sexta-feira, 3 de outubro de 2008

100 ANOS DA MORTE DO BRUXO DO COSME VELHO


Durante todo este ano será comemorado o centenário da morte do escritor considerado o maior expoente da literatura nacional, Machado de Assis. Decretado e assinado oficialmente pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva e pelo ministro da cultura Gilberto Gil, o ano de 2008 será marcado como o Ano Nacional Machado de Assis.
Joaquim Maria de Machado de Assis era jornalista, romancista, teatrólogo, cronista, contista e poeta. Nascido em 1839, no Rio de Janeiro, filho de um operário e uma dona de casa. Foi criado no morro do Livramento (RJ). Perdeu a mãe muito cedo e não tendo condições de estudar regularmente, foi um autodidata. Com 15 anos publicou sua primeira obra literária, o soneto “Á Ilma.Sra. D.P.J.A”, no Periódico dos Pobres, em 3 de outubro de 1854.
Conheceu Manuel Antônio de Almeida em 1856 quando entrou para a Imprensa Nacional como aprendiz de tipógrafo. Em 1858 tornou-se revisor e colaborador no Correio Mercantil, e em 60, passou a pertencer à redação do Diário do Rio de Janeiro. Escrevia freqüentemente para a revista O Espelho, estreando como crítico teatral, e também para a revista Semana Ilustrada e para o Jornal das Famílias.
O primeiro livro publicado por Machado de Assis foi a tradução de “Quedas que as mulheres têm para os tolos” (1861). Ele faleceu em 29 de setembro de 1908, morando ainda no Rio de Janeiro.
O escritor ocupa a cadeira de número 23 da Academia Brasileira de Letras (ABL), ficou no cargo da presidência por mais de dez anos, sendo o primeiro presidente. Entre as mais de 50 conhecidas obras do escritor, publicadas, traduzidas, escritas sob pseudônimos e digitalizadas, pode-se destacar os romances - Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro, entre outras obras.
Em comemoração ao Ano Nacional Machado de Assis estão previstas diversas atividades com exposições, participação na Bienal do Livro de São Paulo, conferências, lançamento de várias publicações, digitalização de suas obras além da homenagem feita pela TV Globo estreando a minissérie Capitu, baseada em “Dom Casmurro”.
Muitas editoras se prepararam com lançamentos ou relançamentos, do escritor, de obras conhecidas e também de poesias, teatros, almanaques e teses que poucos conhecem. Alguns dos títulos serão, como por exemplo, Toda Poesia de Machado de Assis que reúne centenas de poemas do escritor que foram originalmente publicados em jornais e revistas, e Almanaque Machado de Assis - Vida, Obra, Curiosidades e Bruxarias Literárias escrito e organizado por Luiz Antônio Aguiar, que se trata de um guia para iniciados ou iniciantes no universo machadiano.
Outro produto de destaque já lançado é um livro/CD com o título de Sonata do Absoluto: Trios para Borges, Poe e Machado que reúne o conto Trio Em Lá Menor, de Machado de Assis; O Milagre Secreto, de Jorge Luís Borges, e o poema O Corvo, de Edgar Alan Poe. A idéia do compositor erudito Eduardo Seincman, o organizador da obra, é apresentar interpretações musicais para os textos desses autores.
No mês de abril treze autores criaram uma versão de contos machadianos, intitulada Recontando Machado de Assis como, Uns Braços, O Caso da Vara e Um Homem Célebre. Entre os autores convidados estão Alberto Mussa, Cláudia Lage e Heloísa Seixas.
Não é a toa que a leitura das obras desse lendário escritor é obrigatória nas escolas e para vestibulandos. Todos são capazes de reconhecer a importância dessa cultura, não importa a época. Um autor reconhecido e homenageado especificamente em âmbito nacional em 2008, é de grande repercussão internacional todos os anos em vários países.
O centenário da morte de Machado de Assis evidencia sua contribuição para a literatura brasileira através de suas obras que permanecem atuais mesmo depois de 100 anos, valorizando a língua portuguesa e ressaltando a importância da escrita.
Escrito por: Aline Kolbe alinekolbe.jornalista@gmail.com
Aline Gimenes (colaborou)

A carta que blindou a democracia brasileira


"Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la, nunca", disse o deputado Ulysses Guimarães, no dia 5 de outubro de 1988, no histórico discurso com que declarou promulgada a Constituição Cidadã. Vinte anos depois, a frase de Ulysses soa profética. O País atravessou os últimos 20 anos sem sofrer qualquer ameaça de fratura institucional, a despeito de ter processado um impeachment e ter sido governado por todos os quadrantes do arco ideológico. A Constituição gera controvérsias até hoje. Muita gente a critica, mas todos lhe reconhecem passagens memoráveis. Ninguém a afrontou.

Ouça os discursos da época cedidos pela Agência Câmara:

Discurso de Ulysses Guimarães

Discurso de Mario Covas

Discurso de Lula

TV Câmara

Assista a documentários sobre o tema

A Constituição mudou o perfil do eleitorado brasileiro, ao promover a inclusão eleitoral quando estendeu o direito de voto aos analfabetos, que antes não podiam ser eleitores, e, em caráter facultativo, aos jovens entre 16 e 18 anos.

Fez mais: recompôs admiravelmente os direitos e garantias individuais, criou o habeas-data, que permite ao cidadão conhecer o que o Estado sabe dele, consagrou o Código do Consumidor, uma eficaz cartilha de cidadania, foi a primeira Carta a mencionar a proteção ao meio ambiente, determinou a demarcação das terras indígenas.

Mas a Constituição que reconstruiu o País a partir dos escombros da ditadura é também a que tornou o Brasil mais difícil de governar. Tem um notável capítulo de direitos e garantias individuais, mas exigiu a reforma de quase todo um capítulo econômico para que o País pudesse funcionar. Exibe passagens grandiosas, como a qualificação do racismo como crime inafiançável e imprescritível, e propostas bizarras, como tabelar os juros em 12% ao ano. Criou deveres rigorosos para o Estado, mas não lhe deu meios para cumpri-los. Inspirou a cidadania, mas ignorou a reforma política.

O ex-presidente José Sarney, um de seus mais ácidos críticos, repete hoje o discurso de 1989: "Ela tornou o Brasil ingovernável." O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso critica: "Ficou ambígua, não é presidencialista nem parlamentarista." Mas foi sob ela que o Brasil atingiu o mais longo período de democracia de sua História, uma singular vantagem comparativa ante seus concorrentes diretos no mundo - os outros países do grupo Bric, Rússia, Índia e China.

Vinte anos mudam as pessoas: eleito constituinte pelo PDS, Delfim Netto, ministro do regime militar e signatário do AI-5, diz agora que o capítulo dos direitos individuais da Constituição "beira o estado da arte". E José Genoino, eleito em 1986 como expoente do Partido Revolucionário Comunista dentro do PT, conta que chegou à Constituinte com um discurso revolucionário radical e saiu de lá como entusiasmado adepto da democracia.

Com seu discurso na cerimônia retumbante de 5 de outubro de 1988, Ulysses marcou o encerramento de 20 meses do mais intenso e prolongado embate político-ideológico já ocorrido no País em períodos democráticos. Convocada em junho de 1985 por mensagem presidencial, a Assembléia Nacional Constituinte (ANC) foi eleita em novembro de 1986, no auge do sucesso do Plano Cruzado de Sarney e do seu partido, o PMDB, que fez 22 dos 23 governadores do País e obteve esmagadora maioria parlamentar. O PMDB elegeu 302 parlamentares (54% do plenário); seu aliado preferencial, o PFL, hoje DEM, fez 133; reunidos, os dois sócios da Aliança Democrática dominavam 80% da ANC. Os partidos de esquerda juntos tinham 9,5%.

A ANC tinha 559 membros - 72 senadores (inclusive 23 biônicos remanescentes) e 487 deputados -, filiados a 12 partidos. Nela operaram 24 subcomissões, 8 comissões e uma Comissão de Sistematização de 93 membros, a arena da grande luta sustentada entre progressistas e conservadores.

Foi a única vez na História que uma Constituição brasileira começou a ser feita coletivamente a partir do zero - todas as outras nasceram de propostas construídas por juristas notáveis. No começo dos trabalhos, em fevereiro de 1987, a esquerda - que tinha muitos aliados encastelados no PMDB - conseguiu impor seus interesses graças à eleição do deputado Mário Covas como líder da bancada do partido e à indicação do senador Fernando Henrique para redigir o regimento da Carta. Covas nomeou gente de esquerda para dirigir as comissões e subcomissões; Fernando Henrique elaborou um regimento que neutralizava a vantagem numérica da centro-direita.

A Constituinte viveu um conflito permanente. Tendências contrárias tiveram de aprender a dialogar - nada, ali, foi aprovado sem minuciosa negociação. Foram recebidas 61 mil emendas de parlamentares e 122 emendas populares; houve 125 audiências públicas. Na fase final de aprovação do texto, foram 1.021 votações nominais, em dois turnos. Ao fim, nasceu a Constituição Cidadã, com 315 artigos, 946 incisos, 596 parágrafos, 203 alíneas, segundo conta feita pelo jurista Saulo Ramos.

Medir qualidades na Carta que nasceu desse processo exige um bom exercício de memória. Vinte anos depois, por exemplo, os que acusam o delicado setor da saúde de ser caótico certamente não se lembram que antes de 1988 doentes sem carteira assinada eram rejeitados nos hospitais conveniados e filantrópicos.

Mas os críticos têm razão, por exemplo, quando dizem que a Carta manietou a economia. Na década de 1990, uma faxina mudou o capítulo da ordem econômica para que o País começasse a funcionar. Todo o artigo 192 caiu. A Desvinculação das Receitas da União (DRU) foi criada para viabilizar a adoção do Plano Real; outras mudanças depuraram o espírito xenófobo para facilitar as privatizações.

Outra crítica certeira diz respeito ao passivo jurídico da Constituinte. Na Carta, grande parte dos comandos não tinha eficácia própria e exigia a edição de 285 leis ordinárias e 41 leis complementares. Muitas nunca foram feitas. Desde 1989, foram aprovadas 62 emendas constitucionais. Hoje, mais de 1.500 emendas ainda tramitam no Congresso.

