Parece complicado afirmar que Deus tira a vida quando aprendemos que ele é quem doa a vida. Alguém que é amor e tem uma prática que reflete este amor, dificilmente pode ser comparado a alguém que mata. Esperar de Deus a morte é complicado, pois entendemos que nele está a vida, a paz e o perdão.Algumas pessoas colocam como hedionda algumas passagens bíblicas onde Deus manda matar e passamos a pensar que certamente isto não pode ser obra divina e sim de um demônio disfarçado de Deus. O fato é que algumas situações que ocorreram no passado podem acontecer no presente, se entendemos que o mesmo Deus da lei é o Deus da graça, Ananias e safira que o digam! (atos 5:1-11) Portanto corremos o risco de sermos fulminados por Deus e estarmos colocando a culpa de muitas desgraças na pessoa do diabo, que é culpado de muitas coisas mesmo, mas sendo o próprio Deus que está manifestando a sua soberania sem que nós seres humanos entendamos, pois já não compreendemos algumas características divinas.A história divina sempre nos mostrou que Deus está em busca do homem para que ocorra uma mudança de vida, mas às vezes Deus vai a busca do homem para cumprir também o seu plano de destruição. Mas como pode isto se Deus é amor e perdão? Verdade, Deus é amor e perdão, mas em sua justiça não elimina a condenação, pois quem julga pode condenar ou absolver.Quando Deus diz que usa de misericórdia até mil gerações daqueles que o amam e guardam os seus mandamentos, ficamos radiantes com a sua fidelidade, pois ele não desistirá da nossa casa mesmo depois de partirmos para a eternidade. A sua misericórdia prossegue, por isto alguns morrem sem ver a família salva, mas no futuro Deus os alcança, pois não desiste de abençoar a geração daqueles que o amam e servem. Mas o mesmo Deus que vai de encontro até mil gerações daqueles que são seus, também vai de encontro até a quarta geração daqueles que não são seus, pois ele diz que é Deus zeloso que visita a iniqüidade até a terceira e quarta geração daqueles que o aborrecem e isto pode ser para bem ou para mal, pois pode tanto condenar estes que já fazem o mal, como também perdoar, mas indiferente ao juízo, sabemos que nestes, Deus vai até a quarta geração no máximo, enquanto aos que o obedecem ele vai além do além.Aprendemos com isto que aqueles que praticam a iniqüidade não estão no mundo largados, pelo contrário, estão sendo monitorados por Deus, que no momento certo muda a história destes para a condenação ou para a salvação, dependendo apenas da sua justiça e soberania. Quando entendemos Deus como alguém que tem todo o poder passamos a temê-lo, pois ele pode e como pode, não se submete ao crivo da autoridade humana. Deus é inquestionável, seus juízos não podem ser interpretados ou julgados por nós, pois a sua soberania está acima da autoridade do juízo humano.Percebendo que é complicado entender Deus, em sua soberania, gostaria de meditar no tema proposto, pois da mesma forma que Deus dá a vida a quem quer, ele também retira a vida de quem quer, pois a vida apenas volta para o lugar de onde veio, por isto Deus não mata, apenas recebe de volta aquilo que sempre lhe pertenceu.Quando fomos criados éramos apenas uma massa sem vida. Com o sopro divino passamos a respirar, a viver. Passamos a existir apenas quando o hálito de Deus entra em nós, deixamos a não existência para estarmos agora em uma dimensão diferente, onde na carne seremos movidos pela vida que provém do próprio Deus.Quando morremos, a carne volta para a sua origem, para a terra, pois veio do pó, mas o espírito volta para Deus que o deu. Portanto quando morremos estamos livres da carne que é finita, mas o espírito permanece infinito, contudo morto em pecado. O espírito ao sair da carne continua em morte eterna, pois já não pode voltar para quem o deu, em função daquilo que o fez morrer, que se chama pecado.O pecado mata o espírito, levando o ser para uma eternidade separada daquele que deu a vida ao homem. Quando somos alcançados pela graça, temos agora o nosso espírito reconciliado com Deus, pois embora a carne ainda morra pelo pecado, aguardamos a sua incorruptibilidade na ressurreição, onde o espírito que já está pronto unir-se-á a carne glorificada, mas isto acontece apenas para o ser humano que se reconciliou com o criador, neste, ao partir para a eternidade, o seu espírito, volta para Deus que o deu e os outros, não reconciliados, aguardam apenas o juízo para a condenação, o qual já foram julgados pelo pecado que os separou de Deus em nossa dimensão.O milagre da conversão acontece quando este espírito nasce de novo sem a contaminação do pecado, nasce de Deus, não mais morto para a eternidade, mas em um nascimento que é do alto, onde aquilo que ele é, apenas reflete aquilo que Deus fez, por intermédio da cura, provida pelo sangue remidor de Jesus. Sem sair muito do tema proposto, pois queremos entender o Deus que mata, precisamos perceber o Deus que é soberano e em sua soberania não está aberto para julgamento, principalmente da criatura humana que se encontra destituída de qualquer autoridade e entendimento que a faça justa diante de Deus.Gostaria de ter como base o texto onde alguns rapazes zombam de Eliseu, profeta de Deus, determinando que a sua presença não era bem vinda no meio deles (2º reis 2:23-25). O interessante foi que eles tocaram em uma particularidade de Eliseu: a sua calvície. Sabemos que ser calvo nos dias de hoje não tem muita importância, mas nos dias de Eliseu era complicado. Os israelitas antigos, de ambos os sexos, deixavam os cabelos crescer (#Ct 5.11). Já no tempo de Jesus era vergonhoso para o homem ter cabelos compridos (#1Co 11.14). O profeta estava sendo ridicularizado por inúmeros jovens e virando-se fitou os olhos e os amaldiçoou em nome do Senhor. O texto diz que duas ursas saíram do bosque e despedaçaram quarenta e dois deles, dando a entender que eram mais do que isto em número.Esta passagem nos ensina que aqueles que são profetas de Deus não precisam jogar aviões em prédios, tentando destruir os ícones das sociedades opressoras , como foi o símbolo do poderio econômico americano, representado pelas torres gêmeas. Eliseu apenas profetizou sobre eles. Aprendemos com isto que a palavra tem um poder tremendo, principalmente se esta vem da parte de Deus, pois aqueles que são propriedade de Deus, são meninas dos seus olhos, são alvos das suas misericórdias, encontrarão na multidão das palavras escarnecedoras, a solidão de apenas uma palavra, mas que é proferida pela autoridade que provém de Deus.Uma multidão profetizava sobre a vida de Eliseu. Os jovens zombavam da sua condição de calvo, escarneceram de um homem que um pouco antes havia sarado as águas de Jericó, mostrando que o seu Deus é Deus de cura e não de enfermidade, é Deus de benção e não de maldição, pois tornou saudáveis as águas, não permitindo que a morte e a esterilidade destruísse o povo, Eliseu iniciava o seu ministério de profeta e encontra uma multidão de jovens zombando de uma característica peculiar. Talvez se achassem em melhores condições para o ministério do que ele, mas Eliseu entendia que o mesmo Deus que dava vida tinha, em seu poder o direito da morte, deixando os seus escarnecedores entregues as feras do campo. Que Deus é esse que é fiel a uma palavra de maldição, como foi a do profeta? Só posso entender que os adversários do profeta de Deus são adversários do próprio Deus, levando sobre si apenas as conseqüências da afronta que não é dirigida ao homem de Deus, mas a pessoa daquele que estabelece os seus profetas. Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo, principalmente quando estamos em litígio com aqueles que são arautos da profecia da sua palavra.Aprendemos com a situação dos quarenta e dois, que alguns ficaram para contar estória e com certeza os sobreviventes, aprenderam que brincar com os servos de Deus, deve ficar fora das suas agendas, onde experimentaram o espanto da fatalidade, pois foram covardes ao usarem da superioridade numérica, tentando coagir o homem de Deus.As conseqüências das obras de Deus, independente da nossa aceitação, ainda são frutos de perfeita justiça, pois ele é o autor da vida e dono do universo, portanto, mesmo quando mata, usa de um direito que é apenas seu, pois nós seres humanos sem nenhum ensinamento entendemos que só Deus pode tirar a vida.Quando percebemos a essência de Deus, que é amor, entendemos que mesmo quando repreende e castiga é por uma motivação autêntica em amor, pois por amar ao profeta faz justiça em detrimento da multidão. Este texto nos mostra também que nem sempre a voz do povo é a voz de Deus e às vezes a voz que nos soa como a da maioria, pode ser uma palavra que é maldita para Deus, pois apesar das muitas vozes, apenas a de Eliseu surtiu efeito diante do mundo espiritual, onde aqueles que pareciam estar em melhor condição, provaram da tragédia e do espanto súbito, que a mão poderosa de Deus pode proporcionar.Nem sempre a peste e o mal, que assombra, são oriundos das trevas, podem ser conseqüências das palavras malditas que certamente não encontraram efeito na trajetória da vida de um profeta que sabia que estava no centro da vontade de Deus. O profeta não procurou a desgraça alheia, mas como diz a palavra: Números 23:23 Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel; neste tempo se dirá de Jacó e de Israel: Que coisas Deus têm feito! Deuteronômio 23:5 Porém o SENHOR, teu Deus, não quis ouvir Balaão; antes, o SENHOR, teu Deus, trocou em bênção a maldição, porquanto o SENHOR, teu Deus, te amava.A realidade é que Deus mata, pois a vida e a morte estão em suas mãos. Quando vivifica é tão soberano quando mortifica, não cabendo a nós homens pecadores o conselho, ou o julgamento àquele que estabeleceu todas as coisas pelo seu designo e poder. Deus continua sendo perfeitamente bom, mesmo quando interpreto os seus atos como incoerentes diante da sua imaculada bondade. Seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso, aquilo que eu falo ou interpreto de Deus sempre estará aquém daquilo que ele realmente é, pois eu sou limitado a uma dimensão pecadora, que ainda precisa ter a carne glorificada, para um dia na glória, vê-lo face a face sem a incredulidade reinante em nossa dimensão, pois somos limitados ao uso da fé, para que por intermédio dela possamos perceber as obras da sua criação
quinta-feira, 7 de maio de 2009
quinta-feira, 30 de abril de 2009
A Longanimidade de Deus
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O estudo mais impressionante e grandioso feito pelo homem é o da Divindade. A contemplação das perfeições divinas aquecerá as profundezas do coração, contanto que sejamos, naturalmente filhos Seus, nascidos do Seu Espírito. Deus é uma Pessoa perfeitamente equilibrada. Todos os Seus atributos operam harmoniosamente para o louvor de Sua glória. Cada um de nós, por causa do pecado, é de uma maneira ou de outra desequilibrado. Por natureza somos semelhantes ao filho pródigo que teve que tornar a si, antes que dissesse: "Levantar-me-ei e irei a casa de meu Pai". O pecado é uma forma de insanidade. Na conversão recebemos uma mente sã. Todos os atributos divinos são perfeitamente harmoniosos, fazendo dEle o grande e glorioso ser que é e sempre será. Deus é tão grande que só podemos estudar uma de Suas perfeições ou atributos de cada vez.
Deus não pode ser achado pela busca humana. Pode-se atravessar os céus límpidos e subir às alturas desconhecidas, mas não encontrará a Deus que "estende os céus como cortina". Isaías 40:22.
Pode-se viajar pelos mares todos e rodear o globo sem encontrar Aquele que se assenta sobre o globo da terra e que mediu as águas na palma de Sua mão. Pode-se estudar as flores e os insetos e ainda ser ignorante do Deus que os criou. Pode-se levar amostras de Suas obras ao laboratório e examiná-las, sem vir a conhecer o Criador, aquele que sendo conhecido é vida eterna. Deus não pode ser encontrado através dos sentidos físicos.
Todas as obras de Deus testemunham de Sua existência, mas nada dizem de Seu caráter nem perfeições morais. Suas obras nos dizem que Ele é (existe), mas nada dizem do que Ele é. Deus, em Seu caráter, só pode ser encontrado onde Ele já se revelou, isto é na Sua Palavra, a Bíblia. Os céus declaram Sua glória e o firmamento mostra a obra de Suas mãos, mas não falam dEle como legislador moral. No estudo do que a Bíblia diz a respeito dEle, vemos que o atributo da paciência ou longanimidade pertence à Sua natureza.
DEUS SE REVELOU A MOISÉS
Quando Deus deu as tábuas da lei a Moisés pela segunda vez, Ele desceu sobre o monte e proclamou o Seu nome, isto é, Ele descreveu Seu caráter no governo moral. Foi isto o que Deus disse a Moisés: "O Senhor, o Senhor Deus, misericordioso e piedoso, tardio em irar-se e grande em beneficência e verdade". Êxodo 34:6. Deus não Se revelou em forma física, antes revelou Suas perfeições como Espírito. Quando Israel pecou ao murmurar contra Deus, e Deus ameaçou exterminá-lo e fazer de Moisés uma nação maior, Moisés como mediador típico, rogou pelo caráter de Deus que lhe fora revelado no monte. Foi isto o que Moisés disse a Deus: "Agora, pois, rogo-te que a força do meu Senhor se engrandeça, como tens falado, dizendo: O Senhor é longânimo, e grande em misericórdia". Números 14:17-18. Deus como governante moral é paciente ou longânimo.
