta, como quem se larga nas mãos da natureza e fecha os olhos”.

Também temos na mesa de cabeceira alguns livros que marcaram o ano de 2008, um deles bastante historiográfico e perspicaz: “Uma escritora na periferia do império: vida e obra de Emília Freitas”, fruto da pesquisa de doutorado de Alcilene Cavalcante [UFMG]. Este livro de Alcilene, publicado pela Editora Mulheres, conta a travessia da escritora Emília Freitas [1855-1908] em Fortaleza, Belém e Pará. Um trabalho biográfico no qual se discorre sobre a vida de uma escritora cearense que se despendeu, entre poemas e ficção, sobre questões envolvendo gênero e violência contra as mulheres e questões abolicionistas. Também, neste final de conversa, ainda dá tempo correr à livraria e dá uma última conferida na estante de Socorro Acioli, trata-se do livro “Vende-se uma família”. O livro de Acioli vem publicado com o selo das edições Demócrito Rocha. Um livro que recebeu no quesito capa o prêmio Jabuti de 2008. Um livro para encher os olhos do imaginário infanto-juvenil, conta a historinha de Álvaro e Benício em diálogo com a questão abolicionista. Uma historinha recheada de emoção que faz a cabeça do leitor virar pelo avesso.

Por fim, resta entrar o ano de 2009, ano do sol, lendo (dentro de alguma rede) o livro “Caderno do Estudante Luz”, de Eduardo Jorge, editado com recursos do Edital de Fotografia da Funcet em 2008. Um livro experimental no trato com a linguagem em estado de luz e sombra. Livro pequeno de silencio e música: partitura de água e sol. “Aula de atenção sobre renegada ruína”, como diz Rui Vasconcelos na contracapa. Um livro que se “anda assim de/ bicicleta, o que mais úmido, eis: as listas da pista de pouso, / algodão até as avessas,/ enquanto segura o que é/ portátil também a casa vazia,/ comigo e duas mudas de trevo,/ na valise, a troca de assunto:/ um livro permanece fechado”.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Em sua última noite de vida, Michael Jackson cantou e dançou

Cantor estava atrasado e 'apático' no ensaio para os shows de Londres; astro morreu após parada cardíaca.

Michael Jackson faria 50 shows a partir de julho.

Em sua última noite de vida, Michael Jackson estava cantando e dançando, informa o site de celebridades TMZ. O cantor, que ensaiava para a série de 50 shows que faria a partir de julho, chegou ao ginásio de Los Angeles com três horas de atraso e parecia "apático", mas isso era normal, segundo pessoas envolvidas nos ensaios citadas pelo TMZ.
O porta-voz do Instituto Médico Legal de Los Angeles, tenente Fred Corral, confirmou nesta quinta-feira, 25, a morte de Jackson. Ele disse à rede de televisão CNN que o astro foi declarado morto por volta das 14h26 (horário local, 18h26 em Brasília) e que não respondeu às tentativas de ressuscitação realizadas pela equipe de resgate. Meios de comunicação informaram que o popstar sofreu uma parada cardíaca.
Corral disse que não poderia confirmar a causa da morte até que a autópsia seja realizada.

Quando Michael Jackson era negro

Chega ao País a edição comemorativa de 25 anos de ‘Thriller’, o álbum mais vendido na história.


Oito Grammys, o mesmo número de American Music Awards, três prêmios da MTV, 104 milhões de cópias vendidas, além de ter sete de suas faixas incluídas no Top 100 da Billboard. Há 25 anos, este era o cenário que Thriller, de Michal Jackson, começava a desenhar.

O álbum que marcou toda uma geração e que caminhou lado a lado com a MTV - que havia acabado de nascer na época - deixou marcado para sempre suas nove faixas produzidas pelo mago Quincy Jones. Músicas como Beat It, Billie Jean e a faixa-título derrubaram preconceitos e fizeram brancos, negros, amarelos e pardos dançarem ao mesmo ritmo.