Índice de todas as matérias sobre o especial: 20 anos da Constituição de 1988 Cidadania ampla para os ''filhos'' da Constituição Aids Participação popular O lento caminho entre o dever no papel e o direito na prática Só no papel A desarmonia dos Poderes MP ainda testa os seus limites Acertos e erros da Constituição na visão do Supremo O desafio de garantir os direitos individuais Atuação ''teatral'' dos Poderes prejudica o País, diz Célio Borja Os presidentes e a Constituição: Luis Inácio Lula da Silva Os presidentes e a Constituição: Fernando Henrique Cardoso Os presidentes e a Constituição: Itamar Franco Os presidentes e a Constituição: Fernando Collor de Melo Os presidentes e a Constituição: José Sarney Para Sarney, ''Constituinte não viu o futuro chegando'' Emenda ''pirata'' evitou crise militar, revela Passarinho Ulysses, o Sr. Constituição, preparava adesão ao PSDB Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la, nunca 142 dispositivos à espera de regulamentação ''Comissão de Notáveis'' da Câmara fica no papel Carga tributária subiu de 24% para 35% do PIB em 20 anos Petróleo do pré-sal é a nova peça no xadrez institucional Reformas política e tributária à espera de consenso No Congresso, 1.575 projetos para mudar a Constituição Em 20 anos, 62 emendas A Constituição
Carlos Marchi, de O Estado de S. Paulo

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Reforma ortográfica: o que muda no nosso jeito de escrever?


Acordo entre vários países muda o português e o jeito de escrever. Conheça o troca-troca em acentos, hífens e tremas com o novo acordo ortográfico.A terceira língua mais falada do mundo ocidental vai passar por mudanças. O português está prestes a perder acentos, hífens e o trema. A intenção é unificar países e simplificar a escrita.

A terceira língua mais falada do mundo ocidental vai passar por mudanças. O português está prestes a perder acentos, hífens e o trema. A intenção é unificar países e simplificar a escrita.
SAIBA MAIS: Entenda as mudanças

A partir de Janeiro de 2008, os países da Comunidade de Língua Portuguesa – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste - terão a ortografia unificada. O português é a terceira língua ocidental mais falada, após o inglês e o espanhol. A ocorrência de ter duas ortografias atrapalha a divulgação do idioma e a sua prática em eventos internacionais. Sua unificação, no entanto, facilitará a definição de critérios para exames e certificados para estrangeiros. Com as modificações propostas no acordo, calcula-se que 1,6% do vocabulário de Portugal seja modificado. No Brasil, a mudança será bem menor: 0,45% das palavras terão a escrita alterada.Mas apesar das mudanças ortográficas, serão conservadas as pronúncias típicas de cada país. O que vai mudar na ortografia em 2008: - As paroxítonas terminadas em “o” duplo, por exemplo, não terão mais acento circunflexo. Ao invés de “abençôo”, “enjôo” ou “vôo”, os brasileiros (e os outros) terão que escrever “abençoo”, “enjoo” e “voo”; - mudam-se as normas para o uso do hífen no meio das palavras; O hífen vai desaparecer do meio de palavras, com excepção daquelas em que o prefixo termina em `r´, casos de “hiper-”, inter-” e “super-”. Assim passaremos a ter “extraescolar”, “aeroespacial” e “autoestrada”. - Não se usará mais o acento circunflexo nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do substantivo dos verbo “crer”, “dar”, “ler”,”ver” e seus decorrentes, ficando correta a grafia “creem”, “deem”, “leem” e “veem”; - Criação de alguns casos de dupla grafia para fazer diferenciação, como o uso do acento agudo na primeira pessoa do plural do pretérito perfeito dos verbos da primeira conjugação, tais como “louvámos” em oposição a “louvamos” e “amámos” em oposição a “amamos”; - O trema (brasileiro) desaparece completamente. Estará correto escrever “linguiça”, “sequência”, “frequência” e “quinquênio” ao invés de lingüiça, seqüência, freqüência e qüinqüênio; - O alfabeto deixa de ter 23 letras para ter 26, com a incorporação de “k”, “w” e “y”; - O acento deixará de ser usado para diferenciar “pára” (verbo) de “para” (preposição); - No Brasil, haverá eliminação do acento agudo nos ditongos abertos “ei” e “oi” de palavras paroxítonas, como “assembléia”, “idéia”, “heróica” e “jibóia”. O certo será assembleia, ideia, heroica e jiboia; - Em Portugal, desaparecem da língua escrita o “c” e o “p” nas palavras onde ele não é pronunciado, como em “acção”, “acto”, “adopção” e “baptismo”. O certo será ação, ato, adoção e batismo; - Também em Portugal elimina-se o “h” inicial de algumas palavras, como em “húmido”, que passará a ser grafado como no Brasil: “úmido”; - Portugal mantém o acento agudo no e e no o tônicos que antecedem m ou n, enquanto o Brasil continua a usar circunflexo nessas palavras: académico/acadêmico, génio/gênio, fenómeno/fenômeno, bónus/bônus;

