quarta-feira, 8 de abril de 2009

ESPECIAL ANIVERSÁRIO DE FORTALEZA: ARTIGOS DE PERSONALIDADES


FORTALEZA SEM ROSTO

A Praça do Ferreira foi concebida em 1842 para substituir a Praça da Carolina, onde ficava o Mercado de Ferro (no atual espaço dos Correios, Bando do Brasil e Palácio do Comércio).
Teve diversos nomes, como Feira Nova, Beco do Cotovelo, Largo das Trincheiras, Praça Pedro 11 e, a partir de 1851, Praça do Ferreira (quando do falecimento do Boticário Ferreira). O nome só foi oficializado 20 anos depois.
A principio era somente um areal com uma cacimba no centro e, posteriormente, um cajueiro no lado da Floriano Peixoto. Sua primeira planta (de Adolf Herbster) data de 1859.
Em 1886, surgiu o primeiro café, o Java, de Manoel Ferreira dos Santos, o "Mané Côco". Nele, em 1892, foi finda a badalada "Padaria Espiritual" (movimento supermodernista que antecedeu em 30 anos a também badalada Semana da Arte Moderna, de São Paulo, em 1922). A propósito, segundo análise feita á revista Veja, de 27 de setembro de 1995, pelo respeitado historiador Nelson Werneck Sodré, "o movimento modernista é muito menos do que se apregoa. A Semana de 1922 foi organizada com apoio oficial. Foi uma brincadeira do pintor Di Cavalcanti. O principal colaborador foi Oswald de Andrade, um magnífico autor de blagues que, como escritor, obra importante não deixou". Apesar desta constatação, a mídia continua alardeando a "importância" da Semana da Arte Moderna.
Voltando à fisionomia da Praça do Ferreira: em cada canto do areal havia um café: Java, Iracema, Do Comércio e Elegante.
Em 1902, ao ajardinar a Praça do Ferreira, o intendente Guilherme Rocha mandou fechar a cacimba. O tal jardim chamou-se "7 de setembro
De 1904 a 1920, era costume afixarem-se os nomes dos políticos enganadores (os verborrágicos) e dos comerciantes inadimplentes no tronco do cajueiro da Praça, o qual ficou conhecido como "Cajueiro da Mentira". Atualmente, do jeito que as coisas ficaram, tornou-se imperativo que cada bairro tenha o seu "Cajueiro da Mentira".
Em 1920, quando o Prefeito Godofredo Maciel ladrilhou a praça, além de demolir os quatro cafés, convenientemente ordenou que se pusesse abaixo aquele cajueiro denunciador de falcatruas. Em 1925, Maciel mandou construir um coreto para bandas de música
Em 1933, o Prefeito Raimundo Girão mandou derrubar o coreto e em seu lugar erguer a Coluna da Hora que, por sua vez, também seria demolida em 1968, pelo Prefeito José Walter. Em 1991, Juracy Magalhães mandou que se erguesse (no mesmo local) uma imitação tupiniquim da tal Coluna da Hora.
Como se vê, Fortaleza não tem rosto arquitetônico, posto que, de tempos em tempos, sua fisionomia é alterada, a fim de atender não a melhoria de vida de seus habitantes, e sim aos interesses dos que querem enriquecer derrubando e construindo prédios públicos Para lembrá-los ficam somente as fotos antigas, quando conservadas.
Este procedimento irresponsável dos nossos homens públicos (enganando a população, dizendo que assim agem em nome da "modernidade" é que é a causa da destruição de nosso patrimônio histórico-arquitetônico. E isto vem acontecendo em todas as cidades brasileiras (numas mais, noutras menos). Em qualquer capital européia há a parte nova e a parte antiga. Aqui, não: aqui, o antigo é sinônimo de velharia, enquanto que na Europa, é cultura.
O mesmo engenheiro-arquiteto que, lá faz questão de ser fotografado ao lado de um prédio centenário, se fosse aqui, ele mandaria por abaixo, taxando-o de "velharia ultrapassada".
Desse mesmo modo também agem os herdeiros dos personagens ilustres de nossa terra, destruindo seus patrimônios arquitetônicos sob a alegação de falta de dinheiro para pagar os impostos Como se vê, a depredação é total.
Assim foi que consentiram em destruir, em 1938, a Igreja da Sé (terminada em 1854) alegando que suas paredes estavam rachadas. A ironia é que a ordem da demolição partiu do próprio Arcebispo de Fortaleza, o baiano Dom Manoel da Silva Gomes, o qual haveria de se arrepender amargamente deste seu impensado ato (segundo suas próprias palavras).
Destruíram a Fênix Caixeiral, o Museu Histórico (que ficava na esquina da Praça Caio Prado, popularmente chamada de Praça da Sé, pertinho de minha casa, onde na minha infância e adolescência eu ia beber História); o Palácio do Plácido na Aldeota, a Casa de Rodolpho Theóphilo, o Cine Moderno e o Abrigo Central (na Praça do Ferreira), o mini-sitio Itapuca, da família Salgado (em Jacarecanga), o Pavilhão Atlântico (na entrada da Ponte Metálica, na Praia de Iracema). Desfiguraram a Praça Visconde de Pelotas (comumente chamada de Praça da Bandeira e,hoje, Praça Clóvis Beviláqua e o Passeio Público.
Há sete anos puseram abaixo casas e árvores centenárias da Avenida Alberto Nepomuceno (inclusive o casarão sobrado em que se criou, desde um ano de idade Dom Helder Câmara para a construção dessa horripilância arquitetônica a que deram o pomposo nome de Marcado Central, cuja estrutura (em algumas partes) já está comprometida. O mesmo aconteceu à algumas residências defronte à Igreja da Prainha, a fim de se construir uma imitação tupiniquim do Centro Pompidou, de Paris, chamando-o de Centro Cultural Dragão do Mar, sala de visitas para os artistas de fora, enquanto os de Fortaleza são marginalizados. E isto, apesar de o mesmo haver sido construído com o dinheiro dos fortalezenses.
As próprias praias de Fortaleza foram destruídas O fortalezense é um praiano que não tem praia. Antigamente, havia uma Lei do Código de Postura que proibia a construção de qualquer edificação na orla marítima com mais de três andares. Isto só durou até surgir a especulação imobiliária. Puseram a tal Lei abaixo (em nome da modernidade) criando outra que permitia a construção de edifícios de apartamentos ria orla marítima. Estes espigões de cimento armado tiraram toda a amenidade do clima de Fortaleza.
O pior de tudo é constatar, com tristeza, que nossos "historiadores" batem palmas para este tipo de vilania que alimenta cada vez mais, seu "complexo de Caramuru".
Se lêssemos enumerar tudo o que já foi destruído (ou está para sê-lo) este artigo-denúncia viraria um livro. Alguns estão lucrando com tudo isto... a população é que não... Aliás, no Brasil, 3% da população não tem do que reclamar, enquanto os outros 97% não têm a quem reclamar...
Na realidade, o que os políticos têm feito, ao longo dos anos, é modernizar a miséria. Amazônia que se cuide com estes entreguistas, perto dos quais, Al Capone e seus asseclas são aprendizes...


