sexta-feira, 15 de maio de 2009

Mário, Íntimo e Pessoal


A vida do mentor do modernismo brasileiro sempre foi cercada de mistério. A correspondência com o fazendeiro Pio Lourenço Corrêa, uma espécie de pai postiço do escritor, abre caminho para a compreensão das angústias do homem e, em consequência, de sua obra.
Em uma das incontáveis cartas que escreveu, Mário de Andrade relatou a Manuel Bandeira: "O caso típico da minha afetividade foi a morte de meu mano mais moço, que me levou quase pra morte também. (...) os médicos chegaram a não dar mais nada por mim. Não comia, não dormia. Foi o bom senso de um tio, espécie de neurastênico de profissão, que me salvou. Pegou em mim, me levou pra fazenda dele, me deixou lá sozinho. (...) Voltei poeta da fazenda". Referindo-se ao episódio da morte de seu irmão Renato, em decorrência de uma cabeçada em um jogo de futebol em 1913, quando este contava apenas 14 anos, o grande mentor do modernismo revelava a importância do fazendeiro Pio Lourenço Corrêa — o "tio" da carta — na sua formação. Uma formação que, além dos aspectos literários e teóricos, foi forjada também nas angústias e neuroses do autor de Macunaíma.
Boa parte dessa faceta pessoal de Mário de Andrade pode ser vislumbrada em Pio & Mário — Diálogo da Vida Inteira, que chega às livrarias neste mês. O volume, ilustrado por dezenas de fotos, reúne 105 cartas de Pio e 84 de Mário, escritas entre 1917 a 1945. É a mais longa troca de correspondência do escritor de que se tem notícia, começando quando ele era ainda um desconhecido e indo até cinco dias antes de sua morte. Discreto, Mário falava pouco da vida íntima. Embora não seja pródiga em desabafos, a correspondência com Pio é das mais pessoais entre todas as que Mário mantinha. Bem esmiuçada, pode abrir caminho para a compreensão das angústias do escritor, estudo que seria importantíssimo para a melhor compreensão de sua obra.
Mas quem era Pio? Nascido em 1875, tinha 18 anos a mais que Mário e, embora este o chamasse de "tio", Pio era, na realidade, casado com sua prima Zulmira de Moraes Rocha. O casal era proprietário da chácara Sapucaia, em Araraquara, no interior de São Paulo, onde o escritor se hospedava com frequência. Foi lá que, deitado em uma rede durante uma semana de 1927, Mário escreveria Macunaíma. "É a minha Pasárgada", gostava de dizer.
À diferença dos outros correspondentes de Mário, Pio não era artista, mas teve um papel fundamental na trajetória do escritor por conta dessa dimensão afetiva. Embora a correspondência seja pontuada por discussões intelectuais (Pio manifesta restrições, por exemplo, a Amar, Verbo Intransitivo e a Macunaíma), esse não era, evidentemente, o ponto principal da relação. Quem o diz com clareza é Mário. Numa carta datada de 11 de maio de 1931, ele escreve a respeito das divergências: "Às minhas loucuras, fantasias, curiosidades, a sua simplicidade sistematizada de ser deu maior paciência, mais precisão de fortificarem-se no estudo; à minha sensibilidade o senhor e sua vida trouxe novos lados, desconhecidos antes, por onde ela se experimentasse e enriquecesse; e finalmente à riqueza milionária das minhas fraquezas veio a sua belíssima e tão nobre atitude moral por freios".
Com essa "nobre atitude moral" a colocar freios, Pio foi uma espécie de pai postiço de Mário, cuja relação com o pai verdadeiro, o jornalista Carlos Augusto de Andrade, sempre foi conturbada. Um dos fundadores do primeiro vespertino da capital paulista, a Folha da Tarde, Carlos seria sempre retratado como figura autoritária na obra do filho escritor — como no poema A Escrivaninha (1922) e no conto O Peru de Natal (1938-1942).
Não eram poucas as angústias familiares de Mário. Espécie de caçula indesejado, "meio amulatado e feio", como dizia, conviveu na infância com a predileção da família por Renato, o irmão "bonito e loiro". Talvez por isso a morte precoce e trágica do menino tenha devastado tanto Mário, a ponto de, como já vimos relatado pelo próprio escritor, ter-se tornado um divisor de águas. Pio estava lá, mas os acontecimentos deixariam marcas em Mário, sobretudo um tremor nas mãos que o impediria de ser concertista.
Ao componente racial, motivo de um complexo que acompanharia o escritor ao longo da vida, somaram-se questões de classe. À diferença de Oswald de Andrade, por exemplo, o "homem sem profissão" que assumiria a vanguarda literária do início do século 20 financiado pela fortuna pessoal, Mário foi o protótipo do que o sociólogo Sergio Miceli chamou de o "primo pobre" do modernismo brasileiro. Nascido na capital paulista em 1893 e formado no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, Mário teria de trabalhar a vida inteira, levando uma vida modesta de professor.
Com seu "complexo de inferioridade orgulhosíssimo", como escreveu em certa ocasião, Mário também se tornaria um homem metódico e cioso de sua memória. Desde 1923, ele já catalogava todos os seus documentos, e hoje seus milhares de cartas e fichas de leitura estão devidamente guardados no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da Universidade de São Paulo (USP). No artigo Fazer a História, de 1944, ele escreveu: "Tudo será posto a lume um dia, por alguém que se disponha a realmente fazer a História. E imediato, tanto correspondências como jornais e demais documentos não opinarão como nós, mas provarão a verdade".
"BONECA DE PICHE"
A despeito de tamanho cuidado de Mário, ainda existem vários pontos obscuros em sua biografia. O principal — e mais polêmico de todos — diz respeito à suposta homossexualidade do escritor. O tema foi levantado pela primeira vez pelo jornalista e escritor Moacir Werneck de Castro em 1989, no livro Mário de Andrade: Exílio no Rio, em que narra sua convivência com o poeta entre os anos 1938 e 1940, quando Mário lecionou na capital fluminense. "Na raiz do drama existencial de Mário de Andrade jaz a angústia da sexualidade reprimida e transformada em difusa pan-sexualidade", escreveu.
Em 1998, foi a vez da escritora Rachel de Queiroz, que, em Tantos Anos, sua autobiografia, afirmou que Mário teria sido mais feliz se tivesse assumido a homossexualidade. Entretanto, o que se falou sobre o assunto se esgota praticamente aí. Há até hoje um cordão de isolamento em torno do assunto entre seus herdeiros paulistas, e há quem diga — principalmente em universidades de outros estados — que existe uma parte da correspondência de Mário que segue sob censura na Universidade de São Paulo, onde está baseada.
Longe de pertencer ao reino da fofoca, o tema é fundamental para entender a obra de Mário e algumas de suas relações pessoais mais importantes — como, por exemplo, a amizade entre o escritor e a pintora Anita Malfatti. Pelas cartas que ambos trocaram, pode-se inferir que a artista alimentou um amor platônico por Mário, ao qual ele nunca correspondeu. O estudo do tema é também fundamental para entender uma questão central do modernismo, o rompimento entre Mário e Oswald. Em artigo sobre o assunto, o jornalista Humberto Werneck conta como o autor de Serafim Ponte Grande gostava de fazer piadas venenosas sobre a suposta homossexualidade de Mário. Oswald chegou a escrever, por exemplo, que de costas Mário se parecia muito com Oscar Wilde, numa alusão ao escritor inglês que enfrentou um doloroso processo judicial por causa da orientação sexual.
Em tom de brincadeira, Oswald também gostava de assinar artigos com o codinome Cabo Machado, referência a um personagem de um poema de Mário: "Cabo Machado é cor de jambo,/ (...) Cabo Machado é moço bem bonito./ (...) Cabo Machado é doce que nem mel (...)". De acordo com Mário da Silva Brito, o historiador pioneiro do modernismo também citado no artigo de Humberto Werneck, o rompimento definitivo pode ter ocorrido por causa de um texto escrito por Oswald em 1929, com o título Boneca de Piche — alusão à suposta homossexualidade e à cor da pele do escritor.
Naquela mesma carta endereçada a Pio no dia 11 de maio de 1931, Mário escreve mais adiante: "Estava carecendo deste desabafo e me sinto feliz agora. Desabafo saído com toda a espontaneidade e que teve a enorme utilidade de me botar bem no meu lugar". Quem sabe a divulgação da correspondência com Pio Lourenço, revelando "desabafos" como aquele, não ajude a chegar a uma "verdade" mais completa sobre Mário, como ele queria. Tabus infundados têm atrapalhado as pesquisas sobre a biografia de Mário de Andrade. Que a correspondência com o "tio Pio" ajude a colocá-los por terra. A moderna teoria literária prega que só o entendimento do homem, em sua inteireza, pode ajudar a compreender e iluminar a obra do escritor.João Pombo Barile é jornalista.