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

OS PRINCIPADOS E AS POTESTADES DO AR


Antes de iniciarmos, precisamos compreender o ensino bíblico sobre o poder sobrenatural de Satanás, o poder onipotente de Deus, e a guerra espiritual que está ocorrendo diariamente nas regiões celestiais. Se você não compreender o ensino bíblico sobre esses pontos, não conseguirá reconhecer a verdade da situação que estamos confrontando, embora esteja bem diante dos seus olhos, por assim dizer.
O Poder Sobrenatural de Satanás: Não se engane sobre o fato que Satanás e seus demônios existem e que são extremamente poderosos. Eles são seres sobrenaturais (estão acima das forças terreais e naturais) e podem fazer o que quiserem, a não ser que Deus intervenha especificamente para impedir. Em outras palavras, muito do que Satanás quer fazer neste mundo hoje, ele pode fazer. É por isto que a feitiçaria, a meditação oriental, a medicinal alternativa, etc. funcionam, pois o poder satânico está fazendo que funcionem, e Deus não está interferindo para impedir. Portanto, a atitude atual das pessoas é que, se alguma crença ou prática religiosa "funciona", é por que ela deve ser válida e boa. Essa atitude está simplesmente preparando o mundo para a tremenda enganação no fim dos tempos, profetizada em detalhes na Bíblia.
Satanás tem poder sobrenatural, isto é, poder sobre e acima da Terra. Assim, seja lá o que ele queira fazer, pode fazer, desde que Deus não interfira para impedir. Vemos essa situação claramente no livro de Jó, uma história que delineamos para você em seguida. Mas, primeiro, precisamos compreender claramente nosso próximo ponto sobre Satanás: Ele é o senhor - o ditador deste mundo. Não se engane sobre isso. A Bíblia declara isso repetidas vezes. Relacionaremos várias dessas ocorrências em seguida:
1) Jó 1:6-7: "Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles. Então, perguntou o SENHOR a Satanás: Donde vens? Satanás respondeu ao SENHOR e disse: De rodear a terra e passear por ela." Quando Deus perguntou a Satanás de onde vinha, ele respondeu que vinha de rodear e passear pela Terra.
Esse é um quadro revelador, se você o examinar atentamente. O quadro é o de uma pessoa que caminha por um pequeno terreno, como um jardim. A compreensão aqui é que uma pessoa tem um controle total, pois aquilo que está sobre seu controle é pequeno e insignificante em comparação com seu poder e capacidade totais. Pensamos que a Terra seja muito grande, mas para o sobrenatural Satanás, a Terra não é nada mais e nada menos que um pequeno e insignificante jardim, sobre o qual ele exerce total controle - a não ser que um poder maior do que ele interfira. Em Jó, vemos que Deus exerce exatamente esse poder, dizendo a Satanás que pode provar Jó, mas com certas restrições, especificamente de não tirar a vida dele. No entanto, Deus permitiu que Satanás tirasse a vida dos familiares de Jó! Devemos aqui compreender o poder que Satanás detém. Ele tem o poder de matar pessoas, se Deus permitir que faça isso.
2) Efésios 2:2-7, o apóstolo Paulo chama Satanás de "príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência". A referência ao "ar" é a atmosfera em torno da Terra. É simplesmente outro modo de dizer "Terra". A figura de Paulo aqui é que Satanás é o ditador absoluto (o Príncipe) do mundo. O apóstolo João também fala de Satanás com esse título, em João 12:31, 14:30 e 16:11.
3) No capítulo 10 de Daniel, vemos que as forças de Deus e as forças satânicas estão batalhando pelo controle dos reinos da Terra. Portanto, sabemos que Satanás e suas hordas de demônios estão ativa e poderosamente trabalhando por meio de seus agentes humanos, especificamente os líderes políticos, para atingir seus objetivos. Sabemos que os demônios podem possuir fisicamente os seres humanos e que o próprio Satanás entrou em Judas Iscariotes, levando-o a trair Jesus Cristo. [Lucas 22:3] Vemos também que, no fim dos tempos, durante o reinado do Anticristo, Satanás e seus demônios possuirão os principais líderes políticos do mundo. [Apocalipse 16:13-16]
Portanto, sabemos teoricamente que os líderes humanos que lutam poderosamente para a implantação da Nova Ordem Mundial - fazendo isso por meio do poder da feitiçaria - podem também ser possessos. Nota: Advertimos a todas as pessoas que estejam se comunicando com um 'espírito-guia' em suas meditações, que isso é feitiçaria, e é possessão demoníaca, independente da bondade e benevolência que esse espírito possa demonstrar no presente!
4) Satanás aparentemente tanto controla a Terra que tem um trono aqui! Em Apocalipse 2:12-13, vemos o Senhor Jesus dizer algo muito interessante em Suas palavras de saudação à igreja de Pérgamo. A cidade era um centro comercial extremamente próspero na Ásia Menor e estava profundamente imersa na adoração pagã. Estas são as palavras de Jesus Cristo:
"E ao anjo da igreja que está em Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a espada aguda de dois fios: Conheço as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita."
Aqui, Jesus diz que o trono de Satanás está na cidade de Pérgamo! E por que não? A cidade estava atolada na adoração idólatra. "... onde Satanás habita... onde está o trono de Satanás" são referências à adoração ou ao imperador romano ou a Zeus em seu altar na acrópole local (ou ambas as coisas). Assim, Satanás tinha seu trono estabelecido na cidade onde se sentia mais à vontade, isto é, onde os cidadãos estavam praticando mais as feitiçarias. Pérgamo certamente não é mais o local onde o trono de Satanás está situado atualmente; eu fico imaginando qual seria essa cidade hoje. Em qual cidade o satanismo em todas suas formas é mais praticado? Não sabemos a resposta, mas com certeza esse trono está situado em alguma cidade do mundo.
O fato é claro - Satanás domina esta Terra tão completamente como você dominaria o pequeno terreno de um jardim. Ademais, ele se senta em um trono em algum lugar na Terra!!
Agora, vejamos o próximo princípio preparatório, enunciado no nosso primeiro parágrafo: O poder onipotente de Deus. Deus tem um poder onipotente, simplesmente porque criou todas as coisas!! Ao contrário da crença do misticismo oriental, Deus não se dispersou na Sua criação. Ele continua sendo quem é desde a eternidade passada, um Espírito com características de pessoa. Deus permanece firmemente em controle. Satanás, por outro lado, é um ser criado, criado por Deus. Portanto, ele não pode jamais se tornar mais poderoso do que Deus. Deus pode e intervém na história simplesmente usando seu poder onipotente, mesmo que todo o poder sobrenatural de Satanás esteja armado contra ele. Satanás, por outro lado, não pode intervir diretamente nos assuntos do mundo, a não ser que Deus lhe dê permissão. Talvez, o melhor modo de dizer isso é que Satanás pode fazer qualquer coisa que quiser neste mundo, a não ser que Deus especificamente interfira para impedir. Esses dois princípios são simplesmente dois lados da mesma moeda.
Poucas pessoas hoje compreendem esse princípio básico, de modo que oferecemos as Escrituras em seguida, para ajudá-lo na compreensão:
1) O Poder Onipotente de Deus - a) O poder e a sabedoria de Deus são infinitos [Salmos 147, especialmente o verso 5]; b) "Porque para Deus não haverá impossíveis, em todas as suas promessas." [Lucas 1:37]; c) O poder de Deus está muito além da compreensão humana [Efésios 3:20]; d) O poder onipotente de Deus é mostrado pela criação do universo e a manutenção dele [Jeremias 32:17; Romanos 1:20; Hebreus 1:3, é muito revelador, pois diz que Jesus Cristo é quem sustenta este universo. Mas, não devemos nos surpreender, pois João 1:1-14 revela que Jesus Cristo é a pessoa da Trindade que criou este universo!]; e) Deus demonstrou também seu poder onipotente na história mundial. * Ele libertou o pequeno e fraco Israel do poder de superpotência do Egito [Êxodo 15:1-19] e deu a Israel vitória sobre forças superiores quando entrou na Terra Prometida, Canaã [Deuteronômio 3:21-24]. * Deus interveio na história mundial, quando Maria concebeu por meio do poder do Espírito Santo, assim encarnando o Messias prometido, Jesus Cristo [Lucas 1:35]. Vemos a oposição satânica a essa encarnação e ao nascimento do Messias em Apocalipse 12:1-5, pois Deus arrebatou o Messias até seu trono nos Céus, pois Satanás estava tentando destruí-lo. Logicamente, quando Deus levou Jesus Cristo de volta aos céus, para sentar-se ao seu lado direito, Jesus já tinha realizado todos os planos do Pai para a humanidade, isto é, preparado a salvação dos pecados e estabelecido sua igreja. * Deus também interveio poderosamente na história durante a crucificação e morte de Jesus na cruz. Não se engane neste ponto: Satanás quis matar Jesus Cristo durante seu ministério terreal, para impedi-lo de estabelecer um caminho de salvação para nós, mas não queria que ele morresse como um sacrifício, em cumprimento às profecias bíblicas no Antigo Testamento. Assim, vemos diversas ocasiões em que Satanás tentou fazer os judeus matarem Jesus, ou por apedrejamento ou lançando-o em um precipício, o que o mataria de uma forma que não o qualificaria como um 'sacrifício substitutivo' para o pecado. No entanto, o poder onipotente de Deus interveio e impediu que Satanás matasse Jesus Cristo. O próprio Jesus voluntariamente entregou Sua vida, ordenando que seu espírito deixasse seu corpo, no momento exato na história mundial, [Mateus 27:50], para que Deus o Pai, finalmente pudesse aceitar o sacrifício supremo, satisfazendo Sua natureza judicial que exige a punição para o pecado, de forma que a humanidade pudesse ser salva da condenação e da morte!! * Finalmente, Deus prometeu intervir novamente na história mundial, para trazer libertação final do pecado e para estabelecer Jesus Cristo no trono que é Seu por direito, inicialmente por um Milênio, e depois por toda a eternidade. Deus especificamente criou a profecia para ser seu selo de validade, para que a humanidade possa compreender que ele é Deus, o único Deus, o onipotente Deus. Quando o homem vê a profecia se cumprir, Deus quer que esse homem entenda o poder e a onisciência de Deus. Portanto, Deus disse: "Buscai no livro do SENHOR e lede: Nenhuma destas criaturas falhará, nem uma nem outra faltará; porque a boca do SENHOR o ordenou." [Isaías 34:16] Deus está dizendo para buscarmos as profecias no seu livro, pois nenhuma delas deixará de ser cumprida. Jesus lamentou o fato de que os judeus terem negligenciado totalmente o tempo do aparecimento do Messias. [Lucas 19:41-44] Similarmente, Deus está agindo de tal forma nos eventos atuais que centenas de profecias bíblicas referentes ao fim dos tempos estão sendo cumpridas, ou o cenário está sendo armado para o cumprimento delas! Jesus nos disse que saberíamos que o fim estaria chegando quando todas suas profecias estiverem sendo cumpridas. [Mateus 24] Este é o propósito do ministério The Cutting Edge! Queremos mostrar como o Plano da Nova Ordem Mundial cumpre muitas profecias bíblicas, e mostrar como você pode ver o cumprimento dessas profecias nas notícias dos jornais! Esse objetivo é totalmente bíblico, pois Jesus disse que conheceríamos a estação, o tempo aproximado para a realização de todas as coisas, com base no cumprimento da profecia. [Mateus 24:32-34]
Quando o Anticristo aparecer, estabelecer seu reino global, quando todos os eventos descritos no Apocalipse acontecerem, e quando Jesus Cristo retornar, o poder Onipotente de Deus estará em grande exibição! Não se engane: O poder de Deus é absoluto. Satanás está reunindo suas forças e sendo bem sucedido, mas somente por que Deus está permitindo isso. Além disso, o Plano da Nova Ordem Mundial cumpre muitas profecias bíblicas, pois o poder onipotente de Deus está forçando Satanás a isso. Pense da seguinte maneira: Satanás adoraria formular um plano para conquistar o mundo de tal forma que nenhuma parte dele cumprisse as profecias de Deus. No entanto, muitas partes de seu Plano cumprem as profecias de Deus, a mais importante das quais é a reorganização das nações do mundo em dez supernações, das quais o NAFTA é a Nação número 1 (veja o artigo CE1043, A Nova Ordem Mundial Lutando Contra as Restrições - Parte 4 de 4).
A parte final do nosso estudo bíblico se refere à guerra espiritual que está ocorrendo nas regiões celestiais entre os anjos de Deus e os demônios de Satanás. O prêmio nessa guerra é o controle da história humana.
Guerra Espiritual nas Regiões Celestiais
1) Todo o capítulo 10 de Daniel - O tempo e o espaço não nos permitem examinar detalhadamente esse relato nas Escrituras, mas encorajamos que você leia o texto com atenção. Em resumo, Daniel orou pedindo que Deus lhe desse entendimento sobre os eventos referentes a Israel. No mesmo dia, Deus enviou um de Seus anjos celestiais para pessoalmente dar a resposta a Daniel. O anjo partiu imediatamente dos céus para ir à Terra, uma jornada que leva apenas um piscar de olhos. No entanto, ele não chegou à Terra, ou a Daniel, por três semanas inteiras. O anjo explicou a Daniel que tinha sido interceptado por um ser demoníaco, chamado por ele de "Príncipe do Reino da Pérsia". Em outras palavras, esse anjo celestial foi atacado por um demônio muito poderoso, o demônio responsável por influenciar o rei humano da Pérsia. Esse anjo não conseguiu derrotar o demônio poderoso sozinho, de modo que precisou pedir ajuda a Miguel, o anjo que Deus encarregou de proteger Israel. Assim, vemos que alguns seres demoníacos são mais fortes que alguns seres angélicos. Depois, ao partir, o anjo disse a Daniel que iria pelejar contra o "Príncipe da Grécia". Na profecia de Deus referente aos Quatro Reinos Gentílicos [Daniel 2:29-40], o Reino da Grécia é o Terceiro Reino. No tempo em que o evento do capítulo 10 de Daniel ocorreu, o Segundo Reino, a Média-Pérsia, estava controlando o mundo e o futuro rei da Grécia, nem havia nascido! Mesmo assim, a batalha celestial já estava em curso para moldar o destino da futura nação da Grécia. Embora vejamos aqui a forma da batalha entre os anjos de Deus e os demônios de Satanás pelo destino do mundo, e das nações na história mundial, não há dúvida que o poder e o propósito de Deus serão cumpridos. As hordas de demônios estão lutando em uma guerra perdida. No entanto, as profecias de Deus sobre o fim dos tempos deixam claro que, quando Deus começar a remover seu poder de restrição, Satanás e suas hordas experimentarão uma vitória temporária, incluindo um completo esmagamento dos cristãos, até que Jesus Cristo retorne para finalmente colocar um fim à iniqüidade e à rebelião. Portanto, vemos atualmente uma gradual erosão do poder e da influência da igreja na sociedade. Vemos também ameaças, a maioria das quais ainda veladas, contra os cristãos fundamentalistas. Quando o Anticristo aparecer, receberá poder para esmagar completamente o povo de Deus [Daniel 7:21, 25; 8:24; 11:32-36; 12:7].