LONGANIMIDADE
A longanimidade de Deus é uma qualidade da natureza divina que O faz tardio ao tratar com Seus inimigos. Deus não tem um ataque de ira quando provocado. A palavra hebraica, que às vezes é traduzido como "longânimo" ou às vezes "tardio em se irar," significa literalmente "com nariz longo" ou "respirar". Ira é indicada pela respiração rápida e violenta pelas narinas e o oposto é a longanimidade ou tardio em irar-se. Um touro bufante é um emblema de ira colérica. Mas Deus não Se assemelha a um touro, pronto a atacar, na obra do julgamento. Deus não Se apressa a punir Seus adversários. Ele não é como um ditador cruel e nervoso, impaciente para ver Seus inimigos mortos ao romper do dia. Deus é paciente com os rebeldes e esta paciência pertence a Sua natureza. Uma redenção geral ou universal não é necessária para acertar as contas pela longa demora da punição duma raça perversa e rebelde. O diabo, como também o homem, desprezou a Deus em todos os tempos, e ainda continua a desprezá-lO, não porque Cristo morreu pelo diabo, mas porque Deus é longânimo. Deus está esperando julgar, não quando Sua paciência Se esgotar, mas quando o cálice da iniqüidade do mundo se encher. A hora do julgamento fica por conta da Sua vontade e não depende de maneira alguma da Sua paciência. Ele é infinito em paciência e o julgamento não será um ato de impaciência, mas de severa justiça.
O PODER DO AUTOCONTROLE
A longanimidade pode ser definida como o poder divino do autocontrole. Era isto que Moisés queria dizer com as palavras: "que a força do meu Senhor se engrandeça, como tens falado, dizendo: !O Senhor é longânimo?". O grande poder de Deus é visto não somente ao controlar de Suas criaturas, mas a Si mesmo também. Deus não é rápido para Se irar; Ele não perde a cabeça. Ele tem pose perfeita e equilibrada. Ele não conhece a impaciência. Sua justiça, certamente é implacável, mas Ele não tem pressa em julgar Seus inimigos. Ele espera em perfeita paciência para vingar Sua honra e satisfazer Sua justiça. A. W. Pink diz: "A paciência divina é o poder que Deus exerce sobre Si mesmo, fazendo-O a suportar os perversos e demorar a puni-los". E Charnock, um dos mais nobres puritanos, disse: "Os grandes homens ao mundo são ligeiros em se irar, e não tão prontos a perdoar uma injúria, nem suportar um ofensor, como a um de nível mais perverso. É o desejo de poder sobre si próprio que faz o homem agir de modo inconveniente quando provocado. Um príncipe que controla a si mesmo é rei sobre si mesmo como também de seus súditos. Deus é tardio em Se irar por causa da grandeza de Seu poder. Ele tem tanto poder sobre Si mesmo quanto sobre Suas criaturas".
ILUSTRAÇÕES
Há muitas ilustrações sobre a paciência divina na história bíblica como também na observação dos acontecimentos em geral. A paciência de Deus já foi observada através de séculos de rebelião satânica e humana.
1. No tempo de Noé, a longanimidade de Deus foi grande. Lemos que a paciência de Deus esperou nos dias de Noé. 1 Pedro 3:20. Aqueles foram dias de perversidade, mas Deus foi tardio em puni-los. Mesmo após ter anunciado Seu plano de destruição do mundo, Ele esperou cento e vinte anos para cumprir Seu propósito de mandar o dilúvio. Aqueles eram dias quando a imoralidade sexual reinava; dias quando as ameaças divinas eram ignoradas; dias de zombaria ao pregador da justiça de Deus; mesmo assim Deus esperou para puni-los, pois Ele é o Deus paciente.
2. O período inteiro da época do Velho Testamento foi um tempo de longanimidade divina. Em Romanos 3:25, vemos que os pecados desse período foram remidos sob a paciência de Deus. Os pecados dos salvos do Velho Testamento foram tolerados até que Cristo viesse pagar pelos mesmos. Deus não puniu os pecados deles, pois estava esperando puni-los na pessoa de Cristo. Os pecados deles foram remidos antes de serem pagos. Foi assim: Cristo, na eternidade passada, tornou-Se o penhor daqueles que Lhe foram dados pelo Pai no concerto eterno, concordando em assumir a natureza humana, pagar seus débitos, satisfazendo assim a justiça divina pelos seus pecados. Isto foi anunciado imediatamente após a queda do homem. Gênesis 3:15. Mas passaram-se quatro mil anos antes da plenitude dos tempos, quando, Cristo, o penhor de um testamento melhor, viesse para obter a redenção das transgressões que se encontravam debaixo do primeiro concerto (testamento). Hebreus 9:15. E todo este tempo intermediário foi de paciência ou longanimidade. Deus não Se irou de maneira a executar o julgamento sobre os pecadores, pois isto reservara para o Seu Filho, o penhor. E enquanto esperava pela vinda do penhor para a satisfação da justiça, Ele ordenou os sacrifícios de animais, que não podiam satisfazer a justiça nem remir o pecado.
3. O tratar de Deus com Faraó é outro exemplo de Sua longanimidade. Paulo defende Deus contra críticas em seu tratar com Faraó quando diz: "E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para perdição". Romanos 9:22 . A vontade divina a que se refere esta passagem é a de propósito. A vontade divina de propósito, em relação aos vasos da ira, tem a finalidade de demonstrar Sua ira e poder no julgamento dos mesmos, mas em longanimidade Ele os tolera até que pelos Seus próprios pecados sejam merecedores da destruição.
"Quantas vezes os homens se surpreendem pelo fato de Deus tolerar tanto mal quanto existe no mundo. Porque Deus não corta duma vez aos transgressores? A resposta é que Ele os suporta para a Sua própria glória e Ele será glorificado na condenação destes. Aos mortais, que sofrem de miopia, parece que seria melhor se Deus cortasse na infância os que pela Sua previsão visse como continuadores na iniqüidade. Mas Deus os suporta mesmo até a velhice e mesmo até aos limites extremos da iniqüidade para a honra e glória de Seu nome". Robert Haldane.
4. O tratar de Deus com Paulo demonstra Sua paciência com os "vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou". Romanos 9:23. Paulo mesmo nos explica tal fato: "Mas por isso alcancei misericórdia, para que em mim, que sou o principal, Jesus Cristo mostrasse toda a sua longanimidade, para exemplo dos que haviam de crer nele para a vida eterna". 1 Timóteo 1:16. Dentre todos os judeus incrédulos, a conversão de Saulo de Tarso parecia ser a menos provável, pois antes era blasfemador, perseguidor e injurioso. 1 Timóteo 1:13. Mas no propósito divino ele era um vaso de misericórdia dantes preparado para glória, e no tratar com o mesmo Deus nos dá um padrão de Sua longanimidade.
E Pedro estava pensando nestes vasos de misericórdia quando explicou a demora do retorno do Senhor. Ele explica que não é por Deus relaxar em Sua promessa da segunda vinda, "mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se". 2 Pedro 3:9. Mas certamente nesta referência é a Sua vontade de propósito que nenhum dos são chamados "nos" pereçam. O "nos" deste texto é o mesmo "amados" do versículo um e são distintos dos "escarnecedores" do versículo três. E o versículo quinze pondera esta interpretação: "E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor". A longanimidade de Deus opera na salvação dos vasos de misericórdia. É assim: Nós que somos salvos, éramos por natureza filhos da ira, do mesmo modo que os outros, e precisávamos nos arrepender. Se Cristo houvesse retornado antes de nos arrependermos, teríamos perecido. Quando Ele retornar, o dia de salvação será findo, e começará o julgamento, e se Ele tivesse vindo cinco ou dez anos passados, muitos dos que agora são salvos teriam perecido em seus pecados e a vontade de Deus teria sido frustrada. Sabemos que isto não pode acontecer nunca.
A PACIÊNCIA DE DEUS É GRANDEMENTE MALTRATADA E ABUSADA
O exercício deste atributo leva os homens a pecarem com mais audácia. "Porquanto não se executa logo o juízo sobre a má obra, por isso o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para fazer o mal". Eclesiastes 8:11. Os homens confundem a paciência de Deus com a crença de Sua não existência. Pelo fato de pecarem e não serem imediatamente punidos, concluem que não existe um legislador moral a quem darão conta. Um fazendeiro pensava ter provado a não existência de Deus. Tomou certa porção de suas terras para uma experiência. Preparou o solo num domingo, plantou num domingo, todo o cultivo foi feito aos domingos e no primeiro domingo de outubro ele colheu uma ceifa maior desta porção de terra do que de todas as outras. O fazendeiro, então, escreveu ao editor dum jornal mandando os resultados da experiência, escarnecendo da idéia dum Deus. O editor respondeu com poucas palavras, mas acertadamente: "Lembre-se de que Deus não ajusta as contas no primeiro domingo de outubro".
Bob Ingersol pensava ter demonstrado a não-existência de Deus dando cinco minutos contados para matá-lo. Quando um grande pregador da Inglaterra ouviu sobre isto, replicou: "Será que este senhor americano pensa em esgotar a paciência de Deus em cinco minutos"?
Se o crente não entender este atributo da longanimidade de Deus, ele ficará frustrado por Deus não esmiuçar nem exterminar tanta maldade quanto existe. Bendito seja o Seu nome! Certamente tudo isso acontecerá, mas Deus espera em Sua longanimidade pelo amadurecimento de Seus propósitos. Enquanto Ele espera, alguns se preparam para a justa destruição e outros por Sua graça, estão sendo modelados a serem vasos de glória. Em humildade e gratidão digamos como o poeta:
"Senhor, muito temos maltratado Teu amor, longo tempo passamos no pecado, nossos corações sangram em ver, com dor, quão rebeldes fomos".
terça-feira, 28 de abril de 2009
Congresso Uma farra aérea com o nosso dinheiro

Virou agência de viagem
Deputados usam cota de passagem aérea doCongresso Nacional para passeios com namorada,esposa, filhos, parentes, amigos e até para negócios
Nas democracias tradicionais, o mau uso do dinheiro público é considerado pela sociedade algo repugnante, imperdoável, um crime hediondo que merece desprezo e severas punições para os responsáveis. No Brasil, ao contrário, alguns políticos ainda se comportam como se estivessem na pré-história do desenvolvimento moral e, sem nenhum pudor, promovem uma verdadeira farra com os recursos recolhidos do contribuinte. Flagrados, não se constrangem, mentem e inventam desculpas estapafúrdias para tentar minimizar o caso. Fora os eleitores potiguares, pouquíssima gente já tinha ouvido falar do deputado Fábio Faria, do PMN. Jovem, rico e boa-pinta, ele está no Congresso desde 2007 e, na semana passada, credenciou-se como o mais novo membro do clube da patuscada. Com uma atuação parlamentar insignificante, Faria era conhecido apenas pelo excelente desempenho com belas modelos e atrizes famosas. O jovem deputado também tinha o hábito de usar passagens aéreas da cota de seu gabinete para deliciosos passeios – um deles, a Miami, em companhia da apresentadora de televisão Adriane Galisteu, então sua namorada. Bom moço, o parlamentar também descolou passagem para a futura sogra.
Antes de se eleger deputado, Fábio Faria era popular no Rio Grande do Norte na função de promoter de festas de Carnaval. Seu camarote sempre foi disputado por políticos e celebridades locais. Em 2007, já deputado, a festa contou com a presença dos artistas da Rede Globo Samara Felippo, Sthefany Brito e Kayky Brito. O custo das passagens foi debitado na conta da Câmara dos Deputados. Denunciado pelo portal Congresso em Foco, o deputado teve a reação típica: primeiro negou, depois disse que não havia nada de ilegal e, por fim, devolveu 21 000 reais – o valor correspondente às passagens dos artistas, da sogra e de alguns amigos que pegaram carona na farra. Com relação aos sete bilhetes que emitiu em favor de Adriane Galisteu, Fábio Faria disse que não via necessidade de devolver o dinheiro, já que a apresentadora era sua companheira e não havia nada de mais em a Câmara bancar as viagens dela no Brasil e no exterior. "Foi um erro pontual", explicou Faria. É chocante a desfaçatez do nobre deputado diante do caso. Porém, mais chocante ainda é a amplitude da indignação vista no Congresso: nenhuma. E por uma razão elementar: o jovem deputado potiguar apenas fez o que a maioria de seus colegas habitualmente faz – como tem ficado evidente diante dos escândalos dos últimos dois meses.