Christiano Câmara - Pesquisador e Historiador

ESPECIAL ANIVERSÁRIO DE FORTALEZA: ARTIGOS DE PERSONALIDADES


Preservar o existente, recuperar o possível: O Centro Antigo de Fortaleza


A urbanização acelerada do chamado "Terceiro Mundo" tem sido, ao longo deste século, um fenômeno extremamente deletério. Já em 1929, em sua viajem a Argentina, Le Corbisier, refletindo sobre o assunto, sentenciou, em famosa conferência "Não existe nada em Buenos Aires, exceto o erro". É bem verdade que a capital portenha soube reagir ao protesto do arquiteto e, atualmente, conserva rico e belo patrimônio urbanístico para desfrute das atuais e futuras gerações. No entanto, o mesmo não ocorreu em outros lugares. Ainda hoje parece pesar sobre a maioria das metrópoles do mundo subdesenvolvido esta maldição: só há perdurabilidade do erro. Em Fortaleza tem sido assim. Os riachos de nossa história, como o Pajeú, foram transformados em esgotos. Os rios são aprisionados em pequenas calhas, cercadas de favelas e poluídos pelos esgotos. As lagoas são aterradas pela especulação imobiliária ou transformadas em reservatórios de lixo e dejetos, com o consentimento ou silêncio do poder público.A devastação de nossa cidade não se limita aos crimes contra o meio ambiente. A destruição do seu pequeno mas bonito patrimônio arquitetônico, já denunciada na década de sessenta por Liberal Castro, fica dramaticamente exposta nessa mostra seletiva sobre o centro antigo*. A maioria das edificações mostradas nas fotos foi derrubada para dar lugar a prédios comerciais, e outras tantas, como registra Blanchard Girão, em sua elegante crônica aqui publicada, permanecem encobertas por "grotescos tapumes ou biombos modernosos" das lojas. Uma pequena parte ainda permanece em pé, graças à resistência dos materiais, mas abandonada pela incúria pública ou privada.Nossa intenção maior é convocar a cidadania para reagir a esse deplorável estado das coisas, na esperança de reverter a tendência dessa urbanização destrutiva em marcha, produto da anárquica lógica da acumulação capitalista. A esperança não é vã, já que em outras metrópoles do mundo, inclusive do Brasil, os movimentos citadinos têm conseguido resultados animadores, seja na esfera da preservação, seja na esfera da recuperação dos patrimônios naturais e construídos, pondo-os à disposição da coletividade como bens voltados para a melhoria da qualidade de vida presente e futura das cidades.Se a lógica do capital tem mantido a hegemonia na condução da política urbana de Fortaleza, também é verdade que uma contra-lógica, que tenho denominado pedagogicamente de lógica da cidadania, começa a ganhar expressão pública, influenciando algumas ações do governo (como mostra Blanchard Girão) e da própria corporação empresarial (Como é o caso do Projeto de Revitalização da CDL).A formulação desse projeto de intervenção para o Centro de Fortaleza exige, como pré-condição inarredável, a mais ampla e democrática participação de todos os interessados numa efetiva prática cidadã no terreno da política urbana. Combina a militância ativa dos sindicalistas e o conhecimento científico-técnico da intelectualidade independente, hoje abrigada nas universidades, institutos de pesquisa e na imprensa. Envolve necessariamente uma inteligente política de parceria entre todos os agentes do processo sócio-urbano, do parlamento e do executivo.A melhor política de intervenção urbana para o Centro de Fortaleza é uma combinatória de políticas urbanas. É preciso preservar o patrimônio existente, proporcionando-lhe as condições indispensáveis para a retomada de sua função tradicional ou desfrute estético por todos. Em alguns casos, redefinindo seu uso, noutros, intensificando a ocupação lúdico-cultural ou dotando-os de condições para funcionar como espaços de celebração pública. É preciso recuperar, e recuperar dentro de um plano que considere a totalidade da cidade, muitos dos equipamentos e edificações semi-destruídos, redesenhando sa geografia do centro com ousadia e criatividade, sempre com base no interesse público, no respeito ao meio ambiente e na preservação da memória.Nesse sentido, algumas ações se destacam como prioritárias e imediatas: a preservação do Cine São Luiz**, do Excelsior Hotel (como hotel residência), do Museu das Secas *** (com sua abertura à visitação pública), do prédio da Secretaria de Segurança (com nova finalidade), do prédio da 10ª Região Militar (Como Museu da Cidade); a recuperação do Prédio da Sociedade Artística Cearense (e sua entrega a outra entidade operária), do Teatro da antiga Emcetur (hoje fechado), do Prédio da Santa Casa e do próprio Forte de Nossa Senhora da Assunção (voltando ao seu desenho original); a construção da Avenida Parque Pajeú (com retirada da central atacadista do centro); a ligação do centro ao mar, com a transformação da Estação João Felipe e seus galpões num sistema de equipamentos culturais; a ligação entre as praças José de Alencar e Lagoinha (com a reordenação e dignificação do atual comércio ambulante ali mal instalado); a criação de um programa de moradia com a adaptação dos muitos prédios e sobrados hoje abandonados. Nunca é demais enfatizar: isso só será possível se a cidadania resolver tomar em suas mãos o destino da própria cidade. O ponto de partida é criar uma consciência preservacionista. Esperamos que esta exposição de fotografias sobre o Centro antigo* funcione como um grito de alerta e ajude a sensibilizar mentes e corações para a necessidade e a urgência desse desiderato.


Auto Filho
Secretário de Cultura do Estado do Ceará


* Exposição "O Centro Antigo de Fortaleza: Álbum de fotografias" realizada em 1997 por Nirez.
** O Cine são Luiz foi adquirido pelo SESC (agora SESC Luiz Severiano Ribeiro), e atualmente mantém a programação de cinema.*** O Museu das Secas foi tombado pelo IPHAN e encontra-se em reformas.

ESPECIAL ANIVERSÁRIO DE FORTALEZA: CONHEÇA NOSSA HISTÓRIA






Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção



O nome da cidade vem do fato de ter começado como uma vila nos arredores da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, antigo forte Schoonemborch, construído pelos holandeses às margens do Richo Pajeú em 1649 e "re-conquistado" pelos portugueses em 1654.
Apesar de já existirem inúmeros aldeamentos nativos e pequenos povoamentos de colonizadores, a primeira vila cearense foi criada pela carta régia de 13 de fevereiro de 1699, período em que o Ceará estava sob domínio de Pernambuco. A carta determinava a criação da vila mas não especificava onde deveria situar-se o pelourinho (símbolo da autonomia municipal).
Depois de muitas disputas entre "Vila Velha" (Barra do Ceará), a "Aldeia do Forte" (Fortaleza de N. S. Assunção) e Iguape (Aquiraz), o governador de Pernambuco determinou que este deveria situar-se junto à Fortaleza, estabelecendo-se assim, em 1700 a Vila de São José do Ribamar. Contudo, as disputas entre Fortaleza e Aquiraz para sediar a vila continuaram até 1726, quando em 13 de abril, foi definitivamente transferida para a "Aldeia do Forte". A data passou a ser o aniversário oficial da Cidade.
Fortaleza, foi crescendo ás margens do Riacho Pajeú. Durante muito tempo, Fortaleza continuou sendo uma cidade pequena. Em 1810, o Inglês Henry Koster, em viagem à Fortaleza, estimou a população da cidade em 1.200 habitantes. No dia 17 de março de 1823, por força de um decreto imperial, Fortaleza foi promovida à categoria de cidade. Nesse tempo, a cidade não possuía ruas pavimentadas. Não havia meio de transporte, a não ser os animais. Não havia serviço de água nem de iluminação pública - durante a noite, as ruas eram iluminadas apenas pela luz da lua. As casas se iluminavam graças ao azeite de peixe.
Entra então em ação o plano de urbanização engenheiro Silva Paulet, que incluía a retificação das ruas para uma expansão disciplinada. A partir daí, vias públicas passaram a obedecer o novo sistema: rigorosamente paralelas e cortando-se em ângulo reto. As casas de taipa passaram a ser gradativamente substituídas pelas de alvenaria e tijolo, e os primeiros parapeitos somente surgiram por volta de 1840.
Naquele tempo, Fortaleza se resumia ao atual centro da cidade, e de fato, ainda hoje é possível observar no centro e bairros vizinhos, a regularidade das ruas, sempre paralelas ou perpendiculares. A única exceção é o trecho da rua Sena Madureira (Continuação da Rua Conde d'Eu), um dos primeiros logradouros da cidade (ainda do período colonial), cujas edificações seguiram a sinuosidade do Riacho Pajeú, que viu Fortaleza nascer e hoje está canalizado, poluído e esquecido pela população.
Somente em 1848, quando Fortaleza tinha por volta de 5.000 habitantes, foi instalada a iluminação pública, a azeite de peixe, e somente em 1867 a cidade passou a contar com uma iluminação pública a hidrogênio carbonado.
Em 1863, segundo levantamento do Senador Pompeu, Fortaleza tinha cerca de 16.000 habitantes, distribuídos em 906 casas e 80 sobrados. O recenseamento de 1872 apontava 21.372 habitantes, em 4.380 casas e 1178 casebres.
Somente em 1880, coincidentemente ano de inauguração da Estação Central João Felipe, teve início o serviço de transporte público coletivo - Privilégio de Tomé A. da Mota, proprietário da Ferro Carril do Ceará, empresa que colocou a disposição dos fortalezenses 25 bondes a tração animal (puxados por burros), que só seriam substituídos pelos bondes elétricos da Caerá Light and Tamways Power Co., em 1913. Os primeiros telefones datam de 1883, serviço prestado pelo comerciante Confucio Pamplona, cujo escritório situava-se na Rua Major Facundo, 59.
Em 1895, Antônio Bezerra descreve Fortaleza como uma cidade de 985.000 km² com 54 ruas no sentido Norte-Sul, 27 ruas no sentido nascente-poente e 14 praças. O senso de 1900 aponta uma população de 48.369 habitantes.
Nos anos de 1920, Fortaleza começa a sofrer uma expansão rumo ao leste, para a "Aldeiota" e para a Praia do Meireles. Na "Aldeiota" começam a surgir residências grandes, modernas e em lotes maiores que abrigavam as famílias mais abastadas. No início, a Aldeota acompanhava a Av. Santos Dumont e extendia-se até onde hoje fica a Av. Barão de Studart - ponto onde final da linha do bonde. No Meireles foram erguidas as sedes dos clubes sociais da alta sociedade, como o Náutico, o Clube Ideal, Clube dos Diários, entre outros.




Ceará de Luz - História e Cultura do Ceará

terça-feira, 7 de abril de 2009

Conheça as decisões do Encontro do G-20 em Londres

Pacote de 1,1 biliões de dólares para recuperar a economia

O G20 acordou a criação de um pacote de 1,1 biliões de dólares (818 mil milhões de euros) que chegará à economia mundial através do Fundo Monetário Internacional (FMI) e de outras instituições. Com este plano e os pacotes de estímulo fiscal de cada país, o G20 conta injectar cinco biliões de dólares (3,71 biliões de euros) na economia até 2010.

Mais regulação para o sector financeiro

Os líderes mundiais acordaram reforçar a regulação do sistema financeiro para recuperar a confiança dos investidores. A decisão abarca ‘hedge funds' e as agências de ‘rating'.