Por João Pombo Barile da Revista Bravo! direto para o Mensageiro da Realidade.

O LIVRO: Pio & Mário — Diálogo da Vida Inteira. Edições Sesc SP/Ouro Sobre Azul, 424 págs., R$ 96.
LEIA TAMBÉMObra Imatura, de Mário de Andrade. Agir, 224 págs., R$ 49,90.

quarta-feira, 13 de maio de 2009


Publicação de artigos

ONTEM & HOJE

O hábito de escrever revela a necessidade do autor de dar a sua contribuição à comunidade, pondo à disposição dos demais suas experiências e pensamentos, sugerindo considerações críticas sobre os fatos ou propondo ações pertinentes. Quer sejam composições profissionais ou redações espontâneas, todas elas têm essa mesma raiz.
Aqueles que querem se manifestar por escrito sempre encontram um caminho até o seu público. Quando eu tinha 14 anos (em 1943), alguns colegas de estudo e eu resolvemos editar os nossos trabalhos de classe e criamos uma publicação interna do Ginásio Anchieta, de Pederneiras, SP. Chamava-se O Anchieta. Era datilografado por nós e rodado num mimeógrafo. Depois disso, colaborei com jornais do interior, das cidades onde morei e das mais próximas. Os artigos eram manuscritos ou datilografados, e entregues aos jornais pessoalmente ou pelo correio. Seus redatores tinham o costume de ler o original "penteando" o texto, isto é, fazendo pequenas correções ou alterando a pontuação sem necessidade. Eu não gostava disso, mas só podia ver as modificações quando lia o jornal. Só em Lençóis Paulista, o tipógrafo que fazia a chapa para imprimir, compondo tipo por tipo manualmente, apresentava uma "prova" para o autor corrigir, antes de rodar o jornal, O Eco.
Quando fui para o Rio de Janeiro, em 1960, parei um pouco com as crônicas e comecei a escrever sobre contabilidade e administração. Sabia que a literatura da minha profissão era maçante. Ninguém compra um livro de contabilidade para leitura, senão para consultar eventualmente pontos de seu interesse. O mesmo se poderia dizer sobre os livros de criminologia. Só os estudantes da matéria os compram e digerem por obrigação de seus cursos.
Verdadeiras revoluções interiores
Contudo, ao ler um conto policial, nos distraímos e concentramos no enredo, curiosos de ver como o detetive decifra os mistérios do crime. É como receber uma aula do próprio Sherlock Holmes prazerosamente. Então pensei: por que não podemos fazer o mesmo com contabilidade e administração? Redigir textos úteis, sem pretensões técnicas ou didáticas, de fácil leitura, pondo os assuntos de forma um pouco mais atraente e tolerável ao leitor? Fiz alguns ensaios desse tipo: artigos como, por exemplo, "Olhos para não ver" e "Cara & Coroa", publicados no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte.
Aliás, quaisquer considerações decorrentes da experiência ou da inspiração servem para escrever. Os temas profissionais, situações de ensino ou trabalho, permitem repassar aos outros as coisas que aprendemos. Todos os escritos destinam-se a tornar úteis aos demais as nossas idéias, se houver interesse, ou a propor o indispensável debate que fortalece e aperfeiçoa o conhecimento. Ainda quando destinados apenas a entretenimento, eles podem ter alguma relevância.
Humoristas e autores que utilizam o senso de humor, a poesia e as crônicas, constituem a fina flor da comunicação escrita, falada ou dramatizada porque atingem, através da emoção, os recantos mais escondidos da mente e da consciência, produzindo verdadeiras revoluções interiores em cada um de nós. Infelizmente, não sei fazer essas coisas, que tanto admiro.
Vantagens da informática
Com o advento da internet, os jornais passaram a rejeitar trabalhos manuscritos ou datilografados, que teriam que digitar. Passaram a exigir a remessa dos originais por correio eletrônico. Além de trazer a vantagem do computador sobre a velha máquina de escrever, o sistema ainda reduziu quase totalmente a interferência dos jornalistas nas composições. Como há, agora, ainda mais colaboradores escrevendo, eles não têm tempo para "pentear" os artigos. Acabaram as surpresas do autor ao ler o texto impresso! Vieram também os jornais eletrônicos, mais cômodos, embora eu prefira os de papel.
Outra vantagem da informática é a facilidade com que podemos guardar cópias dos trabalhos escritos. Basta abrir uma "pasta" nova no computador e ir juntando nela tudo o que escrevemos. Antes, era necessário colecionar os recortes dos jornais, colocando-os em algum lugar acessível, como uma gaveta, por exemplo. Como o passar do tempo, eles se estragavam ou se perdiam, exigindo certo trabalho de conservação dos arquivos para o qual não tenho nenhuma inclinação.
Diz-se, acertadamente, que três mudanças correspondem a um incêndio! Ora, imaginem o que pode restar depois de cinco mudanças...
Por João Serralvo, do Observatório da Imprensa, direto para o Mensageiro da Realidade.

Afinal, a gripe é suína ou porcina?

MÍDIA & SAÚDE
Diverticulite, linfoma e gripe suína

A mídia precisa tomar decisões em cima da hora e é compreensível que algumas coisas não saiam perfeitas. A seu favor, tem paradoxalmente a própria rapidez do processo. No dia seguinte pode corrigir a informação imperfeita. Na internet, a versão eletrônica pode ser arrumada no minuto seguinte àquele em que o erro foi cometido.
Um dos maiores atrapalhos ocorre na tentativa de simplificar a linguagem científica. O nome das doenças está neste caso.
A diverticulite de Tancredo Neves, o linfoma da ministra Dilma Rousseff e a gripe suína ou porcina estão neste caso: o nome das coisas. Afinal, no princípio era o verbo, e no meio e no fim também será.
Deuses para tudo
Porcina e linfoma chegaram ao português (escrito) na segunda metade do século 19. Mas as palavras "porco" e "porca", substantivos que deram origem aos adjetivos "porcino" e " porcina", aportaram no primeiro século do segundo milênio, quando, vinda do tronco latino, brotava a língua portuguesa, seguindo caminho semelhante àqueles tomados pela espanhola, pela italiana, pela francesa, enfim pelas neolatinas – o que levou o poeta Olavo Bilac, em famoso poema, defini-la como "última flor do Lácio, inculta e bela". Talvez não tenha sido a última, mas deixemos pra lá.
"Porco", e "porca", "porcino" e "porcina", "suíno" e "suína" estão registrados pelo dicionário de Antonio de Moraes Silva, um dos primeiros da língua portuguesa, mas os dois últimos são os mais antigos. Seu primeiro registro é de 1648. É provável contudo que, como substantivos, designando o porco e a porca, estivessem na fala bem antes, pois as pesquisas somente rastreiam os documentos.
Das doenças cuidam os médicos e também os jornalistas, que precisam bem informar o distinto público, conciliando precisão e simplicidade, o que nem sempre é possível.
A etimologia oferece a clara luz, mas ela anda esquecida de escolas e universidades, sendo raros os que pesquisam nesta área. O étimo latino de "médico" radica-se na raiz indo-européia "med", contemplar, pensar, refletir, e tem o sentido de intermediário. Primeiramente, nos albores da medicina, quando a arte médica era ainda feitiçaria (acho que ainda é, em muitos casos), o médico invocava deuses e deusas da saúde. Como se sabe, os antigos gregos e romanos tinham deuses para tudo. Em resumo, fosse feiticeiro ou pajé, o médico recorria a forças sobrenaturais. Era quando errava menos. Não esquecia nenhum instrumento cirúrgico dentro da barriga do paciente nem receitava remédios que pioravam seu estado de saúde.
Saúde perfeita
Mas, para os gregos, a denominação era outra. O medicus na Grécia antiga, ao tempo de Hipócrates (entre os séculos 5 e 4 antes de Cristo), era iatros, étimo que ainda está presente em pediatria, psiquiatria, geriatria etc. O iatros passou a ser chamado de klinikós por Galeno (século 2 depois de Cristo) porque, não havendo hospital, o iatros tratava dos doentes em suas próprias casas e eles eram atendidos no leito, kline em grego. Kliniké, clínica, indicando a arte e a técnica de curar, mas que hoje designa de hospital a casa de massagem, tem o mesmo étimo de inclinar, pois aludia ao profissional, klinikós, que se inclina sobre o leito para tratar do doente.
Iatros veio ao latim como sufixo e prefixo e está presente, por exemplo, no livro do belga Ivan Illitch (não sei por que razão é tão pouco lido) sobre iatrogênese, intitulado Nêmesis da Medicina, que trata das doenças que a pessoa contrai nos hospitais. Ali a pessoa é curada da doença que a levou a internar-se, mas volta com muitas outras, esta é a tese dele, demonstrada com as infecções hospitalares, por exemplo.
Na Idade Média, quando as pesquisas sobre a natureza das doenças avançaram, o médico foi chamado physikós em grego – physicus em latim. O étimo, aliás, está presente no inglês atual, pois médico é physician, variante para doctor, medic e practitioner. Há até um bom romance de Noah Gordon, intitulado The Physician, que no Brasil saiu com o título equivocado de O Físico,com o subtítulo "epopéia de um médico medieval".
Uma última curiosidade sobre o tema. Era médico o evangelista São Lucas, que narra um Jesus sempre em perfeita saúde, sem doença alguma, mas ele e todos os evangelistas aludem às doenças curadas por meio de milagres. O tema da cura milagrosa está na mídia todos os dias, não mais do nascer do sol ao poente, mas dia e noite, e sobretudo nas madrugadas.
Deonísio da Silva, do Observatório da Imprensa direto para o Mensageiro da Realidade: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=536FDS001