Antes de se eleger deputado, Fábio Faria era popular no Rio Grande do Norte na função de promoter de festas de Carnaval. Seu camarote sempre foi disputado por políticos e celebridades locais. Em 2007, já deputado, a festa contou com a presença dos artistas da Rede Globo Samara Felippo, Sthefany Brito e Kayky Brito. O custo das passagens foi debitado na conta da Câmara dos Deputados. Denunciado pelo portal Congresso em Foco, o deputado teve a reação típica: primeiro negou, depois disse que não havia nada de ilegal e, por fim, devolveu 21 000 reais – o valor correspondente às passagens dos artistas, da sogra e de alguns amigos que pegaram carona na farra. Com relação aos sete bilhetes que emitiu em favor de Adriane Galisteu, Fábio Faria disse que não via necessidade de devolver o dinheiro, já que a apresentadora era sua companheira e não havia nada de mais em a Câmara bancar as viagens dela no Brasil e no exterior. "Foi um erro pontual", explicou Faria. É chocante a desfaçatez do nobre deputado diante do caso. Porém, mais chocante ainda é a amplitude da indignação vista no Congresso: nenhuma. E por uma razão elementar: o jovem deputado potiguar apenas fez o que a maioria de seus colegas habitualmente faz – como tem ficado evidente diante dos escândalos dos últimos dois meses.
O uso de passagens oficiais para fins pessoais é mais um capítulo do festival de malandragens que alguns parlamentares dos mais diferentes partidos promovem com o nosso dinheiro. O deputado João Paulo Cunha (PT-SP), por exemplo, foi para Bariloche, na Argentina, com a mulher e a filha. Seu colega Inocêncio Oliveira (PR-PE), que até o início do ano era o corregedor da Câmara, uma espécie de fiscal do bom comportamento dos outros, pagou viagem da mulher, das filhas e de uma neta para os Estados Unidos e a Europa. Para pegar o bonde, ou melhor, o avião do Congresso, nem precisa estar no exercício do mandato. Três deputados que estão licenciados para ocupar o cargo de ministro – José Múcio, das Relações Institucionais, Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional, e Reinhold Stephanes, da Agricultura – viajaram 64 vezes à custa da Câmara em companhia da mulher, filhos e parentes, isso apesar de terem à disposição jatinhos da Força Aérea Brasileira. No Senado, não é diferente. Político influente e respeitado, além de milionário, Tasso Jereissati gastou 500.000 reais de dinheiro público para alugar jatinhos utilizados em compromissos partidários. Sem limites, há até exemplos de parlamentares que vendem as passagens e embolsam o dinheiro. O Ministério Público investiga denúncias assim e já identificou pelo menos dois casos, envolvendo os deputados Paulo Roberto (PTB-RS) e Fernando de Fabinho (DEM-BA). Dependendo do estado de origem, a cota do parlamentar pode chegar a 18 000 reais mensais. Um belo complemento de renda.
Bons salários, benefícios e alguns privilégios existem no Legislativo de todas as grandes democracias do mundo. "O problema no Brasil é que se tenta manter tudo secreto", diz o cientista político Jairo Nicolau, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Os parlamentares, além do salário de 16 500 reais, têm direito a uma verba de 50 000 reais para contratar assessores, 15 000 reais para despesas de manutenção, 3 000 reais de franquia telefônica e mais 3 000 reais de franquia de correios. Até o início do ano, nada disso estava sujeito a algum tipo de fiscalização. Usava-se o dinheiro para contratar empregadas domésticas e empresas de amigos, entre outras falcatruas. "A principal instância representativa do país foi apropriada pelos deputados para fins privados. Para a instituição ser utilizada dessa maneira escusa, é vital a falta de transparência", avalia o filósofo Denis Rosenfield, professor de ética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Na semana passada, no vácuo das denúncias, a Câmara anunciou corte de 20% nas despesas de passagens aéreas e normatizou o uso da cota. As medidas, porém, apenas legalizam parte do que fez o deputado Faria e outros colegas. "O ato de devolver o dinheiro é um reconhecimento de que o deputado não agiu de forma adequada. Não posso deixar de considerar que houve no mínimo um descuido", analisa o corregedor da Câmara, o deputado ACM Neto. "Eu não tinha a menor ideia da procedência do dinheiro que pagaria as passagens. Jamais teria saído da minha casa se soubesse desse absurdo", disse a atriz Samara Felippo. "Achei o fim do mundo. Estou longe de ser uma mulher ingênua, mas jamais vou saber a procedência de um presente", afirma Adriane Galisteu. Em todos os meus namoros, sempre presenteei e ganhei presentes sem ter de me preocupar com isso. Mas nunca tinha namorado um político. É duro, né?" É.
Bons salários, benefícios e alguns privilégios existem no Legislativo de todas as grandes democracias do mundo. "O problema no Brasil é que se tenta manter tudo secreto", diz o cientista político Jairo Nicolau, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Os parlamentares, além do salário de 16 500 reais, têm direito a uma verba de 50 000 reais para contratar assessores, 15 000 reais para despesas de manutenção, 3 000 reais de franquia telefônica e mais 3 000 reais de franquia de correios. Até o início do ano, nada disso estava sujeito a algum tipo de fiscalização. Usava-se o dinheiro para contratar empregadas domésticas e empresas de amigos, entre outras falcatruas. "A principal instância representativa do país foi apropriada pelos deputados para fins privados. Para a instituição ser utilizada dessa maneira escusa, é vital a falta de transparência", avalia o filósofo Denis Rosenfield, professor de ética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Na semana passada, no vácuo das denúncias, a Câmara anunciou corte de 20% nas despesas de passagens aéreas e normatizou o uso da cota. As medidas, porém, apenas legalizam parte do que fez o deputado Faria e outros colegas. "O ato de devolver o dinheiro é um reconhecimento de que o deputado não agiu de forma adequada. Não posso deixar de considerar que houve no mínimo um descuido", analisa o corregedor da Câmara, o deputado ACM Neto. "Eu não tinha a menor ideia da procedência do dinheiro que pagaria as passagens. Jamais teria saído da minha casa se soubesse desse absurdo", disse a atriz Samara Felippo. "Achei o fim do mundo. Estou longe de ser uma mulher ingênua, mas jamais vou saber a procedência de um presente", afirma Adriane Galisteu. Em todos os meus namoros, sempre presenteei e ganhei presentes sem ter de me preocupar com isso. Mas nunca tinha namorado um político. É duro, né?" É.
Otávio Cabral - Direto de VEJA para o Mensageiro da Realidade
quinta-feira, 23 de abril de 2009
10 ANOS SEM KUBRICK
Para alguns abnegados, “impossível” não passa de uma palavra num dicionário, um conceito abstrato, que está aí para ser desafiado. O cineasta Stanley Kubrick era uma dessas pessoas raras. O projeto de cinema que o cineasta nascido em Nova York levou a cabo, em treze longas-metragens, não tem paralelo. Normalmente, a obra de todo grande diretor de cinema possui um fio condutor, um tema ou característica estética que se desdobra por diversos filmes, por mais diferentes que eles pareçam. Kubrick subiu ao panteão máximo da atividade sem obedecer a este postulado. A rigor, o único elo entre os trabalhos que ele dirigiu na maturidade está na vontade obsessiva de ir mais longe do que qualquer outro cineasta que o antecedeu.
Obsessão é a palavra-chave para entender quem foi Stanley Kubrick. No documentário “Imagens de uma Vida”, o veterinário da família conta uma história que dá a medida exata de como o cineasta era maníaco por detalhes. Ele diz que certa vez pediu a Kubrick que medisse a quantidade de água bebida por um dos gatos da casa, então doente. O diretor respondeu ser impossível, já que todos os felinos – ele tinha vários – bebiam da mesma tigela. No dia seguinte, quando o médico já esquecera o incidente, recebeu um telefonema de Kubrick. Ele descobrira uma maneira de conseguir a informação: passara o dia inteiro na cozinha, a contar quantas lambidas o gato doente dava na água. Calculando também a quantidade de água absorvida por cada lambida, chegara à quantidade correta.
Kubrick passeou pelos gêneros mais díspares. Fez filmes de guerra (“Glória Feita de Sangue”, “Nascido para Matar”), noir (“O Grande Golpe”), ficção científica (“2001 – Uma Odisséia no Espaço”), comédia (“Dr. Fantástico”), aventura futurista (“Laranja Mecânica”) e de época (“Barry Lyndon”) e até horror (“O Iluminado”). O objetivo era sempre o mesmo: produzir a obra-prima – o filme perfeito – de cada gênero. Qualquer pessoa comum que outorgasse a si próprio tal projeto pareceria arrogante e megalomaníaca. Só que Kubrick não tinha nada de comum. Ele foi, talvez, o único cineasta de todos os tempos a justificar tamanha megalomania com o mesmo tanto de talento. Não à toa, seu nome está inscrito no seleto grupo de realizadores – junto com Griffith, Welles, Fellini e talvez Bergman – que mudou a cara do cinema, justificando o título de Sétima Arte recebido pela atividade.
Ao contrário de muitos colegas de profissão, Kubrick tinha consciência exata do tamanho do talento que possuía. Como um autêntico superdotado, a escola lhe dava tédio – e as notas baixas forçaram a família a deixá-lo abandonar as salas de aula, antes de completar o Segundo Grau. Adolescente, foi ganhar a vida jogando xadrez a dinheiro, em tabuleiros no Central Park, em Nova York. Sua paixão, no entanto, era a imagem. Usando uma máquina fotográfica presenteada pelo pai, Kubrick vendeu sua primeira foto para a revista Look aos 16 anos. Um ano e vários trabalhos mais tarde, já estava empregado. Mas a carreira de fotógrafo não lhe entusiasmava tanto quanto o cinema (“o melhor trenzinho que uma criança pode ganhar”, segundo a célebre definição de Orson Welles). Fez o primeiro curta-metragem aos 22 anos. Em 1953, aos 25, dirigiu o primeiro longa, “Fear and Desire”. O pai, sempre botando fé no gênio do filho, penhorou uma casa para bancar a película. O resultado, porém, não agradou a Kubrick, que retirou o filme de circulação um ano depois. O trabalho jamais seria lançado novamente, em qualquer formato.
Dois anos depois, ainda no sistema independente, Kubrick fez “A Morte Passou por Perto”, um autêntico noir, que chamou a atenção da crítica pela sinistra seqüência no clímax, com dois homens lutando dentro de uma sala cheia de manequins. Foi com “O Grande Golpe” (1956), porém, que o diretor chamou a atenção de Hollywood. A narrativa labiríntica sobre um grupo de ladrões espertos que arma assalto sofisticado a um hipódromo mostrou ao mundo que ali estava um cineasta completo. Kubrick, porém, ensaiava vôos mais altos. Ele tinha consciência de que precisava adquirir conhecimento cinematográfico, e usou os três filmes como aprendizado, fazendo de tudo. Além de dirigir, também escreveu os roteiros, fez a direção de arte, fotografou, montou e editou o som dos longas. Tudo isso lhe permitiria, futuramente, inovar em virtualmente todas as áreas do cinema, da produção de cenários às técnicas avançadas de efeitos especiais.
“Glória Feita de Sangue” (1957) é considerado o primeiro grande filme de Stanley Kubrick. Trata-se de um drama de guerra estrelado por Kirk Douglas e ambientado nas batalhas do primeiro grande conflito mundial (1914-1918). Era o início do projeto de cinema de Kubrick. Pela primeira vez, o cineasta se sentia suficientemente seguro para desobedecer as convenções de um gênero e reinventá-lo por completo. Até então, todo filme de guerra que se preze narrava a história de um herói. “Glória Feita de Sangue”, pelo contrário, usava a covardia para analisar friamente as ambições políticas e as tendências destrutivas do comportamento humano. O resultado foi tão bom que levou Kirk Douglas a convidar Kubrick para assumir seu filme seguinte, “Spartacus” (1960).
O primeiro épico sobre o Império Romano sem a presença de Jesus Cristo como coadjuvante elevou o nome de Kubrick ao posto de gênio do cinema. A experiência, porém, desagradou ao cineasta. Nos sets, demitiu atores e teve uma briga homérica com o experiente fotógrafo Russell Metty. Este último pediu para ter o nome retirado dos créditos porque Kubrick, teimoso e dominador, o obrigava a usar lentes e iluminar as cenas de um modo que Metty considerava inadequado. Meses depois da estréia, acabou empunhando o Oscar de melhor fotografia, com um dos maiores sorrisos amarelos da história do prêmio. Esta briga, contudo, não foi a mais famosa entre as diversas travadas durante as filmagens.
Na pós-produção, Kubrick deu uma demonstração definitiva de que não tinha limites, nem mesmo éticos, para atingir objetivos. Sabedor de que o roteirista Dalton Trumbo não podia assinar a obra (ele estava proibido de trabalhar em Hollywood, por ter se recusado a dedurar comunistas durante o MacCarthismo), o diretor sugeriu ao astro e produtor, Kirk Douglas, que o deixasse levar crédito pelo roteiro. Douglas, furioso, recusou – e contribuiu para derrubar a censura em Hollywood ao pôr o nome de Trumbo na abertura. Depois do episódio, Douglas e Kubrick cortaram relações. Anos depois, ao ser questionado sobre o cineasta, o ator foi incisivo: “Você não precisa ser boa pessoa para ser um gênio. Stanley Kubrick é um gênio e um idiota”.