Tanto nos Estados Unidos, como no resto do mundo, os holofotes novamente recaíam para a música negra, que havia tido o seu último respiro no início da década de 1970, com os monstros da Motown. O ‘estrago’ feito por Thriller não só podia ser escutado nas rádios americanas como serviu de alicerce para um novo canal que iniciava sua trajetória.

A MTV surgiu tendo Michael Jackson como seu rei. “Eles sempre me disseram que se não fosse por mim, a MTV não existiria”, disse Jackson à revista Ebony, que o estampa na capa em sua edição de dezembro de 2007.

Para a nova edição comemorativa que chega ao Brasil, seis faixas bônus foram adicionadas aos conhecidos clássicos lançados no inverno norte-americano de 1982 - Thriller foi lançado em dezembro daquele ano. The Girl is Mine 2008 tem participação de will. i. am, líder e produtor do Black Eyed Peas, e que trabalha desde o início de 2007 com Jackson na confecção de um inédito trabalho com o músico. A música ganha novo arranjo, aceleração e se transforma em um mutante recheado de batucadas. Em vez da voz de Paul McCartney, é a voz de will que se ouve durante toda sua execução.

O mesmo will.i.am. remixa P.Y.T. (Pretty Young Thing), outra faixa que ficava sempre na reserva entre as mais tocadas. Aliás, adquirir esta nova edição remasterizada é uma ótima oportunidade para se escutar o disco como um todo. Na época, Michael e seus hits poderosos pouco deixavam espaço para o restante do álbum que, como um todo, é fiel à excelência de sua fama.

Wanna Be Startin’ Something 2008, música que abre o disco originalmente, ganha versão melosa e sincopada do cantor Akon. Já o clássico Beat It é repaginado na voz de Fergie (Black Eyed Peas), que divide os compassos e versos com o próprio Jacko. Versão acelerada e diversão garantida.

Outro clássico do álbum, Billie Jean, ganha verniz de Kanye West, outro que participa da nova fase de Jackson, que promete lançar seu novo disco ainda este ano. A canção ganha nova atmosfera do gênio dos recortes e remixes.

Há ainda um DVD com os clipes que fizeram a imagem de Jackson se espalhar por todo o universo - incluindo o de Thriller, dirigido por John Landis (Um Lobisomem Americano em Londres). O vídeo custou U$ 800 mil. Foi em uma apresentação de Jackson no aniversário da Motown que o público viu pela primeira vez o passo chamado Moonwalk, onde arrasta os dois pés para trás como se estivesse deslizando sobre a Terra. A canção era Billie Jean e, nesse momento, o cantor já era o novo fenômeno no show biz mundial.

O The New York Times escrevia à época: “Ele é um fenômeno. No mundo da música pop existe Michael Jackson e, bem atrás, os outros”. Já o que aconteceria após o estouro de Thriller com seu protagonista, todos sabem de cor.

MARCO BEZZI, marco.bezzi@grupoestado.com.br

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Diferenças que não existem

Mousavi, embora com o mesmo teor de maluquice, tem a fala mais mansa. Propõe-se a dialogar com o Ocidente e por isso virou o queridinho de B. Hussein Obama e, por conseguinte, de toda a mídia mundial.

Para você ter ideia de como a grande mídia informa muito, mas muito mal, analisemos a eleição iraniana sob a óptica dos jornalistas brasileiros:

1) De um lado temos Mahmoud Ahmadinejad com toda a sua loucura e negação do Holocausto. Tem uma tara toda especial pelo programa nuclear iraniano. Ele, segundo a mídia brasileira, é consevador, embora conte com o apoio de toda a esquerda mundial. Seria, então, uma espécie maluca de conservador marxista?

2) Do outro, Mir Housein Mousavi, considerado por toda a mídia um reformador, um sujeito moderado. Ele não nega o Holocausto porque acredita que "não lhe diz respeito". Apóia um programa nuclear iraniano desde quando serviu à administração de Akbar Hashemi Rafsanjani, que proclamava precisar de "somente uma bomba atômica para destruir Israel". Mas o destaque no seu currículo é ter comandado, como primeiro-ministro, o massacre em massa de dissidentes e estudantes em 1988.