INFLUENZA A (H1N1): ENTENDA

Influenza A (H1N1) é uma doença respiratória causada pelo vírus A. Devido a mutações no vírus e transmissão de pessoa a pessoa, principalmente por meio de tosse, espirro ou de secreções respiratórias de pessoas infectadas, o Ministério da Saúde traz um série de recomendações.
A ) Aos viajantes que se destinam às áreas afetadas:
• Usar máscaras cirúrgicas descartáveis durante toda a permanência em áreas afetadas.Substituir as máscaras sempre que necessário.
• Ao tossir ou espirrar, cobrir o nariz e a boca com um lenço, preferencialmente descartável.• Evitar locais com aglomeração de pessoas.
• Evitar o contato direto com pessoas doentes.
• Não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal.
• Evitar tocar olhos, nariz ou boca.
• Lavar as mãos frequentemente com água e sabão, especialmente depois de tossir ou espirrar.• Em caso de adoecimento, procurar assistência médica e informar história de contato com doentese roteiro de viagens recentes às áreas afetadas.
• Não usar medicamentos sem orientação médica.B ) Aos viajantes procedentes de áreas afetadas:Viajantes procedentes, nos últimos 10 dias, de áreas com casos confirmados de influenza A (H1N1)em humanos e que apresentem febre alta repentina, superior a 38ºC, acompanhada de tossee/ou dores de cabeça, musculares e nas articulações, devem:
• Procurar assistência médica na unidade de saúde mais próxima.
• Informar ao profissional de saúde o seu roteiro de viagem.Para informações adicionais sobre medidas preventivas estabelecidas pelas autoridades de saúde das áreas afetadas.

acesse:INFLUENZA A (H1N1)Outras informações:Organização Pan-americana de Saúde (em espanhol) http://new.paho.org/hq/index.php?lang=es
Organização Mundial da Saúde: (em inglês)http://www.who.int/csr/disease/swineflu/en/index.html

Do portal do Ministério da Saúde: http://portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/visualizar_texto.cfm?idtxt=31249&janela=1
direto para o Mensageiro da Realidade.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

1918: O Surgimento da Gripe Espanhola


O ano de 1918 foi sombrio para a humanidade. O mundo presenciou em novembro o final da Primeira Guerra Mundial, que vitimou cerca de 9 milhões de pessoas e deixou um número quatro vezes maior de indivíduos com seqüelas. Porém, 1918 será lembrado também por um episódio ainda mais sinistro: o surgimento da gripe espanhola.

Essa doença foi causada por uma variedade extremamente agressiva do vírus da influenza tipo A conhecida como H1N1. Ela dispersou-se rapidamente pelo mundo e causou em apenas 18 meses, entre 1918 e 1920, a morte de cerca de 50 a 100 milhões de pessoas – entre 2,5 a 5% da população mundial na época.

A mortalidade associada com a gripe espanhola foi superior, por exemplo, ao total de mortes já registradas em decorrência de complicações causadas pela Aids. Segundo dados do Programa das Nações Unidas para a Aids/HIV, essa doença, que também é causada por um vírus e que tem sido foco de extremo interesse e alocação de recursos por parte da sociedade, levou à morte cerca de 25 milhões de pessoas desde a sua descoberta há 25 anos (em junho de 1981).

Os mecanismos empregados por organismos tão simples como o vírus da gripe para ludibriar o eficiente sistema imunológico humano ainda são algo que a ciência procura entender. As razões que levaram uma gripe – que normalmente causa apenas alguns incômodos passageiros – a se tornar fatal ainda são foco de discussão e de grande interesse dos pesquisadores, quase 90 anos depois da ocorrência da pandemia de gripe espanhola.

Mecanismo de ação

Um grande número de moléstias causadas por vírus aflige a humanidade há milênios (sarampo, tifo, caxumba, escarlatina, varíola, poliomielite etc.). No entanto, até pouco tempo atrás, esses patógenos eram desconhecidos. A gripe ou influenza, por exemplo, recebeu esse nome na Itália durante o século 15, pois as pessoas achavam que ela era causada pela influência de astros celestes. Somente com o desenvolvimento do microscópio eletrônico, a partir de 1930, é que foi possível identificar os primeiros vírus. Contudo, nenhuma dessas patologias teve o impacto global da gripe espanhola.

Idosos, jovens e adultos saudáveis foram igualmente afetados pela doença e pessoas que não apresentavam sinais da infecção podiam morrer poucas horas após serem infectadas pelo vírus. A taxa elevada de mortalidade da gripe espanhola foi favorecida pelo aumento no fluxo pessoas entre diferentes regiões em decorrência da Primeira Guerra Mundial e pela ausência de métodos científicos e de medicamentos para combater a moléstia.

A capacidade dos vírus da gripe de estocar sua informação genética em moléculas de RNA confere a eles uma maior capacidade de sofrer mutações, pois não possuem um sistema de controle de erros de replicação como os vírus de DNA. Assim, esses patógenos podem escapar ao controle imunológico do organismo hospedeiro com maior facilidade.

Normalmente essas mutações são pequenas, porém ocasionalmente ocorrem mudanças radicais nos vírus que impedem que os patógenos sejam eliminados por nosso sistema imune – nesses casos, aparecem as epidemias e pandemias como a de 1918. Como a grande maioria desses tipos de vírus, o H1N1 surgiu após mutações em aves asiáticas. Porém, de uma forma incomum, esse patógeno foi transmitido dessas aves diretamente para moradores da região, sem infectar antes outros mamíferos, como porcos, por exemplo. Curiosamente, apesar de ela ter surgido na Ásia, a pandemia foi chamada de “gripe espanhola” devido à grande propagação inicial que a moléstia teve naquele país.

Em busca do vírus

Cientistas interessados em estudar os mecanismos empregados pela cepa H1N1 têm se aventurado por locais estranhos, como cemitérios de regiões geladas como o Alasca, para obterem exemplares preservados desse vírus em amostras de tecidos de vítimas da gripe espanhola. Devido à extrema virulência dessa linhagem viral, a iniciativa suscitou temor de que ocorresse uma liberação acidental do vírus no ambiente.

Apesar desse temor, uma pesquisa realizada por uma equipe da Agência Canadense de Saúde Publica, liderada por Darwyn Kobasa e publicada na edição de 18 de janeiro da revista Nature , demonstra que o vírus da gripe espanhola causava uma forte reação auto-imune que levava rapidamente à falência pulmonar do organismo hospedeiro. Em seu estudo, a equipe de Kobasa infectou macacos com amostras de vírus obtidas a partir de tecidos congelados de vítimas da gripe espanhola de 1918. Sinais clínicos da infecção viral foram observados 24 horas após a inoculação e os animais tiveram que ser sacrificados antecipadamente no oitavo dia do experimento.

Uma resposta imune exacerbada do hospedeiro acometido com o vírus H1N1, conhecida como tempestade de citocinas, está associada com a alta taxa de mortalidade da gripe espanhola.

As citocinas são moléculas de sinalização produzidas por tipos celulares presentes em locais de infecção e por células de defesa como linfócitos T e macrófagos. As citocinas coordenam a reação imune do organismo e sua produção é regulada de forma precisa. Porém, nas ocasiões em que o sistema imune tem de enfrentar bactérias e vírus muitos patogênicos como o H1N1, o organismo pode perder a capacidade de regular a liberação das citocinas. Conseqüentemente, a ação das células de defesa pode ficar descontrolada e elas podem começar a agir de forma indiscriminada, destruindo tecidos do próprio organismo.