2) Apocalipse 13:1-11, especialmente o verso 7: "E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua, e nação." Observe as frases "Foi-lhe permitido [ao Anticristo]..." e também "Deu-se-lhe poder..." Alguma autoridade maior que o Anticristo e seu principal mantenedor, Satanás, dará ao Anticristo o "poder" ou capacidade de pelejar contra os santos e os vencer. Agora, por que Deus permitirá que Seus fiéis nascidos de novo sejam esmagados pelo poder de Satanás, operando por meio do Anticristo? Por que Deus permitirá que Seu povo, que confia nele para a salvação, seja aniquilado? A resposta está em Daniel 11:35: "E alguns dos entendidos cairão, para serem provados, purificados, e embranquecidos, até ao fim do tempo, porque será ainda para o tempo determinado." O significado é que esse será um tempo de provação para o povo de Deus, para remover a falsidade da igreja de Deus. Obviamente, quando a participação como membro, ou a simples associação com uma igreja cristã puder resultar em morte e torturas, ninguém quererá fingir e se passar por cristão. Aqueles que fingem serem cristãos abandonarão a igreja imediatamente. Os salvos genuínos continuarão firmes e serão refinados e purificados, para serem apresentados a Jesus Cristo como ouro puro.
Essa perseguição dos cristãos durante a Grande Tribulação será tão intensa que Jesus exorta seus seguidores deste período:
"Aqui está a paciência dos santos; aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus. E ouvi uma voz do céu, que me dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os seguem." [Apocalipse 14:12-13]
Somos exortados a perseverar e confiar totalmente em nosso Salvador, pois Ele sabe o que está fazendo, mesmo que tenhamos de passar pela morte. Satanás terá uma vitória global temporária contra o povo de Deus. Para o satanista hoje, que está exultante, sentindo que o curso da batalha está virando a seu favor, dizemos isto: Não fique tão orgulhoso e confiante, pois a Bíblia prediz essa virada nos eventos e a vitória global temporária de Satanás nesta época. O fato de essa virada no curso estar ocorrendo é um dos sinais da proximidade do fim dos tempos.
Profecia Referente à Remoção do Poder de Restrição do Espírito Santo
Em 2 Tessalonicenses 2, o apóstolo Paulo revela algumas coisas muito interessantes referentes a Satanás e seu desejo de controlar o mundo. No verso 3, Paulo diz que o período da Tribulação só iniciará após a igreja cristã apostatar. Então, e somente então, o Anticristo (o homem do pecado) será revelado. O Espírito Santo de Deus restringe o mal de duas maneiras: 1) Opera individualmente convencendo as pessoas de seus pecados e levando-as ao Pai. João 6:44 diz: "Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia." O Espírito Santo também restringe o mal nos incrédulos hoje, impedindo-os de irem à total depravação que reside nos corações de todos. Após o arrebatamento da igreja, muitos estudiosos da Bíblia acreditam que o Espírito Santo não mais restringirá os incrédulos. Ocorrerá uma total depravação, imediatamente! 2) Deus restringe as nações e os líderes delas, impedindo que uma nação domine toda a Terra e impedindo o aparecimento do maligno Anticristo antes do tempo determinado.
No entanto, no fim dos tempos, o Espírito Santo removerá Seu poder de restrição, permitindo que as nações do mundo unam-se globalmente e permitindo que o Anticristo seja revelado, como ele quer se revelar há quase 2.000 anos. [2 Tessalonicenses 2:6-8].
Finalmente, esperamos que o processo de remoção do poder de restrição do Espírito Santo ocorra gradualmente, da mesma forma como uma mulher grávida dá à luz, com as dores aparecendo e aumentando à medida que o momento do parto se aproxima. A criança, neste caso, é o Anticristo. Podemos esperar, com base nas palavras de Jesus Cristo em Mateus 24:8, que o Espírito Santo começará a remover Seu poder de restrição algum tempo antes do aparecimento do Anticristo, de modo que o "nascimento" desse personagem maligno coincidirá com a total remoção das restrições do Espírito Santo. Essa visão responde à muitas perguntas sobre os eventos mundiais desde que Israel retornou à Terra Prometida em 1917, quando as potências ocidentais, por meio da Declaração de Balfour, comprometeram-se a apoiar o retorno de Israel. Estamos muito próximos da total remoção desse poder de restrição nacional e, portanto, muito próximos do aparecimento do Anticristo.
Os Sete Principados do Reino das Trevas [Conforme Ensinado aos Feiticeiros Iluministas]
Agora que examinamos os ensinos bíblicos referentes ao poder sobrenatural de Satanás, o poder onipotente de Deus, e a guerra espiritual que ocorre diariamente nas regiões celestiais, vamos retornar ao assunto das Sete Divisões do Reino das Trevas. Exatamente como Satanás colocou demônios poderosos para persuadirem os líderes humanos, durante cada período da história mundial, para fazê-los seguir seus planos, assim também colocou demônios poderosos para controlarem as sete divisões do seu reino. As informações que vamos compartilhar com você agora são provenientes do livro Secrets of the Illuminati (leia a resenha), de Doc Marquis, publicado pela American Focus Company, ISBN:1-877858-66-8. Marquis foi um feiticeiro Iluminista, que se converteu a Jesus Cristo e hoje coopera com este ministério. Em seu livro, ele relaciona essas sete divisões, os nomes dos demônios que estão no comando e o que cada um procura fazer na Terra. Ao ler as descrições dessas divisões, pense nas notícias do dia a dia. Todo o tipo de crime está ocorrendo, e você poderá compreender que Satanás e seus demônios estão obtendo um sucesso sem precedentes na nossa sociedade atual.
Por quê? Leia nosso artigo CE1001, America´s New Satanic Foundation, para compreender nosso dilema espiritual nacional. Uma vez que você compreenda os preceitos desse artigo, mais as divisões do Reino das Trevas, que será mostrada em seguida, compreenderá por que nossa sociedade está tomada pelo crime hoje. [Nota de A Espada do Espírito: O artigo CE1001 não está disponível neste site, no entanto, um artigo que contém informações complementares a este que você está lendo é N1033, Uma Análise Cristã de Halloween Pelo Prisma da Futura Nova Ordem Mundial, cuja leitura recomendamos a todos.]
Marquis introduz esta seção com estas palavras: "Assim, é com grande hesitação que relaciono os sete principados de mais alto nível do Inferno, conforme é ensinado aos feiticeiros Iluministas. Acho que, para dar uma clara compreensão das possessões, de quem as causa e por que ocorrem, eles [os seres demoníacos] precisam ser relacionados..."
1) "Rege - É o general do ocultismo. Lida com as drogas alucinógenas, como maconha, haxixe, cocaína, LSD, mescalina e outras. Essas são as drogas da feitiçaria, que atacam e abrem a mente para que um demônio possa entrar na pessoa. Rege também é responsável pelo enfeitiçamento da música."
Meu estudo do ocultismo me revelou que a "abertura da mente em níveis mais elevados de consciência" é absolutamente essencial no desenvolvimento de uma pessoa nos níveis mais elevados do ocultismo. Essa "abertura da mente" depende do consumo de drogas. Portanto, se nossa teoria delineada no artigo CE1001 estiver correta, devemos ver um tremendo problema de pessoas consumindo drogas de uma maneira generalizada e sem precedentes. Você vê esse problema nas notícias do dia a dia?
Quanto ao fato de a música popular estar enfeitiçada, acredito nisso totalmente. O espaço e o tempo não me permitem entrar em detalhes sobre isso; no entanto, apenas apresento para sua consideração que as pessoas que são treinadas na feitiçaria recebem a informação que a música popular, especialmente a música voltada para o público adolescente, é enfeitiçada, para alcançar o máximo do efeito desejado.
2) "Larz - Demônio da lascívia sexual, da homossexualidade, bissexualidade, adultério, e outros prazeres sexuais." Novamente, os jornais e revistas estão repletos de sexo e perversões sexuais. A pornografia, tanto da forma "pesada" quanto da "suave" pode ser encontrada em qualquer localidade do país. A programação da televisão está repleta de filmes, novelas e comédias que usam o sexo para atrair a audiência. As prisões estão lotadas de pessoas presas por crimes sexuais, de estupros à pedofilia. As locadoras de vídeo oferecem uma ampla variedade de "Filmes para Adultos" e a Internet está rastejando lentamente, por causa do alto volume de pornografia que está em circulação.
Larz está obtendo grande sucesso no mundo de hoje, mais do que em qualquer outro período na história. Um dos seus grandes sucessos nos EUA é a legitimação da homossexualidade e da bissexualidade. Larz fez um excelente uso do infame Plano das Seis Etapas para a Mudança do Comportamento, discutido no artigo N1055. Como mostramos no Seminário 1, que pode ser adquirido em fitas cassetes diretamente no nosso site na Internet, quando uma pessoa é convidada a se tornar um feiticeiro, primeiro é "recebida" em uma grande festa, onde o álcool e as drogas rolam livremente e o sexo está disponível a todos os que quiserem experimentar, de qualquer maneira que desejarem. O álcool, as drogas e o sexo selvagem servem todos ao mesmo propósito: romper o antigo sistema de valores e a consciência da pessoa de seu estilo de vida atual. O sexo também é muito importante na feitiçaria. É o cumprimento de Romanos 1:25-29, especialmente o verso 25, que diz que os pagãos adoram a criatura (o sexo) e não o Criador. O apóstolo Paulo deixa claro, nos versos 26-29, que a corrupção da verdadeira adoração resulta em todos os tipos de impurezas e perversões sexuais. Novamente, se nossa teoria exposta no artigo mencionado estiver correta, deveremos ver uma obsessão cada vez maior com sexo em nossa sociedade.
3) "Baco - Demônio dos vícios, como drogas, fumo e álcool." Satanás gosta de capturar uma pessoa em algum tipo de vício, pois então fica muito mais fácil controlá-la para seus objetivos malignos. Vemos esses tipos de vícios afligindo nossa sociedade hoje. Tenho certeza que os fumantes nunca pensaram que sejam vítimas da ação de demônios. No entanto, isso é verdade. Se nossa teoria estiver correta, deveremos ver um aumento cada vez maior desse tipo de dependência. Além disso, Rege e Baco podem trabalhar em conjunto para maximizar suas respectivas áreas de responsabilidades, eles e suas legiões de demônios subalternos.
4 "Pã - Demônio da mente. Causa doenças mentais, depressão, tendências suicidas, ataques nervosos e sentimento de rejeição. Você já observou que quando uma pessoa se torna deprimida, ou se sente rejeitada, ela se volta para as drogas ou para algo que cause dependência? Vê como um demônio pode levar uma pessoa a outro demônio? Pã faz as pessoas se sentirem deprimidas, de forma que caem sob a influência de Rege, o demônio do ocultismo e das drogas, e ele, por sua vez, leva as pessoas a Baco, o demônio dos vícios e das dependências. É um grande círculo, no qual os demônios tentam prender as pessoas para sempre."
Esse tipo de cooperação entre os vários demônios de alto nível hierárquico e seus principados realmente me faz pensar na situação atual. Existem milhões de pessoas dependentes de um ou mais vícios! As conseqüências são severas, e espiritualmente mortais. Nossa sociedade está preparada para aceitar o Anticristo e seu modelo de sociedade pervertida e corrompida. Você consegue ver, nas notícias e na situação atual, o quanto estamos próximos do fim?
5) "Medit - Demônio do ódio, assassinato, matanças, guerras, ciúmes, inveja e fofocas." Parece enredo de novela da televisão, não é mesmo? Esse demônio está também muito ativo na sociedade atual, enchendo as notícias do dia a dia com assassinatos e desordens. Tenho a certeza que os ativistas que lutam contra a violência doméstica nunca pensaram que estão lutando contra uma horda demoníaca. Novamente, quando essa divisão de demônios coopera com as divisões que promovem os vícios, as drogas, o álcool, as doenças mentais, etc., você tem um poderoso caldeirão de problemas, de uma natureza desastrosa!
6) "Set - Demônio da morte. Isso realmente existe." Guerras, terrorismo e assassinatos estão aumentando em todo o mundo. O século 20 foi o mais violento e sangrento da história mundial; foi quando ocorreram os genocídios. Esse demônio marcha com os exércitos do mundo, com os grupos guerrilheiros nas selvas e com as gangues de jovens nas cidades. Ele fica de tocaia na escuridão da noite, aguardando para atacar sem aviso, sem misericórdia e sem qualquer motivo. "Set" é o nome dele; Morte é o nome do jogo.
7) "Demônio Cristão - Esse demônio não tem um nome definido. Ele é tão poderoso que a maioria dos feiticeiros prefere não incomodá-lo... Fazer os cristãos falar mal uns dos outros em fofocas e causar rixas dentro da igreja e entre os irmãos... Ele também procura enfraquecer a comunhão dos crentes com o Senhor e fazê-los negligenciar os compromissos com a igreja, como o dízimo, a evangelização, o envolvimento na obra do Senhor e muitas outras coisas."
Seriam as atividades persistentes desse demônio responsáveis pela apostasia na igreja cristã? O ano de 1948, em que Israel retornou a sua terra, foi também a época em que o Conselho Ecumênico Mundial de Igrejas e o Conselho Nacional de Igrejas (nos EUA) foram criados. Os autores de livros de Nova Era são enfáticos em dizer que esses movimentos são absolutamente essenciais na união das religiões do mundo para formar a vindoura religião da Nova Ordem Mundial, do Cristo. Sempre entendemos que as igrejas cristãs têm a chave para o aparecimento do Anticristo. Enquanto estivermos firmados na verdade do evangelho, recusando a contemporização, o Anticristo não poderá aparecer. No entanto, assim que as igrejas cristãs começarem a se afastar das doutrinas fundamentais e negarem a verdade do evangelho, devemos esperar que as forças do Anticristo avancem. Realmente esse cenário está ocorrendo hoje. Parabéns, líderes cristãos liberais! Vocês estão abrindo as portas para o Anticristo!!
Agora que conhece as sete divisões principais do Reino das Trevas e o que cada uma delas é responsável por realizar na Terra, você pode compreender um pouco melhor o que está acontecendo no mundo atualmente - nas notícias do dia a dia - e por que essas coisas estão acontecendo.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