Insatisfeito com a falta de liberdade experimentada em uma grande produção, Stanley prometeu a si mesmo que jamais faria novamente um filme em que não tivesse controle criativo total sobre o processo. Deu, então, uma reviravolta definitiva na carreira. Mudou-se para uma casa de campo na Inglaterra, tornou-se um recluso – raramente dava entrevistas, e quase nunca fazia aparições públicas – e assinou um contrato de exclusividade com a Warner. O estúdio, reconhecendo o gênio inovador de Kubrick, lhe oferecia carta branca para fazer qualquer filme que desejasse, na época em que desejasse, com o elenco que desejasse. Até o fim da vida, Kubrick jamais trabalharia para outro estúdio, desfrutando de uma liberdade criativa que nenhum outro cineasta de sua época obteve. Também jamais deixaria a Inglaterra.
O primeiro projeto dentro deste contrato, porém, deixou os executivos da Warner de cabelo em pé. “Lolita” (1962) adaptava o polêmico romance de Vladimir Nabokov, sobre um professor que nutre uma paixão explosiva por uma menina de 12 anos. Kubrick foi obrigado a aumentar a idade da personagem para 14 anos, e a escalar uma atriz para o papel que não tivesse seios desenvolvidos. Qualquer referência à prática de sexo entre os personagens deveria ser sumariamente excluída. Ao final das filmagens, o diretor reclamaria do resultado, julgando que as imposições o haviam impedido de fazer o filme que desejava. Mesmo assim, criou uma das cenas de erotismo mais vibrantes que o cinema havia visto até então: o momento em que o professor, siderado de desejo, pinta as unhas do pé da ninfeta, praticamente babando na gravata.
A seguir, Kubrick partiu para a comédia. “Dr. Fantástico” (1964) satiriza a Guerra Fria com senso de humor mordaz, ao mostrar como um militar de miolo mole podia, sozinho, dar início a um apocalipse nuclear. A interpretação magistral de Peter Sellers (em três papéis completamente diversos entre si) e o clímax impagável, com o piloto caubói que “monta” a bomba atômica como se fosse um cavalo, dão o tom de ironia feroz. Era a preparação para a maior ousadia do cineasta. O épico sci-fi “2001 – Uma Odisséia no Espaço” tinha a pouco singela ambição de discutir o lugar do homem no universo. As reações foram, como se hábito, polêmicas. Pauline Kael, maior autoridade entre os críticos durante a virada dos anos 1960/70, liderou o bombardeio, chamando-o de “filme amador mais caro já feito”.
Woddy Allen, que detestou o longa ao vê-lo pela primeira vez, talvez seja o autor do melhor raciocínio sobre ele. Muitos anos depois, ao revê-lo, Allen começou a mudar de opinião. Na terceira revisão da obra, capitulou: “É uma das raras vezes em que tenho que engolir que um diretor está muito à frente de mim”, anuncia, no documentário “Imagens de uma Vida”. Com “2001”, além da fama de polêmico, Kubrick ganhava também o rótulo de visionário. Afinal de contas, ele havia feito um filme sobre o espaço antes que o homem saísse da atmosfera terrestre. Quando isso aconteceu, alguns meses depois, o mundo inteiro viu que Kubrick havia previsto o espaço com impressionante riqueza de detalhes. A visão da Terra que se tinha de lá, por exemplo, era exatamente aquilo que se vê na tela.
“Laranja Mecânica” (1971) não contribuiu em nada para melhorar a fama de recluso e polêmico do diretor. A sátira futurista escancara de vez o pessimismo de Kubrick em relação ao futuro da humanidade – e as radicais alterações na trama do romance de Anthony Burgess levaram o escritor a declarar ódio mortal ao cineasta, algo que já havia acontecido também com Nabokov. Kubrick não deu muita bola. Em “Barry Lyndon” (1975), aplicou ao passado a mesma abordagem meticulosa que havia dedicado ao futuro. Sua obsessão em detalhes chegou ao auge. Em busca da representação mais fiel possível da realidade, Kubrick obrigou a figurinista Milena Canonero a passar dois anos freqüentando leilões de roupas do século XVI, de forma que todos os figurinos usados pelos atores fossem mesmo roupas reais de 300 anos antes. Para poder filmar à noite usando apenas a luz de velas, o diretor usou uma lente do telescópio Hubble, emprestada pela Nasa, capaz de captar imagens em condições mínimas de iluminação.
Por tudo isso, a fama de excêntrico de Kubrick só fazia crescer. Para “O Iluminado” (1980), ele construiu todos os cenários simultaneamente. Ao acordar, decidia de supetão, baseado no estado de espírito, que cena iria filmar. Tratava aos berros a atriz principal, Shelley Duvall, porque queria que ela estivesse permanentemente sob tensão, com os nervos em frangalhos, já que era assim que a personagem permanecia durante quase toda a narrativa. Kubrick ainda voltaria à guerra (“Nascido para Matar”, de 1987) e faria uma incursão sombria pelas obsessões sexuais de um burguês (“De Olhos Bem Fechados”, de 1999), antes de morrer de ataque cardíaco, durante o sono, em 7 de março de 1999. Fazia apenas três dias que ele acaba de editar o último filme. É bem provável que tenha usado sua habilidade no xadrez para jogar uma partidinha com a Morte, de modo a ganhar tempo e finalizar o trabalho. Para Stanley Kubrick, é bom lembrar, nada era impossível.
Obsessão é a palavra-chave para entender quem foi Stanley Kubrick. No documentário “Imagens de uma Vida”, o veterinário da família conta uma história que dá a medida exata de como o cineasta era maníaco por detalhes. Ele diz que certa vez pediu a Kubrick que medisse a quantidade de água bebida por um dos gatos da casa, então doente. O diretor respondeu ser impossível, já que todos os felinos – ele tinha vários – bebiam da mesma tigela. No dia seguinte, quando o médico já esquecera o incidente, recebeu um telefonema de Kubrick. Ele descobrira uma maneira de conseguir a informação: passara o dia inteiro na cozinha, a contar quantas lambidas o gato doente dava na água. Calculando também a quantidade de água absorvida por cada lambida, chegara à quantidade correta.
Kubrick passeou pelos gêneros mais díspares. Fez filmes de guerra (“Glória Feita de Sangue”, “Nascido para Matar”), noir (“O Grande Golpe”), ficção científica (“2001 – Uma Odisséia no Espaço”), comédia (“Dr. Fantástico”), aventura futurista (“Laranja Mecânica”) e de época (“Barry Lyndon”) e até horror (“O Iluminado”). O objetivo era sempre o mesmo: produzir a obra-prima – o filme perfeito – de cada gênero. Qualquer pessoa comum que outorgasse a si próprio tal projeto pareceria arrogante e megalomaníaca. Só que Kubrick não tinha nada de comum. Ele foi, talvez, o único cineasta de todos os tempos a justificar tamanha megalomania com o mesmo tanto de talento. Não à toa, seu nome está inscrito no seleto grupo de realizadores – junto com Griffith, Welles, Fellini e talvez Bergman – que mudou a cara do cinema, justificando o título de Sétima Arte recebido pela atividade.
Ao contrário de muitos colegas de profissão, Kubrick tinha consciência exata do tamanho do talento que possuía. Como um autêntico superdotado, a escola lhe dava tédio – e as notas baixas forçaram a família a deixá-lo abandonar as salas de aula, antes de completar o Segundo Grau. Adolescente, foi ganhar a vida jogando xadrez a dinheiro, em tabuleiros no Central Park, em Nova York. Sua paixão, no entanto, era a imagem. Usando uma máquina fotográfica presenteada pelo pai, Kubrick vendeu sua primeira foto para a revista Look aos 16 anos. Um ano e vários trabalhos mais tarde, já estava empregado. Mas a carreira de fotógrafo não lhe entusiasmava tanto quanto o cinema (“o melhor trenzinho que uma criança pode ganhar”, segundo a célebre definição de Orson Welles). Fez o primeiro curta-metragem aos 22 anos. Em 1953, aos 25, dirigiu o primeiro longa, “Fear and Desire”. O pai, sempre botando fé no gênio do filho, penhorou uma casa para bancar a película. O resultado, porém, não agradou a Kubrick, que retirou o filme de circulação um ano depois. O trabalho jamais seria lançado novamente, em qualquer formato.
Dois anos depois, ainda no sistema independente, Kubrick fez “A Morte Passou por Perto”, um autêntico noir, que chamou a atenção da crítica pela sinistra seqüência no clímax, com dois homens lutando dentro de uma sala cheia de manequins. Foi com “O Grande Golpe” (1956), porém, que o diretor chamou a atenção de Hollywood. A narrativa labiríntica sobre um grupo de ladrões espertos que arma assalto sofisticado a um hipódromo mostrou ao mundo que ali estava um cineasta completo. Kubrick, porém, ensaiava vôos mais altos. Ele tinha consciência de que precisava adquirir conhecimento cinematográfico, e usou os três filmes como aprendizado, fazendo de tudo. Além de dirigir, também escreveu os roteiros, fez a direção de arte, fotografou, montou e editou o som dos longas. Tudo isso lhe permitiria, futuramente, inovar em virtualmente todas as áreas do cinema, da produção de cenários às técnicas avançadas de efeitos especiais.
“Glória Feita de Sangue” (1957) é considerado o primeiro grande filme de Stanley Kubrick. Trata-se de um drama de guerra estrelado por Kirk Douglas e ambientado nas batalhas do primeiro grande conflito mundial (1914-1918). Era o início do projeto de cinema de Kubrick. Pela primeira vez, o cineasta se sentia suficientemente seguro para desobedecer as convenções de um gênero e reinventá-lo por completo. Até então, todo filme de guerra que se preze narrava a história de um herói. “Glória Feita de Sangue”, pelo contrário, usava a covardia para analisar friamente as ambições políticas e as tendências destrutivas do comportamento humano. O resultado foi tão bom que levou Kirk Douglas a convidar Kubrick para assumir seu filme seguinte, “Spartacus” (1960).
O primeiro épico sobre o Império Romano sem a presença de Jesus Cristo como coadjuvante elevou o nome de Kubrick ao posto de gênio do cinema. A experiência, porém, desagradou ao cineasta. Nos sets, demitiu atores e teve uma briga homérica com o experiente fotógrafo Russell Metty. Este último pediu para ter o nome retirado dos créditos porque Kubrick, teimoso e dominador, o obrigava a usar lentes e iluminar as cenas de um modo que Metty considerava inadequado. Meses depois da estréia, acabou empunhando o Oscar de melhor fotografia, com um dos maiores sorrisos amarelos da história do prêmio. Esta briga, contudo, não foi a mais famosa entre as diversas travadas durante as filmagens.
Na pós-produção, Kubrick deu uma demonstração definitiva de que não tinha limites, nem mesmo éticos, para atingir objetivos. Sabedor de que o roteirista Dalton Trumbo não podia assinar a obra (ele estava proibido de trabalhar em Hollywood, por ter se recusado a dedurar comunistas durante o MacCarthismo), o diretor sugeriu ao astro e produtor, Kirk Douglas, que o deixasse levar crédito pelo roteiro. Douglas, furioso, recusou – e contribuiu para derrubar a censura em Hollywood ao pôr o nome de Trumbo na abertura. Depois do episódio, Douglas e Kubrick cortaram relações. Anos depois, ao ser questionado sobre o cineasta, o ator foi incisivo: “Você não precisa ser boa pessoa para ser um gênio. Stanley Kubrick é um gênio e um idiota”.
Insatisfeito com a falta de liberdade experimentada em uma grande produção, Stanley prometeu a si mesmo que jamais faria novamente um filme em que não tivesse controle criativo total sobre o processo. Deu, então, uma reviravolta definitiva na carreira. Mudou-se para uma casa de campo na Inglaterra, tornou-se um recluso – raramente dava entrevistas, e quase nunca fazia aparições públicas – e assinou um contrato de exclusividade com a Warner. O estúdio, reconhecendo o gênio inovador de Kubrick, lhe oferecia carta branca para fazer qualquer filme que desejasse, na época em que desejasse, com o elenco que desejasse. Até o fim da vida, Kubrick jamais trabalharia para outro estúdio, desfrutando de uma liberdade criativa que nenhum outro cineasta de sua época obteve. Também jamais deixaria a Inglaterra.
O primeiro projeto dentro deste contrato, porém, deixou os executivos da Warner de cabelo em pé. “Lolita” (1962) adaptava o polêmico romance de Vladimir Nabokov, sobre um professor que nutre uma paixão explosiva por uma menina de 12 anos. Kubrick foi obrigado a aumentar a idade da personagem para 14 anos, e a escalar uma atriz para o papel que não tivesse seios desenvolvidos. Qualquer referência à prática de sexo entre os personagens deveria ser sumariamente excluída. Ao final das filmagens, o diretor reclamaria do resultado, julgando que as imposições o haviam impedido de fazer o filme que desejava. Mesmo assim, criou uma das cenas de erotismo mais vibrantes que o cinema havia visto até então: o momento em que o professor, siderado de desejo, pinta as unhas do pé da ninfeta, praticamente babando na gravata.