O termo “tempestade de citocinas” foi cunhado em 1993 por Ferrara e colaboradores. Esse fenômeno pode ocorrer em respostas imunes contra enxertos, septicemia e varíola. Acredita-se que, no caso da gripe espanhola, um dos alvos dessas células imunes sejam os pulmões: devido à inflamação, eles se enchem de líquido e a respiração é bloqueada, levando à morte. Pessoas acometidas pela gripe espanhola apresentavam uma obstrução severa nos pulmões após algumas horas e, em estágios mais avançados, uma hemorragia pulmonar associada com pneumonia.

Controle de linhagens

Para se evitar o surgimento de novos episódios como o da pandemia gripe de 1918, a Organização Mundial de Saúde faz um controle de novas linhagens que surgem a cada ano nas diferentes regiões do mundo. Novas vacinas são então produzidas para essas linhagens. No entanto, devido à elevada taxa de mutações desses vírus, sua utilização resume-se a apenas uma ou poucas cepas.

Apesar dessa vigilância sem trégua, somos expostos constantemente a novas variedades de influenza como a gripe aviária – que levou à eliminação de milhões de aves em diversos países e à morte de 150 pessoas – e a novas viroses emergentes como o ébola, a rotavirose, a hantavirose e a dengue. Muitas delas são contraídas quando perturbamos e devastamos ambientes como as florestas tropicais e têm a sua disseminação facilitada pelo comércio global, pela facilidade de viajar para locais distantes e pela superpopulação mundial.

Infelizmente, apesar da vigília constante e do desenvolvimento tecnológico, se uma nova virose com a mesma letalidade da gripe espanhola surgir em nosso planeta atualmente, dificilmente teremos a capacidade de evitar que outros milhões de pessoas pereçam como no funesto ano de 1918.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

HORRENDA COISA É CAIR NAS MÃOS DO DEUS VIVO

Parece complicado afirmar que Deus tira a vida quando aprendemos que ele é quem doa a vida. Alguém que é amor e tem uma prática que reflete este amor, dificilmente pode ser comparado a alguém que mata. Esperar de Deus a morte é complicado, pois entendemos que nele está a vida, a paz e o perdão.Algumas pessoas colocam como hedionda algumas passagens bíblicas onde Deus manda matar e passamos a pensar que certamente isto não pode ser obra divina e sim de um demônio disfarçado de Deus. O fato é que algumas situações que ocorreram no passado podem acontecer no presente, se entendemos que o mesmo Deus da lei é o Deus da graça, Ananias e safira que o digam! (atos 5:1-11) Portanto corremos o risco de sermos fulminados por Deus e estarmos colocando a culpa de muitas desgraças na pessoa do diabo, que é culpado de muitas coisas mesmo, mas sendo o próprio Deus que está manifestando a sua soberania sem que nós seres humanos entendamos, pois já não compreendemos algumas características divinas.A história divina sempre nos mostrou que Deus está em busca do homem para que ocorra uma mudança de vida, mas às vezes Deus vai a busca do homem para cumprir também o seu plano de destruição. Mas como pode isto se Deus é amor e perdão? Verdade, Deus é amor e perdão, mas em sua justiça não elimina a condenação, pois quem julga pode condenar ou absolver.Quando Deus diz que usa de misericórdia até mil gerações daqueles que o amam e guardam os seus mandamentos, ficamos radiantes com a sua fidelidade, pois ele não desistirá da nossa casa mesmo depois de partirmos para a eternidade. A sua misericórdia prossegue, por isto alguns morrem sem ver a família salva, mas no futuro Deus os alcança, pois não desiste de abençoar a geração daqueles que o amam e servem. Mas o mesmo Deus que vai de encontro até mil gerações daqueles que são seus, também vai de encontro até a quarta geração daqueles que não são seus, pois ele diz que é Deus zeloso que visita a iniqüidade até a terceira e quarta geração daqueles que o aborrecem e isto pode ser para bem ou para mal, pois pode tanto condenar estes que já fazem o mal, como também perdoar, mas indiferente ao juízo, sabemos que nestes, Deus vai até a quarta geração no máximo, enquanto aos que o obedecem ele vai além do além.Aprendemos com isto que aqueles que praticam a iniqüidade não estão no mundo largados, pelo contrário, estão sendo monitorados por Deus, que no momento certo muda a história destes para a condenação ou para a salvação, dependendo apenas da sua justiça e soberania. Quando entendemos Deus como alguém que tem todo o poder passamos a temê-lo, pois ele pode e como pode, não se submete ao crivo da autoridade humana. Deus é inquestionável, seus juízos não podem ser interpretados ou julgados por nós, pois a sua soberania está acima da autoridade do juízo humano.Percebendo que é complicado entender Deus, em sua soberania, gostaria de meditar no tema proposto, pois da mesma forma que Deus dá a vida a quem quer, ele também retira a vida de quem quer, pois a vida apenas volta para o lugar de onde veio, por isto Deus não mata, apenas recebe de volta aquilo que sempre lhe pertenceu.Quando fomos criados éramos apenas uma massa sem vida. Com o sopro divino passamos a respirar, a viver. Passamos a existir apenas quando o hálito de Deus entra em nós, deixamos a não existência para estarmos agora em uma dimensão diferente, onde na carne seremos movidos pela vida que provém do próprio Deus.Quando morremos, a carne volta para a sua origem, para a terra, pois veio do pó, mas o espírito volta para Deus que o deu. Portanto quando morremos estamos livres da carne que é finita, mas o espírito permanece infinito, contudo morto em pecado. O espírito ao sair da carne continua em morte eterna, pois já não pode voltar para quem o deu, em função daquilo que o fez morrer, que se chama pecado.O pecado mata o espírito, levando o ser para uma eternidade separada daquele que deu a vida ao homem. Quando somos alcançados pela graça, temos agora o nosso espírito reconciliado com Deus, pois embora a carne ainda morra pelo pecado, aguardamos a sua incorruptibilidade na ressurreição, onde o espírito que já está pronto unir-se-á a carne glorificada, mas isto acontece apenas para o ser humano que se reconciliou com o criador, neste, ao partir para a eternidade, o seu espírito, volta para Deus que o deu e os outros, não reconciliados, aguardam apenas o juízo para a condenação, o qual já foram julgados pelo pecado que os separou de Deus em nossa dimensão.O milagre da conversão acontece quando este espírito nasce de novo sem a contaminação do pecado, nasce de Deus, não mais morto para a eternidade, mas em um nascimento que é do alto, onde aquilo que ele é, apenas reflete aquilo que Deus fez, por intermédio da cura, provida pelo sangue remidor de Jesus. Sem sair muito do tema proposto, pois queremos entender o Deus que mata, precisamos perceber o Deus que é soberano e em sua soberania não está aberto para julgamento, principalmente da criatura humana que se encontra destituída de qualquer autoridade e entendimento que a faça justa diante de Deus.Gostaria de ter como base o texto onde alguns rapazes zombam de Eliseu, profeta de Deus, determinando que a sua presença não era bem vinda no meio deles (2º reis 2:23-25). O interessante foi que eles tocaram em uma particularidade de Eliseu: a sua calvície. Sabemos que ser calvo nos dias de hoje não tem muita importância, mas nos dias de Eliseu era complicado. Os israelitas antigos, de ambos os sexos, deixavam os cabelos crescer (#Ct 5.11). Já no tempo de Jesus era vergonhoso para o homem ter cabelos compridos (#1Co 11.14). O profeta estava sendo ridicularizado por inúmeros jovens e virando-se fitou os olhos e os amaldiçoou em nome do Senhor. O texto diz que duas ursas saíram do bosque e despedaçaram quarenta e dois deles, dando a entender que eram mais do que isto em número.Esta passagem nos ensina que aqueles que são profetas de Deus não precisam jogar aviões em prédios, tentando destruir os ícones das sociedades opressoras , como foi o símbolo do poderio econômico americano, representado pelas torres gêmeas. Eliseu apenas profetizou sobre eles. Aprendemos com isto que a palavra tem um poder tremendo, principalmente se esta vem da parte de Deus, pois aqueles que são propriedade de Deus, são meninas dos seus olhos, são alvos das suas misericórdias, encontrarão na multidão das palavras escarnecedoras, a solidão de apenas uma palavra, mas que é proferida pela autoridade que provém de Deus.Uma multidão profetizava sobre a vida de Eliseu. Os jovens zombavam da sua condição de calvo, escarneceram de um homem que um pouco antes havia sarado as águas de Jericó, mostrando que o seu Deus é Deus de cura e não de enfermidade, é Deus de benção e não de maldição, pois tornou saudáveis as águas, não permitindo que a morte e a esterilidade destruísse o povo, Eliseu iniciava o seu ministério de profeta e encontra uma multidão de jovens zombando de uma característica peculiar. Talvez se achassem em melhores condições para o ministério do que ele, mas Eliseu entendia que o mesmo Deus que dava vida tinha, em seu poder o direito da morte, deixando os seus escarnecedores entregues as feras do campo. Que Deus é esse que é fiel a uma palavra de maldição, como foi a do profeta? Só posso entender que os adversários do profeta de Deus são adversários do próprio Deus, levando sobre si apenas as conseqüências da afronta que não é dirigida ao homem de Deus, mas a pessoa daquele que estabelece os seus profetas. Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo, principalmente quando estamos em litígio com aqueles que são arautos da profecia da sua palavra.Aprendemos com a situação dos quarenta e dois, que alguns ficaram para contar estória e com certeza os sobreviventes, aprenderam que brincar com os servos de Deus, deve ficar fora das suas agendas, onde experimentaram o espanto da fatalidade, pois foram covardes ao usarem da superioridade numérica, tentando coagir o homem de Deus.As conseqüências das obras de Deus, independente da nossa aceitação, ainda são frutos de perfeita justiça, pois ele é o autor da vida e dono do universo, portanto, mesmo quando mata, usa de um direito que é apenas seu, pois nós seres humanos sem nenhum ensinamento entendemos que só Deus pode tirar a vida.Quando percebemos a essência de Deus, que é amor, entendemos que mesmo quando repreende e castiga é por uma motivação autêntica em amor, pois por amar ao profeta faz justiça em detrimento da multidão. Este texto nos mostra também que nem sempre a voz do povo é a voz de Deus e às vezes a voz que nos soa como a da maioria, pode ser uma palavra que é maldita para Deus, pois apesar das muitas vozes, apenas a de Eliseu surtiu efeito diante do mundo espiritual, onde aqueles que pareciam estar em melhor condição, provaram da tragédia e do espanto súbito, que a mão poderosa de Deus pode proporcionar.Nem sempre a peste e o mal, que assombra, são oriundos das trevas, podem ser conseqüências das palavras malditas que certamente não encontraram efeito na trajetória da vida de um profeta que sabia que estava no centro da vontade de Deus. O profeta não procurou a desgraça alheia, mas como diz a palavra: Números 23:23 Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel; neste tempo se dirá de Jacó e de Israel: Que coisas Deus têm feito! Deuteronômio 23:5 Porém o SENHOR, teu Deus, não quis ouvir Balaão; antes, o SENHOR, teu Deus, trocou em bênção a maldição, porquanto o SENHOR, teu Deus, te amava.A realidade é que Deus mata, pois a vida e a morte estão em suas mãos. Quando vivifica é tão soberano quando mortifica, não cabendo a nós homens pecadores o conselho, ou o julgamento àquele que estabeleceu todas as coisas pelo seu designo e poder. Deus continua sendo perfeitamente bom, mesmo quando interpreto os seus atos como incoerentes diante da sua imaculada bondade. Seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso, aquilo que eu falo ou interpreto de Deus sempre estará aquém daquilo que ele realmente é, pois eu sou limitado a uma dimensão pecadora, que ainda precisa ter a carne glorificada, para um dia na glória, vê-lo face a face sem a incredulidade reinante em nossa dimensão, pois somos limitados ao uso da fé, para que por intermédio dela possamos perceber as obras da sua criação