Limitar os salários dos executivos

Para evitar novos escândalos como a AIG, o G20 celebrou um acordo no sentido de impor limites aos salários dos executivos, bem como aos riscos assumidos pelo sector financeiro.

Promover o comércio internacional e combater o proteccionismo

O G20 avançou com um apoio de 250 mil milhões de dólares ao comércio internacional e promoveu a mensagem de que o proteccionismo não é o caminho para combater a crise.

Divulgar uma lista negra de Paraísos Fiscais

Será publicada uma lista negra de Paraísos Fiscais, uma reacção aos problemas causados por sociedades ‘offshore' durante esta crise financeira.

Agendada uma nova reunião do G20

Para avaliar o andamento das medidas tomadas em Londres, o grupo das 20 maiores potencias mundiais vai encontrar-se novamente ainda este ano.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A intrusa chamada Apple


Com o crescimento dos smartphones, empresas de software roubam espaço e as receitas que até pouco tempo pertenciam às operadoras de telefonia celular

A batalha das operadoras pela liderança no mercado brasileiro de telefonia móvel foi, durante muito tempo, repetitiva e monótona, com praticamente os mesmos competidores e poucas variações de concorrência. As empresas alternavam posições no mercado seguindo a tradicional tática para conquistar clientes: oferecer o modelo mais moderno de celular e reduzir as tarifas. Quem conseguisse equilibrar os dois fatores teria, em tese, mais chance de se posicionar na liderança. Recentemente, a disputa ficou menos óbvia. O quarteto Claro, Oi, TIM e Vivo ganhou competidores que não vêm do setor de telecomunicações. Agora, são empresas de tecnologia e internet que desafiam a posição confortável das operadoras também em software, vídeos e músicas que rodam no celular.
Não faz tanto tempo assim que as operadoras viviam no que se convencionou chamar de "jardim murado". A expressão era usada para descrever o ambiente fechado criado pela AOL. O modelo pregava uma regra muito simples: todo e qualquer conteúdo oferecido na AOL tinha de ser aprovado pela empresa. O sistema funcionou muito bem durante os anos 90, mas não resistiu à expansão da web aberta - e a queda do muro quase representou o fim da AOL. As operadoras celulares sempre tiveram privilégios semelhantes. Fornecedores de conteúdo ou de software tinham de pagar pedágio para chegar até a telinha dos usuários. Mas, agora, esse modelo está em xeque. O maior exemplo dessa mudança na concorrência é a Apple. A empresa tornou-se uma grande distribuidora de conteúdo, alavancada pela loja móvel App Store - que traz hoje mais de 25 000 tipos de programa, muitos deles gratuitos, que podem ser baixados para o iPhone. Criada em julho do ano passado, a loja já contabiliza mais de 800 milhões de downloads. Em outras palavras: o poder de escolha que estava nas mãos das operadoras está evaporando rapidamente.


Por Camila Fusco - Da Revista Exame direto para o Mensageiro da Realidade

sábado, 4 de abril de 2009

A Inigualável Paixão de Jesus Cristo

Se os cristãos não fossem tão familiarizados com estas coisas, devido aos 2000 anos de tradição e liturgia, eles poderiam sentir quão absolutamente improvável seria que a morte de Jesus se tornasse a base de uma fé mundialmente transformadora. Como poderia um convicto, condenado e executado pretendente ao trono de Roma desencadear, nos três séculos seguintes, um poder para sofrer e para amar, que modelaria o império?
A resposta cristã é que a paixão de Jesus Cristo foi absolutamente única, e sua ressurreição dentre os mortos, três dias após, foi um ato de Deus para confirmar o que sua morte consumou. A singularidade não está necessariamente no tamanho ou intensidade da dor física. Ela foi inefavelmente terrível. Mas eu não gostaria de minimizar os horrores de outros que também morreram horrivelmente. A singularidade descansa em outro lugar.
Divindade Inigualável
A paixão de Jesus Cristo foi única porque ele era único. Quando perguntado “És tu o Cristo [=Messias], Filho do Deus Bendito[=Deus]?”, Jesus disse “Eu sou”. Era uma afirmação quase inacreditável. Esperava-se que o Messias fosse poderoso e glorioso. Mas ali estava Jesus, pronto para ser crucificado, dizendo abertamente o que ele freqüentemente apontava durante seu ministério: Eu sou o Messias, o Rei de Israel . Ele falou abertamente no exato momento em que havia menos chances de ser acreditado. E então, ele adiciona palavras que explicam como um Cristo crucificado reinaria como Rei de Israel: “Vereis o Filho do homem assentado à direita do poder de Deus, e vindo sobre as nuvens do céu” (Marcos 14.62). Em outras palavras, ele espera reinar à direita de Deus e algum dia voltar à Terra em glória.
Ele era mais que um mero homem. Não menos. Ele era, como o antigo Credo de Nicéia diz: “verdadeiro Deus de verdadeiro Deus”. Cristo existia antes da criação. Ele é co-eterno com Deus o Pai. Ele não foi criado. Não houve um ponto quando ele não existia. Desde a eternidade, antes do princípio dos séculos, Deus existe com uma essência divina em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Este é o testemunho daqueles que o conheciam e escreveram textos inspirados por Ele para explicar quem Ele é.
Por exemplo, o apóstolo João refere-se a Cristo como o “Verbo” e escreve:
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez... E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. (João 1.1-3,14)
O próprio Jesus disse coisas que só fazem sentido se ele fosse ao mesmo tempo Deus e homem. Por exemplo, ele perdoou pecados: “Filho, perdoados estão os teus pecados” (Marcos 2.5). Este tipo de atitude foi o que finalmente o matou. A resposta furiosa era compreensível: “Por que diz este assim blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus?” (Marcos 2.7).
É uma reação compreensível. C.S. Lewis, o professor britânico que escreveu clássicos infantis e excelentes defesas do Cristianismo, explica: “Se alguém me rouba dois quilos numa balança, pode ser possível e é razoável para eu dizer: ‘Bem, eu perdôo ele, nós não falaremos mais sobre isso'. O que você diria, se alguém tivesse roubado de você os dois quilos, e eu dissesse: ‘Está tudo bem. Eu o perdôo'?” [1] . Pecado é pecado porque é contra Deus. Se Jesus não era um lunático, então ele perdoou pecados contra Deus porque ele era Deus.
Isto é o que suas palavras e ações apontavam. Uma vez ele disse: “Eu e o Pai somos um”, o que quase o levou a ser apedrejado (João 10.30-31). Em outra ocasião, ele diz: “antes que Abraão existisse, Eu sou” (João 8.58). As palavras “Eu sou” não sinalizam apenas sua existência antes de Abraão, que viveu 2000 anos antes, mas também se referem ao nome que Deus deu a si mesmo no Antigo Testamento. “E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós” (Êxodo 3.14).
Jesus previu sua própria traição como se soubesse o futuro tanto quanto o passado, e então explicou o que isto significava com outra afirmação assustadora: “Desde agora vo-lo digo, antes que aconteça, para que, quando acontecer, acrediteis que Eu sou” (João 13.19). Jesus era o “EU SOU” – o Deus de Israel, o Senhor do Universo em forma humana. Este é o porquê a sua paixão é sem paralelos. Somente a morte do divino Filho de Deus poderia consumar o que Deus pretendia fazer por esta morte. Inocência Inigualável
A paixão de Cristo também foi única porque ele era totalmente inocente. Não apenas inocente dos crimes de blasfêmia e rebelião, mas de todo pecado. Ele perguntou certa vez aos seus inimigos: “Quem dentre vós me convence de pecado?” (João 8.46). O que quer que pensassem, eles sabiam que não havia nada contra Jesus. Seu discípulo, Pedro, que sabia seu próprio pecado tão bem, disse que a morte de Jesus foi a morte “de um cordeiro imaculado e incontaminado” (1 Pedro 1.19). A recusa de Jesus em lutar contra a forma como ele foi injustamente condenado e morto fortaleceu a convicção de seus seguidores de que ele era sem pecado.
Pedro expressou isto depois: “O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano. O qual, quando o injuriavam, não injuriava, e quando padecia não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente” (1 Pedro 2.22-23). A razão da morte de Jesus levar todos os sacrifícios judaicos de animais a um fim é que ele se tornou o próprio sacrifício definitivo e “se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus” (Hebreus 9.14). Sua morte foi inigualável porque ele não tinha pecado. Desígnio Inigualável
A paixão de Cristo foi sem paralelos na história humana porque ela foi planejada e predestinada por Deus, para nossa salvação. Apesar de toda a controvérsia sobre quem realmente matou Jesus, a verdade mais profunda é: Foi Deus quem planejou e viu o que iria acontecer. Quando os terríveis eventos aconteciam na noite antes dele morrer, Jesus disse, “Tudo isto aconteceu para que se cumpram as escrituras dos profetas” (Mateus 26.56). Todos os detalhes, desde o fato de terem lançado sortes por suas vestes (João 19.24) e ser perfurado por uma lança, ao contrário de quebrarem suas pernas (João 19.36) – tudo isto foi planejado pelo Pai e predito nas Escrituras.
A igreja primitiva resumiu isto em sua pregação: “Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel; para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer” (Atos 4.27-28). A verdade de que Deus enviou seu Filho para morrer é central ao cristianismo. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16). A morte de Jesus foi única porque havia um único Filho e um único plano divino para salvação. Autoridade Inigualável na Morte
A paixão de Cristo foi única também porque Jesus não somente se submeteu desejosamente ao plano de seu Pai (“Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua” Lucas 22.42); ele também o abraçou e prosseguiu por sua própria autoridade divina. Uma das mais emocionantes palavras ditas por Jesus foi sobre sua morte e ressurreição: “Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai” (João 10.17-18). Ninguém jamais falou sobre sua vida e morte desta forma. O grande testemunho do Novo Testamento é que a controvérsia sobre quem matou Jesus é irrelevante. Ele escolheu morrer. Seu Pai ordenou. Ele aceitou. Um ordenou todas as coisas, o outro obedeceu. A autoridade estava nas mãos de Deus. E estava nas mãos de Jesus. Porque Jesus é Deus. Significado Inigualável para o Mundo
Finalmente, a paixão de Cristo foi inigualável porque foi acompanhada de eventos únicos, cheios de significado para o mundo. Primeiro, temos as palavras de incomparável amor e autoridade na cruz. Nenhum homem crucificado, morrendo em agonia, falaria como Cristo. Um dos ladrões, que estava crucificado com Jesus, finalmente arrependeu-se e disse, desesperadamente: “Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino”. Que momento para ver um reino ser estabelecido! Jesus não o corrigiu. Ao contrário, ele disse “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lucas 23.43). Esta era a voz de quem decide onde os ladrões passarão a eternidade.
O ladrão não foi o único que recebeu a misericórdia de Cristo enquanto ele morria. Jesus olhou para aqueles que o crucificaram e disse “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23.34). Eles poderiam fazê-lo sangrar e gritar, mas não poderiam fazê-lo odiar.
E quando o momento de sua morte estava próximo, Jesus gritou “Está consumado!” e, inclinando a cabeça, entregou o espírito (João 19.30). Com essas palavras, ele quis dizer mais que “minha vida acabou”. Ele quis dizer “cumpri plenamente o trabalho redentor que meu Pai me enviou para fazer”. Uma vida inteira de obediência imaculada a Deus, seguida de um sofrimento horrendo e morte – o motivo pelo qual ele veio. Estava consumado.
O significado do que ele consumou foi simbolizado por um surpreendente evento em Jerusalém. No lugar santíssimo do templo judeu, onde somente o sumo-sacerdote poderia ir e encontrar Deus uma vez por ano, a cortina se rasgou quando Jesus morreu. “E Jesus, clamando outra vez com grande voz, rendeu o espírito. E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo” (Mateus 27.50-51). O significado disto: quando Jesus morreu – quando sua carne foi rasgada – Deus rasgou (de alto a baixo) a cortina que separava as pessoas ordinárias de Si mesmo. A morte de Jesus abriu o caminho para o mundo ter uma íntima, santa, pessoal, perdoada e alegre comunhão com Deus. Nenhum mediador humano é necessário. Jesus abriu o caminho para o acesso direto a Deus. Ele se tornou o único Mediador necessário entre os homens e Deus. A igreja primitiva disse “Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne... Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé”. (Hebreus 10.19-22). Cumprimento Inigualável
O trabalho de redenção foi terminado. O preço da reconciliação entre Deus e o homem foi pago. Agora somente restava a Deus confirmar a consumação ressuscitando Jesus dos mortos. Esta é a forma que Jesus predisse e planejou. Mais de uma vez, ele disse: “Eis que subimos a Jerusalém, e se cumprirá no Filho do homem tudo o que pelos profetas foi escrito; pois há de ser entregue aos gentios, e escarnecido, injuriado e cuspido; e, havendo-o açoitado, o matarão; e ao terceiro dia ressuscitará” (Lucas 18.31-33).
Aconteceu três dias depois (partes de dias são consideradas como dias: Sexta, Sábado e Domingo). No começo da manhã de domingo ele se levantou dos mortos. Por quarenta dias apareceu numerosas vezes aos discípulos antes de sua ascensão ao céu. O médico Lucas, que escreveu o livro que leva seu nome, disse que “Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando das coisas concernentes ao reino de Deus” (Atos 1.3).
Os discípulos demoraram a crer no que realmente havia acontecido. Não havia precedentes. Eles eram pescadores terrenos. Eles sabiam que pessoas não se levantam dos mortos. Ao ponto de Jesus insistir em comer peixe para provar-lhes que não era um fantasma.
“Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. E, dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E, não o crendo eles ainda por causa da alegria, e estando maravilhados, disse-lhes: Tendes aqui alguma coisa que comer? Então eles apresentaram-lhe parte de um peixe assado, e um favo de mel; o que ele tomou, e comeu diante deles.” (Lucas 24.39-43).
Não foi a ressurreição de um cadáver. Foi a ressurreição do Deus-Homem, para uma indestrutível nova vida de majestade à destra de Deus. A igreja primitiva o aclamou como Senhor do Céu e da Terra. Eles diziam “Havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas” (Hebreus 1.3). Jesus terminou o trabalho inigualável que Deus lhe deu para fazer, e a ressurreição foi a prova de que Deus ficou satisfeito.