3) Sobre os dois, paira o aiatolá Ali Khamenei. E, diferente da imprensa mundial, o líder supremo não está preocupado com o vencedor das eleições no seu país, já que todos conjugam dos mesmos ideais..

Mousavi, embora com o mesmo teor de maluquice, tem a fala mais mansa. Propõe-se a dialogar com o Ocidente e por isso virou o queridinho de B. Hussein Obama e, por conseguinte, de toda a mídia mundial.

Em verdade, toda essa confusão no Irã só serve para tirar do foco a questão nuclear. Se Mousavi vencesse, teria meios mais eficazes para enrolar o Ocidente quanto ao programa nuclear. Já Ahmadinejad - sob as bênçãos de Khamenei - terá tempo de sobra para aprimorar sua tecnologia atômica, enquanto o mundo se preocupa com uma democracia que nunca existiu no Irã. Em ambos os casos, quem sai perdendo é a paz.

Notas:

1 - The 1988 Iran massacre: crimes against humanity (http://www.americanthinker.com/2004/09/the_1988_iran_massacre_crimes.html) [volta]

2 - Amnesty Document - Iran: the 20th Annniversary of 1988 "Prison Massacre". - http://www.amnesty.org/en/library/asset/MDE13/118/2008/en/f5123dcd-6de3-11dd-8e5e-43ea85d15a69/mde131182008en.htm [volta]

3 - Iran: Students question Mousavi about his Role in 1988 Massacre - http://eastkurd.blog.co.uk/2009/05/21/iran-students-question-moussavi-about-his-role-in-1988-massacre-6154875/ [volta]

4 - Iran Press Service: Massacre of 1988 in Iran - http://www.iran-press-service.com/ips/articles-2007/september-2007/massacre_88_11007.shtml [volta]

5 - NewsMax - Khamenei: Iran Won't Stop Nuke Enrichment - http://archive.newsmax.com/archives/articles/2005/8/19/132420.shtml

quarta-feira, 24 de junho de 2009

O Começo do Fim do Mundo

1982 foi o ano em que o movimento punk explodiu em São Paulo. Era o lugar certo na hora certa. Aquele ano todo, desde o começo, com os punks recolocando a Galeria do Rock e o Largo de São Bento no mapa da mídia, São Paulo, uma das cinco maiores cidades do planeta (ao menos em densidade demográfica), e com lançamento do primeiro vinil punk brasileiro, o "Grito Suburbano", entre outros acontecimentos punks, 1982 fez o movimento explodir. Tretas, desavenças e desacordos sobravam, mas também - e sobretudo - muita união e fraternidade. O país ainda sob o regime militar, e na ignorância da polícia e dos desinformados em geral, as forças punks se uniram, se fez notícia o tempo todo e o ano só podia culminar gloriosamente com o mais perfeito festival no gênero faça-você-mesmo até então realizado no planeta. Nos dias 27 e 28 de novembro, no recém inaugurado SESC Pompéia, "O COMEÇO DO FIM DO MUNDO". O festival já impactava pelo título. Que profecia era aquela, que "fim de mundo" era aquele? A mídia queria saber. A mídia e o povo. Conclamadas todas as bandas punks de São Paulo e do ABC, 20 bandas, o festival serviu também para apaziguar as rivalidades territoriais do movimento, rivalidade muitas vezes sanguinolenta. Este primeiro festival punk irá se tornar tão lendário na história da cidade e do punk quanto a dos cavaleiros da távola redonda na legenda arturiana. Tretas, claro, no festival rolaram algumas - e bastante teatrais para que a polícia montada aparecesse para fazer seu número e a mídia sensacionalista manchetar, com destaque no Fantástico e nas primeiras páginas dos jornais. De resto, o festival e o movimento punk paulistanos foram notícia na imprensa do mundo inteiro. Mas o que deixou o pessoal lá fora perplexo e fascinado foi a imagem de que no Brasil os punks se entendiam, era de fato um movimento e com certeza fariam forte presença no fim do mundo pois se mostrara presença una e fortíssima no começo desse fim.