O Crack de 29


No início do século XX, os Estados Unidos viviam o seu período de prosperidade e de pleno desenvolvimento, até que a partir de 1925, apesar de toda a euforia, a economia norte-americana começou a passa por sérias dificuldades. Podemos identificar dois motivos que acarretaram a crise: - O aumento da produção não acompanhou o aumento dos salários. Além de a mecanização ter gerado muito desemprego. - A recuperação dos países europeus, logo após a 1ª Guerra Mundial. Esses eram potenciais compradores dos Estados Unidos, porém reduziram isso drasticamente devido à recuperação de suas econômicas.
Diante da contínua produção, gerada pela euforia norte-americana, e a falta de consumidores, houve uma crise de superprodução. Os agricultores, para armazenar os cereais, pegavam empréstimos, e logo após, perdiam suas terras. As indústrias foram forçadas a diminuir a sua produção e demitir funcionários, agravando mais ainda a crise. A crise naturalmente chegou ao mercado de ações. Os preços dos papéis na Bolsa de Nova York, um dos maiores centros capitalistas da época, despencaram, ocasionando o crash (quebra). Com isso, milhares de bancos, indústrias e empresas rurais foram à falência e pelo menos 12 milhões de norte-americanos perderam o emprego.
Abalados pela crise, os Estados Unidos reduziram a compra de produtos estrangeiros e suspenderam os empréstimos a outros países, ocasionando uma crise mundial. Um exemplo disso é o Brasil, que tinha os Estados Unidos como principal comprador de café. Com a crise, o preço do café despencou e houve uma superprodução, gerando milhares de desempregados no Brasil.
Para solucionar a crise, o eleito presidente Franklin Roosevelt, propôs mudar a política de intervenção americana. Se antes, o Estado não interferia na economia, deixando tudo agir conforme o mercado, agora passaria a intervir fortemente. O resultado disso foi a criação de grandes obras de infra-estrutura, salário-desemprego e assistência aos trabalhadores, concessão de empréstimos, etc. Com isso, os Estados Unidos conseguiram retomar seu crescimento econômico, de forma gradual, tentando esquecer a crise que abalou o mundo.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A NOVA ORDEM MUNDIAL