por John Piper

NOTAS:
[1] - C. S. Lewis, “What Are We to Make of Jesus Christ?” em C. S. Lewis: Essay Collection and Other Short Pieces, ed. Lesley Walmsley (London : HarperCollins, 2000), 39.
Traduzido por: Josaías Cardoso Ribeiro Jr. Revisado por: Felipe Sabino de Araújo Neto

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Chip de grafeno poderá atingir 1.000 GHz




Se alguém duvida do potencial do grafeno para revolucionar a eletrônica, basta ver que esse material já foi utilizado para demonstrar os melhores transistores já fabricados, aí incluídos o mais rápido, o menor e o mais fino desses componentes que são a base de toda a eletrônica.
O grafeno é um material feito unicamente de carbono, com apenas um átomo de espessura, dispostos em um formato que lembra uma tela de galinheiro. Uma folha de grafeno enrolada resulta em um nanotubo de carbono.
Chip de grafeno
Agora, pesquisadores do MIT deram um passo adiante e fabricaram um chip experimental de grafeno. Embora ainda feito em escala de laboratório, o chip de grafeno demonstra a possibilidade do uso do material com as tecnologias padrão da indústria de semicondutores.
Segundo os pesquisadores, um chip de grafeno poderá estar disponível industrialmente em um ano ou dois.
Multiplicador de frequência
O chip de demonstração é um multiplicador de frequências, um dispositivo largamente utilizado em sistemas de comunicações de rádio e outras aplicações sem fio.
Um multiplicador de frequências é um dispositivo capaz de receber um sinal elétrico de determinada frequência - por exemplo, o sinal de clock que determina a velocidade de funcionamento dos processadores - e produzir um outro sinal que é um múltiplo desse sinal de entrada.
Os atuais multiplicadores de frequência exigem múltiplos componentes eletrônicos, o que gera sinais de saída com ruídos, que exigem filtros e consomem muita energia.
Chip de 1.000 GHz
O chip de grafeno, por sua vez, utiliza um único transístor e produz um sinal de saída limpo que dispensa os circuitos adicionais de filtragem.
"É muito difícil gerar altas frequências, acima de 4 ou 5 gigahertz, mas a nova tecnologia de grafeno poderá levar a sistemas viáveis na prática na faixa de 500 a 1.000 gigahertz," diz o professor Tomás Palacios, que ajudou a desenvolver o chip.
Na sua primeira versão, o chip de grafeno gera frequências que são o dobro da frequência de entrada. Mesmo neste estágio, contudo, eles podem ser colocados em série para produzir frequências de saída muito mais altas do que as que são possíveis atualmente.


Bibliografia: Graphene Frequency Multipliers Han Wang, Daniel Nezich, Jing Kong, Tomás Palacios Electron Device Letters May 2009 Vol.: In Press

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Tecnologia: Sites de busca do futuro trarão respostas e não páginas com respostas