A seguir, Kubrick partiu para a comédia. “Dr. Fantástico” (1964) satiriza a Guerra Fria com senso de humor mordaz, ao mostrar como um militar de miolo mole podia, sozinho, dar início a um apocalipse nuclear. A interpretação magistral de Peter Sellers (em três papéis completamente diversos entre si) e o clímax impagável, com o piloto caubói que “monta” a bomba atômica como se fosse um cavalo, dão o tom de ironia feroz. Era a preparação para a maior ousadia do cineasta. O épico sci-fi “2001 – Uma Odisséia no Espaço” tinha a pouco singela ambição de discutir o lugar do homem no universo. As reações foram, como se hábito, polêmicas. Pauline Kael, maior autoridade entre os críticos durante a virada dos anos 1960/70, liderou o bombardeio, chamando-o de “filme amador mais caro já feito”.
Woddy Allen, que detestou o longa ao vê-lo pela primeira vez, talvez seja o autor do melhor raciocínio sobre ele. Muitos anos depois, ao revê-lo, Allen começou a mudar de opinião. Na terceira revisão da obra, capitulou: “É uma das raras vezes em que tenho que engolir que um diretor está muito à frente de mim”, anuncia, no documentário “Imagens de uma Vida”. Com “2001”, além da fama de polêmico, Kubrick ganhava também o rótulo de visionário. Afinal de contas, ele havia feito um filme sobre o espaço antes que o homem saísse da atmosfera terrestre. Quando isso aconteceu, alguns meses depois, o mundo inteiro viu que Kubrick havia previsto o espaço com impressionante riqueza de detalhes. A visão da Terra que se tinha de lá, por exemplo, era exatamente aquilo que se vê na tela.
“Laranja Mecânica” (1971) não contribuiu em nada para melhorar a fama de recluso e polêmico do diretor. A sátira futurista escancara de vez o pessimismo de Kubrick em relação ao futuro da humanidade – e as radicais alterações na trama do romance de Anthony Burgess levaram o escritor a declarar ódio mortal ao cineasta, algo que já havia acontecido também com Nabokov. Kubrick não deu muita bola. Em “Barry Lyndon” (1975), aplicou ao passado a mesma abordagem meticulosa que havia dedicado ao futuro. Sua obsessão em detalhes chegou ao auge. Em busca da representação mais fiel possível da realidade, Kubrick obrigou a figurinista Milena Canonero a passar dois anos freqüentando leilões de roupas do século XVI, de forma que todos os figurinos usados pelos atores fossem mesmo roupas reais de 300 anos antes. Para poder filmar à noite usando apenas a luz de velas, o diretor usou uma lente do telescópio Hubble, emprestada pela Nasa, capaz de captar imagens em condições mínimas de iluminação.
Por tudo isso, a fama de excêntrico de Kubrick só fazia crescer. Para “O Iluminado” (1980), ele construiu todos os cenários simultaneamente. Ao acordar, decidia de supetão, baseado no estado de espírito, que cena iria filmar. Tratava aos berros a atriz principal, Shelley Duvall, porque queria que ela estivesse permanentemente sob tensão, com os nervos em frangalhos, já que era assim que a personagem permanecia durante quase toda a narrativa. Kubrick ainda voltaria à guerra (“Nascido para Matar”, de 1987) e faria uma incursão sombria pelas obsessões sexuais de um burguês (“De Olhos Bem Fechados”, de 1999), antes de morrer de ataque cardíaco, durante o sono, em 7 de março de 1999. Fazia apenas três dias que ele acaba de editar o último filme. É bem provável que tenha usado sua habilidade no xadrez para jogar uma partidinha com a Morte, de modo a ganhar tempo e finalizar o trabalho. Para Stanley Kubrick, é bom lembrar, nada era impossível.
terça-feira, 21 de abril de 2009
Morre o escritor J.G. Ballard, autor de 'O Império do Sol'
Ele também ficou conhecido pelo romance 'Crash', transformado em filme por David Cronenberg.
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Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")
- O escritor britânico J.G. Ballard morreu na manhã deste domingo, aos 78 anos, após "ter passado muitos anos doente", segundo sua empresária, Margaret Hanbury. Filho de um executivo britânico, James Graham Ballard nasceu em Xangai, na China, e cresceu na comunidade de expatriados da cidade. Durante a Segunda Guerra Mundial, quando era adolescente, ele passou três anos em um acampamento administrado pelo Exército japonês. A experiência foi relatada no livro semi-autobiográfico O Império do Sol, transformado em um filme dirigido por Steven Spielberg, e que tornou Ballard conhecido mundialmente. Entre seus 15 romances e dezenas de contos, está o polêmico Crash: Estranhos Prazeres, que conta a história de um grupo de pessoas com fascinação sexual por acidentes de carro, e que foi levado às telas pelo também controverso diretor David Cronenberg em 1996. Seu último romance foi O Reino do Amanhã, de 2006. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
Tags: literatura, livros, cinema, artes, j.g. ballard, jg ballard, crash, império do sol
Da BBC Brasil para o Mensageiro da Realidade
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Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")
- O escritor britânico J.G. Ballard morreu na manhã deste domingo, aos 78 anos, após "ter passado muitos anos doente", segundo sua empresária, Margaret Hanbury. Filho de um executivo britânico, James Graham Ballard nasceu em Xangai, na China, e cresceu na comunidade de expatriados da cidade. Durante a Segunda Guerra Mundial, quando era adolescente, ele passou três anos em um acampamento administrado pelo Exército japonês. A experiência foi relatada no livro semi-autobiográfico O Império do Sol, transformado em um filme dirigido por Steven Spielberg, e que tornou Ballard conhecido mundialmente. Entre seus 15 romances e dezenas de contos, está o polêmico Crash: Estranhos Prazeres, que conta a história de um grupo de pessoas com fascinação sexual por acidentes de carro, e que foi levado às telas pelo também controverso diretor David Cronenberg em 1996. Seu último romance foi O Reino do Amanhã, de 2006. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
Tags: literatura, livros, cinema, artes, j.g. ballard, jg ballard, crash, império do sol
Da BBC Brasil para o Mensageiro da Realidade
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Reforma da Lei Rouanet
MinC disponibiliza espaço para sugestões e comentários sobre a proposta de reformulação
Jornal iTEIA
O Ministério da Cultura deverá encaminhar ao Congresso Nacional, no próximo ano, proposta de reformulação da legislação federal de financiamento à Cultura, que será elaborada a partir de ampla consulta pública.
A legislação - atualmente baseada nos mecanismos Mecenato e Fundo Nacional de Cultura - necessita de ajustes que considerem a diversidade da cultura brasileira, levem a uma melhor distribuição regional dos recursos e ampliem o apoio a atividades que promovam a inclusão sociocultural da população.
Desde o início do Governo Lula, o MinC tem promovido séries de debates com a sociedade para o aprimoramento da Lei Federal de Incentivo à Cultura: o Seminário Nacional Cultura para Todos, em 2003 e 2004, que resultou no Decreto nº 5.761/2006; o Fórum Nacional de Financiamento da Cultura, que vem sendo realizado em todas as regiões brasileiras; e, mais recentemente, os Diálogos Culturais nas principais capitais do país.
A série Diálogos Culturais conta com uma apresentação do ministro da Cultura, Juca Ferreira, que traz um balanço das ações do MinC nos últimos seis anos, mostra as distorções provocadas pelo atual modelo determinado pela Lei Rouanet e as linhas gerais da proposta para dinamizar e democratizar o acesso ao financiamento da Cultura.
Para divulgar todas essas iniciativas, o Ministério da Cultura criou o Blog da Reforma da Lei Rouanet, no qual foi disponibilizada a apresentação dos Diálogos Culturais (www.cultura.gov.br/dialogosculturais), além dos documentos, dados e propostas de alteração elaborados tanto pelo MinC quanto pela sociedade nos diversos fóruns de debates.
O Blog da Reforma da Lei Rouanet também é um espaço voltado para receber sugestões e comentários sobre a proposta de reformulação da legislação de fomento à Cultura. Confira no seguinte endereço eletrônico:
blogs.cultura.gov.br/reformadaleirouanet.
Jornal iTEIA
O Ministério da Cultura deverá encaminhar ao Congresso Nacional, no próximo ano, proposta de reformulação da legislação federal de financiamento à Cultura, que será elaborada a partir de ampla consulta pública.
A legislação - atualmente baseada nos mecanismos Mecenato e Fundo Nacional de Cultura - necessita de ajustes que considerem a diversidade da cultura brasileira, levem a uma melhor distribuição regional dos recursos e ampliem o apoio a atividades que promovam a inclusão sociocultural da população.
Desde o início do Governo Lula, o MinC tem promovido séries de debates com a sociedade para o aprimoramento da Lei Federal de Incentivo à Cultura: o Seminário Nacional Cultura para Todos, em 2003 e 2004, que resultou no Decreto nº 5.761/2006; o Fórum Nacional de Financiamento da Cultura, que vem sendo realizado em todas as regiões brasileiras; e, mais recentemente, os Diálogos Culturais nas principais capitais do país.
A série Diálogos Culturais conta com uma apresentação do ministro da Cultura, Juca Ferreira, que traz um balanço das ações do MinC nos últimos seis anos, mostra as distorções provocadas pelo atual modelo determinado pela Lei Rouanet e as linhas gerais da proposta para dinamizar e democratizar o acesso ao financiamento da Cultura.
Para divulgar todas essas iniciativas, o Ministério da Cultura criou o Blog da Reforma da Lei Rouanet, no qual foi disponibilizada a apresentação dos Diálogos Culturais (www.cultura.gov.br/dialogosculturais), além dos documentos, dados e propostas de alteração elaborados tanto pelo MinC quanto pela sociedade nos diversos fóruns de debates.
O Blog da Reforma da Lei Rouanet também é um espaço voltado para receber sugestões e comentários sobre a proposta de reformulação da legislação de fomento à Cultura. Confira no seguinte endereço eletrônico:
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quarta-feira, 15 de abril de 2009
A FORTALEZA DA BELLE ÉPOQUE

Na segunda metade do século XIX, Fortaleza foi palco de efervescentes movimentos sociais e culturais como a campanha abolicionista, o movimento republicano e a agremiação literária Padaria Espiritual. A cidade se modernizava rapidamente. Idéias de civilização, progresso e europeização inspiravam a elite fortalezense.Nesse período, o intendente (prefeito) Antonio Rodrigues Ferreira (Boticário Ferreira) encomendou ao engenheiro Adolfo Herbster a elaboração da "Planta Topográfica de Fortaleza e Subúrbios" para atualizar o traçado urbano na forma de xadrez esboçado, em 1918, por Silva Paulet.A cidade se aformoseava. Junto com a planta, vieram bondes de tração animal, iluminação a gás carbono, linhas de navios da Europa e do Rio de janeiro, biblioteca, jornais, clubes para lazer, fábricas de tecidos, a Santa Casa de Misericórdia, mercado público, caixas postais, estradas de ferro, telégrafo, telefone, entidades intelectuais e cemitérios.Enfim, o sopro da modernidade mudava a face da antiga cidade peovincial. Fortaleza evoluiu de uma acanhada capital, para o verdadeiro centro político, econômico e social de todo o Ceará.A elite fortalezense, constituída por comerciantes, bacharéis e profissionais liberáis, tinha notória influência do exterior, em especial da França. O "chic" era usar palavreado francês e saber a última moda parisiense. Esse período ficou conhecido como "Fortaleza Belle Époque".A nossa cidade respirava ares cosmopolitas, mas a influência francesa era predominante. Enquanto boa parte da população falava "oxente", "arre égua", "rebolar no mato" ou "apertar o biloto", a elite enfeitava o seu vernáculo com expressões gaulesas como "bonjour" ou "au revoir". A elegância exigia ternos e vestidos longos mesmo com tórrido calor; lojas ganhavam nomes estrangeiros e os mais abastados viajavam para a Europa.Entre os pontos de destaque desses tempos, pode-se citar a Praça do Ferreira. Sua importância cresceu, em grande parte, pela ação do Boticário Ferreira, que promovia entrudos e arrumava mil e um pretextos para que pessoas viessem à praça onde se localizava a sua farmácia.Com o tempo, a burguesia começou a desejar entidades de lazer exclusivas para ela. Então, no ano de 1867, foi fundado o Clube Cearense, frequentado apenas pela elite fortalezense e onde havia festas suntuosas, jogos de recreação, novas danças e atividades culturais para o seleto grupo de associados, composto pelos mais notáveis homens de negócios locais e estrangeiros.A atitude seletiva do Clube fez com que um grupo de burgueses emergentes, irritados por não poderem participar dele, criasse outra sociedade, o Clube Iracema. A partir daí os dois clubes começaram a disputar para ver qual organizava os maiores eventos.Provavelmente, o mais notável ponto de encontros, contatos e namoros desses grupos era o Passeio Público, inaugurado em 1880 (em frente à sede do Clube Cearense), onde se localizava a antiga Praça dos Mártires, que foi remodelada com bancos, canteiros, jardins, réplicas de esculturas clássicas e três avenidas onde se dividiam os grupos sociais.Na primeira, a formosa Avenida Caio Prado, onde, com o contraste da bela vista ao mar, desfilavam os homens e mulheres da elite, com seus ternos bem cuidados e seus grandes vestidos; já a segunda e terceira avenidas, Carapinima e Mororó, eram por onde pesseavam as pessoas da classe média e baixa da cidade.Parece que essa divisão era "espontânea", pois não havia regulamentação oficial nesse sentido. No entanto, é preciso considerar que tal separação ocorreu por conta de uma espécie de segregacionismo social. Em outras palavras, o Passeio Público "era um local para todos... mas separadamente" (PONTE, 2004, p.170).A Praça do Passeio Público, com suas árvores centenárias, sua vista magnífica e estrutura imponente, atraía cada vez mais visitantes para suas belas avenidas, tornando-se um verdadeiro cartão de visitas de Fortaleza. Assim, parece-me que o Passeio Público constitui um importante patrimônio histórico e pode ser novamente a maior Praça de Fortaleza, local de encontro, de trocas sociais, de redescoberta do centro da cidade e de suas tantas histórias...