Recentemente, tendo em vista a queda do comunismo, foi feita uma declaração sobre uma Nova Ordem Mundial, muito embora por várias décadas a literatura islâmica tenha criticado tanto o comunismo como o capitalismo, pois nunca esperou que pudessem durar. Trabalhos comparativos foram feitos para demonstrar onde cada um deles erra quando comparado com um sistema independente derivado dos ensinamentos do Islam.
Seria bastante temerário concluir que o colapso do comunismo é um atestado da competência do capitalismo. Na verdade, ambos partilham o inconveniente de serem ideologias materialistas, provisionando bens que são mais do que o lado material. Ambos cometeram erros ainda que em direções opostas e que são a suposição de que indivíduo e sociedade estão em conflito irreconciliável. O comunismo aniquilou o indivíduo em favor da sociedade. Mas, o que é a sociedade senão indivíduos multiplicados? O resultado foi uma sociedade inevitavelmente aniquilada.
O capitalismo, por outro lado, exaltou a individualidade, superprotegendo-a das reivindicações da sociedade. O indivíduo imbuiu-se de um egoísmo justificado e quando foi projetado para o exterior, manifestaram-se suas várias expressões como o classismo, o corporativismo, o nacionalismo, o racismo, a escravidão e o colonialismo. A pedra angular do capitalismo é que a única função e destino exclusivo do capital é crescer e continuar crescendo sem limites. Quando os mercados locais estão saturados é preciso buscar novos mercados além mar e no Terceiro Mundo. Existe uma cegueira (talvez deliberada) para o fato de que é impossível alcançar crescimento infinito em um mundo finito. Na corrida febril por dólares e mais dólares, associada ao estímulo planejado e ativo de padrões de consumo e obsolescência - não para a satisfação das necessidades e sim para a satisfação de confortos, prazeres e luxos - fontes naturais, muitas não renováveis, são violadas em passos acelerados. Esta sobrecarga atingiu não só os recursos mas também o Terceiro Mundo como o mercado vital e a vaca sagrada.
Recursos naturais exauridos e matéria-prima comprada a preços irrisórios (se comparados com os preços exorbitantes que são pagos pelos produtos industrializados), impedem de cumprir projetos que poderiam melhorar sua sorte e torná-los menos dependentes das importações do Primeiro Mundo. Para impedir a morte total doTerceiro Mundo por inanição, eles injetam regularmente capital novo sob a forma de empréstimos e ajudas, a fim de manter seu poder de compra, para favorecer o capital ocidental. Ai! somente uma fração mínima desta ajuda é destinada para as necessidades do povo. A maior parte vai para a elite local que forma a classe governante e seu séquito, e que se comprometem em manter o status quo. Impedem o debate público sobre os termos e condições dos empréstimos e ajuda, bloqueiam qualquer tentativa de supervisão de sua administração e estabelecimento de responsabilidades pelos seus desvios, oprimem o trabalho honesto e permitem procedimentos negligentes e mantêm uma proibição total sobre o combate à corrupção que se tornou marca registrada dos governos do Terceiro Mundo, inclusive em muitos países do mundo islâmico. Isto parece explicar dois paradoxos: o primeiro é que no Oriente Médio, onde o ocidente mais bombeia dinheiro, é onde estão os países mais pobres e a dívida mais profunda; o segundo é a traição das democracias aos movimentos democráticos que parecem perto de alcançar o poder através de um justo processo democrático. Invariavelmente, as democracias apoiam os ditadores contra as aspirações democráticas de suas populações e quando necessário até com o uso do poder militar. A expressão "estabilidade", que é a meta declarada de toda intervenção ocidental, na verdade significa a manutenção das melhores oportunidades exploradoras para o capital estrangeiro mesmo que isto implique em ser o pior para as massas. Elas e as futuras gerações herdarão uma dívida elevada que o PIB será incapaz de honrar o serviço quanto mais pagar toda a dívida. Este estado de coisas é conhecido e sentido pelo povo. Eles vêem seus resultados em suas casas, famílias e filhos. Eles chamam a isto de injustiça e bem que tentam mudar mas são brutalmente reprimidos. As políticas ocidentais participam desta repressão e para justificá-la aos olhos de seu povo, têm fórmulas e terminologias pré-fabricadas (erosão da estabilidade ou manifesta agressão aos nossos interesses nacionais). Até recentemente era conveniente chamar essas pessoas de "comunistas". Desde que acabou o comunismo, o novo rótulo é "fundamentalista islâmico".
Com a imensa máquina da mídia de propriedade das grandes corporações e dotada de grande capital, projetada para manipular e moldar a opinião pública, as massas do ocidente facilmente engolem a isca, e de boa fé, sancionam os meios e as formas de fazer essa política. E contudo, isto não é o pior sobre a natureza insuspeita e submissa das pessoas no ocidente. O que elas agarram aos poucos é o apetite voraz do capital e sua prática gananciosa no Terceiro Mundo não está limitda áquelas regiões habitadas por pessoas estranhas e exóticas, pois não hesitam em fazer o mesmo em casa e aos seus próprios cidadãos sempre que estimulados pelos ditames daquele princípio sagrado: crescimento e mais crescimento, capital e mais capital, dólares e mais dólares! O que mais pode explicar a transferência de grandes nacos de indústria para o sudeste asiático e outros lugares, onde o trabalho mais barato (tanto financeio como humano) pode produzir um produto final mais barato o qual, no entanto, não será vendido por preço mais barato quando de volta para a América. Durante o processo, milhões de trabalhadores americanos são descartados e vão compor as fileiras de desempregados.
Este caminho do capitalismo selvagem não pode continuar indefinidamente e todas as evidências mostram que terá um triste final, evidências que têm sido ignoradas e diminuidas e atacadas e pressionadas, mas estão lá, gostem ou não seus opositores. O ganso dos ovos de ouro dos recursos naturais e a vaca sagrada do Terceiro Mundo não sobreviverão por muito tempo. A menos que haja uma mudança radical de curso, antes que seja muito tarde, este planeta deixará de ser sustentável!
O que sentimos deveria ser pedir, no entanto, não uma mudança de governantes e sim uma mudança de corações. Enquanto a velha mentalidade do materialismo reinar não há esperança exceto um tratamento sintomático que poderia retardar o inevitável por um curto período mas não o impediria. Enquanto o pensamento dominante permanecer em termos de nós contra eles, norte contra sul, explorador contra explorado, rico contra pobre, branco contra negro e senhores contra escravos (pelo menos servos), não há esperança no futuro. O barco da humanidade afundará até enquanto os passageiros das cabines de primeira classe acumulam valores e luxos. Parece pouco provável que os políticos e financistas do mundo terão a visão, sabedoria e capacidade de empreender uma mudança deste porte. Também é uma pena vê-los neste caminho sinistro e levando ahumanidade à beira do abismo. A única esperança é uma campanha educacional maciça do público que, como eleitores são os árbitros no final do dia. Se for criada demanda por um novo caminho os políticos também mudarão ou serão expulsos do caminho das mudanças.
O que o Islam tem a ver com tudo isto? Os estudiosos e pensadores islâmicos (não os terroristas e extremistas que a mídia se agarra como uma máscara fixa em tudo o que é islâmico) durante muito tempo esboçaram as características de um sistema islâmico baseado na shari'ah islâmica e naturalmente não uma cópia de fórmulas que poderiam ter servido em épocas e circunstâncias anteriores. Nem devem ser consideradas exclusivamente islãmicas ou prescritas só para os muçulmanos, pois o bem estar da humanidade é uma preocupação comum e em nosso encolhido mundo interativo todos enfrentamos o mesmo destino. Os principais aspectos deste sistema sâo:
1) o homem não é o ser supremo deste universo, e sim está submetido ao Ser Supremo, Deus! Sem Deus tudo se torna possível, conforme Dostoyevski disse, e tudo pode ser racionaolizado e justificado. Quando o homem destronou Deus, ele resvalou para a auto-adoração. O papel do homem neste universo é o de vice-gerente e curador de Deus, portanto, equipado com todos os requisitos que o habilitam a exercer um mandato total sobre a natureza, mas de acordo com as instruções do Criador e não em obediência aos seus impulsos e tentações. Nem a ciência (um instrumento ainda em sua infância) nem a arrogância (uma armadilha fatal) devem levar o homem a imaginar que pode agir como Deus ... ainda que ele fosse sábio o bastante.
2) O domínio final é de Deus pelo fato de Ele ser o Criador. Nosso domínio sobre as coisas está em segundo plano. Enquanto tivermos consciência de que o capital tem seus direitos mas também seus deveres, somos livres, quase que ilimitadamente, para possuir e aumentar nossa riqueza por intermédio de meios lícitos. A função do capital não é só crescer ad infinitum mas também a de cumprir suas obrigações para com a sociedade. A afirmação (tanto pelo comunismo como pelo capitalismo) de que existe um conflito inevitável entre o indivíduo e a sociedade não existe no Islam, onde a premissa é o equilíbrio entre um e outro para que todos sejam felizes. Este equilíbrio não é mantido só pela força da lei mas, o que é mais importante, para satisfação de Deus, que cria a felicidade em dar. Deus está sempre nesta equação e é uma realidade viva, e que, na ideologia materialista é uma noção sem qualquer significado. Esta nova filosofia é factível e acessível mas não submetida a um valor independente do sistema educacional, a onda sísmica da doutrinação midiática, ou a uma sociedade tolerante com as injustiças. A sociedade é tão intercomplementar e integrada que ninguém pode viver isolado seja no topo das riquezas ou nas profundezas da pobreza.
Há mais de 14 séculos atrás, Omar, o segundo califa do Islam, decretou que se um homem de uma cidade morresse na pobreza os cidadãos teriam que pagar um resgate, como se eles o tivessem matado. A comunidade é como "um corpo ...quando um órgão adoece os outros se reunem em torno para ajudá-lo", conforme disse pelo profeta. Cada cidadão tem o direito de viver um nível determinado de conforto (não só o da subsistência) e, considerando que viver da caridade é desestimulado, deduz-se que os direitos individuais compreendem o direito a um emprego remunerado. A tecnologia substitutiva de mão-de-obra é permitida como uma resposta à escassez de trabalho mas nunca para poupar empregos e levar os trabalhadores ao desemprego. O homem tem prioridade sobre a máquina e a norma jurídica é o bem-estar coletivo sobre o bem-estar pessoal. Isto não significa embaraço ao progresso tecnológico mas sim que deve andar de mãos dadas com a avaliação das consequências. Os trabalhadores são permitidos e estimulados a comprar ações desuas companhias para diminuir a polarização entre capital e trabalho e para que se interessem pelo progresso da companhia.
No Islam a premissa é a de que Deus encaminhou o sustento do pobre para a riqueza do rico ... e numa nova ordem mundial o princípio pode ser levado a proporções internacionais. Uma outra regra no Islam é que o dinheiro como instrumento não pode gerar dinheiro, a não ser que atrelado a algum tipo de atividade produtiva. Deste ponto de vista, a usura é ilícita no Islam. Nas recentes décadas muito se escreveu sobre os juros bancários e na verdade vários bancos, não só nos países islâmicos mas na Europa também, participaram da experiência.
3) A SINGULARIDADE da humanidade como uma única família compartilhando o parentesco comum com Adão e Eva, deve ser enfatizada e ensinada às crianças desde a mais tenra idade, juntamente com a igualdade inata dos seres humanos. Infelizmente tanto a ciência como a religião foram mal utilizadas na Europa (e na América) para forjarem provas da superioridade natural da raça branca (ariana) sobre as outras raças. Tais evidências agora estão mortas e enterrradas, mas seu legado continua. Até hoje em muitas igrejas do ocidente, Jesus é mostrado como um homem branco de olhos azuis e não como o resto dos palestinos. A evidência do racismo do ocidente praticamente permeia todos os aspectos da vida e ousamos dizer que a vontade de mudar tudo isto ainda aguarda o seu momento. A crescente batalha pelos direitos civis na América continuou nas décadas passadas apesar do progresso visível não se pode dizer que o gosto amargo da escravidão tenha se dissolvido. Igualdade não é um conjunto de especificações legais e sim, antes de mais nada, um estado de espírito.
Até agora, o homem negro ainda não ouviu a palavra "desculpa" do homem branco pelo histórico de escravidão que tinge a história da civilização branca (os americanos amarelos - japoneses - receberam um pedido de desculpas e reparações por causa do confinamento durante a II Guerra Mundial). As tensões raciais continuam a explodir e, embora lamentável, muitas vezes eles encontram justificativas como a dos tumultos em Los Angeles, em passado recente. A todo momento há uma convocação e alguns esforços para melhorar a sorte dos negros; ainda que seja uma boa iniciativa, falta identificar a etiologia do problema. Nem as balas ou os dólares serão soluções permanentes e verdadeiras. Somente quando se sentir e acreditar profundamente que todo ser humano é um irmão ou irmã igual e querido é que pode ocorrer uma mudança real. E isto não será decretado por qualquer lei, pois esta é uma função da educação. Há vários motivos, e não só para esta questão racial, para uma revolução educacional nas escolas e em todos os canais educacionais para restruturar a mentalidade humana em novas bases que possam criar uma nova humanidade mais unificada e misericordiosa, colocando a vida em nossos slogans de liberdade, fraternidade e igualdade, não dentro de fronteiras nacionais mas em escala global (e ao inferno com os outros).
Isto deve ser acompanhado de um esforço verdadeiro para o desenvolvimento do Terceiro mudno. Estima-se que o subsídio que a Europa paga a seus fazendeiros é suficiente para provocar uma transformação no Terceiro Mundo, assim como para eliminar o problema da fome no mundo todo. Esta idéia foi sumariamente ridicularizada em um encontro (filantrópico) que aconteceu na Europa, de ex-ministros e primeiros-ministros de vários países. Tanto a suspensão do subsídio como o desenvolvimento do Terceiro Mundo foram considerados uma opção de vida, a primeira um expediente político e o último uma estratégia política.