Um dia, em um futuro não muito distante, você digitará o tema de seu interesse no formulário de pesquisas de um mecanismo de busca e, em vez de receber uma listagem com páginas que contenham assuntos relacionados à sua questão, você receberá apenas a resposta.
Com essa funcionalidade, será possível fazer as pesquisas por meio de perguntas diretas e obter respostas diretas. Um exemplo poderia ser: "Quem fez a voz do Yoda no filme Guerra nas Estrelas?" e a resposta viria direta: "Frank Oz."
Respostas sutis
Mas isto é só o começo. Você poderá perguntar coisas sutis, como "O que os brasileiros acham do SUS?" e o mecanismo de busca montará um relatório estatístico indicando tendências nas opiniões com base nas notícias e artigos postados na Web.
Os mecanismos de buscas serão capazes até mesmo de distinguir entre ficção e fatos da vida real, de acordo com Weiyi Meng, professor de computação da Universidade de Binghamton, nos Estados Unidos, que está desenvolvendo esta nova tecnologia.
Deficiências dos mecanismos de busca
Meng acredita que há uma falha básica na forma como os mecanismos de busca como o Google ou o Yahoo foram concebidos. Para ele, a Web é formada por duas partes, uma superficial e outra profunda.
A superfície da Web é formada por algo em torno de 60 bilhões de páginas. Mas a Web profunda é muitas vezes maior, chegando hoje a quase 1 trilhão de páginas, segundo cálculos do pesquisador.
"A maioria das páginas da Web profunda não são diretamente indexáveis. Nós queremos conectar a pequenos mecanismos de busca e atingir a Web profunda. Muitas pessoas têm o conceito errado de que o Google pode pesquisar tudo e, se algo não estiver lá, então esse algo não existe. Mas nós somos capazes de capturar muitas vezes mais do que o conteúdo que o Google usa em suas pesquisas," diz Meng.
Metabusca
Os novos algoritmos de busca de Meng e seus colegas rodam em uma plataforma muito parecida com os conhecidos sistemas de metabusca, que juntam resultados dos principais mecanismos de buscas para compor um resultado único.
Mas aí reside também a principal diferença. Em vez de compilar pesquisas feitas nos grandes mecanismos, que Meng afirma serem insuficientes, sua ideia é utilizar as ferramentas de procura embutidas na maioria dos sites.
Essas caixas de buscas, disponibilizadas pelos mantenedores de cada site, estão sempre atualizadas porque são capazes de fazer pesquisas nas informações que são colocadas no site em tempo real. Já o Google, por exemplo, afirma que não se compromete em indexar todas as páginas de cada site e, ainda que indexe, o seu robô leva dias ou até semanas para atualizar seu índice com as novas informações.
O protótipo do sistema, chamado Webscalers, está rodando em fase de testes unificando os 64 campi da Universidade do Estado de Nova Iorque.


Site Inovação Tecnológica

quinta-feira, 26 de março de 2009

25 de Março: Dia do Maracatu Cearense
















(...) Ô Maria, chama o pessoal, o nosso maracatu, ô Maria, já vai começar... O terreiro tá em festa, hoje é noite de luar, quero ver você, ô Maria, maracatucar, ô, maracatucar, ô, maracatucar.










Marcos Gomes sobe na cadeira para trocar a lâmpada dentro da sede do grupo Maracatu Az de Ouro, enquanto lá fora, na calçada-palco da rua Edete Braga, alguém alinha os fios e mexe nos botões da mesa de som. São quase 7 da noite, horário previsto para o ensaio de domingo. Maracatu ou cambinda, termo da linguagem banto que significa “ir adiante, ir além”, “dança”, “batuque”, entre outras definições, é um cortejo – dança dramática – que re-interpreta os impérios portugueses e as reinages francesas (instituições tradicionais da Europa que coroavam anualmente seus reis), convergindo às tradições africanas. Deriva das nações do Rei do Congo e do Alto do Congo. A instituição Rei do Congo, criada na segunda metade do século 17, tinha por finalidade executar a parte administrativa e a representação do ato dos congos (teatro, música e dança). Os escravos coroavam seus reis e rainhas às portas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, em Recife, e à frente da igreja homônima (construída no século 18) em Fortaleza, na praça dos Leões.
Maracatu Az de Ouro. Foto - acervo Afrânio Rangel & Casa da Memória EquatorialO Az de Ouro foi fundado em 1936 pelo tecelão cearense Raimundo Alves Feitosa. “Boca Aberta”, como era conhecido, voltou de Recife – onde trabalhara por três anos – com a idéia de criar o seu próprio maracatu. No Carnaval de 1937, em Fortaleza, o Az de Ouro desfilaria na avenida Domingos Olímpio com 42 participantes, usando adereços de morim e renda, costurados pela irmã de Feitosa e pelo alfaiate, e também fundador, Raimundo Nêgo. Pessoas começam a se aproximar. Um senhor de barba branca recebe os cumprimentos dos amigos: é o Juca do Balaio, brincante mais antigo do Az de Ouro. “Eu funciono com o maracatu desde 1940. Tenho 82 anos e ainda levo esse barco pra frente.” Juca narra a história do grupo, os desafios, a evolução. Lembra da facilidade que Raimundo Feitosa tinha para compor letras: “Numa conversa da gente, ele criava uma loa. Depois eu fiquei com esse espírito dele, fazendo o mesmo trabalho”. Juca é o ancião – todos fazem questão de ir até ele e ouvir suas palavras.
Balaieiro - Xilogravura: JoãoPedro do Juazeiro do Norte Balaio é o chapéu de frutas que o personagem (balaieiro) de Juca leva na cabeça durante as apresentações. Simboliza a fertilidade da terra: “O que a gente leva de fruta representa também o que os escravos levavam, porque naquela época não existia transporte, nem nada. Eles levavam na cabeça o balaio de fruta para vender nas casas, nas cidades. Eram os vendedores de frutas chamados ‘pregoeiros da liberdade’”. O ator Sílvio Gurgel lembra que, há muitos anos, quando terminavam os desfiles, os participantes do cortejo tiravam todas as frutas e comiam, “mas hoje não, porque o balaio é feito de plástico para ficar mais leve e mais prático”. O grupo de Feitosa não foi o precursor do maracatu em Fortaleza, vez que no final do século 19 já havia registros da dança narrados pelo escritor Gustavo Barroso (1888-1959). No livro Coração de Menino, de 1939, ele conta suas lembranças juvenis dos maracatus do Outeiro e do morro do Moinho, que desciam para a cidade em “filas de negros cobertos de cocares escuros, com saiotes de penas pretas, dançando e cantando soturnamente ao som dos batuques e maracás”. Essa constatação, no entanto, não exclui o papel do “Boca Aberta” no incremento do maracatu cearense. Durante décadas, o grupo Az de Ouro saiu apenas com homens, já que, segundo Feitosa (no jornal O Povo, 13 de maio de 1995), “as mulheres brincavam nos blocos delas, nos blocos das moças”. Dessa forma, os homens, não obstante o preconceito, travestiam-se para representar os personagens femininos. Ele mesmo, além de macumbeiro (quem inventa e canta as músicas), foi também rainha do Az de Ouro. Atualmente, homens e mulheres participam dos desfiles.
Foto: divulgação. Espetáculo Rei Leal Na roda de prosa estão presentes o ator Beto, que há três anos faz o espetáculo Auto do Rei Leal, uma adaptação de Shakespeare que utiliza a estética do maracatu, e o músico Brenner, cuja banda Vigna Vulgaris estabelece a fusão de rock com a célula rítmica do Az de Ouro. Cada um assimila a mensagem do folguedo à sua maneira, transplantando-o para outras vertentes artísticas. É lá no bairro Jardim América, numa rua estreita e escura, que a tradição popular floresce. O ritmo do maracatu cearense era semelhante ao coco, rápido, mas a partir de 1950 ganhou lentidão e dolência. Caixas, bumbos, chocalhos e o triângulo de ferro fazendo o repinique: um som seco e alto, semelhante ao atrito de espadas. É essa cadência arrastada a mais marcante do Ceará, embora varie em alguns grupos, gerando controvérsias quanto à ruptura das tradições. Feitosa dizia que a batida mais lenta e mais requebrada era “para as baianas ficarem requebrando mais bonito no meio da rua”. Outra característica da solenidade cearense é a pintura do rosto “para a gente ficar bem mais escuro, mais parecido com as negras escravas, vindas da África”. As tintas do Az de Ouro ainda hoje são confeccionadas em processo artesanal – mistura de pó de lamparina, talco sem perfume e vaselina – porque, conforme explica Juca do Balaio, “as tintas industriais são muito secas”.
Foto: divulgação. banda Maracatu Vigna VulgarisPara o cineasta e escritor Rosemberg Caryri, a pintura do rosto é curiosa: “Na nossa cultura, nós tivemos um contingente de escravos negros pequeno em relação aos outros Estados. Isso faz com que os caboclos, os mestiços pobres da periferia, se pintem de negro, ‘sofrendo’ essa saudade da África mítica”. Em 1979, pelo decreto municipal da gestão de Lúcio Alcântara, o 13 de maio passou a ser oficialmente o Dia do Maracatu, aludindo à data de abolição do escravismo no Brasil. Sabe-se, todavia, que o Ceará já havia declarado a extinção desse sistema em 1884. Sete e meia, o batuque (bateria) é formado e os vizinhos sentam ao redor, nas calçadas, para assistir ao ensaio. O comerciante José Augusto trouxe a família para acompanhar: “É apaixonante.” A fila do ritmo começa com o triângulo, depois vêm a caixa e o surdo. São cerca de vinte instrumentistas. Logo, as dançarinas se posicionam. Ensaiam passos e coreografias. Algumas crianças tentam imitar. Atrás do microfone, Alê S. pede mais ânimo: “A gente não escutou a galera cantando o refrão. É muito importante o batuque cantar porque fica o conjunto completo”. No ensaio de domingo estão apenas as baianas, o batuque e o maculelê. Mas, quando figuram na avenida, o cortejo cresce e é dividido em alas. Na corte real, a rainha é a figura principal, expressando a predominância do primitivo domínio da mulher na formação familiar africana. O rei e a rainha são protegidos pelo pálio ou chapéu de sol, de cores vistosas (herança da África Setentrional). Completam a corte: príncipe, damas de honra, embaixadores, vassalos, damas do paço e baianas. Lampiões (combinação mista de herança da liturgia católica, das procissões, culto ao fogo e estilização do archote) iluminam o caminho, envolvendo a dança. A ala das negras inicia com a calunga, uma pequena boneca vestida de baiana: símbolo da sobrevivência totêmica das tribos e nações africanas escravizadas no Brasil. Silvio Gurgel assinala que é “como se fosse a filha de todo o maracatu”. No livro Folguedos Natalinos - Maracatu, o folclorista alagoano Theotônio Vilela Brandão (1907-1981) afirma que a calunga também fora denominada Santa Bárbara. Nas reinages e impérios, era costume levar na mão ou em charola a imagem do santo padroeiro para esconder o nome de Xangô, orixá dos raios, o qual denomina os cultos negros do Nordeste. Por isso, o pesquisador alagoano, em seu livro, incluiu o maracatu nos autos de Natal.
Coroação de uma Rainha Negra. Xilogravura: João Pedro do Juazeiro do Norte O ápice do cortejo acontece quando o rei e a rainha são coroados: uma possível rememoração do coroamento da rainha Ginga, soberana negra de Angola que combateu os colonizadores portugueses. As negras saem em fileiras, solicitando individualmente a “bênção real”. Depois voltam e continuam dançando. Durante a coreografia, a baiana Malu abre os braços em sinal de agradecimento. Ela diz que é uma “reverência à Oxalá”. Muito satisfeita, conta que o ensaio também lhe serve de “terapia contra o estresse da rotina”. Outra brincante da ala das negras, a pedagoga e pesquisadora Denise Azevedo, diz que conheceu o maracatu através dos seus alunos. Mesmo assim, afirma ter sido prejudicada pela direção da escola em que lecionava, pois esta não via o maracatu com bons Outra presença marcante no cortejo é a ala dos índios. O Ceará teve muita mestiçagem entre as culturas tapuia e ibérica: a chamada “civilização do couro”. “Houve no período colonial o encontro do negro com o índio. O negro que fugia para os quilombos muitas vezes encontrava os índios no sertão, lá no fundo, e passava a conviver”, explica Rosemberg Caryri, que executa diversos trabalhos de pesquisa e resgate da cultura popular nordestina: filmes, textos e gravações de CDs, como o Maracatus & Batuques (coleção Memória do Povo Cearense, volume V). Seu filho, Petrus Caryri, segue o exemplo. É dele o documentário Maracatu Fortaleza, de 2003. O filme traz depoimentos das principais autoridades “maracatuzeiras”, alternados com imagens de cortejos. Há pouco, no intervalo, alguém havia reclamado que o ritmo estava acelerado. Um fusca amarelo interrompe provisoriamente o ensaio. O batuque e as baianas abrem espaço para o carro atravessar, mas logo retornam. Pingo de Fortaleza acompanha o batuque com seu violão. Do palco-calçada, sugere que respondam ao refrão olhando para o céu, para incrementar a dramatização. Um grupo de capoeira comparece atrás do batuque. Cada componente porta dois pedaços de pau. Não, a intenção não é brigar, e sim dançar o maculelê. A Associação Palmares desfila com o Az de Ouro há quatro anos. “O maculelê também é uma dança afro-brasileira, e foi trazida para dentro da capoeira através do mestre Bimba”, afirma Ernesto, o mestre Índio. Inovação importante. “A gente vê que o ritmo daquele balançado tem tudo a ver com o maracatu”. Após alguns acertos e muitas loas, o ensaio termina, por volta das 9 horas da noite. Hora de guardar os instrumentos. Marcos Gomes pede voluntários para a fabricação de roupas, e avisa que precisa de fotos para a carteirinha das crianças. Ele preside o Az de Ouro desde 1993. Marcos pensa no maracatu para além do Carnaval: “Hoje, a idéia é transformar o maracatu em entidades socioculturais para trabalhar com a comunidade em todas as áreas: música, pintura e demais artes”.
Macumbeiro do Az de Ouro, 1967. Doação de Afrânio.Ano passado, o Az de Ouro desfilou na avenida com 280 pessoas. Em 2005, a participação aumentou em cerca de 10 por cento. “Os brincantes comparecem mais em época de Carnaval. Fora isso, a gente tem a necessidade de buscar as pessoas durante o ano inteiro.” Com a loa A Paz de Oxalá, a agremiação conquistou o terceiro lugar entre os oito maracatus que concorreram ao prêmio. Em Fortaleza, as agremiações carnavalescas são divididas em blocos, cordões, escolas de samba e maracatus. Nestes, os juízes observam seis quesitos: porta-estandarte, fantasia, balaieiro, rainha e batuque. Em sua história, o Az acumula dezoito títulos de Carnaval. Segundo Juca do Balaio, já tentaram excluir o maracatu das festividades de Momo, alegando ser “uma coisa muito lenta, que deveria estar apenas no dia do folclore”. Felizmente não vingou, continuando o maracatu a ostentar sua beleza na avenida. Os turistas e as pessoas da cidade prestigiam os desfiles sem economizar aplausos, fotos e sorrisos. “Quando eu comecei, o maracatu era bem pobrezinho, aí a gente foi melhorando a estrutura e hoje tem mais luxo, chama mais a atenção do público”, conta José Ferreira de Arruda, que há 46 anos sai como rainha do Az de Ouro. Há promessas de maior investimento para o Carnaval de 2006. No orçamento de 2003, a Fundação de Cultura, Esporte e Turismo de Fortaleza (a Funcet) captou 50.000 reais para suas atividades, inclusive o Carnaval. Quantia singela, se comparada aos 4 milhões investidos pela prefeitura de Recife em 2005. Erivaldo Casemiro, diretor da Funcet, afirma que há um projeto para fazer o Carnaval nas seis regionais da Grande Fortaleza, com bailes infantis e adultos. O orçamento previsto para 2006 é de 900.000 reais: “Estamos fazendo um plano para pré-Carnaval, Carnaval e pós. Iremos fazer oficinas de dança, música, figurinos e preparação de adereços”. Esse projeto tem a parceria da Funcet com a Federação das Agremiações do Ceará. Erivaldo afirma também que será feito o “resgate do Museu do Maracatu, com uma infra-estrutura necessária”. (...) Ô Virgem do Rosário, é chegada a hora, levanta a bandeira, vamos embora. Adeus, Cambimba, adeus, adeus, Cambimba, adeus... Raimundo Feitosa deixou herança singular na cultura cearense: pensou em algo diferente para desfilar na sua terra e conseguiu. “Hoje está todo mundo querendo criar um maracatu, e em toda parte que você anda só se fala em maracatu. Muita gente consegue êxito através do maracatu”, orgulha-se Juca do Balaio.