Lucas Aquino Ferreira / Foto: Don Raffaè Pajata
quinta-feira, 9 de abril de 2009
A ESPADA NEO-LIBERAL QUE DIZIMA O HOMEM
Ainda estou absolutamente estarrecido com duas notícias da realidade de nosso país que me fizeram perder o sono e até verter lágrimas em cima do pano da bandeira de nossa pátria. Creio que não só eu mas todos os homens e mulheres com um pingo de decência nas veias sentiram este supremo e doloroso golpe.
Senão vejamos: uma instituição de combate a pobreza de uma universidade local divulgou um estudo que reitera, com base nos dados colhidos, uma assustadora conclusão: nada mais nada menos do que 92% da populaçao do Estado do Ceará encontram-se, ou em extrema indigência (vivendo com um oitavo do salário mínimo por mês) ou em indigência (vivendo com um quarto do salário mínimo por mês) ou classificados como pobres (vivendo com a metade de um salário mínino por mês). E, a despeito dessa aterradora notícia, estampada em letras garrafais em um periódico local, certos setores da política anunciaram a aprovação quase total (apenas um parlamentar votou contra) da construção de uma aquário na Praia de Iracema que vai sugar dos cofres públicos 250 milhões de reais, sob o pretexto de incrementar o turismo. Detalhe: o estudo a que me referi calculou em 240 milhões de reais o valor necessário para minimizar o sofrimento dos 92% dos deserdados do Estado do Ceará. Veja bem, minimizar e não sanar. Ou seja, menos do que a verba destinada a sandice do tal aquário, numa verdadeira afronta à população que paga a maior carga tributária deste velho planeta nos turbulentos dias atuais. Não estamos diante de um Império Romano moderno, quando a política do pão e circo enganava a fome do populacho, sufocando com tributos exorbitantes seus cidadãos e carregando às arenas lotadas a ralé no vil espetáculo da matança dos gladiadores, eles mesmos comprados do seio da cidadela?
Recentemente mudei-me para o Centro de minha amada cidade de Fortaleza e passei a constatar com meus próprios olhos a credibilidade deste estudo. Não tem uma esquina onde eu não dê de cara com um miserável ou uma miserável pedindo esmola, comendo lixo, dormindo ao relento, morrendo nas ruas ou empurrando aqueles carinhos de reciclagem que já figuram como cartões-postais de Fortaleza. Não tem hospital, não tem moradia, não tem política social, não tem emprego. Não tem nada. O Estado só quer arrecadar. A espada do neo-liberalismo está lá, na garganta do nosso povo. Tais fatos me levam a refletir sobre a quantas anda a cabeça de nossos representantes nos parlamentos, nas câmaras, nas assembléias e no Senado Federal, este atingido por um mar de bosta tamanho que me dá asco. Estes caras atuam em benefício próprio, eles não tem sensibilidade e enquanto isso, o Big Brother Brasil atua como se fosse um novo espetáculo de gladiadores, alienando a massa. Já não consigo mais escrever. Depois volto a falar deste assunto.
Mensageiro da Realidade
Senão vejamos: uma instituição de combate a pobreza de uma universidade local divulgou um estudo que reitera, com base nos dados colhidos, uma assustadora conclusão: nada mais nada menos do que 92% da populaçao do Estado do Ceará encontram-se, ou em extrema indigência (vivendo com um oitavo do salário mínimo por mês) ou em indigência (vivendo com um quarto do salário mínimo por mês) ou classificados como pobres (vivendo com a metade de um salário mínino por mês). E, a despeito dessa aterradora notícia, estampada em letras garrafais em um periódico local, certos setores da política anunciaram a aprovação quase total (apenas um parlamentar votou contra) da construção de uma aquário na Praia de Iracema que vai sugar dos cofres públicos 250 milhões de reais, sob o pretexto de incrementar o turismo. Detalhe: o estudo a que me referi calculou em 240 milhões de reais o valor necessário para minimizar o sofrimento dos 92% dos deserdados do Estado do Ceará. Veja bem, minimizar e não sanar. Ou seja, menos do que a verba destinada a sandice do tal aquário, numa verdadeira afronta à população que paga a maior carga tributária deste velho planeta nos turbulentos dias atuais. Não estamos diante de um Império Romano moderno, quando a política do pão e circo enganava a fome do populacho, sufocando com tributos exorbitantes seus cidadãos e carregando às arenas lotadas a ralé no vil espetáculo da matança dos gladiadores, eles mesmos comprados do seio da cidadela?
Recentemente mudei-me para o Centro de minha amada cidade de Fortaleza e passei a constatar com meus próprios olhos a credibilidade deste estudo. Não tem uma esquina onde eu não dê de cara com um miserável ou uma miserável pedindo esmola, comendo lixo, dormindo ao relento, morrendo nas ruas ou empurrando aqueles carinhos de reciclagem que já figuram como cartões-postais de Fortaleza. Não tem hospital, não tem moradia, não tem política social, não tem emprego. Não tem nada. O Estado só quer arrecadar. A espada do neo-liberalismo está lá, na garganta do nosso povo. Tais fatos me levam a refletir sobre a quantas anda a cabeça de nossos representantes nos parlamentos, nas câmaras, nas assembléias e no Senado Federal, este atingido por um mar de bosta tamanho que me dá asco. Estes caras atuam em benefício próprio, eles não tem sensibilidade e enquanto isso, o Big Brother Brasil atua como se fosse um novo espetáculo de gladiadores, alienando a massa. Já não consigo mais escrever. Depois volto a falar deste assunto.
Mensageiro da Realidade
quarta-feira, 8 de abril de 2009
A PAIXÃO DE CRISTO: POR QUÊ?

Por que Jesus derramou Seu sangue na cruz?
"Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que fará expiação [um sacrifício que paga a culpa] em virtude da vida" (Levítico 17.11).
"Com efeito, quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e, sem derramamento de sangue, não há remissão [perdão dos pecados]" (Hebreus 9.22).
Por que a crucificação foi tão traumática?
"Certamente, ele [Jesus] tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões [pecados] e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados" (Isaías 53.4-5).
De quem foram os pecados que pregaram Jesus na cruz?
"Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade [pecado] de nós todos" (Isaías 53.6).
A morte brutal de Cristo foi profetizada?
"Como pasmaram muitos à vista dele [Jesus] (pois o seu aspecto estava mui desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua aparência, mais do que a dos outros filhos dos homens)" (Isaías 52.14).
Obediência
Por que a crucificação de Cristo foi necessária?
"E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado [na cruz], para que todo o que nele crê tenha a vida eterna" (João 3.14-15).
O que Jesus quis dizer ao clamar "Está consumado!"?
"Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo [templo], não feito por mãos, quer dizer, não desta criação, não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção" (Hebreus 9.11-12).
Jesus é o único caminho para Deus?
"Respondeu-lhe Jesus. Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (João 14.6).
O que Deus pensou da crucificação do Seu Filho?
"Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos" (Isaías 53.10).
Perdão
Qual foi o resultado do derramamento do sangue de Jesus?
"No qual [em Jesus] temos a redenção [resgate da culpa do pecado], pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça" (Efésios 1.7).
Por que a crucificação de Cristo é importante?
"Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito" (1 Pedro 3.18).
O sacrifício individual de Cristo é suficiente?
"E ele [Jesus] é a propiciação [satisfação da justiça de Deus] pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro" (1 João 2.2).
O sacrifício de Cristo deve ser repetido?
"Assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação" (Hebreus 9.28).
Por que a cruz provoca divisões?
"Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus" (1 Coríntios 1.18).
Sua resposta
Qual será a sua decisão em relação a Jesus?
Essa é uma pergunta que apenas você pode responder. Deus lhe dá o privilégio de conhecer Seu plano completo de salvação. Ele lhe oferece a vida eterna através daquilo que Jesus Cristo fez por você: Ele morreu [pelos seus pecados], foi sepultado e ressuscitou [para lhe dar nova vida]. Você admite humilde e submissamente diante de Deus que necessita de Jesus Cristo em sua vida?
"Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai" (Filipenses 2.9-11).
Como você pode responder a Jesus?
Volte (arrependa-se): "Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados" (Atos 3.19).
Confie (creia): "Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa" (Atos 16.31).
Receba (obedeça): "Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome" (João 1.12).
"Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres" (Mt 26.39)
Jesus estava disposto ao sacrifício
Jamais poderemos avaliar a profundidade dessa oração de Jesus no Getsêmani. Não que Jesus não quisesse seguir o caminho da morte como Cordeiro de Deus. Nesse sentido Ele já tinha tomado Sua decisão, que anunciou previamente aos Seus discípulos: "Eis que subimos para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte. E o entregarão aos gentios para ser escarnecido, açoitado e crucificado; mas, ao terceiro dia, ressurgirá" (Mt 20.18-19). Nessa única frase Jesus predisse de maneira compacta todos os acontecimentos da Paixão e da Páscoa. Através da Sua concordância com a vontade de Deus em seu aspecto mais central, Ele mesmo tornou-se o centro da vontade divina.
A salvação da humanidade tem seu fundamento na concordância de Jesus em caminhar em direção ao Calvário. Para Ele e o Pai não havia outro caminho para a salvação de pecadores ímpios. Mas esse caminho tinha de ser assim tão penoso e horrível para o amoroso, puro e inocente Filho de Deus? Gostaríamos de tê-lO poupado desses grandes sofrimentos! Seu discípulo Pedro também pensava assim: "E Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo, dizendo: Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá. Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens." (Mt 16.22-23). Esta passagem mostra de maneira extremamente nítida o abismo, provocado pela queda, entre a forma de pensar humana, afetada pelo pecado, e os desígnios de Deus. A maneira humana de pensar, que ficou sujeita à influência de Satanás, rejeita caminhos de sofrimento. Temos de aprender a pensar conforme a maneira de Deus, da forma como ensinam as Escrituras. Foi a vontade de Deus que Seu Filho bebesse até a última gota o amargo cálice do sofrimento, suportasse o maior escárnio e as mais profundas dores físicas e emocionais. E Jesus concordou com esse caminho, dizendo "Sim, Pai!" Somente esse caminho levava à nossa salvação e à Sua maior glória e plenitude de poder. Por mais profundamente que uma pessoa tenha caído, se pedir perdão pelos seus pecados, recebê-lo-á. Jesus não oferece uma graça barata, sem valor, porque conquistou-a com Seu sangue. E qual foi a resposta que Deus, o Pai, deu a Seu Filho quando este orou: "...todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres"? – Nenhuma! Deus se calou nessa hora. Não houve mais resposta. Essa foi a provação mais forte pela qual Jesus teve de passar: não receber mais resposta de Deus quando mais precisava dela. Jesus poderia ter desesperado nessa hora; Ele, que sempre foi um com o Pai, que podia dizer: "eu sabia que sempre me ouves" (Jo 11.42). Deus se calou, e o Filho seguiu pelo caminho do sacrifício mesmo quando a comunicação com o Pai foi interrompida. Não podemos avaliar o significado mais profundo desse fato. Uma missão assim tão difícil só podia ser confiada ao Filho amado de Deus. E Ele seguiu esse caminho por amor a você e a mim. Só dessa maneira Deus pôde salvar as pessoas da impiedade delas. Nessa hora, nossa salvação estava em jogo.
Representação profética do sacrifício de Jesus
Sacrifício significa duas coisas:
– Comunhão de quem faz o sacrifício com Deus.
– Homenagem, gratidão e expiação.
Percebemos isso já nos sacrifícios oferecidos por Caim e Abel. O sacrifício sincero agrada a Deus, o sacrifício insincero é rejeitado por Ele. "Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não desprezarás, ó Deus" (Sl 51.17). "Porém Samuel disse: Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros" (1 Sm 15.22). Jesus honrou a Deus com obediência, e com Sua vida ofereceu um sacrifício perfeito: "muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!" (Hb 9.14).