quinta-feira, 30 de abril de 2009

A Longanimidade de Deus



O estudo mais impressionante e grandioso feito pelo homem é o da Divindade. A contemplação das perfeições divinas aquecerá as profundezas do coração, contanto que sejamos, naturalmente filhos Seus, nascidos do Seu Espírito. Deus é uma Pessoa perfeitamente equilibrada. Todos os Seus atributos operam harmoniosamente para o louvor de Sua glória. Cada um de nós, por causa do pecado, é de uma maneira ou de outra desequilibrado. Por natureza somos semelhantes ao filho pródigo que teve que tornar a si, antes que dissesse: "Levantar-me-ei e irei a casa de meu Pai". O pecado é uma forma de insanidade. Na conversão recebemos uma mente sã. Todos os atributos divinos são perfeitamente harmoniosos, fazendo dEle o grande e glorioso ser que é e sempre será. Deus é tão grande que só podemos estudar uma de Suas perfeições ou atributos de cada vez.

Deus não pode ser achado pela busca humana. Pode-se atravessar os céus límpidos e subir às alturas desconhecidas, mas não encontrará a Deus que "estende os céus como cortina". Isaías 40:22.

Pode-se viajar pelos mares todos e rodear o globo sem encontrar Aquele que se assenta sobre o globo da terra e que mediu as águas na palma de Sua mão. Pode-se estudar as flores e os insetos e ainda ser ignorante do Deus que os criou. Pode-se levar amostras de Suas obras ao laboratório e examiná-las, sem vir a conhecer o Criador, aquele que sendo conhecido é vida eterna. Deus não pode ser encontrado através dos sentidos físicos.

Todas as obras de Deus testemunham de Sua existência, mas nada dizem de Seu caráter nem perfeições morais. Suas obras nos dizem que Ele é (existe), mas nada dizem do que Ele é. Deus, em Seu caráter, só pode ser encontrado onde Ele já se revelou, isto é na Sua Palavra, a Bíblia. Os céus declaram Sua glória e o firmamento mostra a obra de Suas mãos, mas não falam dEle como legislador moral. No estudo do que a Bíblia diz a respeito dEle, vemos que o atributo da paciência ou longanimidade pertence à Sua natureza.

DEUS SE REVELOU A MOISÉS

Quando Deus deu as tábuas da lei a Moisés pela segunda vez, Ele desceu sobre o monte e proclamou o Seu nome, isto é, Ele descreveu Seu caráter no governo moral. Foi isto o que Deus disse a Moisés: "O Senhor, o Senhor Deus, misericordioso e piedoso, tardio em irar-se e grande em beneficência e verdade". Êxodo 34:6. Deus não Se revelou em forma física, antes revelou Suas perfeições como Espírito. Quando Israel pecou ao murmurar contra Deus, e Deus ameaçou exterminá-lo e fazer de Moisés uma nação maior, Moisés como mediador típico, rogou pelo caráter de Deus que lhe fora revelado no monte. Foi isto o que Moisés disse a Deus: "Agora, pois, rogo-te que a força do meu Senhor se engrandeça, como tens falado, dizendo: O Senhor é longânimo, e grande em misericórdia". Números 14:17-18. Deus como governante moral é paciente ou longânimo.

LONGANIMIDADE

A longanimidade de Deus é uma qualidade da natureza divina que O faz tardio ao tratar com Seus inimigos. Deus não tem um ataque de ira quando provocado. A palavra hebraica, que às vezes é traduzido como "longânimo" ou às vezes "tardio em se irar," significa literalmente "com nariz longo" ou "respirar". Ira é indicada pela respiração rápida e violenta pelas narinas e o oposto é a longanimidade ou tardio em irar-se. Um touro bufante é um emblema de ira colérica. Mas Deus não Se assemelha a um touro, pronto a atacar, na obra do julgamento. Deus não Se apressa a punir Seus adversários. Ele não é como um ditador cruel e nervoso, impaciente para ver Seus inimigos mortos ao romper do dia. Deus é paciente com os rebeldes e esta paciência pertence a Sua natureza. Uma redenção geral ou universal não é necessária para acertar as contas pela longa demora da punição duma raça perversa e rebelde. O diabo, como também o homem, desprezou a Deus em todos os tempos, e ainda continua a desprezá-lO, não porque Cristo morreu pelo diabo, mas porque Deus é longânimo. Deus está esperando julgar, não quando Sua paciência Se esgotar, mas quando o cálice da iniqüidade do mundo se encher. A hora do julgamento fica por conta da Sua vontade e não depende de maneira alguma da Sua paciência. Ele é infinito em paciência e o julgamento não será um ato de impaciência, mas de severa justiça.

O PODER DO AUTOCONTROLE

A longanimidade pode ser definida como o poder divino do autocontrole. Era isto que Moisés queria dizer com as palavras: "que a força do meu Senhor se engrandeça, como tens falado, dizendo: !O Senhor é longânimo?". O grande poder de Deus é visto não somente ao controlar de Suas criaturas, mas a Si mesmo também. Deus não é rápido para Se irar; Ele não perde a cabeça. Ele tem pose perfeita e equilibrada. Ele não conhece a impaciência. Sua justiça, certamente é implacável, mas Ele não tem pressa em julgar Seus inimigos. Ele espera em perfeita paciência para vingar Sua honra e satisfazer Sua justiça. A. W. Pink diz: "A paciência divina é o poder que Deus exerce sobre Si mesmo, fazendo-O a suportar os perversos e demorar a puni-los". E Charnock, um dos mais nobres puritanos, disse: "Os grandes homens ao mundo são ligeiros em se irar, e não tão prontos a perdoar uma injúria, nem suportar um ofensor, como a um de nível mais perverso. É o desejo de poder sobre si próprio que faz o homem agir de modo inconveniente quando provocado. Um príncipe que controla a si mesmo é rei sobre si mesmo como também de seus súditos. Deus é tardio em Se irar por causa da grandeza de Seu poder. Ele tem tanto poder sobre Si mesmo quanto sobre Suas criaturas".