João Mauro é jornalista.










Do site da revista Caros amigos especialmente para o mensageiro da realidade.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Assombrações de Diamantina






Relatos sobre fantasmas e aparições eram tão comuns na cidade mineira, na virada do século XIX para o século XX, que chegaram a virar notícia em vários jornais locais. Embora sejam fantásticas, as lendas revelam a cultura e a história da região.
Os garimpeiros de Diamantina acreditavam que espíritos iriam aparecer e dizer onde estavam exatamente as pepitas de ouro e os diamantes. Mas para que isso acontecesse, era preciso que o minerador tivesse o coração puro
Muitos diamantinenses acreditam que o atraso da região do Alto Jequitinhonha, no nordeste de Minas Gerais, deve-se aos fantasmas de escravos que vagam por ali. De tanto sofrerem violências nas lavras de ouro e diamantes, as almas desses homens exerceriam uma espécie de maldição que impede o desenvolvimento econômico regional. As brutalidades do passado, sobretudo porque ainda não foram devidamente expiadas, teriam lançado Diamantina e as cidades vizinhas em uma condenação inelutável. A pobreza que assola aquelas terras seria a conseqüência da lenta reparação moral e religiosa necessária para pacificar uma multidão de espíritos que perambulam por aqueles confins.
Casos de aparições, eventos sobrenaturais e lugares mal-assombrados são comuns em qualquer ponto da Serra de Santo Antônio. Pertencem à tradição oral das comunidades, tanto rurais quanto dos núcleos urbanos regionais, chegando a entreter a imaginação dos turistas mais curiosos que visitam Diamantina.
Os contos fantásticos são meios para entender como os homens viam e pensavam o mundo
É comum na religiosidade popular os devotos fazerem “negócios” com os santos, exigindo bens e vantagens concretas em troca de orações e outras promessas
Em Diamantina, memorialistas escreveram sobre almas penadas que percorriam ruas, becos e caminhos situados nas alturas do Espinhaço Central. Narrativas fantásticas estão presentes nas obras de Helena Morley, Cyro Arno e Aires da Mata Machado Filho, escritas entre os anos de 1893 e 1945. A imprensa local também registrou números significativos de histórias de fantasmas e de eventos sobrenaturais ocorridos na região. Essas lendas apareceram em diversos jornais, ligados ou não à Igreja Católica, no final do século 19 e início do século 20. Um exame nas coleções de periódicos antigos, guardados na Biblioteca Antônio Torres, em Diamantina, revela um dado interessante: registros desse de assombrações concentraram-se nas primeiras décadas do século 20 e, em seguida, cessam-se rapidamente. Tal fato deixa algumas perguntas no ar: teriam sido os homens e mulheres diamantinenses do fim do século 19 e do início do 20 mais supersticiosos que os das décadas posteriores ou anteriores? Por que a elite letrada, que produzia os jornais, deu tamanha visibilidade para as histórias de fantasmas naquela época? Seria uma simples questão de simpatia pelos relatos populares?
Os historiadores da cultura local desconfiam que existe algo mais por trás dessa súbita e intensa atenção dos jornais e dos memorialistas pelas aparições de fantasmas em Diamantina. Além de tratar essas narrativas como documentos, os historiadores entendem que o insólito lança luz sobre os desejos, os temores, as angústias, os valores morais e as esperanças que movem os grupos sociais e as comunidades. Ao contrário de Afonso d’Escragnolle-Taunay, autor da conhecida obra Monstros e monstrengos do Brasil, o historiador de hoje não pretende distinguir o verdadeiro do falso. Atualmente, a preocupação é outra, e os contos fantásticos são vistos como meios para entender como os homens viam e pensavam o mundo. Lugares mal-assombrados, fantasmas, monstros, deformações, magia e malefícios integravam o mundo dos homens do passado, como ainda hoje têm presença no mundo atual, e representam estruturas mentais que moldam a cultura da região.