Abraão
Deus testou a sinceridade e fidelidade de Abraão pedindo que ele sacrificasse em holocausto seu filho Isaque, que Abraão amava e que Deus havia dado a ele, cumprindo Sua promessa. Será que isso significava que Isaque deveria ser morto e queimado no fogo? Sim, foi exatamente o que Deus pediu a Abraão. Abraão não consultou ninguém, nem mesmo sua própria esposa Sara, que havia dado à luz a Isaque, mas pela fé foi a Moriá com seu filho Isaque, "porque considerou que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos, de onde também, figuradamente, o recobrou" (Hb 11.19). Esse foi um dos mais importantes "tipos" proféticos, pois aponta para o Calvário. O sangue de Isaque não precisou correr em Moriá porque Deus falou a Abraão: "Não estendas a mão sobre o rapaz e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho" (Gn 22.12). Ao invés de Isaque, um carneiro teve que morrer em seu lugar.
A atitude de Abraão revela seu caráter, seu coração. Se você ou eu tivéssemos estado em seu lugar, como teríamos agido? Um sacrifício legítimo não é uma cerimônia superficial, que não custa nada! Do mesmo modo Isaque, que se deitou para ser sacrificado, é uma representação profética simbólica de Jesus, que voluntariamente derramou Seu sangue por nós no Calvário. Isaías viu isso profeticamente: "Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca" (Is 53.7). Abraão é um símbolo de Deus, o Pai, e Isaque simboliza Jesus Cristo. Meditar sobre o sacrifício vai nos mostrar mais claramente o profundo significado da salvação e vai conduzir-nos à adoração. O objetivo de Deus é conduzir à vida através da morte.
O sangue nas portas
Antes da saída de Israel do Egito, Deus ordenou aos hebreus que sacrificassem um cordeiro sem defeito. Ele devia ser macho de um ano de idade, e as vergas e ombreiras das portas tinham de ser aspergidas com seu sangue. "O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; quando eu vir o sangue, passarei por vós, e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito" (Êx 12.13). Também esse é um "tipo" profético de Jesus, o Cordeiro de Deus que morreu no Calvário.
A cruz como símbolo do sacrifício
Hoje em dia usa-se com orgulho uma cruzinha delicada, se possível de ouro, como enfeite e adorno pendurado no pescoço. Quem o faz, poderia usá-la com alegria, se debaixo da cruzinha batesse um coração em que Jesus habita. Em certos lugares, cruzes artisticamente moldadas são usadas como decoração. Mas, quem lembra atualmente que esse símbolo foi instrumento de tortura e execução? Só os piores criminosos condenados à morte eram dependurados ou pregados em uma cruz, como alerta e sinal de sua rejeição. Ela também lembra da crueldade humana. Poucos dos que usam cruzes como adorno se lembram do pavor desse tipo de pena de morte. Deus diz em Deuteronômio 21.23: "O seu cadáver não permanecerá no madeiro durante a noite, mas, certamente, o enterrarás no mesmo dia; porquanto o que for pendurado no madeiro é maldito de Deus; assim, não contaminarás a terra que o Senhor, teu Deus, te dá em herança." Gálatas 3.13 repete: "Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro." A cruz é símbolo de maldição? Sim, é o que diz a Sagrada Escritura. Mas devemos observar todo o texto de Gálatas 3.13, pois a cruz é também símbolo de salvação: "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro)." Gravemos profundamente em nossos corações: Jesus levou voluntariamente sobre Si na cruz a maldição do pecado, que deveria cair sobre nós. Lá, onde nós deveríamos estar dependurados, Jesus esteve em nosso lugar, pagando o preço da nossa salvação. Assim fomos libertos da maldição. Em 1 Pedro 2.24 lemos o mesmo com as seguintes palavras: "Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados." Mas Ele não o fez apenas simbolicamente, Ele o fez de maneira real. Ele o fez por todas as pessoas, para que ninguém tivesse de se perder, a não ser quem rejeitar essa oferta. Jesus teve de fazer esse sacrifício porque todos os incontáveis sacrifícios de animais na Antiga Aliança não podiam tirar os pecados, mas apenas cobri-los. Já que a expiação de nossa culpa exigiu um preço tão elevado, nunca conseguiremos levar o pecado suficientemente a sério, realmente temos de odiá-lo e evitá-lo! Jesus, com Seu sacrifício no madeiro maldito, cumpriu o que havia prometido: "Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas" (Jo 10.11).
Estamos dispostos ao sacrifício?
Jesus ofereceu-se em sacrifício voluntariamente. Ele não vacilou, mas seguiu Seu caminho firmemente decidido: "Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres" (Mt 26.39). Jesus espera de Seus seguidores essa mesma disposição ao sacrifício. "Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos" (1 Jo 3.16). Tão longe pode ir a exigência de Jesus a você ou a mim, e ela não deve ser atenuada. Mas só Ele sabe de quem pode exigi-lo em cada caso concreto. Sabemos de pessoas em prisões que, sob ameaças de morte, deveriam delatar outros cristãos e mencionar os nomes de seus irmãos na fé, mas que permaneceram firmes e não os denunciaram. Perguntemo-nos: quão genuíno é nosso amor a Jesus e a nossos irmãos no Senhor?
Recentemente recebi um relato sobre cristãos chineses:
O devotamento e o espírito de sacrifício dos servos de Deus na China é muito impressionante. O que pode parecer chocante aos ouvidos ocidentais, também dos cristãos – a disposição de sofrer por Jesus, de ir para a prisão, de eventualmente deixar a vida – em muitos grupos de igrejas caseiras é mais uma honra e uma distinção do que vergonha e humilhação. Mas esses cristãos não devem de forma alguma ser vistos como fanáticos, extremistas ou imaturos. Pelo contrário, poder-se-ia dizer que eles apresentam um caráter simples, humilde, manso, espiritual e muito maduro. Eles falam de si mesmos o mínimo possível – para não tomarem de alguma forma a honra que só pertence a Deus –, falando mais das grandes obras de Deus, do Seu nome, louvando os Seus feitos.
E nós, cristãos ocidentais, como demonstramos nossa fé? Não deveríamos tomar esses cristãos chineses como exemplo? Eles deveriam ter a oportunidade de evangelizar no Ocidente! Não estamos praticando um cristianismo insípido, descompromissado, acomodado, que busca a prosperidade, um cristianismo que perdeu sua força de convicção? No centro não está mais o sacrifício, a entrega a Jesus, mas sim o nosso próprio bem-estar. Pensamos que antes de nos dedicar ao Senhor de maneira completa, precisamos ter nossas necessidades materiais atendidas. Logicamente não gostamos de ouvir que não somos bons ofertantes. Damos nossas ofertas (de nossas sobras!) para este e aquele projeto e chamamos isso de sacrifício. O Evangelho é adaptado à nossa filosofia de vida liberal e pluralista. Deus deve-se adaptar a nós e ficar satisfeito conosco. Pregadores e pastores não devem nos importunar com "exigências bíblicas ultrapassadas e fora de moda". Quem se firma fielmente na Palavra de Deus é considerado sectário excêntrico. Assim, a cruz passou a ser novamente um escândalo e um tropeço, que atrapalha o nosso sossego. E o pior: nas tendências da vida moderna nem notamos que estamos nos afastando do centro da vontade de Deus, tornando-nos inimigos da cruz. Com isso Satanás consegue alcançar o que sempre quis: a negação do sacrifício do Calvário.
O sacrifício do Calvário é perfeito
O primeiro Adão trouxe o pecado e a perdição ao mundo. O último Adão nos trouxe, com Sua morte, a libertação do poder do pecado e da morte. Ele o sabia, e por isso morreu com as palavras vitoriosas "Está consumado!" em Seus lábios. Assim Ele fez tudo o que Deus exigia e pagou o preço pelos nossos pecados. O véu rasgado no templo abre o acesso ao Santo dos Santos, ao coração do Pai. Pela vitória alcançada no Calvário, nem a morte conseguiu retê-lO. Só aceitando e recebendo pessoalmente o sacrifício perfeito do Calvário é possível viver uma vida cristã de alegria e vitória na fé. Jesus Cristo, o início e o fim, é e continua sendo o centro de nossa salvação, pois Ele continuamente intercede por nós, e por Ele recebemos propiciação pelos nossos pecados: "Nessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas" (Hb 10.10). Todos os que buscam refúgio no sacrifício perfeito de Jesus tornam-se justos pelo Seu sangue e passam a fazer parte de Seu Reino. Nessa posição devemos permanecer, mas também avançar na santificação! O apóstolo Paulo nos exorta com muita insistência: "Por isso, celebremos a festa (da Páscoa) não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia, e sim com os asmos da sinceridade e da verdade" (1 Co 5.8).
Jesus estava disposto ao sacrifício
Jamais poderemos avaliar a profundidade dessa oração de Jesus no Getsêmani. Não que Jesus não quisesse seguir o caminho da morte como Cordeiro de Deus. Nesse sentido Ele já tinha tomado Sua decisão, que anunciou previamente aos Seus discípulos: "Eis que subimos para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte. E o entregarão aos gentios para ser escarnecido, açoitado e crucificado; mas, ao terceiro dia, ressurgirá" (Mt 20.18-19). Nessa única frase Jesus predisse de maneira compacta todos os acontecimentos da Paixão e da Páscoa. Através da Sua concordância com a vontade de Deus em seu aspecto mais central, Ele mesmo tornou-se o centro da vontade divina.
A salvação da humanidade tem seu fundamento na concordância de Jesus em caminhar em direção ao Calvário. Para Ele e o Pai não havia outro caminho para a salvação de pecadores ímpios. Mas esse caminho tinha de ser assim tão penoso e horrível para o amoroso, puro e inocente Filho de Deus? Gostaríamos de tê-lO poupado desses grandes sofrimentos! Seu discípulo Pedro também pensava assim: "E Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo, dizendo: Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá. Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens." (Mt 16.22-23). Esta passagem mostra de maneira extremamente nítida o abismo, provocado pela queda, entre a forma de pensar humana, afetada pelo pecado, e os desígnios de Deus. A maneira humana de pensar, que ficou sujeita à influência de Satanás, rejeita caminhos de sofrimento. Temos de aprender a pensar conforme a maneira de Deus, da forma como ensinam as Escrituras. Foi a vontade de Deus que Seu Filho bebesse até a última gota o amargo cálice do sofrimento, suportasse o maior escárnio e as mais profundas dores físicas e emocionais. E Jesus concordou com esse caminho, dizendo "Sim, Pai!" Somente esse caminho levava à nossa salvação e à Sua maior glória e plenitude de poder. Por mais profundamente que uma pessoa tenha caído, se pedir perdão pelos seus pecados, recebê-lo-á. Jesus não oferece uma graça barata, sem valor, porque conquistou-a com Seu sangue. E qual foi a resposta que Deus, o Pai, deu a Seu Filho quando este orou: "...todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres"? – Nenhuma! Deus se calou nessa hora. Não houve mais resposta. Essa foi a provação mais forte pela qual Jesus teve de passar: não receber mais resposta de Deus quando mais precisava dela. Jesus poderia ter desesperado nessa hora; Ele, que sempre foi um com o Pai, que podia dizer: "eu sabia que sempre me ouves" (Jo 11.42). Deus se calou, e o Filho seguiu pelo caminho do sacrifício mesmo quando a comunicação com o Pai foi interrompida. Não podemos avaliar o significado mais profundo desse fato. Uma missão assim tão difícil só podia ser confiada ao Filho amado de Deus. E Ele seguiu esse caminho por amor a você e a mim. Só dessa maneira Deus pôde salvar as pessoas da impiedade delas. Nessa hora, nossa salvação estava em jogo.
Representação profética do sacrifício de Jesus
Sacrifício significa duas coisas:
– Comunhão de quem faz o sacrifício com Deus.
– Homenagem, gratidão e expiação.
Percebemos isso já nos sacrifícios oferecidos por Caim e Abel. O sacrifício sincero agrada a Deus, o sacrifício insincero é rejeitado por Ele. "Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não desprezarás, ó Deus" (Sl 51.17). "Porém Samuel disse: Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros" (1 Sm 15.22). Jesus honrou a Deus com obediência, e com Sua vida ofereceu um sacrifício perfeito: "muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!" (Hb 9.14).
Abraão
Deus testou a sinceridade e fidelidade de Abraão pedindo que ele sacrificasse em holocausto seu filho Isaque, que Abraão amava e que Deus havia dado a ele, cumprindo Sua promessa. Será que isso significava que Isaque deveria ser morto e queimado no fogo? Sim, foi exatamente o que Deus pediu a Abraão. Abraão não consultou ninguém, nem mesmo sua própria esposa Sara, que havia dado à luz a Isaque, mas pela fé foi a Moriá com seu filho Isaque, "porque considerou que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos, de onde também, figuradamente, o recobrou" (Hb 11.19). Esse foi um dos mais importantes "tipos" proféticos, pois aponta para o Calvário. O sangue de Isaque não precisou correr em Moriá porque Deus falou a Abraão: "Não estendas a mão sobre o rapaz e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho" (Gn 22.12). Ao invés de Isaque, um carneiro teve que morrer em seu lugar.