ILUSTRAÇÕES

Há muitas ilustrações sobre a paciência divina na história bíblica como também na observação dos acontecimentos em geral. A paciência de Deus já foi observada através de séculos de rebelião satânica e humana.

1. No tempo de Noé, a longanimidade de Deus foi grande. Lemos que a paciência de Deus esperou nos dias de Noé. 1 Pedro 3:20. Aqueles foram dias de perversidade, mas Deus foi tardio em puni-los. Mesmo após ter anunciado Seu plano de destruição do mundo, Ele esperou cento e vinte anos para cumprir Seu propósito de mandar o dilúvio. Aqueles eram dias quando a imoralidade sexual reinava; dias quando as ameaças divinas eram ignoradas; dias de zombaria ao pregador da justiça de Deus; mesmo assim Deus esperou para puni-los, pois Ele é o Deus paciente.

2. O período inteiro da época do Velho Testamento foi um tempo de longanimidade divina. Em Romanos 3:25, vemos que os pecados desse período foram remidos sob a paciência de Deus. Os pecados dos salvos do Velho Testamento foram tolerados até que Cristo viesse pagar pelos mesmos. Deus não puniu os pecados deles, pois estava esperando puni-los na pessoa de Cristo. Os pecados deles foram remidos antes de serem pagos. Foi assim: Cristo, na eternidade passada, tornou-Se o penhor daqueles que Lhe foram dados pelo Pai no concerto eterno, concordando em assumir a natureza humana, pagar seus débitos, satisfazendo assim a justiça divina pelos seus pecados. Isto foi anunciado imediatamente após a queda do homem. Gênesis 3:15. Mas passaram-se quatro mil anos antes da plenitude dos tempos, quando, Cristo, o penhor de um testamento melhor, viesse para obter a redenção das transgressões que se encontravam debaixo do primeiro concerto (testamento). Hebreus 9:15. E todo este tempo intermediário foi de paciência ou longanimidade. Deus não Se irou de maneira a executar o julgamento sobre os pecadores, pois isto reservara para o Seu Filho, o penhor. E enquanto esperava pela vinda do penhor para a satisfação da justiça, Ele ordenou os sacrifícios de animais, que não podiam satisfazer a justiça nem remir o pecado.

3. O tratar de Deus com Faraó é outro exemplo de Sua longanimidade. Paulo defende Deus contra críticas em seu tratar com Faraó quando diz: "E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para perdição". Romanos 9:22 . A vontade divina a que se refere esta passagem é a de propósito. A vontade divina de propósito, em relação aos vasos da ira, tem a finalidade de demonstrar Sua ira e poder no julgamento dos mesmos, mas em longanimidade Ele os tolera até que pelos Seus próprios pecados sejam merecedores da destruição.

"Quantas vezes os homens se surpreendem pelo fato de Deus tolerar tanto mal quanto existe no mundo. Porque Deus não corta duma vez aos transgressores? A resposta é que Ele os suporta para a Sua própria glória e Ele será glorificado na condenação destes. Aos mortais, que sofrem de miopia, parece que seria melhor se Deus cortasse na infância os que pela Sua previsão visse como continuadores na iniqüidade. Mas Deus os suporta mesmo até a velhice e mesmo até aos limites extremos da iniqüidade para a honra e glória de Seu nome". Robert Haldane.

4. O tratar de Deus com Paulo demonstra Sua paciência com os "vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou". Romanos 9:23. Paulo mesmo nos explica tal fato: "Mas por isso alcancei misericórdia, para que em mim, que sou o principal, Jesus Cristo mostrasse toda a sua longanimidade, para exemplo dos que haviam de crer nele para a vida eterna". 1 Timóteo 1:16. Dentre todos os judeus incrédulos, a conversão de Saulo de Tarso parecia ser a menos provável, pois antes era blasfemador, perseguidor e injurioso. 1 Timóteo 1:13. Mas no propósito divino ele era um vaso de misericórdia dantes preparado para glória, e no tratar com o mesmo Deus nos dá um padrão de Sua longanimidade.

E Pedro estava pensando nestes vasos de misericórdia quando explicou a demora do retorno do Senhor. Ele explica que não é por Deus relaxar em Sua promessa da segunda vinda, "mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se". 2 Pedro 3:9. Mas certamente nesta referência é a Sua vontade de propósito que nenhum dos são chamados "nos" pereçam. O "nos" deste texto é o mesmo "amados" do versículo um e são distintos dos "escarnecedores" do versículo três. E o versículo quinze pondera esta interpretação: "E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor". A longanimidade de Deus opera na salvação dos vasos de misericórdia. É assim: Nós que somos salvos, éramos por natureza filhos da ira, do mesmo modo que os outros, e precisávamos nos arrepender. Se Cristo houvesse retornado antes de nos arrependermos, teríamos perecido. Quando Ele retornar, o dia de salvação será findo, e começará o julgamento, e se Ele tivesse vindo cinco ou dez anos passados, muitos dos que agora são salvos teriam perecido em seus pecados e a vontade de Deus teria sido frustrada. Sabemos que isto não pode acontecer nunca.

A PACIÊNCIA DE DEUS É GRANDEMENTE MALTRATADA E ABUSADA

O exercício deste atributo leva os homens a pecarem com mais audácia. "Porquanto não se executa logo o juízo sobre a má obra, por isso o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para fazer o mal". Eclesiastes 8:11. Os homens confundem a paciência de Deus com a crença de Sua não existência. Pelo fato de pecarem e não serem imediatamente punidos, concluem que não existe um legislador moral a quem darão conta. Um fazendeiro pensava ter provado a não existência de Deus. Tomou certa porção de suas terras para uma experiência. Preparou o solo num domingo, plantou num domingo, todo o cultivo foi feito aos domingos e no primeiro domingo de outubro ele colheu uma ceifa maior desta porção de terra do que de todas as outras. O fazendeiro, então, escreveu ao editor dum jornal mandando os resultados da experiência, escarnecendo da idéia dum Deus. O editor respondeu com poucas palavras, mas acertadamente: "Lembre-se de que Deus não ajusta as contas no primeiro domingo de outubro".

Bob Ingersol pensava ter demonstrado a não-existência de Deus dando cinco minutos contados para matá-lo. Quando um grande pregador da Inglaterra ouviu sobre isto, replicou: "Será que este senhor americano pensa em esgotar a paciência de Deus em cinco minutos"?

Se o crente não entender este atributo da longanimidade de Deus, ele ficará frustrado por Deus não esmiuçar nem exterminar tanta maldade quanto existe. Bendito seja o Seu nome! Certamente tudo isso acontecerá, mas Deus espera em Sua longanimidade pelo amadurecimento de Seus propósitos. Enquanto Ele espera, alguns se preparam para a justa destruição e outros por Sua graça, estão sendo modelados a serem vasos de glória. Em humildade e gratidão digamos como o poeta:

"Senhor, muito temos maltratado Teu amor, longo tempo passamos no pecado, nossos corações sangram em ver, com dor, quão rebeldes fomos".


terça-feira, 28 de abril de 2009

Congresso Uma farra aérea com o nosso dinheiro


Virou agência de viagem


Deputados usam cota de passagem aérea doCongresso Nacional para passeios com namorada,esposa, filhos, parentes, amigos e até para negócios