OS MORTOS NA CULTURA REGIONAL Nas áreas mineradoras de Diamantina, como em todo o Brasil escravista, uma religiosidade popular bastante típica resiste aos séculos. Ela parece, de um lado, querer humanizar Deus e os santos, tornando-os partícipes da vida dos devotos. Nesses lugares, era comum para essa gente fazer “negócios” com Jesus, Nossa Senhora e os santos, demandando bens e vantagens concretas. Quando o fiel julgava não ter sido atendido pelos céus, insultava, agredia e intimidava as imagens sagradas. Por outro lado, também havia espaço para o diabo, uma vez que as pessoas costumavam invocar o demônio para alcançar fins torpes. Dessa forma, na religiosidade popular de agricultores e mineradores, os santos e os demônios, que podiam ser chamados por palavras encantadas, estavam em toda parte. Feiticeiros, benzedores, rezadeiras e adivinhos espalhavam-se pelas vilas e povoados de Minas Gerais. Eram procurados pelas pessoas brancas e de cor, ricas e pobres. As mandingas e os calundus, tão comuns no século 18, realizados ao som dos atabaques, pandeiros e canzás, envolviam adivinhações, sortilégios, possessões, curas e folguedos.

A religiosidade popular nas áreas mineradoras, sob o impacto das contribuições culturais africanas, resultou na crença de que a alma dos mortos permanece próxima dos vivos. Entre o mundo incognoscível e a Terra, a fronteira não seria intransponível. Para os mineiros do passado, os mortos deveriam ser evocados pelos vivos e os espíritos dos mortos poderiam interferir no mundo cotidiano, o que freqüentemente ocorreria. Um exemplo dessa crença eram os “anjinhos”, as crianças que morriam antes de completar 7 anos. Acredita-se que as almas dessas crianças se transformam em anjos, que viram protetores dos familiares e amigos. Outro exemplo da influência dos espíritos sobre os vivos eram os exorcismos, como o caso da jovem possessa Mariana, ocorrido por volta de 1695, no Maranhão. E, é claro, havia os espíritos errantes dos mortos, as visagens que surgiam do nada. Nas áreas de mineração, circulavam inúmeras narrativas sobre almas penadas de pessoas que morreram em conseqüência de violências, traições ou que tiveram a vida marcada por sofrimentos, injustiças e humilhações. Eram espíritos atormentados em busca de reparações que abrissem as portas dos céus para eles.
A MOÇA E A VELAO conto de terror da “moça e a vela” é um dos mais famosos de Diamantina.
MISTÉRIOS DE FUNDO MORAL Um dos contos de terror mais famosos de Diamantina é o caso da “moça e a vela”. Certa vez, à meia-noite, uma moça que sempre passava as noites debruçada na janela, fitando a rua, foi abordada por um desconhecido trajando hábito branco e com uma vela acessa na mão. O homem saudou a moça, apagou a vela e entregou a ela, pedindo que guardasse até sua volta. A moça recebeu a vela, colocou- a sobre a cama e voltou para a janela. Ás duas horas da madrugada, o desconhecido retornou e pediu a vela. A moça foi buscá-la na cama, mas deparou com um esqueleto estendido. A caveira se ergueu e saiu voando pela janela, como se fosse uma pluma, diante dos olhos apavorados da moça.
Esse “conto religioso”, como denomina o historiador Câmara Cascudo, contém uma carga moral evidente. Mas há outras narrativas de fantasmas nas quais as mensagens morais são menos explícitas, como a da procissão de escravos, que ainda hoje circula entre moradores mais velhos de Diamantina. Eles contam a história de uma procissão de escravos e escravas, arrastando ruidosamente pesadas correntes, que sobe a Rua das Mercês até se dissolver na altura da igreja. Os moradores podem ouvir o som da estranha caminhada, porém somente vêem o cortejo das almas as pessoas que morrerão naquele mesmo ano.

Os diamantinenses sempre tomaram cuidado diante das forças sobrenaturais e temeram as aparições de fantasmas (ver box 2). Pelo sim pelo não, procuravam ser cautelosos com os fenômenos. Conforme registrou a escritora Helena Morley, menina de descendência inglesa que morava em Diamantina no fim do século 19: “Desde pequena sofri com a superstição de todos os modos. Se estivéssemos sentados à mesa em treze pessoas, sempre eu é que tinha de sair. Pentear o cabelo de noite, em nenhuma hipótese, pois se manda a mãe para o inferno. Varrer a casa à noite faz a vida desandar. Quebrar espelho traz desdita. Esfregar um pé no outro, andar de costas e outras coisas que não me lembro agora, tudo faz mal. O engraçado é que todos sabem que superstição é pecado, mas preferem levar o pecado ao confessionário a fazerem uma coisa que alguém diz que faz mal”.

No universo do garimpo, atividade dinâmica da economia do Alto Jequitinhonha, o sobrenatural possuía papel destacado. Os garimpeiros acreditavam que o sortilégio era o elemento essencial do ofício da mineração. Para determinar o lugar da boa cata, o garimpeiro lidava com sinais sobrenaturais, adivinhações e sonhos. Compreender o “jogo do rio” – a variação dos lugares por onde passou o leito do rio no passado geológico – era tão importante quanto interpretar corretamente os sinais oferecidos por sonhos e visagens. Espíritos de mortos diriam a pessoas humildes o lugar exato onde se escondiam ouro e diamantes. O diamante teria força energética sobre os homens: quanto mais farra o garimpeiro fizesse, mais pedras ele acharia. Para tirar diamante, seria preciso o minerador estar com o coração limpo. Do contrário, o diamante poderia estar ao lado da pessoa, mas ela cavaria no lugar errado. Os grandes diamantes também teriam dono certo, de maneira que não poderiam ser garimpados por mais ninguém. E, por fim, o que o diamante dava, ele tirava. É nesse pano de fundo de crenças seculares que os registros dos memorialistas e da imprensa de Diamantina devem ser analisados.
Nas áreas de mineração, circulavam inúmeras lendas sobre almas penas e espíritos atormentados, que entravam em contato com os vivos em busca de reparações
O LADRÃO QUE VIRAVA VASSOURA A escritora Helena Morley registrou em seu diário, no dia 29 de janeiro de 1893, o medo que os moradores da região sentiam por causa dos feitos de uma criatura tida como sobrenatural: “Está correndo na Boa Vista que anda por aí um ladrão muito malvado, que passou em Diamantina e os soldados não puderam pegar. Ele mata para roubar, e quando os soldados chegam, se é em casa, ele vira vassoura, cadeira ou outra coisa; se é no mato, ele vira cupim. Todos vivem apavorados”
Para retirar-se em paz desse mundo, o espírito do morto deveria dispor de tempo para acertar seus negócios terrenos
Em 14 de março do mesmo ano, Helena Morley voltou a escrever sobre esse misterioso ladrão, contando como ele havia escapado do povo do Rio Grande, transformando-se em cupim perto do Glória. Segundo a menina, o povo acreditava que o malfeitor deveria ter parte com o diabo. Mais do que isso, deveria se tratar de um espírito mal.
Outra manifestação sobrenatural envolvendo pessoas de Diamantina, foi o caso de um filho de Antônio Felício dos Santos, negociante de diamantes, industrial e primeiro presidente da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional. O rapaz, que falecera repentinamente em Diamantina, no mesmo dia e hora tocou a campainha da casa da família em Botafogo, no Rio de Janeiro. Apareceu para sua mãe e despediu-se dela. Assustada, a senhora desmaiou no mesmo momento. Fato semelhante ocorreu com um estudante diamantinense no Caraça. O moço faleceu no colégio e, enquanto seu corpo estava depositado na capela, apareceu ao superior, que no momento participava aos parentes sua morte, e fez recomendações. Essa aparição teria sido testemunhada por dom Viçoso, bispo de Mariana, e narrada por dom Francisco de Paula e Silva. Outro contato de fantasma teria acontecido na Festa do Rosário, de 1889. Uma voz que não a do celebrante entoou “glória”, sendo seguida pelo coro. A voz era do vigário falecido, o cônego Joaquim Alves de Campos.