A atitude de Abraão revela seu caráter, seu coração. Se você ou eu tivéssemos estado em seu lugar, como teríamos agido? Um sacrifício legítimo não é uma cerimônia superficial, que não custa nada! Do mesmo modo Isaque, que se deitou para ser sacrificado, é uma representação profética simbólica de Jesus, que voluntariamente derramou Seu sangue por nós no Calvário. Isaías viu isso profeticamente: "Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca" (Is 53.7). Abraão é um símbolo de Deus, o Pai, e Isaque simboliza Jesus Cristo. Meditar sobre o sacrifício vai nos mostrar mais claramente o profundo significado da salvação e vai conduzir-nos à adoração. O objetivo de Deus é conduzir à vida através da morte.
O sangue nas portas
Antes da saída de Israel do Egito, Deus ordenou aos hebreus que sacrificassem um cordeiro sem defeito. Ele devia ser macho de um ano de idade, e as vergas e ombreiras das portas tinham de ser aspergidas com seu sangue. "O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; quando eu vir o sangue, passarei por vós, e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito" (Êx 12.13). Também esse é um "tipo" profético de Jesus, o Cordeiro de Deus que morreu no Calvário.
A cruz como símbolo do sacrifício
Hoje em dia usa-se com orgulho uma cruzinha delicada, se possível de ouro, como enfeite e adorno pendurado no pescoço. Quem o faz, poderia usá-la com alegria, se debaixo da cruzinha batesse um coração em que Jesus habita. Em certos lugares, cruzes artisticamente moldadas são usadas como decoração. Mas, quem lembra atualmente que esse símbolo foi instrumento de tortura e execução? Só os piores criminosos condenados à morte eram dependurados ou pregados em uma cruz, como alerta e sinal de sua rejeição. Ela também lembra da crueldade humana. Poucos dos que usam cruzes como adorno se lembram do pavor desse tipo de pena de morte. Deus diz em Deuteronômio 21.23: "O seu cadáver não permanecerá no madeiro durante a noite, mas, certamente, o enterrarás no mesmo dia; porquanto o que for pendurado no madeiro é maldito de Deus; assim, não contaminarás a terra que o Senhor, teu Deus, te dá em herança." Gálatas 3.13 repete: "Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro." A cruz é símbolo de maldição? Sim, é o que diz a Sagrada Escritura. Mas devemos observar todo o texto de Gálatas 3.13, pois a cruz é também símbolo de salvação: "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro)." Gravemos profundamente em nossos corações: Jesus levou voluntariamente sobre Si na cruz a maldição do pecado, que deveria cair sobre nós. Lá, onde nós deveríamos estar dependurados, Jesus esteve em nosso lugar, pagando o preço da nossa salvação. Assim fomos libertos da maldição. Em 1 Pedro 2.24 lemos o mesmo com as seguintes palavras: "Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados." Mas Ele não o fez apenas simbolicamente, Ele o fez de maneira real. Ele o fez por todas as pessoas, para que ninguém tivesse de se perder, a não ser quem rejeitar essa oferta. Jesus teve de fazer esse sacrifício porque todos os incontáveis sacrifícios de animais na Antiga Aliança não podiam tirar os pecados, mas apenas cobri-los. Já que a expiação de nossa culpa exigiu um preço tão elevado, nunca conseguiremos levar o pecado suficientemente a sério, realmente temos de odiá-lo e evitá-lo! Jesus, com Seu sacrifício no madeiro maldito, cumpriu o que havia prometido: "Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas" (Jo 10.11).
Estamos dispostos ao sacrifício?
Jesus ofereceu-se em sacrifício voluntariamente. Ele não vacilou, mas seguiu Seu caminho firmemente decidido: "Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres" (Mt 26.39). Jesus espera de Seus seguidores essa mesma disposição ao sacrifício. "Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos" (1 Jo 3.16). Tão longe pode ir a exigência de Jesus a você ou a mim, e ela não deve ser atenuada. Mas só Ele sabe de quem pode exigi-lo em cada caso concreto. Sabemos de pessoas em prisões que, sob ameaças de morte, deveriam delatar outros cristãos e mencionar os nomes de seus irmãos na fé, mas que permaneceram firmes e não os denunciaram. Perguntemo-nos: quão genuíno é nosso amor a Jesus e a nossos irmãos no Senhor?
Recentemente recebi um relato sobre cristãos chineses:
O devotamento e o espírito de sacrifício dos servos de Deus na China é muito impressionante. O que pode parecer chocante aos ouvidos ocidentais, também dos cristãos – a disposição de sofrer por Jesus, de ir para a prisão, de eventualmente deixar a vida – em muitos grupos de igrejas caseiras é mais uma honra e uma distinção do que vergonha e humilhação. Mas esses cristãos não devem de forma alguma ser vistos como fanáticos, extremistas ou imaturos. Pelo contrário, poder-se-ia dizer que eles apresentam um caráter simples, humilde, manso, espiritual e muito maduro. Eles falam de si mesmos o mínimo possível – para não tomarem de alguma forma a honra que só pertence a Deus –, falando mais das grandes obras de Deus, do Seu nome, louvando os Seus feitos.
E nós, cristãos ocidentais, como demonstramos nossa fé? Não deveríamos tomar esses cristãos chineses como exemplo? Eles deveriam ter a oportunidade de evangelizar no Ocidente! Não estamos praticando um cristianismo insípido, descompromissado, acomodado, que busca a prosperidade, um cristianismo que perdeu sua força de convicção? No centro não está mais o sacrifício, a entrega a Jesus, mas sim o nosso próprio bem-estar. Pensamos que antes de nos dedicar ao Senhor de maneira completa, precisamos ter nossas necessidades materiais atendidas. Logicamente não gostamos de ouvir que não somos bons ofertantes. Damos nossas ofertas (de nossas sobras!) para este e aquele projeto e chamamos isso de sacrifício. O Evangelho é adaptado à nossa filosofia de vida liberal e pluralista. Deus deve-se adaptar a nós e ficar satisfeito conosco. Pregadores e pastores não devem nos importunar com "exigências bíblicas ultrapassadas e fora de moda". Quem se firma fielmente na Palavra de Deus é considerado sectário excêntrico. Assim, a cruz passou a ser novamente um escândalo e um tropeço, que atrapalha o nosso sossego. E o pior: nas tendências da vida moderna nem notamos que estamos nos afastando do centro da vontade de Deus, tornando-nos inimigos da cruz. Com isso Satanás consegue alcançar o que sempre quis: a negação do sacrifício do Calvário.
O sacrifício do Calvário é perfeito
O primeiro Adão trouxe o pecado e a perdição ao mundo. O último Adão nos trouxe, com Sua morte, a libertação do poder do pecado e da morte. Ele o sabia, e por isso morreu com as palavras vitoriosas "Está consumado!" em Seus lábios. Assim Ele fez tudo o que Deus exigia e pagou o preço pelos nossos pecados. O véu rasgado no templo abre o acesso ao Santo dos Santos, ao coração do Pai. Pela vitória alcançada no Calvário, nem a morte conseguiu retê-lO. Só aceitando e recebendo pessoalmente o sacrifício perfeito do Calvário é possível viver uma vida cristã de alegria e vitória na fé. Jesus Cristo, o início e o fim, é e continua sendo o centro de nossa salvação, pois Ele continuamente intercede por nós, e por Ele recebemos propiciação pelos nossos pecados: "Nessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas" (Hb 10.10). Todos os que buscam refúgio no sacrifício perfeito de Jesus tornam-se justos pelo Seu sangue e passam a fazer parte de Seu Reino. Nessa posição devemos permanecer, mas também avançar na santificação! O apóstolo Paulo nos exorta com muita insistência: "Por isso, celebremos a festa (da Páscoa) não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia, e sim com os asmos da sinceridade e da verdade" (1 Co 5.8).
(Burkhard Vetsch - http://www.ajesus.com.br)/Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, abril de 2000.
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Jesus Cristo
ESPECIAL ANIVERSÁRIO DE FORTALEZA: ARTIGOS DE PERSONALIDADES

O POVO É O CENTRO
De uma forma geral, quando se fala no centro da Cidade, nas iniciativas de revitalização do centro, etc., lembramos apenas os prédios, o comércio, os pedintes, os ambulantes, os veículos, etc. Mas o problema é muito mais complexo. Temos que pensar além do citado, na limpeza urbana, no cuidado com a higiene, com os esgotos, com a pavimentação, com a educação dos comerciários, com o problema da moradia no centro, com a poluição visual, com a distribuição dos sinais de trânsito, com as paradas e estacionamentos de coletivos, com estacionamento de carros, com a poluição sonora oriunda de diversas fontes, como escapes de carros e motos, alto-falantes em postes, caixas de som em portas de estabelecimentos, serviços de som em carros, aparelhos de amplificação com religiosos e ambulantes, etc. Além disso temos que pensar na cultura, no lazer, na segurança e na saúde. O Centro precisa voltar a ter hotéis para trazerem os turistas, fazendo com que eles conheçam a Fortaleza Real, que é seu Centro. E como trazer hotéis e pessoas para morarem no centro se não damos condições? Como morar no centro se o barulho não deixa? Como manter hotéis no centro se o excesso de volumes nas festas, caixas de som, carros, lojas comerciais não permitem?Temos que encarar a situação como um todo, onde não se exclua nada nem ninguém, lembrando que o direito de um termina quando começa o de outro e também que talvez o maior problema seja a impunidade. i, a impunidade que faz com que o infrator de uma lei pequena faça com que surjam grandes problemas. É preciso que se crie uma consciência, que haja um consenso para que se possa pensar em um centro mais digno, melhor para todos.Mas o centro deixou de ser aquele "miolo" que era antigamente. Não é mais somente a Praça do Ferreira. Pode-se hoje considerar como centro da cidade coisas tão afastadas antigamente como o Centro Artístico Cearense, alguns prédios da Aldeota, do Jardim América, Benfica, Fátima, etc. Assim é que vamos encontrar em nossa exposição*, fotografias antigas de nossa querida Fortaleza, de locais antes considerados suburbanos mas que agora estão classificados como componentes do centro, ou pelo menos estarão dentro de pouco tempo.O Arquivo Nirez entra com sua colaboração trazendo ao público algumas imagens antigas de nossa Cidade no seus bons tempos, quando existia tranqüilidade, sossego, paz, e quando todos os seus habitantes conheciam todos.
De uma forma geral, quando se fala no centro da Cidade, nas iniciativas de revitalização do centro, etc., lembramos apenas os prédios, o comércio, os pedintes, os ambulantes, os veículos, etc. Mas o problema é muito mais complexo. Temos que pensar além do citado, na limpeza urbana, no cuidado com a higiene, com os esgotos, com a pavimentação, com a educação dos comerciários, com o problema da moradia no centro, com a poluição visual, com a distribuição dos sinais de trânsito, com as paradas e estacionamentos de coletivos, com estacionamento de carros, com a poluição sonora oriunda de diversas fontes, como escapes de carros e motos, alto-falantes em postes, caixas de som em portas de estabelecimentos, serviços de som em carros, aparelhos de amplificação com religiosos e ambulantes, etc. Além disso temos que pensar na cultura, no lazer, na segurança e na saúde. O Centro precisa voltar a ter hotéis para trazerem os turistas, fazendo com que eles conheçam a Fortaleza Real, que é seu Centro. E como trazer hotéis e pessoas para morarem no centro se não damos condições? Como morar no centro se o barulho não deixa? Como manter hotéis no centro se o excesso de volumes nas festas, caixas de som, carros, lojas comerciais não permitem?Temos que encarar a situação como um todo, onde não se exclua nada nem ninguém, lembrando que o direito de um termina quando começa o de outro e também que talvez o maior problema seja a impunidade. i, a impunidade que faz com que o infrator de uma lei pequena faça com que surjam grandes problemas. É preciso que se crie uma consciência, que haja um consenso para que se possa pensar em um centro mais digno, melhor para todos.Mas o centro deixou de ser aquele "miolo" que era antigamente. Não é mais somente a Praça do Ferreira. Pode-se hoje considerar como centro da cidade coisas tão afastadas antigamente como o Centro Artístico Cearense, alguns prédios da Aldeota, do Jardim América, Benfica, Fátima, etc. Assim é que vamos encontrar em nossa exposição*, fotografias antigas de nossa querida Fortaleza, de locais antes considerados suburbanos mas que agora estão classificados como componentes do centro, ou pelo menos estarão dentro de pouco tempo.O Arquivo Nirez entra com sua colaboração trazendo ao público algumas imagens antigas de nossa Cidade no seus bons tempos, quando existia tranqüilidade, sossego, paz, e quando todos os seus habitantes conheciam todos.
Nirez (Miguel Ângelo de Azevedo)
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