4) Uma outra faculdade humana que rapidamente se deteriorou e precisa ser restabelecida é a faculdade de automoderação. Embora esta seja a principal diferença entre o homem e o animal, a mentalidade dos tempos modernos parece ter provocado estragos. Um rapaz que foi preso por atirar em carros que passavam em uma estrada e matar algumas pessoas só teve a seguinte explicação a oferecer "Senti como se matasse alguém". Este não um exemplo isolado. Estatísticas sobre crime mostram claramente que isto se tornou um fenômeno social em lugar de uma exceção. A leitura de boletins e documentos a respeito confirmam isto. A falta de um sistema de valores saudável e a aterradora falta de resistência ante os impulsos e tentações são fatores determinantes e a chave para a mudança pode ser encontrada na educação e na mídia. Se houver um Dia do Juízo, como os muçulmanos e outros acreditam, então não se pode invejar os retardados da mídia quando tiverem que responder pela publicação e promoção da violência, pornografia e licenciosidade. Falar do idescritível, então falar do indescritível e naturalmente isto se torna descritível. Nossos jovens então exploram e experimental até se tornarem viciados sociais.
Infelizmente, alguns estados estão lançando de forma sutil para a sua juventude o exemplo do recurso do poder da nudez, principalmente quando eles são fortes além dos limites e o adversário é fraco além dos limites. A folha da figueira chamada valores e princípios sempre cai quando o gigante militar esmaga qualquer agressão com todo o seu poder, praticamente sem encontrar resistência; quando sobrevém uma agressão pior, o mesmo gigante recua porque "a tarefa não será fácil". Olhar para a vida humana é insondável, seja quando a atacamos ou quando nos abstemos de protegê-la. Uma das coisas mais poderosas e reveladoras que foram ditas por ocasião da Guerra do Golfo foi a de um líder militar: "Não é de nosso ofício contar corpos", mas é claro que aquilo significava os corpos do outro lado.
5) Guerra e Paz - As normas da guerra no Islam são muito claras e foram delineadas explicitamente pelo profeta Mohammad. Primeiro ela deve ser de natureza defensiva, ou para acabar com a opressão onde quer que ela possa estar, o que hoje é chamado de justa causa. A aliança para parar com a agressão está expresso no versículo alcorânico: "Se duas partes dentre os fiéis combaterem entre si, façam a paz entre eles; mas se um deles provocar o outro, então combatam (todos) aquele que provoca até que se cumpra o mandamento de Deus. Mas, se cumprirem (os mandamentos) então façam a paz com justiça e sejam sinceros, porque Deus ama aqueles que são justos." (Alcorão 49:9). A aliança com não muçulmanos por uma causa justa é correto. Um exemplo é o tratado com os judeus de Medina para a defesa da cidade contra os descrentes na época do profeta. Um outro exemplo é a referência feita pelo profeta ao tratado bem antes do Islam entre as tribos de Meca para se juntarem no apoio aos oprimidos e seu comentário "Foi uma aliança antes do Islam mas se - no Islam - eu tivesse sido convidado para me juntar a eles eu teria aceitado." As instruções explícitas do profeta aos seus exércitos eram rigorosas no sentido de que eles só poderiam combater os beligerantes e não as mulheres, crianças e velhos. Como instruções de guerra, os religiosos não muçulmanos em suas ermidas ou casas de adoração, não deveriam sofrer qualquer dano e nem as árvores dos inimigos deviam ser cortadas ou queimadas, os animais não deveriam ser alvejados ou mortos a não ser para alimento. Quando se analisa estas condições fica claro que elas não são podem ser factíveis nas condições de guerra atuais. Talvez a I Guerra Mundial tenha sido a última onde lutar ficou restrito ao pessoal militar. Na Guerra Civil Espanhola, nos anos 30, os governantes começaram a mudar, ficando mais evidente na II Guerra Mundial, na Guerra da Coréia e na Guerra do Vietnã. As duas bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasakifalam por si sós, assim como o tapete de bombas da Guerra do Vietnã e suas "zonas de fogo", matando não pessoas, animais e plantas mas o solo também.
Algumas pessoas poderiam achar que esta ética islâmica para a guerra agora seja teórica e não se aplique à época atual, talvez como muitos outros preceitos islâmicos. A lógica dessas pessoas é óbvia. Os muçulmanos e outros, no entanto, encaram a questão de uma outra perspectiva. Uma vez que a guerra moderna é tão devastadora, então ela deve deixar de ser uma opção de solução de conflito. A guerra deve ser obsoleta, como a escravidão! Certamente a humanidade, no auge de uma civilização jamais alcançada antes, e à medida em que entra o segundo milênio e anuncia e comemora uma Nova Ordem Mundial, é capaz de divisar um outro insturmento de se fazer a paz que não seja a guerra. Talvez tribunais de justiça independentes possam resolver as diferenças entre as nações. Em passado recente, Egito e Israel lutaram por causa do Sinal. Quando um pedaço disputado de terra se mostrou como obstáculo, este foi resolvido pacificamente através de arbitragem internacional, sem derramamento de uma gota de sangue. Afinal de contas, a guerra não faz diferença entre o certo e o errado, apenas mostra quem é o mais forte, quem possui o poder destrutivo maior. É um mau presságio que a Nova Ordem Mundial tenha sido anunciada por ocasião de um acontecimento militar esmagador. As decisões que se seguiram levantam a suspeita de que o novo na Nova Ordem Mundial nada mais era do que a velha ordem, só que presidida sobre um adversário ao invés de dois.
Certamente não é um bom negócio criar tribunais judiciários capazes de resolver conflitos (isto exclui a ONU e seu Conselho de Segurança). O sucesso de tal idéia gira inteiramente em torno de um eixo, o de que os países civilizados decidirão ser ... civilizados! Isto é verdade e ninguém jamais diria que eles estão contra a verdade, mas eles estão. A verdade é um valor; e lamentavelmente a política não faz muito caso de valroes, e esta é que é a verdadeira ameaça que o mundo enfrenta. Os fortes cederão à justiça na conformidade da lei, ou continuarão insistindo que poderiam fazer o correto? O complexo industrial-militar abandonará a doutrina de viver sob um sistema de guerra que tem que se justificar com uma guerra aqui e outra ali? A justiça pode ser incluída na distribuição do bolo dos recursos mundiais e no custo de seu suprimento? É claro que não, seria uma blasfêmia para os donos da ordem atual, a menos que as coisas mudem e as mudanças não virão de cima. Elas virão de baixo, das origens.
(6) A Ecologia - A fim de gerar dólares para comprar comida, pagar as dívidas, armar seus exércitos e polícia para proteger seus ditadores e satisfazer o apetite insaciável da elite e dos governantes, o lado mais pobre da humanidade dos países em desenvolvimento estão tendo seus recursos naturais esgotados. O lado opulento da humanidade, e com o mesmo objetivo de fazer mais dólares para que o rico fique mais rico, aumente seus padrões consumistas, os luxos e a satisfação de seus prazeres, o mundo industrializado está violando, envenenando, poluindo e matando a ecologia. Isto acontece numa época onde nossa ciência e teconologia são capazes de influenciar a biosfera de uma forma dramática sem precendentes. E isto acontece em tempos de paz, não contando com o dano devastador e permanente que a guerra moderna é capaz de provocar. Estamos tirando do futuro, a uma taxa extravagante, levando em conta estimativas razoáveis que nos dizem que estamos incorrente em um débito para as gerações futuras que não seremos capazes de pagar. Medidas paliativas e sugestões factíveis foram prescritas, mas o obstáculo, como esperado, são sempre aqueles que têm as rédeas do poder, os curadores do capitalismo desenfreado, ganancioso, egoísta, glutão. Como diz o Alcorão "Entre os homens há aquele cujo discurso sobre o mundo encanta a todos e ele pede que Deus seja sua testemunha do que está em seu coração, no entanto ele é o mais encarniçado dos inimigos. Mas, quando ele predomina, então percorre a terra espalhando a traição e destruindo as colheitas e o gado, e Deus não estima a traição." (2:204-5)
No entanto, de real importância, é que o movimento ecológico fora da esfera da política está ganhando impulso. No Dia da Terra, em 1990, 1 milhão de pessoas de 140 países se mostraram na maior demonstração jamais acontecida antes. Essas pessoas não podem ser ignoradas pelos políticos ou então perdem seus votos. Talvez seja tempo de se criar uma organização ecológica internacional, que contaria com a participação dos governos mundiais que concordariam previamente em acatar as recomendações, recomendações, é claro, que não seriam indiferentes à questão da justiça.de acordo prévio
(7) Questões de População - A população mundial está crescendo a uma taxa que ultrapassa a dos recursos disponíveis. Portanto, as preocupações com relação à explosão demográfica são bastante legítimas e, uma vez que o aumento populacional acontece no Terceiro Mundo, este tem sido acusado de comportamento irrespondável e considerado culpado pelo ocidente. Açóes disciplinares foram consideradas e vários países que fornecem ajuda, inclusive os Estados Unidos, acolheram a idéia de ligar a ajuda a avanços nos programas de fertilidade e planejamento familiar. Pior do que isto, em um artigo intitulado "Maquiavel seria um guia melhor para os médicos do que Hipócrates?" (World Health Forum, vol. 14, 1993 p. 105), o dr. Jean Martin revê algumas opiniões ocidentais que questionam a conveniência de alguns programas de vacinação e outros no Terceiro Mudno, uma vez que eles permitem que as crianças vivam, provoquem efeito nos recursos e repetem, finalmente, o ciclo de fome e morte; em outras palavras, existe uma chamada para estabelecer limites na redução da mortalidade infantil no Terceiro Mundo. Parece lógica mudança do humanitarismo para o "pragamatismo", daí a inclusão do nome de Maquiavel no artigo.
Existe um problema que ninguém pode negar. É o de que há necessidade de aproveitar as famílias que queiram usar (sem coerção) de métodos contraceptivos seguros, confiáveis e acessíveis, o que também é um fato e o Islam não tem dúvida em relação a isto. Nossa única reserva é, que colocando a culpa do problema populacional unicamente nos países do Terceiro Mundo, não se está dizendo toda a verdade, porque a questão é realmente multifacetada. Ignora o fato de que o nascimento de uma criança nos Estados Unidos "impõe mais de cem vezes pressão sobre os recursos mundiais e meio-ambiente do que um nascimento em Bangladesh, por exemplo", escreveu Paul e Anne Ehrlich, do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade de Stanford, na revista National Geographic. Eles chamaram a atenção para a distinção de que enquanto os problemas populacionais das nações pobres os mantêm apenas pobres, os problemas populacionais das nações ricas destrói a capacidade da terra de proteger a civilização. (Michael Henderson: Hope for a Change. Grosvenor Books, Salem U. S. A., 1991, p.24).
A forma de reduzir o crescimento populacional no Terceiro Mundo foi debatido (principalmente na World Population Conference, realizada em Bucareste, em 1974). Embora precedente histórico (estudando o que aconteceu na Europa que baixou as taxas de fertilidade) e o bom senso (um fenômeno conhecido é que a insegurança é um estímulo natural da fertilidade) tenham indicado que o desenvolvimento é causa e não resultado da fertilidade reduzida (desenvolvimento é a melhor pílula), no entanto os países capitalistas puseram uma ênfase desproporcional na regulação da fertilidade no Terceiro Mundo. A questão é, na verdade, mais do que filantrópica ou um olhar altruísta para o bem-estar da humanidade. Na edição de verão de 1991, do Foreign Affairs, um relatório (originalmente preparado pelo exército americano) do dr. Nicholas Eberstadt, do American Enterprise Institute, adverte sobre as implicações do aumento proporcionalem números das nações terceiro-mundistas para a ordem política internacional e o equilíbrio do poder mundial. Após três gerações, observa ele, oito biavós do ocidente terão apenas 4 ou 5 descendentes, contra mais de 300 para grande parte da África e Oriente Médio; portanto, os principais países de hoje serão os países menores de amanhã.
O National Security Study Memorandum 200, um estudo das "implicações do Crescimento Populacional do Mundo para Segurança dos Estados Unidos e Interesses Além-Mar" (datado de 10/12/74, classificado por Harry C. Blaney III, declassificado em 3/07/89, pela ordem executiva 12358, Liberado para os Arquivos Nacionais dos Estados Unidos, em 26/06/90) é um documento muito educativo, que revela as complexas implicaçãos econômicas, políticas e militares e as sólidas realidades do mundo em que vivemos. Os fatores populacionais poderiam ser as sementes de ações revolucionárias e da expropriação ou limitação dos interesses econômicos estrangeiros. Pobreza, crescimento populacional e população jovem exigem desenvolvimento, induzem à revisão dos termos e condições dos investimentos estrangeiros e até influencia no crescimento militar, desde que o recrutamento militar seja visto como uma alternativa viável para o desemprego. Algumas vezes, o documento divulga o sentimento de que os países industrializados já estão iniciando uma guerra redentora contra os países subdesenvolvidos.
Parece-nos que a Nova Ordem Mundial deve se voltar para as necessidades de nossa aldeia glogal, porque é nisto que o planeta está se transformando. Isto não deve pressupor a inevitabilidade de dividir o mundo em "metades" e "não haveres", e, portanto, a inevitabilidade de uma luta de morte entre elas. Isto exige do rico que seja humilde, que fique satisfeito e que queira abandonar os luxos incorporados por seu estilo de viva. Tais luxos não são necessidades vitais. A recompensa é a felicidade em prover as necessidades vitais da maior parte da família humana. O que mais pode proporcionar felicidade maior? Deus deve ser introduzido nesta equação!