Nas democracias tradicionais, o mau uso do dinheiro público é considerado pela sociedade algo repugnante, imperdoável, um crime hediondo que merece desprezo e severas punições para os responsáveis. No Brasil, ao contrário, alguns políticos ainda se comportam como se estivessem na pré-história do desenvolvimento moral e, sem nenhum pudor, promovem uma verdadeira farra com os recursos recolhidos do contribuinte. Flagrados, não se constrangem, mentem e inventam desculpas estapafúrdias para tentar minimizar o caso. Fora os eleitores potiguares, pouquíssima gente já tinha ouvido falar do deputado Fábio Faria, do PMN. Jovem, rico e boa-pinta, ele está no Congresso desde 2007 e, na semana passada, credenciou-se como o mais novo membro do clube da patuscada. Com uma atuação parlamentar insignificante, Faria era conhecido apenas pelo excelente desempenho com belas modelos e atrizes famosas. O jovem deputado também tinha o hábito de usar passagens aéreas da cota de seu gabinete para deliciosos passeios – um deles, a Miami, em companhia da apresentadora de televisão Adriane Galisteu, então sua namorada. Bom moço, o parlamentar também descolou passagem para a futura sogra.
Antes de se eleger deputado, Fábio Faria era popular no Rio Grande do Norte na função de promoter de festas de Carnaval. Seu camarote sempre foi disputado por políticos e celebridades locais. Em 2007, já deputado, a festa contou com a presença dos artistas da Rede Globo Samara Felippo, Sthefany Brito e Kayky Brito. O custo das passagens foi debitado na conta da Câmara dos Deputados. Denunciado pelo portal Congresso em Foco, o deputado teve a reação típica: primeiro negou, depois disse que não havia nada de ilegal e, por fim, devolveu 21 000 reais – o valor correspondente às passagens dos artistas, da sogra e de alguns amigos que pegaram carona na farra. Com relação aos sete bilhetes que emitiu em favor de Adriane Galisteu, Fábio Faria disse que não via necessidade de devolver o dinheiro, já que a apresentadora era sua companheira e não havia nada de mais em a Câmara bancar as viagens dela no Brasil e no exterior. "Foi um erro pontual", explicou Faria. É chocante a desfaçatez do nobre deputado diante do caso. Porém, mais chocante ainda é a amplitude da indignação vista no Congresso: nenhuma. E por uma razão elementar: o jovem deputado potiguar apenas fez o que a maioria de seus colegas habitualmente faz – como tem ficado evidente diante dos escândalos dos últimos dois meses.

O uso de passagens oficiais para fins pessoais é mais um capítulo do festival de malandragens que alguns parlamentares dos mais diferentes partidos promovem com o nosso dinheiro. O deputado João Paulo Cunha (PT-SP), por exemplo, foi para Bariloche, na Argentina, com a mulher e a filha. Seu colega Inocêncio Oliveira (PR-PE), que até o início do ano era o corregedor da Câmara, uma espécie de fiscal do bom comportamento dos outros, pagou viagem da mulher, das filhas e de uma neta para os Estados Unidos e a Europa. Para pegar o bonde, ou melhor, o avião do Congresso, nem precisa estar no exercício do mandato. Três deputados que estão licenciados para ocupar o cargo de ministro – José Múcio, das Relações Institucionais, Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional, e Reinhold Stephanes, da Agricultura – viajaram 64 vezes à custa da Câmara em companhia da mulher, filhos e parentes, isso apesar de terem à disposição jatinhos da Força Aérea Brasileira. No Senado, não é diferente. Político influente e respeitado, além de milionário, Tasso Jereissati gastou 500.000 reais de dinheiro público para alugar jatinhos utilizados em compromissos partidários. Sem limites, há até exemplos de parlamentares que vendem as passagens e embolsam o dinheiro. O Ministério Público investiga denúncias assim e já identificou pelo menos dois casos, envolvendo os deputados Paulo Roberto (PTB-RS) e Fernando de Fabinho (DEM-BA). Dependendo do estado de origem, a cota do parlamentar pode chegar a 18 000 reais mensais. Um belo complemento de renda.
Bons salários, benefícios e alguns privilégios existem no Legislativo de todas as grandes democracias do mundo. "O problema no Brasil é que se tenta manter tudo secreto", diz o cientista político Jairo Nicolau, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Os parlamentares, além do salário de 16 500 reais, têm direito a uma verba de 50 000 reais para contratar assessores, 15 000 reais para despesas de manutenção, 3 000 reais de franquia telefônica e mais 3 000 reais de franquia de correios. Até o início do ano, nada disso estava sujeito a algum tipo de fiscalização. Usava-se o dinheiro para contratar empregadas domésticas e empresas de amigos, entre outras falcatruas. "A principal instância representativa do país foi apropriada pelos deputados para fins privados. Para a instituição ser utilizada dessa maneira escusa, é vital a falta de transparência", avalia o filósofo Denis Rosenfield, professor de ética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Na semana passada, no vácuo das denúncias, a Câmara anunciou corte de 20% nas despesas de passagens aéreas e normatizou o uso da cota. As medidas, porém, apenas legalizam parte do que fez o deputado Faria e outros colegas. "O ato de devolver o dinheiro é um reconhecimento de que o deputado não agiu de forma adequada. Não posso deixar de considerar que houve no mínimo um descuido", analisa o corregedor da Câmara, o deputado ACM Neto. "Eu não tinha a menor ideia da procedência do dinheiro que pagaria as passagens. Jamais teria saído da minha casa se soubesse desse absurdo", disse a atriz Samara Felippo. "Achei o fim do mundo. Estou longe de ser uma mulher ingênua, mas jamais vou saber a procedência de um presente", afirma Adriane Galisteu. Em todos os meus namoros, sempre presenteei e ganhei presentes sem ter de me preocupar com isso. Mas nunca tinha namorado um político. É duro, né?" É.