A noção popular de justiça surge em narrativas de aparições associadas ao sucesso na mineração
Conforme os memorialistas e a imprensa de Diamantina, os espíritos manifestaram-se para o povo, tanto nas ruas como no campo, nas casas de famílias e nas igrejas, ora gerando pânico – como no caso anotado por Helena Morley –, ora deixando no ar doce mistério, sinal do poder do amor filial ou da vontade dos santos. Os casos das aparições dos moços repentinamente mortos longe de seus familiares indicam o valor que a sociedade de Diamantina atribuía à noção tradicional de “boa morte”. Para retirar-se em paz desse mundo, o espírito do morto deveria dispor de tempo para acertar seus negócios terrenos, cercar-se dos parentes e amigos nos momentos finais da vida, ser velado por muita gente após o falecimento, e ter missas rezadas por sua alma. Quando tais circunstâncias não ocorriam, o morto poderia reaparecer para os vivos e fazer recomendações ou assombrá-los.
Corria a lenda em Diamantina e nas cidades vizinhas que um ladrão que matava as suas vítimas nunca era pego pela polícia porqur tinha o dom de se transformar em certos objetos, como vassouras e cadeiras. Alguns acreditavam que ele tinha feito um pacto com o diabo; outros achavam que o malfeitor era um espírito mal
JUSTIÇA, MESMO QUE SEJA PÓSTUMA Uma notícia que reforça a crença de “boa morte” foi publicada pelo jornal A Idea Nova, em 29 de novembro de 1908. Intitulada “Alma do outro mundo. Si non é vero...”, a nota conta o caso que aconteceu em um lugar chamado Chácara das Bicas, célebre porque lá Joaquim Felício dos Santos escreveu o projeto do Código Civil. Em 1892, ocorreu ali um crime e, em 1896, a Câmara Municipal adquiriu aquela casa para abrigar pacientes portadores de varíola, sendo que alguns deles foram enterrados na horta da chácara. O jornal conta que, na época da notícia, essa casa era habitada por José Bastos, que relatou que quando ele saiu de casa às 19 horas, uma mulher de estatura baixa apareceu, disse que se chamava Maria, que morreu “de bexiga”, e havia sido enterrada naquele lugar. A mulher pediu a José Bastos que ele mandasse rezar uma missa por ela.
A aparição contada por José Bastos reitera que as pessoas que tiveram vida sofrida, ou que experimentaram enormes humilhações, corriam o risco de virar almas penadas. Os diamantinenses acreditavam que a salvação dessas almas dependia da influência dos vivos, da comiseração dos cristãos em mandar oficiar missas e novenas em intenção desses espíritos atormentados. A aparição da mulher também sugere a idéia de um senso tradicional de justiça que clama por reparações, mesmo que sejam póstumas, para indivíduos pobres, arrancados do convívio de suas comunidades, separados das redes de solidariedade que davam coesão e minoravam a dureza do cotidiano dos grupos sociais populares.
Essa noção popular de justiça surge também em narrativas de aparições associadas ao sucesso na mineração. Trata-se da crença de que Deus recompensa pessoas simples, religiosas e trabalhadoras, com a descoberta de tesouros. Assim, em maio de 1909, uma aparição teria agitado Diamantina. O registro feito pelo historiador José Teixeira Neves conta que “o padre Brasão apareceu para uma lenheira. Queria mostrar-lhe onde estava enterrado o tesouro, mas disse para ela não olhar para trás. Voltando-se, a mulher viu um esqueleto que logo desapareceu”. Aires da Mata Machado Filho, filólogo e memorialista diamantinense, narrou outra história de fantasma que indicava tesouros, recolhida na tradição oral da cidade de Diamantina, no início do século 20: “Um dia, certa mulher apareceu a uma beata do Beco dos Beréns. Vinha para indicar com precisão o lugar onde estava enterrada uma garrafa cheia de diamantes. É o que dizem. Muita gente andou cavando com ansiedade, não só nesse lugar, mas na casa de Chica da Silva e muitos outros pontos”.

Embora os tesouros do padre Brasão e da beata do Beco dos Beréns não tenham sido encontrados, permanece a teimosa esperança de que chegará o dia em que alguém vai descobri-los. Ainda hoje garimpeiros do Alto Jequitinhonha acreditam nisso. A crença não é totalmente desprovida de fundamento, já que, em 1969, para citar somente um caso, operários que trabalhavam no alargamento de um muro, no Arraial dos Forros, acharam uma quantidade enorme de moedas antigas de ouro e de prata. Na ocasião, o então prefeito de Diamantina, Sílvio Felício dos Santos, deixou com os trabalhadores as moedas que eles haviam encontrado.
A SUPERSTIÇÃO VIRA NOTÍCIA Até mesmo a mais alta autoridade eclesiástica do norte de Minas relatou uma aparição de fantasma. Em visitas pastorais, no ano de 1902, o Bispo Coadjutor de Diamantina, dom Joaquim Silvério de Souza, passou pela paróquia de São Sebastião de Água Vermelha. Lá, realizou 78 crismas, 260 confissões e celebrou 7 casamentos de amasiados. No dia 11 de junho, registrou no seu diário o seguinte caso: “Apresentou-se a nós um pai de família que se queixava de estar sua casa sob ação diabólica. A vítima principal era uma filha de 14 anos. Ela ouvia sempre frases de convite para sair de casa, e pessoas de fora viam cair pedras na sala, objetos caindo das paredes no chão, machados, facas, ferros de coador de café, torrões de terra atirados nas pessoas. Quando a mocinha não estava em casa, tudo cessava. O homem nos contou que o povo dizia que o invisível era um tal de Romãozinho. O menino, a mandato do pai, foi buscar uma chibata ou taca para bater na mãe, que lhe rogou uma praga de não ir para o céu nem para o inferno. Ele ficou vagando pela terra, a bolir ora com um, ora com outro. O tal Romãozinho é muito falado por este norte, e já pelos lados de Lençóis e Montes Claros ouvimos falar de suas proezas. Procurei descobrir se não seria algum tratante, brincador, que atirava as pedras, mas o homem afirmava sempre que não era possível ser pessoa viva, porque tudo examinava bem com muitos outros. Na casa desse pai, o Romão tem quebrado panelas e pratos”. Para acalmar o pai de família, dom Joaquim Silvério de Souza visitou a casa assombrada por Romãozinho e rezou com os moradores e vizinhos.
ROMÃOZINHOSegundo a lenda do fantasma do menino Romãozinho, a mãe do garoto havia rogado uma praga para que o espírito dele não fosse para o céu nem para o inferno. Por isso, a alma de Romãozinho vaga por Minas Gerais até hoje, quebrando panelas e derrubando ferramentas nas casas de família
Ocorrência semelhante foi noticiada pelo jornal A Idea Nova, na edição de 15 de maio de 1910, em uma matéria intitulada “O Diabo em Uberaba: um caso a estudar”. O diário relatava fatos extraordinários ocorridos na fazenda do capitão Gustavo do Nascimento, onde um invisível atirava pedras, virava e quebrava móveis e utensílios, a ponto de causar a retirada da família. Por meio de uma sessão espírita, o dono da casa teria descoberto que o invisível seria uma mulher que abandonara uma filhinha raquítica, que o capitão Gustavo havia tomado para criar. Um padre fora chamado para exorcizar a fazenda, mas o mal espírito seguiu atormentando a família.
Em comum, Romãozinho e a mulher que assombrava a fazenda do capitão Gustavo do Nascimento tinham ofendido em vida a justa “ordem moral” do mundo: o primeiro pecara contra a própria mãe, a segunda abandonara a filha doente. Não fosse o valor intrínseco dessas idéias e a repercussão que encontravam no público diamantinense, por que o jornal A Idea Nova publicaria com destaque notícias como as citadas anteriormente, de comprovação absolutamente impossível?
AS TRANSFORMAÇÕES DE DIAMANTINA As assombrações ocuparam lugar de destaque nas páginas dos jornais e dos memorialistas de Diamantina justamente na virada do século 19 para o século 20. Esse período foi de grandes mudanças na história da região. Mudanças econômicas, sociais e culturais atingiam a sociedade. A euforia da belle époque contagiou toda a cidade. Para algumas camadas da população, era tempo de modernização, de progresso, de civilização e de riqueza. Tempo de novas esperanças e de confiança no futuro. Porém, para outra parcela do povo, talvez a grande maioria, a época era perturbadora, de crise profunda das tradições regionais.
Diamantina continuava a ter na extração e no comércio de diamantes seus negócios mais expressivos. Entretanto, os modos antigos de minerar, herdados do período colonial, baseados no trabalho braçal, em saberes tradicionais e no sistema de praças e “meia-praças” (trabalhadores informais entre os mineradores) entraram em retração. A chegada de companhias nacionais e estrangeiras, que usavam máquinas modernas e energia elétrica, deu início a um processo de concentração das terras minerais, da produção e dos lucros na atividade, além de fornecer um modelo alternativo para o empreendimento minerador – o trabalho assalariado. As comunidades garimpeiras começaram a desesperar, vendo sua sobrevivência e modo de vida ameaçados.



POR MARCOS LOBATO MARTINS