Louay M. SafiLouay M. Safi

terça-feira, 23 de setembro de 2008


ANO: 1979PAÍS: EUA
DURAÇÃO: 116 minutos
DISTRIBUIDORA: Fox Vídeo DIREÇÃO: Ridley Scott
ELENCO: Tom Skerritt; Sigourney Weaver; Veronica Cartwright; Harry Dean Stanton; John Hurt; Ian Holm; Yaphet Kotto; Bolaji Badejo
CARACTERÍSTICAS: Colorido; Legendado - Terror/Ficção


"Nada acaba, nunca!" - Alan Moore


Há 25 anos chegava às telas um dos grandes sucessos da história do cinema moderno, o filme "Alien", protagonizado pela atriz Sigourney Weaver. Esse filme praticamente redefiniu um gênero (ou sub-gênero, segundo alguns críticos de nariz torcido), criando toda uma nova cultura do gênero terror.Mas trata-se de que tipo de filme? Um filme de FC? Certamente, pois envolve elementos comuns a esse gênero, como as viagens interplanetárias, vida extraterrestre, etc. Mas é bem mais do que isso. É um filme de terror, obviamente, pelo crescente horror a que o espectador é submetido. Convenhamos: não se fazem mais filmes assim tão apavorantes. Mas ele retrata também alguns aspectos bem interessantes através de seus personagens: o medo do desconhecido, o casulo protetor da mãe, a maturidade e o crescimento. Na história temos, em um futuro não especificado, uma gigantesca nave de transporte de cargas chamada Nostromo, pilotada por 7 tripulantes humanos, homens e mulheres, que viajam em hibernação induzida em casulos, durante a maior parte do tempo da viagem. Durante esse período, os mesmos ficam aos cuidados de um computador chamado carinhosamente pelos tripulantes de "mãe". É essa "mãe" que os protege e alimenta, e em suma é responsável pela vida deles. Mas algo acontece para interromper toda essa calma. Em certo ponto antes do regresso à Terra, a tripulação é despertada pela "mãe", para atender um sinal de emergência em um planeta próximo a sua rota. Efetuado o pouso, a tripulação de "recém-nascidos" encontra uma nave alienígena no planeta. A nave em questão é realmente alienígena, e tem essa aparência, graças ao seu visual "orgânico" baseado em esboços de HQ's francesas do artista Jean Giraud "Moebius", e esse é um ponto a favor do filme: sua primorosa, bem cuidada e moderna parte visual. A nave alienígena lembra um útero, o que dá a concepção de nascimento. Na nave alienígena encontram-se os restos de um antigo viajante espacial que fora vitimado por alguma "coisa" desconhecida. Essa coisa não demora a se manifestar: há centenas (ou milhares) de ovos de alguma criatura alienígena, sendo que um deles libera uma pequena criatura com formato de mão (ou aranha) que ataca um dos astronautas, ficando unida ao rosto dele numa simbiose macabra. Levado à bordo (contra os regulamentos, que exigem uma quarentena) graças a um dos tripulantes que abre as portas. Pode-se traçar um paralelo entre o nascimento e a primeira infância, na qual são inseridos uma série de medos com o despertar da tripulação e a entrada do alienígena na nave. A criatura não pode ser removida, pelo perigo de matar o tripulante, mas logo ela sai sozinha, sendo encontrada morta. Já o tripulante desperta, para morrer em seguida: uma nova criatura "nasce" de dentro dele, e foge, escondendo-se na nave. Não iremos nos ater ao formato da criatura, que segundo alguns é totalmente fálico e representa a sexualidade humana, etc. O terror se instala na nave. A criatura adquire rapidamente grandes proporções (não me pergunte como, mas também não me interessa), e mata os integrantes um a um. Nessa parte do filme fica evidente a claustrofobia e o medo do desconhecido, tão comuns na obra de H. P. Lovecraft, que é uma forte referência e mesmo de outros autores como Edgar Allan Poe. Os corredores da "mãe" são como labirintos escuros e intermináveis, e o espectador é irremediavelmente colocado de frente com o medo em seu estado puro: o medo do escuro, da solidão e do desconhecido. Como na infância, a proteção da mãe não é suficiente para proteger o homem desses medos, a "mãe" nave também não proporciona segurança, pelo contrário, colabora para aumentar o clima de pavor. Há ainda a paranóia. Um dos membros da equipe, o que justamente trouxera o alienígena à bordo, é um "traidor", auxiliando a criatura a se esconder e sobreviver. Claro que aí, descobre-se que ele é um andróide, programado para auxiliar na condução do alienígena à Terra, onde é esperado por militares. Descobre-se o jogo: tudo havia sido programado, desde o despertar prematuro da tripulação, o pouso, enfim, para que a criatura fosse levada à Terra, não importando o custo da operação, ou seja, as vidas dos tripulantes. Repare-se que em nenhum momento a Terra é mostrada no filme (nem mesmo na série, salvo no quarto filme, em uma seqüência excelente), nem os militares, que seriam no esquema americano, os vilões. Com o "traidor" descoberto (e desativado), os sobreviventes decidem, como única alternativa a sobrevivência, abandonar a nave, destruindo-a, junto com a criatura. Ocorre a morte da "mãe", que por tanto tempo os mantivera vivos, e a emancipação dos sobreviventes, como filhos que após terem sido cuidados com carinho, já adolescentes sentem-se prisioneiros e sufocados, não restando alternativa, senão deixar o lar, numa morte simbólica da mãe e conseqüente abandono dos medos primitivos. Mas apenas um passageiro escapa. A oficial Ripley em um módulo de salvamento. A filha abandona a mãe, o lar, os medos e parte para o desconhecido. Está começando a sua independência. E pela primeira vez ela se revela uma mulher, o que fica claro na tela, quando a bela atriz fica seminua. Durante todo o filme, os astronautas foram seres assexuados como crianças, com seus uniformes iguais, como se fossem sobrinhos do pato Donald. Somente no final, o sobrevivente, que escapara do controle da mãe e dos medos revela-se um ser sexual, na figura de uma bela mulher. Mas os medos na forma da criatura resistem. O alienígena escapa da explosão infiltrando-se no módulo de salvamento. Dá-se uma breve batalha. A criatura é expulsa da pequena nave num engenhoso plano da heroína, que como que diz: "Esse espaço é meu, você deve ficar lá fora e para trás." Apesar disso, o filme não tem um "final feliz". Também não é um "final triste", mas simplesmente fica em aberto: a tripulante adormece novamente na espera de um resgate pouco provável, mas possível. Como numa vida normal, não há finais felizes ou infelizes. Não há fim.