Otávio Cabral - Direto de VEJA para o Mensageiro da Realidade

quinta-feira, 23 de abril de 2009

10 ANOS SEM KUBRICK

Para alguns abnegados, “impossível” não passa de uma palavra num dicionário, um conceito abstrato, que está aí para ser desafiado. O cineasta Stanley Kubrick era uma dessas pessoas raras. O projeto de cinema que o cineasta nascido em Nova York levou a cabo, em treze longas-metragens, não tem paralelo. Normalmente, a obra de todo grande diretor de cinema possui um fio condutor, um tema ou característica estética que se desdobra por diversos filmes, por mais diferentes que eles pareçam. Kubrick subiu ao panteão máximo da atividade sem obedecer a este postulado. A rigor, o único elo entre os trabalhos que ele dirigiu na maturidade está na vontade obsessiva de ir mais longe do que qualquer outro cineasta que o antecedeu.
Obsessão é a palavra-chave para entender quem foi Stanley Kubrick. No documentário “Imagens de uma Vida”, o veterinário da família conta uma história que dá a medida exata de como o cineasta era maníaco por detalhes. Ele diz que certa vez pediu a Kubrick que medisse a quantidade de água bebida por um dos gatos da casa, então doente. O diretor respondeu ser impossível, já que todos os felinos – ele tinha vários – bebiam da mesma tigela. No dia seguinte, quando o médico já esquecera o incidente, recebeu um telefonema de Kubrick. Ele descobrira uma maneira de conseguir a informação: passara o dia inteiro na cozinha, a contar quantas lambidas o gato doente dava na água. Calculando também a quantidade de água absorvida por cada lambida, chegara à quantidade correta.
Kubrick passeou pelos gêneros mais díspares. Fez filmes de guerra (“Glória Feita de Sangue”, “Nascido para Matar”), noir (“O Grande Golpe”), ficção científica (“2001 – Uma Odisséia no Espaço”), comédia (“Dr. Fantástico”), aventura futurista (“Laranja Mecânica”) e de época (“Barry Lyndon”) e até horror (“O Iluminado”). O objetivo era sempre o mesmo: produzir a obra-prima – o filme perfeito – de cada gênero. Qualquer pessoa comum que outorgasse a si próprio tal projeto pareceria arrogante e megalomaníaca. Só que Kubrick não tinha nada de comum. Ele foi, talvez, o único cineasta de todos os tempos a justificar tamanha megalomania com o mesmo tanto de talento. Não à toa, seu nome está inscrito no seleto grupo de realizadores – junto com Griffith, Welles, Fellini e talvez Bergman – que mudou a cara do cinema, justificando o título de Sétima Arte recebido pela atividade.
Ao contrário de muitos colegas de profissão, Kubrick tinha consciência exata do tamanho do talento que possuía. Como um autêntico superdotado, a escola lhe dava tédio – e as notas baixas forçaram a família a deixá-lo abandonar as salas de aula, antes de completar o Segundo Grau. Adolescente, foi ganhar a vida jogando xadrez a dinheiro, em tabuleiros no Central Park, em Nova York. Sua paixão, no entanto, era a imagem. Usando uma máquina fotográfica presenteada pelo pai, Kubrick vendeu sua primeira foto para a revista Look aos 16 anos. Um ano e vários trabalhos mais tarde, já estava empregado. Mas a carreira de fotógrafo não lhe entusiasmava tanto quanto o cinema (“o melhor trenzinho que uma criança pode ganhar”, segundo a célebre definição de Orson Welles). Fez o primeiro curta-metragem aos 22 anos. Em 1953, aos 25, dirigiu o primeiro longa, “Fear and Desire”. O pai, sempre botando fé no gênio do filho, penhorou uma casa para bancar a película. O resultado, porém, não agradou a Kubrick, que retirou o filme de circulação um ano depois. O trabalho jamais seria lançado novamente, em qualquer formato.
Dois anos depois, ainda no sistema independente, Kubrick fez “A Morte Passou por Perto”, um autêntico noir, que chamou a atenção da crítica pela sinistra seqüência no clímax, com dois homens lutando dentro de uma sala cheia de manequins. Foi com “O Grande Golpe” (1956), porém, que o diretor chamou a atenção de Hollywood. A narrativa labiríntica sobre um grupo de ladrões espertos que arma assalto sofisticado a um hipódromo mostrou ao mundo que ali estava um cineasta completo. Kubrick, porém, ensaiava vôos mais altos. Ele tinha consciência de que precisava adquirir conhecimento cinematográfico, e usou os três filmes como aprendizado, fazendo de tudo. Além de dirigir, também escreveu os roteiros, fez a direção de arte, fotografou, montou e editou o som dos longas. Tudo isso lhe permitiria, futuramente, inovar em virtualmente todas as áreas do cinema, da produção de cenários às técnicas avançadas de efeitos especiais.
“Glória Feita de Sangue” (1957) é considerado o primeiro grande filme de Stanley Kubrick. Trata-se de um drama de guerra estrelado por Kirk Douglas e ambientado nas batalhas do primeiro grande conflito mundial (1914-1918). Era o início do projeto de cinema de Kubrick. Pela primeira vez, o cineasta se sentia suficientemente seguro para desobedecer as convenções de um gênero e reinventá-lo por completo. Até então, todo filme de guerra que se preze narrava a história de um herói. “Glória Feita de Sangue”, pelo contrário, usava a covardia para analisar friamente as ambições políticas e as tendências destrutivas do comportamento humano. O resultado foi tão bom que levou Kirk Douglas a convidar Kubrick para assumir seu filme seguinte, “Spartacus” (1960).
O primeiro épico sobre o Império Romano sem a presença de Jesus Cristo como coadjuvante elevou o nome de Kubrick ao posto de gênio do cinema. A experiência, porém, desagradou ao cineasta. Nos sets, demitiu atores e teve uma briga homérica com o experiente fotógrafo Russell Metty. Este último pediu para ter o nome retirado dos créditos porque Kubrick, teimoso e dominador, o obrigava a usar lentes e iluminar as cenas de um modo que Metty considerava inadequado. Meses depois da estréia, acabou empunhando o Oscar de melhor fotografia, com um dos maiores sorrisos amarelos da história do prêmio. Esta briga, contudo, não foi a mais famosa entre as diversas travadas durante as filmagens.
Na pós-produção, Kubrick deu uma demonstração definitiva de que não tinha limites, nem mesmo éticos, para atingir objetivos. Sabedor de que o roteirista Dalton Trumbo não podia assinar a obra (ele estava proibido de trabalhar em Hollywood, por ter se recusado a dedurar comunistas durante o MacCarthismo), o diretor sugeriu ao astro e produtor, Kirk Douglas, que o deixasse levar crédito pelo roteiro. Douglas, furioso, recusou – e contribuiu para derrubar a censura em Hollywood ao pôr o nome de Trumbo na abertura. Depois do episódio, Douglas e Kubrick cortaram relações. Anos depois, ao ser questionado sobre o cineasta, o ator foi incisivo: “Você não precisa ser boa pessoa para ser um gênio. Stanley Kubrick é um gênio e um idiota”.
Insatisfeito com a falta de liberdade experimentada em uma grande produção, Stanley prometeu a si mesmo que jamais faria novamente um filme em que não tivesse controle criativo total sobre o processo. Deu, então, uma reviravolta definitiva na carreira. Mudou-se para uma casa de campo na Inglaterra, tornou-se um recluso – raramente dava entrevistas, e quase nunca fazia aparições públicas – e assinou um contrato de exclusividade com a Warner. O estúdio, reconhecendo o gênio inovador de Kubrick, lhe oferecia carta branca para fazer qualquer filme que desejasse, na época em que desejasse, com o elenco que desejasse. Até o fim da vida, Kubrick jamais trabalharia para outro estúdio, desfrutando de uma liberdade criativa que nenhum outro cineasta de sua época obteve. Também jamais deixaria a Inglaterra.
O primeiro projeto dentro deste contrato, porém, deixou os executivos da Warner de cabelo em pé. “Lolita” (1962) adaptava o polêmico romance de Vladimir Nabokov, sobre um professor que nutre uma paixão explosiva por uma menina de 12 anos. Kubrick foi obrigado a aumentar a idade da personagem para 14 anos, e a escalar uma atriz para o papel que não tivesse seios desenvolvidos. Qualquer referência à prática de sexo entre os personagens deveria ser sumariamente excluída. Ao final das filmagens, o diretor reclamaria do resultado, julgando que as imposições o haviam impedido de fazer o filme que desejava. Mesmo assim, criou uma das cenas de erotismo mais vibrantes que o cinema havia visto até então: o momento em que o professor, siderado de desejo, pinta as unhas do pé da ninfeta, praticamente babando na gravata.
A seguir, Kubrick partiu para a comédia. “Dr. Fantástico” (1964) satiriza a Guerra Fria com senso de humor mordaz, ao mostrar como um militar de miolo mole podia, sozinho, dar início a um apocalipse nuclear. A interpretação magistral de Peter Sellers (em três papéis completamente diversos entre si) e o clímax impagável, com o piloto caubói que “monta” a bomba atômica como se fosse um cavalo, dão o tom de ironia feroz. Era a preparação para a maior ousadia do cineasta. O épico sci-fi “2001 – Uma Odisséia no Espaço” tinha a pouco singela ambição de discutir o lugar do homem no universo. As reações foram, como se hábito, polêmicas. Pauline Kael, maior autoridade entre os críticos durante a virada dos anos 1960/70, liderou o bombardeio, chamando-o de “filme amador mais caro já feito”.
Woddy Allen, que detestou o longa ao vê-lo pela primeira vez, talvez seja o autor do melhor raciocínio sobre ele. Muitos anos depois, ao revê-lo, Allen começou a mudar de opinião. Na terceira revisão da obra, capitulou: “É uma das raras vezes em que tenho que engolir que um diretor está muito à frente de mim”, anuncia, no documentário “Imagens de uma Vida”. Com “2001”, além da fama de polêmico, Kubrick ganhava também o rótulo de visionário. Afinal de contas, ele havia feito um filme sobre o espaço antes que o homem saísse da atmosfera terrestre. Quando isso aconteceu, alguns meses depois, o mundo inteiro viu que Kubrick havia previsto o espaço com impressionante riqueza de detalhes. A visão da Terra que se tinha de lá, por exemplo, era exatamente aquilo que se vê na tela.
“Laranja Mecânica” (1971) não contribuiu em nada para melhorar a fama de recluso e polêmico do diretor. A sátira futurista escancara de vez o pessimismo de Kubrick em relação ao futuro da humanidade – e as radicais alterações na trama do romance de Anthony Burgess levaram o escritor a declarar ódio mortal ao cineasta, algo que já havia acontecido também com Nabokov. Kubrick não deu muita bola. Em “Barry Lyndon” (1975), aplicou ao passado a mesma abordagem meticulosa que havia dedicado ao futuro. Sua obsessão em detalhes chegou ao auge. Em busca da representação mais fiel possível da realidade, Kubrick obrigou a figurinista Milena Canonero a passar dois anos freqüentando leilões de roupas do século XVI, de forma que todos os figurinos usados pelos atores fossem mesmo roupas reais de 300 anos antes. Para poder filmar à noite usando apenas a luz de velas, o diretor usou uma lente do telescópio Hubble, emprestada pela Nasa, capaz de captar imagens em condições mínimas de iluminação.
Por tudo isso, a fama de excêntrico de Kubrick só fazia crescer. Para “O Iluminado” (1980), ele construiu todos os cenários simultaneamente. Ao acordar, decidia de supetão, baseado no estado de espírito, que cena iria filmar. Tratava aos berros a atriz principal, Shelley Duvall, porque queria que ela estivesse permanentemente sob tensão, com os nervos em frangalhos, já que era assim que a personagem permanecia durante quase toda a narrativa. Kubrick ainda voltaria à guerra (“Nascido para Matar”, de 1987) e faria uma incursão sombria pelas obsessões sexuais de um burguês (“De Olhos Bem Fechados”, de 1999), antes de morrer de ataque cardíaco, durante o sono, em 7 de março de 1999. Fazia apenas três dias que ele acaba de editar o último filme. É bem provável que tenha usado sua habilidade no xadrez para jogar uma partidinha com a Morte, de modo a ganhar tempo e finalizar o trabalho. Para Stanley Kubrick, é bom lembrar, nada era impossível.